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Nada está garantido

por Pedro Correia, em 15.07.16

Ontem à noite, enquanto acompanhava as chocantes notícias da chacina em Nice - que provocou já 84 mortos, incluindo dez crianças, e 202 feridos, 52 dos quais em estado crítico -, ia-me interrogando sobre até quando iremos assistir impávidos a estes contínuos actos de terror. E lembrei as palavras sofridas de Albert Camus reagindo em 1957 ao terrorismo "nacionalista" na Argélia, que matava inocentes em nome da justiça anticolonial. Questionava-se ele (e cito de cor): "Neste momento, em Argel, explode um autocarro. A minha mãe pode ir nesse autocarro. Se isto é justiça, ponho a minha mãe à frente da justiça."
Milhares de vozes, por essa Europa fora, ecoarão esta ideia nas semanas mais próximas, nos meses mais próximos, nos anos mais próximos. Em crescendo, sempre em crescendo. Escrevo estas linhas enquanto se anuncia um golpe de Estado na Turquia - algo inimaginável às portas da Europa, em pleno século XXI, ainda bem há pouco tempo. Tanto quanto me recordo, o anterior golpe militar em Ancara ocorrera em 1980.
Os optimistas antropológicos que concebem a cronologia histórica como uma sucessão de avanços inabaláveis sofrem de acentuada miopia. Se algo a História nos ensina é isto: nunca há conquistas inteiramente adquiridas. Nem precisamos de recuar mais longe do que o sangrento século XX para aprendermos esta elementar lição.


20 comentários

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De da Maia a 15.07.2016 às 23:55

Kerry dizia que ele e Lavrov tinham sido apanhados de surpresa pela tentativa de golpe de estado na Turquia...
Pois! Pois sim...

Ou então, também é possível que EUA e Russia não estivessem a achar muita piada ao caminho que a Turquia estava a levar no sentido da islamização, da mesma forma que aconteceu no Egipto, onde um governo eleito foi deposto por militares, como se nada se tivesse passado.
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 11:02

Washington não tem o menor interesse em desestabilizar a Turquia, o mais poderoso aliado dos EUA na região e membro da NATO desde o início dos anos 50.
Moscovo, pelo contrário, mantém um conflito larvar com os turcos que conduziu mesmo durante meses à suspensão das relações diplomáticas. Um conflito que está para durar pois são ambas potências militares com interesses antagónicos, cada qual com tentações hegemónicas na região, como se verifica na guerra síria.
O facto é que a sucessão de atentados põe em sério risco a economia turca, que depende em grande parte das receitas turísticas e do investimento externo. Se as respostas brandas ao terrorismo não produzirem efeito seguir-se-ão as respostas duras - tão fatal como a noite suceder-se ao dia.
Este é um princípio também válido do Bósforo para cá.
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De da Maia a 16.07.2016 às 12:15

A breve declaração de Kerry, invocando paz, pareceu-me trazer subjacente uma mensagem - não se oporiam ao golpe, desde que ele não se transformasse num banho de sangue, contra a população.
Foi por aí que o golpe falhou, já que com a população afecta a Erdogan nas ruas, dificilmente a insurreição militar conseguiria uma mudança de regime "pacífica".

O que me pareceu claro é que os revoltosos, sendo militares, não iriam tentar executar "a graça" sem sondar nos bastidores o que fariam - quer os EUA, quer a Russia. É claro que a UE seria contra o golpe e apoiaria Erdogan, mas a UE não tem qualquer relevância militar, e não preocuparia minimamente os militares turcos.

