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Muito para além do Sporting

por jpt, em 16.06.18

mapa_portugal.jpg

 

(Texto que coloquei há dias, em versão algo diferente, no És a Nossa Fé. Deixo-o aqui por desafio de uma leitora/comentadora de ambos os blogs).

 

Por antipático que isto pareça aos sportinguistas, em especial neste período de exaltação clubística, não "é ao Sporting que devo lealdade e fidelidade", como tantos reclamarão, em registo algo “futebolês”, como factor de legitimidade opinativa e, acima de tudo como invectiva aos trabalhadores jogadores de futebol que estão a rescindir os seus contratos laborais. Devo "lealdade ..." indiscutível à Pátria (ao país, como prefiro dizer), à minha família, ao meu parentesco espiritual (os meus amigos). E devo lealdade a quem me rodeia, como ser humano, e de forma mais explícita no âmbito das relações laborais. [E junto, tipo nota de rodapé, que abomino o conceito de fidelidade, que entre pessoas é o refúgio dos medíocres - deixemos agora de fora a vida conjugal, que cada um a viva como quer].

 

O Sporting Clube de Portugal é um clube, uma associação desportiva, e estas grandes proclamações muito absolutas e grandiloquentes casam bem com a tal exaltação, nos eventos desportivos e nestes difíceis momentos. Mas não, nada mesmo, na normalidade do dia-a-dia. Pois, de facto, confundem valores, mostram até algum vazio de valores. Alguns contestarão isto, reclamarão a sua paixão imorredoira pelo clube. Mas se lhes aparecer um vizinho a dizer, com grande ênfase, jorrando perdigotos, como se falasse de um qualquer Padroado, "eu devo lealdade e fidelidade ao Olivais e Moscavide" ou a um outro qualquer "Santa Marta de Penaguião Futebol Clube" decerto que sorrirão, tal o descabido, até ridículo, da afirmação. Mas é exactamente a mesma coisa com qualquer associação desportiva. Que cada um exerça a paixão clubística à sua maneira, mas que se lhe exija um tino de cidadania, uma perspicácia sobre a relevância relativa daquilo que nos rodeia.

 

O que se passa no Sporting ultrapassa em muito a questão clubística - ainda que esta seja tão sonante e premente que nos monopolize a atenção. No clube, grande instituição nacional, de enorme influência formativa entre os seus adeptos e em toda a sociedade, predomina uma soez cultura anti-democrática.  Bruno de Carvalho despreza a liberdade e pluralidade de opiniões internas (veja-se o enviesado trabalho do sector informativo interno), a diversidade da sociedade ("bardamerda para os que não são do Sporting", clamou aquando reeleito), e o primado da lei (a rábula das assembleias e dos órgãos dirigentes que quer instaurar).

 

Mais repugnante do que isso, mas inserível no mesmo modo de "ver o mundo", é como olha as relações laborais. BdC entende-se patrão, numa concepção que atribui ao patronato o direito ao assédio ("assédio" não é apenas "assédio sexual", essa questão actual) aos trabalhadores, a sobre-pressão, a invectiva, entendendo-a como “motivadora”, o desrespeito, moral e profissional. Mostram-no, de forma radical, o conteúdo das mensagens que envia aos atletas do clube. E sublinha-o, agora, a divulgação de mensagens privadas que com eles troca, um desrespeito total (e ilegal, ao que me dizem, mas isso é matéria de outro âmbito).

 

O assédio laboral é um crime, ilegal e imoral. Indesculpável, em público e pior até se em privado. Quem o pratica é indigno, não merece respeito. Sabemos (“ouvimos dizer”) que é recorrente, sob plurais formas. E ainda que haja procedimentos legais, enquadramentos sindicais, judiciais e associativos, que protegem os trabalhadores, muitos têm constrangimentos que os levam a aceitar inaceitáveis comportamentos de patronato ou de hierarquias laborais. 

