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Hesitei antes de escrever este texto e isso raramente me acontece. E normalmente quando hesito, não escrevo. Mas, desta vez, decidi fazê-lo. Não tenho qualquer presunção de trazer mais alguma informação ao muito que tem sido escrito ou comentado sobre o percurso político de Mário Soares. Nem sequer é isso que me motiva e muito menos faço-o numa lógica de homenagem fúnebre ou de elogio póstumo ao antigo Presidente da República. Sei bem o papel que Mário Soares desempenhou na história de Portugal e de que forma é que isso se reflecte na minha vida quotidiana. Isso não esqueço e nem aqueles que prezam os valores da democracia e da liberdade devem esquecer. Sempre o considerei o maior estadista português no pós-25 de Abril, com as suas virtudes e defeitos, com os seus feitos e erros.  

 

Mas a questão não é essa. O que me levou a escrever este texto é ter percebido que na hora do adeus a Mário Soares, o povo já não está com ele. Estão os comentadores, os jornalistas e os políticos do regime, mas o povo não tem acompanhado Mário Soares na sua última caminhada. Nem sequer o povo mais idoso, o que tem uma memória mais viva dos tempos áureos da actividade daquele político. Das impressões que fui tendo desde o anúncio da morte de Mário Soares, fosse na rua, nos cafés, junto de amigos e colegas, no comboio, o tema despertou pouca comoção e muito menos debate sobre o seu legado. Podia estar errado na minha percepção, mas as transmissões televisivas desta Segunda-feira, onde fui acompanhando o cortejo fúnebre durante a manhã, confirmaram aquilo que se tornou impressivo para mim: Portugal, o do povo, não está com Soares na hora do adeus. Nas ruas de Lisboa viu-se gente acima dos 50 anos, mas poucos, muito poucos. Nos Jerónimos, igual. Quanto aos mais novos – e quando digo mais novos, estou a ser simpático para aqueles que já têm entre 30 e 40 anos –, praticamente ausentes. Jovens abaixo dos 30, nem vale a pena falar.

 

É normal em qualquer parte do mundo que à medida que os políticos vão envelhecendo se distanciem da memória das pessoas, que vão seguindo as suas vidas, no tempo presente, com as suas alegrias e problemas. As memórias políticas, essas, ficam para os protagonistas do regime que, nestes dias, se têm atropelado uns aos outros para “reagir” e mostrar toda a sua sabedoria em relação à essência de Mário Soares. Nas televisões, rádios e jornais falam uns para os outros e nem percebem que o povo está noutro registo.

 

Mário Soares é e será sempre uma grande referência para Portugal e o povo ficar-lhe-á eternamente agradecido mas, neste momento, para a maioria das pessoas, é já um apontamento histórico que há muito ficou lá atrás. Os tempos pós-modernos são assim, implacáveis na preservação de um sentimento vivo de proximidade com alguém que teve um papel importante na nossa História. As elites vão guardando essas memórias de Mário Soares e os livros de História o registo do seu papel enquanto político português, mas a verdade é que as pessoas comuns parecem cada vez menos entusiasmadas com as tradicionais figuras políticas contemporâneas, as mortas ou as vivas. E quem achar o contrário, é porque vive numa realidade alheada, preso na glória do passado, sem a noção daquilo que o rodeia no presente. E um dia vai perceber que o povo já não se lembra dele, já não quer saber... As honras do adeus serão feitas pelos decrépitos do regime.