Pode ter sido coincidência o golpe dar-se no momento em que Kerry e Lavrov tinham acabado de estar reunidos? Pode, mas os EUA quando apoiaram as primas feras, na Líbia, Síria e Egipto, mostraram que não estavam muito preocupados com a instabilidade na região. Parece claro que a Rússia prefere os autocráticos regimes militares, que lhes dão maior segurança de estabilidade regional. Mas, a partir do momento em que o Egipto elegeu um presidente islamita, e se instalou o caos na Líbia, os EUA também passaram a hesitar na tendência de apoiar as primas feras.
Creio que, ao contrário da UE, que faz um básico jogo de conveniência, com quem quer que seja, os EUA têm interesse em que a Turquia não degenere numa república islâmica, do tipo iraniana, conforme Erdogan está a pretender fazer.
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 20:23

A Turquia é um baluarte pró-americano na região, daí os EUA não pretenderem alterar o 'statu quo'. Diferente é a perspectiva russa, como tem sido patente na guerra síria. Russos e turcos têm interesses conflituais na região (Síria, Arménia, Arzebaijão) e não deixarão de vincar isso de forma bem clara. Mas ambos os países formam uma frente contra o terrorismo jiadista: esse é o interesse fundamental no momento presente.
Convém recordar que 90% das vítimas mortais do extremismo islâmico são elas próprias de confissão islâmica.
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De da Maia a 17.07.2016 às 01:53

Vale o que vale... mas as últimas informações que me chegaram, por opositores ao regime de Erdogan, indiciam que o próprio Erdogan terá simulado o golpe, para com isso ganhar pretexto para iniciar uma limpeza mais profunda no aparelho de estado - militar e justiça.
A favor desta tese - nenhum general apareceu como comandante do golpe, e ainda agora se remete autoria apenas para o dissidente exilado. A população contrária a Erdogan foi apanhada desprevenida, e apenas a restante apareceu rapidamente em apoio. Os militares e juízes que foram apanhados na armadilha, foram aqueles que se apressaram a manifestar-se contra Erdogan, e a favor de um golpe.

Se foi isso que Erdogan tentou fazer, e conseguiu, pois parece-me que terá mais problemas do que imagina... porque o mundo não é a Turquia, e há certa malta que não gosta destas brincadeiras; excepto quando são os próprios a fazê-lo.
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De Pedro Correia a 17.07.2016 às 18:31

Pareceu-me, isso sim, um golpe organizado de forma muito amadora. Ao modo clássico. Acontece que no mundo contemporâneo os golpes não têm sucesso desta forma.
Os blindados nas ruas e os caças a sobrevoarem locais estratégicos não foram fingidos: foram a sério.
Não me parece que nada disto tenha sido encenado por Erdogan. O número de vítimas mortais (acima de cem), os custos reputacionais para a Turquia (que depende em boa parte de receitas turísticas) e as feridas na poderosa instituição militar, de que ele depende para se firmar no poder interno e manter as bravatas em política externa, são danos excessivos para um homem que conseguiu alterar o quadro constitucional, transformando um regime parlamentarista em presidencialista, sem necessidade de colocar blindados nas ruas.
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De M. S. a 16.07.2016 às 00:19

Caro Pedro:
Aceite a minha pergunta como bem intencionada.
«...até quando iremos assistir impávidos a estes contínuos actos de terror.»
e
«Escrevo estas linhas enquanto se anuncia um golpe de Estado na Turquia - algo inimaginável às portas da Europa, em pleno século XXI, ainda bem há pouco tempo.»
Sabendo-se que o jogo democrático por parte de Erdogan não passava de um aproveitamento oportunista, tal a ambiguidade da personagem em relação ao DAESH, por exemplo, e à mistificação entre as acções deste e dos nacionalistas curdos, culpados sempre pelas suas e pelas do DAESH, ou em relação à perseguição dos jornalistas, a 2.ª citação não poderá ser uma resposta (aceito que perigosa) à 1.ª citação?
Afinal, desde 1923 que a Turquia vive num regime bastante aceitável do ponto de vista democrático, tendo em conta o contexto geográfico, tutelado, embora, explícita ou implicitamente pelos militares.
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 11:15

