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Na Guerra e no Amor

por José António Abreu, em 31.07.16

«A coisa de que Amílcar Tinoco mais tinha orgulho na vida era um garanhão chamado Pégaso. A segunda, uma égua chamada Epona (ele tinha a mania de escolher nomes da mitologia que ninguém por aqui entendia). Com uma ajudinha de Pégaso, ela trouxera ao mundo dois dos cavalos que mais lucro lhe tinham proporcionado. A terceira coisa de que ele mais se orgulhava era um podengo alentejano chamado Tejo (os cães não lhe mereciam as mesmas honras que os cavalos). A quarta era a herdade, a quinta, o muito dinheiro que tinha, a sexta, a filha, a sétima, a amante, a oitava, um bom copo de vinho, a nona, o filho, e a décima talvez fosse a mulher. Toda a gente o sabia e, se quanto à ordem dos últimos pontos ainda podia haver discussão, os primeiros dois eram evidentes para qualquer pessoa.»

«Já sei isso tudo. E depois?»

Encolho os ombros. Ele tem quarenta e sete anos mas continua a pessoa totalmente incapaz de raciocinar para além do que lhe dizem (ou seja, de raciocinar, pura e simplesmente) que sempre foi. Deve dizer algo sobre mim ter gerado um filho assim. Se bem que – convém não esquecer – a mãe também nunca teve imaginação ou queda para raciocínios elaborados. Coisa que, no caso dela, até calhava bem. Serafim (nunca gostei do nome mas Alice insistiu – «apesar de tudo, era o nome do meu pai, coitado») deve ter saído a ela. Não na beleza, porém. Alice aguentou-se até ao fim com uma aparência invejável e uma quantidade surpreendentemente baixa de rugas, até mesmo no pescoço, a zona onde quase toda a gente acaba por parecer um peru. Sei que estou pior do que ela estava. Pior do que ela estava há dez ou quinze anos, até. Careca, barrigudo, com pêlos saindo-me das narinas e das orelhas que não vale a pena cortar (voltam passados dias, se não horas), expressão de permanente resignação que a maioria (este idiota do meu filho, por exemplo) toma por mau humor. Estou acabado. Mas permaneço vivo.

Estamos sozinhos na sala. A mulher dele – uma lisboeta magra que se diz gestora e que quando não é histérica se limita a ser incoerente – seguiu para Lisboa de comboio. Por causa das crianças, disse. Duas raparigas, de onze e nove anos, a caminho de serem tão tontas quanto os pais (mas adoro-as, atenção – que alternativa tenho?). Serafim insistiu em passar cá a noite – «Não aceito que fiques sozinho.» Ora merda. Como se fosse mais fácil estando com ele. Expliquei-lhe que amanhã ao nascer do Sol já aqui estarão várias pessoas, dentro de casa e lá fora, a tratar dos animais. Nada feito. «Não quero que passes o tempo a pensar na mãe», explicou. Que mal faria? Seria melhor do que aguentar este arremedo de conversa. E Alice merecia que se pensasse nela. Podia não ser imaginativa mas era prosaica e sensata. Serafim também se acha sensato (ser ou não prosaico nunca lhe deve ter passado pela cabeça) mas é apenas chato.

«Sempre deixaste entender que havia mais qualquer coisa por trás da forma como vocês acabaram por casar», diz ele. Está sentado num dos sofás individuais que, de repente (constato-o com um choque que por instantes me leva a não processar as palavras dele), me parecem extraordinariamente antigos, apesar de Alice e eu os termos comprado ainda nem há dez anos. E então percebo que tudo ficou umas dezenas de anos mais velho nas últimas vinte e quatro horas, incluindo eu.

Tento lembrar-me do que ele disse.

«Não deixei entender nada», respondo. «Disse-to uma vez, tinhas tu dezoito anos.»

Permite-se um sorriso. Tem um copo na mão. Foi buscá-lo logo que chegámos. Despejou dois dedos de whisky lá para dentro e veio sentar-se. Agora mantém-no suspenso sobre o braço do sofá. Uma pose, toda a sequência. Influenciada por filmes americanos e por telenovelas que os copiam. Uma cópia em terceiro grau, portanto.

«Por causa da Francisca. O que é feito dela?»

«Casou, emprenhou, engordou. Mais ou menos o mesmo que tu. Excepto a parte do emprenhar.»

«Hoje podes dizer o que quiseres, eu recuso chatear-me.»

«Ora merda, então onde está a piada?»