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29 comentários

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De josé F. a 09.01.2017 às 15:43

Mário Soares é o único politico desta geração que vai ficar na História e será estudado nas escolas, como o impulsionador da adesão de Portugal á CEE.
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De V. a 10.01.2017 às 17:22

Mas nunca fez nadinha pela Gramática.
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De Anónimo a 09.01.2017 às 15:52

Exactamente.
A (in)diferença entre a opinião pública e a publicada, melhor, televisionada.
A realidade face à grande mentira que nos querem impôr.
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De isa a 09.01.2017 às 16:18

As ruas estavam "apinhadas" de povo
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De Charrua a 09.01.2017 às 16:11

Não estão decrépitos os que comemoram mas, sim, os que não se entusiasmam.
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De JS a 09.01.2017 às 16:29

Este PS/Governo tresanda a Coreia do Norte.
Triste sina para quem se denominava laico, republicano, socialista e europeu.
Agora, indefeso, numa europa em ruínas, entre missas, trejeitos e honras imperiais será usado e abusado como bandeira socialista.
Triste sina.
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De Charrua a 09.01.2017 às 16:39

Tal e qual. Como a Coreia do Norte, e o diabo a quatro de não sei quantos países também por cá se fazem honras de Estado a Presidentes eleitos democraticamente.
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De Manuel Silva a 09.01.2017 às 18:11

JS,
É isso mesmo, o PS e o Governo tresandam a Coreia do Norte.
E o senhor (ou senhora), no seu seguidismo e sectarismo ideológicos, tresanda àqueles apresentadores caricatos da televisão norte-coreana.
O Alexandre Guerra fez uma análise serena, profunda, com substância, sem qualquer laivo de sectarismo - como é seu timbre - a seguir tinham de vir logo alguns comentadores-fundamentalistas para borrarem a pintura toda.
O homem morreu, cada um que pense dele o que quiser e lhe faça a homenagem que entender (ou fique indiferente a homenagens), não é preciso começar logo a disparatar e a largar baboseiras.
Tão legítimo é ir prestar-lhe homenagem como não comparecer.
As duas atitudes são outra faceta da essência da Democracia, regime pelo qual ele se bateu com suficiente clareza e em dois momentos bem difíceis (enquanto outros se acobardaram ou fugiram para o estrangeiro).
Ao menos na morte de um ser humano que haja um pouco de dignidade.
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De Anónimo a 09.01.2017 às 18:03

Qual é a surpresa? Este é um regime sem povo. A indiferença geral para com a morte do Soares é só mais um exemplo. Curiosamente, há jornais que fecharam as caixas de comentários nas notícias sobre o Soares porque o tom geral é hostil. Mas o facebook e os blogues não podem censurar.
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De José Menezes a 12.01.2017 às 11:41

Pois. Os jornais e a TV vivem momentos de crise.

Por um lado publicam para vender e aí têm a minha simpatia. Nada mais democrático do que corresponder à vontade popular (por muito que eventualmente possamos discordar dela).

Por outro vivem de subsídios que funciona como o lápis azul.

Com tudo isto aparecem sobretudo notícias sem interesse com títulos alarmistas, ausência de fontes, fontes que não correspondem à notícia ou notícias que distorcem o conteúdo das fontes, fazendo crer, ao leitor desprevenido, conteúdos opostos.
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De Carla G. a 09.01.2017 às 18:39

Tinha 3 anos em 1974. Não vivi portanto o 25 de Abril, os dias agitados e de esperança que se lhe seguiram, nem os tempos quentes do PREC. A minha família, embora politizada, ou seja, com convicções políticas fortes, não era filiada ou próxima de partidos ou outros movimentos políticos. Lembro-me vagamente de a minha avó que me criou se queixar que “o bochechas” mandava “apertar o cinto”, em outros tempos de austeridade que mal compreendia, apesar de sentidos na nossa vivência do dia-a-dia.
Comecei a despertar para as questões políticas com a campanha presidencial de 1986, então com 15 anos. Apesar de muito pouco ter vivido os momentos talvez mais essenciais, e menos consensuais, da vida de Mário Soares, nos momentos mais decisivos que construíram o regime democrático no nosso País, sei que em muito se lhe deve a democracia como hoje a conhecemos e vivemos, ocidental, europeia, multipartidária e constitucional.
As conversas de café, o destilar de ódios nas redes sociais, e mesmo a ausência e as abstenções no acto do voto, fazem parte dessa democracia e liberdade que ele ajudou a garantir para nós.
Que as pessoas da minha geração, e também as mais novas, mal saibam quem era Mário Soares, e de viverem estes dias como outros quaisquer das suas vidas mais ou menos banais, apenas se deve ao facto de que o que ele queria para Portugal se conseguiu alcançar na sua plenitude.
É precisamente por isto que, como disse o primeiro PR deste regime democrático, sufragado universalmente, Ramalho Eanes, “a Pátria lhe deve reconhecimento”.
Obrigado, Mário Soares.