A Turquia é uma democracia 'sui generis', onde as forças armadas funcionam como válvula de segurança do sistema político - e, como tal, gozam de especial protecção constitucional. Tão 'sui generis´que impõe uma percentagem de 10% dos votos como patamar mínimo para a representação parlamentar de um partido, com a clara intenção de impedir a formação de uma bancada curda no parlamento - objectivo gorado na mais recente eleição, quando o partido curdo foi a terceira força mais votada.
O que me inquieta na Turquia ultrapassa largamente as fronteiras turcas: é um sintoma que vejo desenhar-se e pode contaminar outras paragens a partir do efeito de contágio. A partir de que momento o combate ao terrorismo deixará de se tornar uma necessidade imperiosa das sociedades democráticas para se tornar um pretexto que leve ao derrube das nossas democracias? Quem traça a linha divisória? Quantos demagogos se preparam já por aí para inflamar as massas em discursos irracionais, reivindicando o sacrifício das liberdades para imolá-las no altar sempre ilusório da "segurança" armada até aos dentes?
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De Justiniano a 16.07.2016 às 08:57

A frase é lendária, caro Pedro Correia, e teve, na altura, repercussões filosóficas e políticas que fizeram de Camus o primeiro exilado e símbolo da resistência à hegemonia cultural marxista pro soviética em França e na Europa. Camus regressou então, mais ou menos relutantemente, às origens do ocidente cultural!! Hoje, o statement de Camus, pode ser lido em sentido filosófico - existencial, a história produz as suas vítimas improváveis, e como documento da história pós colonial, com o mesmo resultado, a história produz as suas vítimas improváveis!! Tudo, contudo, tragicamente provável!
Camus arriscaria, a justiça pode estar ao lado da história mas eu não!!
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 10:49

A frase de Camus foi recebida com escandalizados gritos de heresia. A partir daí foi banido dos cenáculos do "progresso" e silenciado nos círculos da bempensância: uma espécie de fogueira simbólica.
Ele ousou questionar o dogma da defesa dos direitos humanos em função do mapa geográfico e das ideologias de turno, até aí inquestionável. Foi - em termos filosóficos - o primeiro intelectual do século XX a pôr totalmente em causa esse dogma, que dividia atrocidades em "boas" e "más", consoante rótulos e trincheiras.
Mais de meio século depois, eis-nos tantas vezes de regresso a esses dias - prova evidente de que também as ideias não evoluem em linha recta mas por vias sinuosas. O primeiro "direito" que os inúmeros discípulos de Maniqueu hoje reclamam é o direito à trincheira. E todos os juízos de valor subsequentes se tornam de geometria variável, mais obedientes ao clamor da trincheira do que à voz da razão. Contra todas as evidências. Contra a mais dura e dilacerante realidade.
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De am a 16.07.2016 às 11:13

Consta de todos os manuais militares:

"Terrorismo só se vence com terrorismo "

O que esperam as nações que o sofrem na carne?
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 11:31

Erdogan pode ter controlado este golpe, mas ficará a partir de agora como uma espécie de refém civil dos militares, frágil como nunca.
Não tenho a menor simpatia pelo autocrata turco, mas é sempre possível imaginar regimes piores e governantes piores. Por outro lado, é inconcebível uma Turquia à mercê do terrorismo sem resposta militar. Os serviços de informações das forças armadas sabem, melhor que ninguém, quais são as fontes de abastecimento, as redes cúmplices e as rotas utilizadas pelos terroristas. E não ignoram a relativa complacência de Erdogan perante as hordas fanáticas do Dito Estado Dito Islâmico.
Nada de bom se avizinha nos tempos mais próximos. Entretanto, cá no recanto europeu, ainda nos damos ao luxo de mandar farpas à maçadora "burocracia de Bruxelas". Oxalá não venhamos a sentir saudades dos tempos tão bocejantes em que a História passava e não parava à nossa porta por manifesto desinteresse...
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De Anónimo a 16.07.2016 às 11:41

O que eu gostava de saber era o papel da Rússia nesta questão.
Será que Rússia e EUA estão do mesmo lado da trincheira?
Estranho!
Será que conflituam a respeito?
Muito perigoso!
A ver vamos.
João de Brito
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 20:31

Nunca estarão exactamente do mesmo lado na medida em que a Turquia é o mais próximo aliado dos EUA (após Israel) na região do Médio Oriente e Ásia Menor. Toda a elite militar turca foi formada com apoio ou assistência norte-americana.
Além disso Moscovo - com os rebeldes chechenos e outras minorias islâmicas dentro do seu próprio território - alimenta uma enorme desconfiança quanto ao messianismo pan-religioso de Erdogan.
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De Anónimo a 16.07.2016 às 12:17