Cumpre a promessa e ignora a provocação, o balofo bastardo – não, bastardo não, que ele é de facto meu produto infeliz. Quem diria que os meus genes, misturados com os de Alice, dariam nisto? Bom, convenhamos que, apesar do código genético dele poder ser mais parecido com o meu (e com o dela) do que com o de qualquer outro ser humano, não deixa de ser quase tão parecido com o de um orangotango como com o nosso.  

«Numa coisa tinhas razão. Disseste-me que eu não a amava.»

«Disse-te que não sabias o que era o amor.»

«Isso.»

«E ainda não sabes.»

«Não comeces. Eu e a Liliana damo-nos muito bem.»

«Excelente.»

«Achas mesmo que a tua relação com a mãe era diferente? Só por causa das dificuldades que o pai dela vos causou?»

«Não, não é só por isso.»

«Então?»

Como é que se consegue que um idiota sem imaginação perceba que a realidade era muito diferente quando ele ainda nem na fase de espermatozóide se encontrava? Como é que se descrevem as décadas de cinquenta e sessenta do século passado numa povoação atrasada de um país atrasado a um frequentador de centros comerciais e praias algarvias?

«A minha relação com a tua mãe assentava em esforços e sacrifícios que tu nem consegues imaginar.»

«Sempre achei piada às tuas tentativas para vos fazer passar por Romeu e Julieta. Quer dizer, às vezes só achava ridículo.»

«Romeu e Julieta… Não é tão descabido como pensas.»

«Vocês não morreram por amor. Aliás, duvido que fosses capaz de morrer por amor.»

«Ai achas? Bom, talvez tenhas razão. Nunca o faria havendo outras possibilidades.»

Consulta o relógio. «Vou para a cama», diz.

Devia deixá-lo ir. Devia deixá-lo ir dormir e amanhã seguir para Lisboa e voltar à sua vidinha modorrenta, ao lado da mulher que conheceu num escritório, que atraiu com meia dúzia de lugares-comuns, com quem foi para a cama ao segundo ou terceiro encontro, cujos pais sorridentes encontrou pela primeira vez depois de ir para a cama com ela, e que ama o suficiente para, de longe a longe, aceitar ser arrastado para duas horas de O Lago dos Cisnes no Coliseu ou para uma exposição de garrafas vazias penduradas do tecto no Centro Cultural de Belém. Em vez disso, digo:

«Eu era filho de camponeses analfabetos e, ainda por cima, o teu avô tinha fama de bêbado – e de comunista. Apesar de beber e de não gostar do Salazar, não era nem uma coisa nem outra. Eu tinha feito a quarta classe mas trabalhava a tratar de cavalos e vacas e nunca havia de fazer outra coisa. O teu avô Serafim tinha terras, gado, considerava-se um latifundiário. Queria lá um vagabundo como eu para genro.»

«A mãe também só tinha a quarta classe.»

«De onde já podes ver a mentalidade dele. Podia tê-la mandado estudar. Mas era mulher, não valia a pena. Tinha era de lhe arranjar um marido decente. E eu nunca o seria.»

«Caramba, postas as coisas assim, parece que vivias na Idade Média!»

E é este gajo licenciado em direito. O meu filho. Incapaz de ver um palmo à frente do nariz. Nascido numa década de sessenta em que efectivamente muitas zonas deste país de merda mal tinham saído da Idade Média mas sem qualquer noção disso; sem qualquer noção de que o mundo em que se tornou adulto era já um mundo diferente. E, no fundo, por que haveria de a ter? Para os padrões locais, cresceu rico, sem preocupações. Teve brinquedos e televisão, foi ao cinema, desfrutou de viagens frequentes a Lisboa. Nunca pegou numa enxada a não ser para fingir que cavava. No passado, tentei muitas vezes que o percebesse, para grande ofensa dele e grande aflição da mãe. Desta vez fico calado.

Ele abana o copo com o whisky e diz: «Uma coisa que sempre estranhei é que gostavas mesmo dela.»

Ignoro a provocação – que mostraria alguma capacidade de raciocínio não fosse a constatação de duas realidades óbvias para qualquer pessoa que alguma vez tenha passado dez minutos comigo e com Alice: a de que a amava e a de que sempre fui um sacana – e centro-me no essencial. É verdade. Amava-a. Durante uns tempos cheguei a pensar fazê-lo por não querer admitir ter feito um mau investimento. Afinal, consegui-la exigira tanto. Mas não; amava-a e pronto, vá-se lá saber porquê. A explicação mais cínica que consigo arranjar, e se calhar também a mais realista, é que sou demasiado teimoso para mudar de ideias. Se aos vinte anos decidi amá-la, era para continuar a fazê-lo até ao fim. E foi.