 

Alguns dirão que jogadores de futebol muito bem pagos não são credores da nossa simpatia e solidariedade num caso destes. Não é essa a questão. O que se passa é que BdC tem uma visão da realidade, do mundo laboral, do seu papel de administrador (que entende como de patrão "à antiga"), que é inadmissível. E, repito, ilegal e imoral. Retrógrada, contrária ao desenvolvimento do país nas últimas décadas, à sua democratização - com todos os defeitos e insucessos que se lhe queiram assacar. Adversa aos valores sociais, jurídicos, religiosos, políticos, dominantes. E, como tal, inadmissíveis na figura de um presidente de uma instituição com o peso do Sporting, com a sua dimensão formativa. Independentemente dos triunfos nas modalidades desportivas, futebol incluído. Independentemente dos hipotéticos sucessos económico-financeiros. Pois Bruno de Carvalho, com a visão de sociedade que tem, é uma persona non grata num país democrático e civilizado. 

 

Entre os comentadores deste nosso És a Nossa Fé vejo um pequeno excerto dos que têm apreço por aquele entendimento, alguns com grande iliteracia (talvez fingida no aspecto gramatical, mas óbvia na dimensão intelectual). Tal como noutros blogs e na imprensa se encontram os seus ecos. Muitos dos adeptos desta maneira de ver o mundo, do destratamento nas relações laborais, será gente que está fora das relações laborais institucionalizadas, geridas sob direitos e deveres regulamentados, com instâncias de recurso. Alguns deles, os tais "jovens" de que se falou aquando das prisões entre-claques, integrarão nichos de economia paralela, marginal até, subterrânea. Reforçada no desemprego que grassou no país. Que funciona(rá) com relações laborais, vínculos operacionais, estabelecidos sobre relações pessoalizadas, discricionárias, essas sim apelando à tal "fidelidade". E assim desconhecedores das culturas laborais institucionalizadas. Muito menos violentas, e saudavelmente protectoras dos trabalhadores. Também para obstar a esta pobre visão da sociedade, para compreensão dos direitos dos indivíduos, é importante que grandes clubes não reproduzam os pérfidos valores sociais que gente como Bruno de Carvalho assume.

 

Por tudo isto, por apreço ao país, ao seu desenvolvimento, a todos nós, às nossas liberdades individuais, tem que haver limites. Que são éticos. Questão que se me levanta diante da notícia das rescisões dos jogadores de futebol, trabalhadores do Sporting, na sequência do inadmissível, anti-democrático, repugnante e continuado assédio (bullying) praticado pelo presidente. Quando numa situação destas vejo chamar, com tudo de pejorativo que isso explicita, "refractários" a esse jogadores, isso cruza a linha do admissível. Mostra uma vil concepção de sociedade, de trabalho, de responsabilidade individual. Mostra o quão anti-democráticos são os locutores. O (Um) clube não une quem tem tão diferentes valores, tão diferentes ideias de sociedade, de "lealdade". E, estou certo, não é no meu lado que habita a abjecção moral. Mas no de quem, seja lá qual for o clube com que simpatiza, concorda com esse tipo de invectivas.

 

Não discuto se os jogadores têm “direito” jurídico para rescindirem contratos, isso é matéria para os tribunais. Mas o que discuto é se têm “direito” para o fazer. Muitos contestam esse “direito”, difuso, invectivando-os, clamando que eles traem o “amor à camisola”, aos “vínculos espirituais”. Leio-o e ouço-o entre gente com formação escolar e biográfica mais do que suficiente para uma outra densidade de reflexão. Demonstram, tantas vezes apesar deles próprios, duas dimensões: cegueira sobre a actualidade; adesão ao fascismo.

 