Carla G.
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De Charrua a 09.01.2017 às 20:07

Bem sei que para a Carla e para muitos outros cristãos seja difícil de aceitar que cada um possa fazer com a sua vida aquilo que lhe der na real gana. Inclusive serem serem estúpidos, banais, ou dândis.
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De isa a 09.01.2017 às 23:14

Carla G. esqueça a "prata da casa" e comece a procurar informação Global porque, só aí, está a chave para perceber o caminho por onde vamos e, as consequências para a nossa soberania que, já nem sequer temos, assim como os outros países europeus que entraram na "toca do Lobo", com promessas que era só para facilitar as trocas comerciais e agora, estamos entalados entre a espada e a parede, endividados propositadamente para termos de obedecer a essa "entidade" externa.

Não pensa que a maioria dos ingleses esteja "maluquinha" e não tenham boas razões para querer sair. Para os que estiverem no euro a coisa estará muito mais complicada porque basta parar a entrada de dinheiro e, como não produzimos riqueza para sustentar tanta despesa, nenhum político quer perder votos e vai empurrando a verdade para depois.
Mesmo não pagando a dívida, o dinheiro não chegava para a despesa. Temos um Estado Gordo, cheio de buracos como uma peneira. Temos tantas Câmaras como no tempo de Salazar mas, não havia autoestradas. De Lisboa à Guarda, as estradas eram tão más que, com sorte, saindo de Lisboa às 5 da manhã, não tínhamos de pernoitar antes de chegar à Guarda. Por exemplo, porque pensa que não foi reduzida a despesa, reduzindo o nº de Câmaras, com autoestradas que reduzem esse tempo para hora e meia? Com net, simplex, comunicações ao segundo e fica tudo na mesma? O Tal Estado Gordo, tem de alimentar a "prata da casa" e muita gente que a única coisa que sabe fazer é viver pendurada no dinheiro dos contribuintes.

Comece pelo filme BREXIT THE MOVIE FULL FILM
https://www.youtube.com/watch?v=UTMxfAkxfQ0

para perceber como funciona a UE porque, provavelmente, ainda não deve saber que quando vota para escolher os eurodeputados, estes não podem propor nem vetar Leis e, se tal como o FED nos EUA, o BCE na Europa é um Banco Privado com os mesmos donos, a tal elite do 1% e, se os Parlamentos têm de obedecer e ter os orçamentos aprovados externamente, começa a ver que estamos a viver num Mundo de fantasia, completamente diferente daquele que nos está a ser vendido e, há mais, muito mais mas, vai ter de investigar por conta própria senão não vai acreditar, tal como aquela treta do aquecimento global:

https://www.youtube.com/watch?v=Gj9xD4bj2h4&t=71s
PREPARING TO REGULATE ALL HUMAN ACTIVITY | G Edward Griffin

Quanto a escolher esquerda/direita, tanto faz, obedecemos a ordens externas e, há mais, comece por ouvir uma boa explicação e, depois, tire as suas próprias conclusões mas, estas 3 dicas, são só o começo:

https://www.youtube.com/watch?v=jAdu0N1-tvU
G. Edward Griffin - The Collectivist Conspiracy

Os americanos votaram no Trump com esperança de parar os ataques à sua própria Constituição que é a que garante mais Liberdades individuais e tem estado sobre ataque cerrado.