«Porquê? Não tenho capacidade para amar?»

A mão dele imobiliza-se mas o whisky fica ainda a rodar dentro do copo.

«Para ser sincero, era isso que parecia na maior parte das vezes.»

«Óptimo, alguma sinceridade, finalmente.»

«Nunca tivemos conversas destas.»

«E tens pena?»

Ele fica a pensar na resposta e eu aproveito para continuar: «Outra coisa que toda a gente sabia é que Tinoco era amigo do Salazar. E outra ainda…»

«Por que é que insistes nessa história? O que me interessa o Tinoco? Sei perfeitamente o que se passou.

«Outra ainda é que era um sujeito que fervia em pouca água. Detestava ser contrariado e zelava pelos seus interesses de uma forma quase maníaca. Uma vez apanhou um sujeitinho de Lisboa debaixo de uma azinheira a tentar desempenhar o papel do Pégaso com a filha dele (a tentar cobri-la, para pôr as coisas de forma que não te faça pensar muito) e deu-lhe um tal enxerto de porrada que o rapaz, que hoje é um velho como eu, continua a coxear lá pelas calçadas de Lisboa.»

«Sim, e então?»

«Então o Tinoco detestava o teu avô e o teu avô detestava o Tinoco. Questões de terras e de política. As coisas andavam de tal maneira que o Tinoco tinha morto a tiro um cão do teu avô que lhe apareceu lá perto de casa e ainda se gabou do feito.»

«Eu sei, e então o cavalo apareceu morto e o Amílcar Tinoco, convencido do que tinha sido o meu avô a mandar matá-lo, matou o avô. Já sei isso tudo. Ouvi a história milhares de vezes. E então?»

Ignoro-o.

«Com uma forquilha espetada na barriga. Os dentes da forquilha tinham sido afiados com uma lima. Foi descoberto de manhã, já morto, mas deve ter agonizado durante horas. Ninguém conseguiu segurar o Tinoco. Pegou na pistola e partiu à procura do teu avô. Quase nem o deixou falar. Meteu-lhe uma bala na cabeça e mais duas no peito, as do peito já depois de ele estar no chão. Pelo menos morreu mais depressa do que o cavalo.»

«A tua indiferença é comovedora.»

Uma tentativa de humor. Quase sorrio. Este idiota, que se leva sempre tão a sério, escolhe este preciso momento para tentar uma piada.

«Por que é que havia de fingir tristeza?»

«Era o pai da mulher com que querias casar. O meu avô.»

«Nem mais. O único impedimento ao nosso casamento. Por que é que eu havia de estar triste?»

A compreensão chega-lhe aos olhos como uma cortina semitransparente descendo sobre uma janela. Tem uma certa piada. A compreensão devia iluminar, não escurecer.

«Não estás a falar a sério.»

«Eu lá costumo brincar. Ainda por cima, hoje.»

«Foste tu quem matou o cavalo?»

Encolho os ombros. «Nunca ouviste dizer que na guerra e no amor vale tudo? Quando o amor é a sério, claro.»

A noite de Lua Nova, em meados de Agosto, estava escura, apesar do céu estrelado, e quente, muito quente – abafada como um quarto fechado. Eu transpirava enquanto deslizava pela propriedade de Amílcar Tinoco, fazendo uma volta para não alertar os cães. Levava na mão a forquilha preparada de véspera e usá-la-ia neles, se fosse preciso, mas preferia evitar o ruído. Não sentia medo. Tinha um objectivo e sabia como o atingir. Trabalhava lá, conhecia o terreno, os edifícios, o cavalo. O que poderia correr mal? Nada. E nada correu mal. Correu tudo conforme esperara. A morte do cavalo, que tombou à segunda vez que o espetei com a forquilha e ficou a estrebuchar quase em silêncio, a reacção do Tinoco, o fim do cabrão do velho que não me deixava aproximar de Alice, a ideia generalizada de que tinha sido mesmo ele o responsável pela morte do cavalo (a descoberta da forquilha com os dentes afiados num barracão da propriedade ajudou). Tudo perfeito, então e em todos os anos que se seguiram. O único momento em que senti uma ponta de remorso foi ao ver Alice chorar a morte do pai. Mas passou-me depressa.