O “amor à camisola”, o “vínculo espiritual”, é essencial no fenómeno clubismo e parte crucial em vários desportos. Mas a sua realidade tem-se transformado, de múltiplas formas. Abordo apenas uma, relativa a esta situação: muitos sportinguistas afirmam que os jogadores da “formação” (as escolas do clube) são “devedores” morais do clube. Entenda-se, os jogadores jovens, das escolas, têm contratos laborais (diz-me um familiar de um jovem jogador do Benfica que aos 14 anos podem assinar contratos até 1500 euros por mês!!). Os clubes investem na formação no intuito de obterem resultados económicos – seja através do exercício quando seniores, seja na venda das licenças desportivas. A própria formação do clube (do Sporting e não só) é entendida como uma actividade produtiva, económica. Como o mostra o “franchising”, o estabelecimento de “academias” pelo mundo (na China, na África do Sul, etc.), que tanto apreço colhe entre os adeptos. É um “business” global, de obtenção de lucros com a “marca” do clube. Esperamos que os putos “sejam” do Sporting, que lhes germine o tal “vínculo espiritual”? Sim. Mas de facto tudo é uma actividade económica, desde a mais tenra idade dos jogadores (o que até levantará questões muito mais abrangentes, que não coloco aqui). E está no cerne da actividade do(s) clube(s). Os jogadores são formados nos clubes, ganham competências para uma profissão? Sim. Mas, repito, fazem-no no seio de uma actividade económica. Assim pensada pela instituição formadora. Assim entendida pelos formandos (e suas famílias). É uma candura, até desonesta, não compreender isso. E exigir uma assimetria no relacionamento. E vir insultar quem, inserido nesta realidade, actua estrategicamente em defesa dos seus interesses.

 

A outra dimensão, a implícita adesão fascista que este discurso mostra, é muito simples e nem me alongarei. O apreço pelo tempo do “amor à camisola”, em que os jogadores estavam longos anos no mesmo clube, dele se tornavam símbolos, a invocação desses “bons velhos tempos” é transversal aos adeptos do futebol, desde o mais empedernido salazarista ao mais pós-moderno pós-maoísta BE. Ou seja, todos eles têm uma nostalgia pelos tempos em que os jogadores de futebol estavam submetidos à “lei do passe” (desportivo): terminado o contrato não eram livres de escolher o seu próximo empregador, pois os clubes tinham a prerrogativa de os manter nos seus quadros. Um regulamento “servil”, “feudal” se se quiser. E por esse intermédio os jogadores ficavam anos a fio, mesmo que tivessem outros objectivos, no mesmo clube. Após o 25 de Abril isso terminou. Passados largos anos, Valentim Loureiro tentou, como presidente da Liga de Futebol, reinstaurar mecanismos legais relativamente similares (sim, um homem de um partido chamado social-democrata; sim, um homem que visitava Guterres em São Bento levando as criancinhas de Gondomar). Muitos, hoje, em nome do seu clubismo, continuam a trautear esse pérfido “ó tempo volta para trás”. Quando os jogadores de futebol não tinham liberdade de escolher o seu empregador. E chamam “amor” a esse seu desejo fascista. É nitidamente uma concepção sado-maso da vida afectiva e sexual. Ou então é pura patetice.

 

Enfim, que os jogadores do Sporting, que tantas alegrias e expectativas me deram (podiam ter sido mais ..., raiparta) sigam as suas carreiras com sucesso e saúde. Exercendo o seu livre-arbítrio. E que, se ainda for possível, regressem em muito breve ao Sporting. Se salvaguardadas as condições para o seu exercício profissional, respeitados, enquadrados pelo espírito da lei laboral e do bom viver democrático.

 

E que os meus caros co-adeptos (aqueles que sabem da dignidade humana, não os energúmenos fanatizados, que põem o clube acima da Pátria, da sociedade, do país)  não repitam a espantosa patetice de tantos benfiquistas, há alguns anos autênticas baratas-tontas porque um trabalhador legitimamente saído do seu clube decidiu, pelo "sagrado" (se há coisa que é sacralizável é isso mesmo) livre-arbítrio vir trabalhar para o rival. Tino, é o que nos tem faltado. A mim, e a pelo menos 86% dos votantes na maior eleição de sempre no Sporting. Recuperemos o tino. E apartemo-nos dos refractários à decência civilizada. No clube. E no país.


28 comentários

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De Sarin a 16.06.2018 às 12:28

É importante, muito importante que todos, Benfiquistas (presente!), Sportinguistas, Santamartadepenaguiãoistas e todos os outros "clube"-istas perceba o que debita quando defende "o clube acima de tudo", porque o débito é todo na conta da Democracia.