A ideia seguinte seria mudar as Constituições e os italianos também não são "maluquinhos" para votarem Não, neste último Referendo e, olhando para a nossa "quintarola" tão democrática, nós nem sequer tivemos direito a Referendo para perguntar se queríamos entrar na UE, daí, haver muitas "divergências" quanto a M.Soares porque nem todos gostaram de ver o país perder a soberania, outros não gostaram de não ter havido Referendo e Respectivos Debates e, muitas outras razões, no entanto, nestas décadas, deram umas migalhas ao povo, muito alcatrão, muitas obras... e, os novos-ricos, cresceram como cogumelos, à conta dos contribuintes e do dinheiro que veio para o país da CEE, para "desenvolvimento", no entanto, muito pareceu evaporar-se mas, ficou uma Dívida de 12 dígitos quando o nº de portugueses só tem 8. Mesmo assim, tanto dinheiro e, por 3 vezes o FMI veio emprestar mais e, uma das vezes, foi quando a sua avó se deve ter queixado... apertar o cinto, por cá, novidade foi só da 1ª vez... e ainda vai haver mais apertos...
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De JSC a 10.01.2017 às 20:33

Ainda agora estava a ouvir uma senhora a dizer que todos (filhos, netos ...) ficámos mais ricos ao sair da Ditadura, no entanto tínhamos saldo positivo entre o Dever e o Haver. Agora só devemos mais 300% (dívida publica mais privada igual a 430% do PIB) do que havemos, sem dúvida mais ricos. Mas lá está, os portugueses nunca foram bons a matemática. Até ao dia que vierem cobrar à força e as pessoas pensarem de onde veio...
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De Salazar marxista a 10.01.2017 às 21:04

JSC é espanhol?

Em 1710 na Nova Inglaterra a taxa de alfabetização era de 70%, valor que conseguimos atingir em Portugal em 1960, 250 anos depois!

Outras maravilhas do Estado Novo:

- Portugal era um país pobre, com cerca de 50% da população vivendo da agricultura, muitas vezes de subsistência.


- As crianças das aldeias ajudavam a família logo a partir dos 6 ou 7 anos nos trabalhos do campo.


- No caso das famílias mais pobres, migravam para vilas e cidades - as raparigas muitas vezes para servir de criadas na casa de pessoas ricas ou abastadas.


- O povo vivia em grande pobreza, por isso, os Portugueses começaram a emigrar, cerca de dois milhões até 1974.


- A emigração para o estrangeiro, tinha como resultado as remessas dos rendimentos de trabalho dos emigrantes. Desde finais da década de 60 e toda a década de 70, foi uma das principais fonte de receitas do País.


-  Em 1970, mais de 36,0% dos alojamentos familiares não possuía electricidade.


- Cerca de 42,0% não tinha esgotos.


- Quase 53,0% não tinha água canalizada.

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De JSC a 11.01.2017 às 12:37

Ainda mais razão me dá, só conseguimos isso com dinheiro emprestado, ou seja, mesmo depois dessas melhorias continuamos a não produzir o suficiente para ter uma vida de 1º mundo, a culpa não é deste ou do antigo regime é dos portugueses em geral. Quem tinha razão era o Salazar, para que dar educação e melhores condições se se continua a produzir menos do que se gasta? Se essas condições se traduzissem em melhoria futura entre dever e haver fazia sentido e seria considerado um investimento, agora o que se verifica é o oposto, gastámos esse dinheiro todo que não é nosso e continuamos a ter uma produção de baixo nível e pouco qualificada.

Com dinheiro que não é nosso é fácil viver :D, até dá mais gosto gastá-lo.

Mas responda-me lá o que vai acontecer quando os que nós emprestaram dinheiro o quererem de volta? Voltamos a passar fome (75% da comida é importada), ficar sem energia (electricidade + combustíveis, 65% é importado) e continuamos a ter água muito graças às grandes e importantes obras públicas do antigo regime, que iam ser mais uma vez impulsionadas, mas depois lembraram-nos que não temos dinheiro e gostamos muitos dos animais :D
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De Corno a 11.01.2017 às 19:39

Portugal é um negócio falhado, sendo a culpa não das politicas, mas do povo.

