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Não aprendem nem querem aprender

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma "minimização" de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.


10 comentários

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De Jorg a 26.03.2015 às 08:45

Acha mesmo? Durante anos os governos iam 'literalmente' para a cama com esta gente - e, pelo menos desta vez, alguem no governo e na regulação andou a bater o pé.
Ricardo Salgado esperava - porque assim estava habituado - que o Governo e o Regulador viessem prestar vassalagem. Estava habituado na PT, estava habituado com o BES Angola, estava ainda habituado com 'investimentos' da Rio Forte, etc. Depois de perceber que tinha de fazer pela vida, ele e quem á volta dele se habituou a que 'dinheiro e meios sempre apareciam' andaram a salgar a terra, e a contar que era adubo. Sangrou a PT, esmifrou investidores com as histórias de 'papel comercial'. Esperavam simplesmente que, perante o pandemónio, o "interesse nacional" pudesse mais uma ver ser a cosmetica para nova mama.Porque assim estavam habituados.
O presidente do Banco de Portugal foi ingénuo? Claro que foi, pois esperava que esta gente ao menos tivesse vergonha e parasse com a ordenha. Provavelmente, sabendo o que hoje se sabe, tinha corrido com aquela gente mais cedo, um regulador como a CMVM teria corrido com aquela tralha da PT - que transformou uma empresa com serviços e tecnologias competetivas numa especie de entreposto financeiro para nomeados da 'xuxalada' e amigos de Lula da Silva- que andou a ajudar a festa.
Mas sinceramente é facil ser general a recitar estratégia no fim da batalha. Os seus argumentos misturados com o asco que reiteradamente reserva para este governo e os seus actores pouco mais são que essa recita...
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De jo a 26.03.2015 às 16:54

Saber que o GES está a falir, deixar o BES fazer um aumento de capitais ao mesmo que tempo que se vem para a TV e para os jornais dizer que está tudo bem, não é só deitar-se na cama com esta gente. É incesto, porque eles são todos gerados pela mesmíssima mãe.
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De Marmeleiro a 26.03.2015 às 08:45

Por isso é que o Senhor Engenheiro Sócrates tinha de pedir mais que muitas vezes aquilo de que gosta muito ao seu amigo Santos Silva, coitado.
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De Costa a 26.03.2015 às 09:02

Mas diz-se. E com todo o descaramento, impunidade e irresponsabilidade. E perante um povo exausto, embrutecido e sedento de uma boa notícia, sem cuidar de saber se verdadeira ou sequer remotamente praticável, isso funciona muitíssimo bem atento o objectivo em causa.

Que, bem se sabe (curiosamente o povo não o parece saber; suponho que o mais recente carro de luxo do Ronaldo, o "soft porn" diário dos serões da TVI e a anatomia insinuante de uma ou outra menina, daquelas que fazem de actriz nas novelas servidas à náusea - à falta da russa caída em desgraça -, lhe ocupem os neurónios), não é pagar o que seja, é regressar ao poder.

Mas um povo estúpido sempre combinou muito bem com governantes (ou potenciais governantes) mentirosos. Para vantagem destes.

Donde, está muito bem assim e nem podia ser de outra maneira.

Costa
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De William Wallace a 26.03.2015 às 13:45



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De Luís Lavoura a 26.03.2015 às 09:48

Ainda há pouco tempo o José António Abreu repetiu como autor deste blogue, o mantra de que não haveria custos para os contribuintes. Como se o dinheiro crescesse nas árvores e os prejuízos do BES pudessem ser pagos com esse dinheiro crescido nas árvores.
É evidente que, havendo prejuízos, e o dinheiro não crescendo nas árvores, alguém vai ter que pagar esses prejuízos. Se não forem os contribuintes, serão os depositantes de dinheiro nos bancos. Que, ao fim e ao cabo, são exatamente as mesmas pessoas.
Parece que felizmente o José António Abreu já se apercebeu disso.
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De José António Abreu a 26.03.2015 às 10:38

Finalmente posso descansar. Alguém fala por mim.

(Como seria de esperar, não diz bem o que eu penso mas, caramba, só pode ser prova de êxito ter alguém a deturpar-me as opiniões.)
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De Enternecido a 26.03.2015 às 10:36

Entretanto, Carlos César garante que um governo do PS compensará os lesados do BES. Enternece ver socialistas prometerem pagar prejuízos privados com dinheiros públicos. Mas não surpreende: já o fizeram no caso do BPN. Quaisquer esperanças de que tivessem aprendido a lição acabam de se esfumar. Uma das maiores mágoas de Ricardo Salgado só pode ser não ter encontrado António Costa como primeiro-ministro quando precisou de dinheiro público para salvar o grupo.

(JAA, Delito de Opinião)
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De José António Abreu a 26.03.2015 às 19:04

Bom, pelo menos neste caso fui bem citado.
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De anonimo a 26.03.2015 às 18:16

"Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma."

Já foi dito. No mesmo momento em que se censura a forma como os investidores foram levados a crer que o papel comercial do BES era seguro, há quem levianamente leve esses mesmos investidores a pensar que o Estado vai pagar a toda a gente.

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