Quem não gosta de futebol não está isento da dívida - o bairrismo funciona de forma parecida, e vêm aí as festas de Verão para o demonstrar; e se não o bairrismo, outro "-ismo" será: não é do "-ismo", é do discurso individual.
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De jpt a 17.06.2018 às 08:20

O "clubismo" também é um placebo. A gente tem que acreditar em algo. Como o resto está difícil, que o cardápio é miserável fast-food, então manda vir o prato do dia - bacalhau à Porto, lentilhas à moda de Benfica. E Croquettes com arroz de Sporting. Isso explica muitas das patacoadas.
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De Sarin a 17.06.2018 às 10:19

Culpada assumo as lentilhas, mas cuido para que não apenas tais leguminosas.

Mas, já agora, que caraças... lentilhas?! Não que as não aprecie, mas nem toupeiras nem águias fazem de tal prato pitéu... ou serei eu tão despistada que não veja a relação?!
E espero que aquele "não que as não aprecie" não me obrigue a dizer "desoui, desoui" como a transmontana em Paris...
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De jpt a 17.06.2018 às 10:22

Detesto lentilhas. Poderia ter metido pezinhos de porco à moda de Carnide ou mãozinha de vaca à chefe Luz.
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De Sarin a 17.06.2018 às 10:34

Mão de Vata?

Lentilhas sabem bem em salada. Daquelas cheias de coisas que os lagartos comem.
Quero dizer, pelos vistos nem todos :D
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De Sarin a 16.06.2018 às 12:30

Para os seus olhos apenas

Atenção ao início do parágrafo 7


O "acrescento" alargou o âmbito que já era enorme!
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De jpt a 17.06.2018 às 07:29

Eu escrevo os postais de rajada. E emendo sintaxe e ortografia depois de os publicar - também por isso o atabalhoado que saem (não só por isso, claro). O "acrescento" é algo que tinha pensado meter no postal original. Mas tinha-me esquecido logo ali. Mudá-lo um bocado deu para o completar. Obrigado
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De Sarin a 17.06.2018 às 10:12

Com o debate alargado saímos todos beneficiados.


Não esperava publicação do comentário, dado o prológo que inseri :) Nisto de alertas e chamadas de atenção sobre a forma da mensagem, gosto de alardear apenas e só quando a mensagem usa galões e jactância, uma muito feliz raridade por aqui; a norma é a discrição, e a inventividade cria prólogos para contornar eventuais fricções. Fica sempre ao critério do destinatário entender e atender: não foi mal recebido, então tudo bem :)
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De jpt a 17.06.2018 às 10:24

Não. Até porque (presunção e água benta ...) haverá mais alguém com a paciência de repetir a leitura e perceber que meti a cena do "amor à camisola" que não constava no texto no És a Nossa Fé
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De Sarin a 17.06.2018 às 10:36

Sou como a Michelle do Allô, Allô.
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De Vento a 16.06.2018 às 12:39

É minha convicção que um dos graves problemas que o mundo do desporto enfrenta, e neste caso o do futebol, é o da sacralização dos seus actores/jogadores. Se é verdade que há uns anos a relação desportiva, refiro uma vez mais, desportiva, se colocava ao nível dos afectos, com uma relação de proximidade aos jogadores, que até "trabalhavam" por devoção, as relações hodiernas revelam a existência de um culto.
Culto este que substitui a mística pela mítica, isto é, que transporta o comum mortal nas asas da imaginação e fá-lo supor poder alcançar um estatuto por interpostas figuras.

Ficaria incompleta esta abordagem se não se associar o tema do negócio que hoje subjaz no mundo desportivo, que aproveita bem a mítica emoção, com a palavra assédio.
O assédio sempre foi e continuará a ser um meio para que nas sociedades mercantilistas os consumidores sejam convencidos a obter o que se lhes oferece. Este assédio é bastante vincado no marketing e publicidade mas também nos meios publicitários que se usam para fazer acontecer uma agenda ou um programa. Mas não só, o assédio também é uma forma de se despertar a atenção do outro nas relações. Se oferecermos flores a alguém assediamo-la com o nosso sentimento. É preciso que deixem claro que não gostam de flores e de atenções.