Caro Pedro Correia.
Permita um breve comentário à sua afirmação de que Erdogan ficará refém civil dos militares. Não sou adivinho. Mas da minha vida profissional, e de um poucochinho que conheço e estudei acerca dos temas geopolítica e estratégia, interesses riscos e ameaças em cada País, arriscaria dizer que Erdogan não fica refém. Designadamente porque, paulatinamente, ao longo de anos, as chefias militares que em princípio alinhariam pela manutenção de um estado laico foram "dizimadas" administrativamente. Lá, como cá e em todo o lado, há sempre quem se pele por ocupar os lugares cimeiros nas organizações mesmo quando os nºs 2 das organizações batem no peito em exaltação de lealdade para com quem no dia seguinte é corrido. Muitas vezes expulsos com a ajuda dos "leais" nº2 da véspera.
António Cabral
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De Pedro Correia a 16.07.2016 às 20:33

Isso é verdade. A instituição militar tem sido "depurada" por Erdogan. Mas continua a ser, apesar de tudo, a principal garantia de que as características laicas do regime implantado por Ataturk há quase cem anos continuarão a ser preservadas no essencial.
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De jj.amarante a 17.07.2016 às 21:40

Segundo a BBC (http://www.bbc.com/news/world-europe-17994865) estes foram os golpes militares na Turquia na segunda metade do século XX e até este de Jul/2016:
1960 - Army coup against ruling Democratic Party.
1971 - Army forces Demirel's resignation after spiral of political violence.
1980 - Military coup follows political deadlock and civil unrest. Imposition of martial law.
1997 - Coalition resigns after campaign led by the military, replaced by a new coalition led by the centre-right Motherland Party of Prime Minister Mesut Yilmaz.

Os intervalos passaram de 10 em 10 anos para 17 e agora (se este foi real) para 20 anos. É chato os laicos serem militares com tendência para golpes. E ainda pior desencadear um golpe que falha.
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De Pedro Correia a 17.07.2016 às 21:50

Pois. O último golpe duro foi o de 1980, protagonizado pelo general Evran, falecido há pouco tempo.
Resta ver por que este falhou. Mas desde já se pode adiantar isto: a verdade é que golpes como os de 1960, 1971 e 1980 só são hoje possíveis no Médio Oriente e certas partes do continente africano.
A globalização mudou tudo, para o bem e para o mal. Neste caso - como em vários outros - para o bem. A neutralização da revolução tecnológica, que põe as telecomunicações ao serviço das liberdades individuais, ainda não figura em nenhum manual golpista.
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De Luís Lavoura a 18.07.2016 às 09:43

assistir impávidos a estes contínuos actos de terror

Impávidos não estão os franceses - estão há anos em Estado de Emergência, com liberdades limitadas, e assim vão continuar.

Questiono se o Pedro gostaria que estivessem ainda menos impávidos. E como.
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De Pedro Correia a 18.07.2016 às 16:18

Em Janeiro de 2015, os franceses tiveram a ilusão de que ao acender velinhas, pôr peluches junto aos locais dos crimes e a bater no peito gritando "Je suis Charlie" exorcizavam o problema.

Não foi assim, como ficou dramaticamente comprovado em 13 de Novembro.
http://rr.sapo.pt/noticia/39421/franca_declara_estado_de_emergencia_e_fecha_fronteiras

O estado de emergência então instaurado preparava-se para ser levantado, como foi noticiado na véspera do morticínio em Nice:
http://www.tsf.pt/internacional/interior/estado-de-emergencia-em-franca-termina-a-26-de-julho-5281885.html
Outra ilusão.
Este artigo do 'El País' descreve bem a situação:
http://internacional.elpais.com/internacional/2016/07/17/actualidad/1468782286_218544.html

Questiono-me como é que um país onde existem oito serviços de informações, cada qual com a sua orgânica, a sua hierarquia e as suas prioridades, pode responder de forma eficaz aos desafios do terrorismo.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_intelligence_agencies_of_France

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