Eu sabia que cidades estavam sendo construídas
Não estive em nenhuma delas.
Questão de estatística, pensei eu Não de história.
Para que servem cidades, construídas
Sem a sabedoria do povo?
Mas talvez o mais esclarecedor (e estranhamente apropriado nos tempos que correm) seja o poema Die Lösung (A solução):
Após a revolta de 17 de Junho
O secretário da União de Escritores
Fez distribuir panfletos na Alameda Estaline
Afirmando que o povo
Tinha deitado fora a confiança do Governo.
E que só poderia recupera-la
Por esforços redobrados.
Não seria mais fácil,
Neste caso, para o governo
Dissolver o povo
E eleger outro?
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De lucklucky a 11.01.2017 às 14:45

Coloque aí os valores do começo da Ditadura do Estado Novo e do Fim do Estado Novo. Depois compare com a Democracia.

E nem é preciso que faça as contas à Democracia excluíndo o aumento de 6x da dívida e os subsídios da CEE e União para ficar tudo ao mesmo nível.
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De Anónimo a 09.01.2017 às 18:43

"As honras do adeus serão feitas pelos decrépitos do regime."
Exatamente o que eu pensava.
Porque foram os decrépitos do regime que beneficiaram da política de Mário Soares.
O Povo não!
João de Brito
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De Charrua a 09.01.2017 às 19:20

Os decrépitos são de que geração?
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De baudolino a 09.01.2017 às 20:06

como foi no caso da morte/funeral de Álvaro Cunhal?
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De Charrua a 09.01.2017 às 21:32

Embalsamaram-no.
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De V. a 10.01.2017 às 12:15

Em todas as páginas do Avante são diluídos microns do seu sudário, na tinta, nos cabeçalhos, nas páginas que lhes iluminam o caminho.
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De Charrua a 10.01.2017 às 13:47

V, ouviu hoje o que disse Jerónimo de Sousa no velório. Mais homenzinho...
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De lucklucky a 10.01.2017 às 08:58

Bom texto, na mouche.
A demonstrar a dissonância entre o mundo do Complexo Político-Jornalista cheio de tabus e de coisas que não se podem dizer sobre pena de excomunhão e o resto das pessoas.

Mais uma vez. Pois Brexit e Trump não aconteceram por acaso.

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De JSC a 10.01.2017 às 20:35

O que acho estranho é que tinha ideia que os media viviam das pessoas que os liam/viam/seguiam, mas cada vez mais isso é claro que não é verdade. A realidade do politicamente correcto está manifestamente ultrapassada e os media não o conseguem/querem ver.
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De V. a 10.01.2017 às 12:11

"O que me levou a escrever este texto é ter percebido que na hora do adeus a Mário Soares, o povo já não está com ele. Estão os comentadores, os jornalistas e os políticos do regime, mas o povo não tem acompanhado Mário Soares na sua última caminhada."

Também me pareceu. E tem parecido. A golpada parlamentar das esquerdas não esconde a realidade — de que o povo votou contra o regime, contra a estatização permanente dos nossos destinos — e contra a classe clientelar que o PS, os partidos de esquerda e os sindicatos construíram ao longo destes anos à sombra dos subsídios. Estupidamente, Pedro Passos Coelho, o PSD e o CDS não tiveram inteligência suficiente para garantir que o ajuste fosse a sério. E agora o País está bloqueado pela necessidade de maiorias permanentes porque os meninos do PS que se acham donos disto tudo e que acham ilegítimos todos os governos que não são os seus, desfazem permanentemente o trabalho político que foi legitimado nas urnas por governos anteriores. O País continua a precisar da reforma essencial: reduzir o Estado (e autarquias) em 75% e ser re-industrializado. E o acordo ortográfico abolido e sair da CPLP. Entre outras merdas de direita e "nortenhas".
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De Charrua a 10.01.2017 às 13:49

"Estupidamente, Pedro Passos Coelho, o PSD e o CDS não tiveram inteligência suficiente para garantir que o ajuste fosse a sério"

Nem inteligência, nem vontade. PSD e CDS são partidos que têm também as suas clientelas. Tal como o PS

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