Ele levanta-se, ainda a segurar o copo de whisky. Parece-me que a mão lhe treme mas pode ser impressão minha. Já não tenho tantas certezas como quase toda a gente – incluindo este meu filho – julga que tenho. Mas dá-me ideia que disfarço bem.

«A mãe sabia?»

«A tua mãe nunca teve grande imaginação. Como tu.»

Procura um lugar onde pousar o copo. Diz: «Vou-me embora.»

«Tem cuidado na estrada.»

«És um filho da puta.»

«Não, isso não. O único homem com quem a tua avó teve relações foi o teu avô e desconfio até que ele nunca a viu nua.»

Ele parece querer falar mas não saber o que dizer. (Caralho, não é meu filho e, para mais, advogado?) Desiste. Encaminha-se para a porta. No caminho, pousa o copo junto ao televisor desligado. Pára. Roda. Pergunta: «Só mais uma coisa: valeu a pena?»

Olhamo-nos nos olhos.

«Diz-me tu. Não existirias se eu não o tivesse feito.»

Consegue empalidecer ainda mais um pouco. Abana ligeiramente a cabeça, roda outra vez e sai, deixando a porta da sala aberta.

Permaneço sentado. Ouço o ruído da porta da rua e, segundos depois, o do motor do carro. Acho que não penso em nada enquanto o som do motor e dos pneus no cascalho se desvanece. Depois disso, o silêncio parece absoluto. A casa está fria e vazia. Os animais estão calados. Nem o frigorífico, na cozinha do outro lado do corredor, emite o zumbido do costume. Fico sentado durante muito tempo. Podia ir para a cama mas ainda é cedo. De qualquer modo, Alice não vai lá estar à minha espera. Não vai queixar-se de eu demorar, nem dizer que não consegue adormecer antes de eu chegar, nem aquecer os pés nos meus, nem passar a noite toda a acordar e a virar-se na cama porque eu ressono como um motor de rega. Respondo à pergunta que o meu filho me fez: sim, valeu a pena. Até hoje – até ontem – valeu a pena. Depois, cedo ou não, levanto-me e vou para a cama.

 

(Republicado.)

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De Vento a 31.07.2016 às 12:23

Ai é!? Então, também vou escrever um conto!

De quando em vez tenho problemas semelhantes com a minha Laurinda. Na noite que me ficou na memória, que foi uma noite de orgia, pois já não tinha múltiplos há bastante tempo, lá surgiu mais uma insoniazita.

O meu problema não foi com o frigorífico, que até nem faz zumbidos, foi com o ruído em torno da Polly. A "polipropileno", como eu a chamo, é uma garota extraordinária. Foi ela a autora dos múltiplos que acima referi. Veja bem que a rapariga sempre que está de férias liga para nós e oferece vários jantares. Como procura sempre ir ao encontro de meus gostos, nunca se coíbe de fazer um strip à mesa. Para me agradar, desfia seus dotes de maneira sublime.

Nessa noite esteve divinal. Repare como é que a coisa abanou. A entrada pautou-se por empada de lagosta. Logo de seguida, lagosta com batata a murro e para finalizar, aqui, sim, foi o clímax, salada fria com maionese caseira e - adivinhe! - LAGOSTA À MISTURA!
Tudo isto regado com o seco mais molhado que alguma vez experimentei.
A sobremesa que me ofereceu manteve a mesma qualidade. Presenteou-me um papo de anjo tão fresquinho que só foi possível aquecer com o crepe suzette flambé que se seguiu.
Mas não ficamos por aqui. O Êxtase ocorre quando me prometeu que da próxima oferecer-me-ia a melhor moqueca de lagosta que alguma vez eu tivesse experimentado.
Agradeci à "polipropileno" com uma beijufa tão orgânica tão orgânica, dizendo-lhe ao ouvido que nunca a tinha visto tão assanhada a servir-me.

Estaria por aqui horas a escrever sobre o quanto estremeci durante esta noitada, mas não o vou fazer por uma questão de decoro.
Todavia, a minha Laurinda, já em casa, tinha de mandar das suas. Dizia-me ela que se sentiu uma espécie de voyeur enquanto me via a ser servido de forma tão forte quanto ternurenta.
E para vincar seu mau feitio, ficou deitada de costas viradas para mim.
Mas vinguei-me!
Levantei-me e fui à cozinha. Quando ela me perguntou o que estava a fazer levantado, respondi: - Estou a comer umas tostinhas com patê de caranguejo que me ofereceu a "poli".

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