Portanto, a palavra assédio pode vir a alcançar o estatuto de mito.
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De jpt a 17.06.2018 às 07:46

Essa da substituição da "mística pela mítica" está muito bem metida ... De facto, e logo "à cabeça" tem V. razão numa coisa que deixa implícito sobre o postal: assim lido tem uma visão um bocado mecânica, deixa entender que sempre houve uma vivência económica da coisa "futebol", antes entre agentes supra-condicionados agora num mercado tendencialmente livre. Posso defender-me dizendo que é um postal de blog, não um ensaio (muito menos uma investigação - eu li algo sobre futebol [e, já agora, aquando do Euro-04 foram publicados alguns textos também em Portugal de grande qualidade, de história social de futebol], falei com alguns antigos jogadores mas isso não é uma investigação que sustente um texto "sério"). E que sendo um postal, escrito de rajada, acaba por ser um esboço de argumento. Mas será uma defesa retórica: de facto não está no texto presente a dimensão "espiritual" entre os praticantes - que a tem, ainda. Que a teve, mais, nas décadas anteriores. E que terá tido ainda muito mais em décadas mais recuadas, na alvorada do profissionalismo e quando os clubes tinham um outro tipo de representatividade popular, outro significado identitário. Muitos ainda o têm, em termos regionais, mas decerto que vivido de outras formas, em tempos de tão maior globalização, e de migrações internas e e/imigrações. Mas quis sublinhar que essa "mística", "amor à camisola", é em muito uma construção discursiva que não reconhece as condições sociais (e jurídicas) das práticas desportivas (e futebolísticas).

Quanto ao "assédio" é uma palavra com sentido muito amplo. Estamos, dentro dessa pluralidade, a falar de coisas diferentes.
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De Vento a 17.06.2018 às 12:45

Pelo fim começo. A palavra assédio tem essa amplitude, mas o que vai vertido aplica-se a todo esse espectro. Há quem pretenda transformá-la em mito fazendo dela juízo conveniente. As flores estão aí enquadradas numa metáfora.

A mística clubística entra também no domínio do mistério e da razão incompreensível, aceita-se porque sim. Não adianta irmos por tratados sociológicos para compreender o que é.
A mítica entra no domínio do fabuloso, do sagrado e do profano e pretende, no comentário, revelar que nessa relação com deuses e deusas, heróis e heroínas o homem também tem direito a rebelar-se contra os mesmos, ainda que com eles permaneça a relação.

É um sentido amplo que vai vertido neste último comentário, para demonstrar que Bruno de Carvalho, e bem, atreveu-se a entrar no Olimpo para demonstrar que ele também é sujeito neste ordenamento cósmico.
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De Anónimo a 16.06.2018 às 21:36

Querem Socialismo depois admiram-se pela cultura Socialista.
Já o bullying do Estado Social não existe...

Pelos vistos o 25 de Abril , a Democracia, os Jornais e TV's, o Ministério de Educação os dois que "educam" para além da família não têm responsabilidade por nada.

Bruno Carvalho nasceu em 1972 tinha 2 anos a quando do 25 de Abril.
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De jpt a 17.06.2018 às 08:14

Anónimo não sei de quem fala nessa do "querem ... admiram-se ..." Mas enfim, a alguém se estará a referir.

Quanto ao que diz: a) BdC ecoa (e vive) concepções antigas, de exercício do poder, de gestão (é interessante, ontem numa entrevista à SIC, fez uma analogia entre a sua posição no Sporting e se fosse "dono" da SIC. Foi en passant, mas denotando bem a sua concepção subjacente à posição que ocupa, presidente eleito de uma associação desportiva), de relacionamento profissional. E também de liberdade de informação (quem tiver a paciência de ver o jornal do Sporting - uma verdadeira vergonha - e a estação de TV do clube - uma outra vergonha). Nenhuma dessas concepções germinou depois de 1972 ou com o 25 de Abril. São típicas do regime anterior, e no caso das relações laborais são até anteriores. Em 40 anos muita coisa mudou e muitos direitos e obrigações legais foram consagradas, mas as perspectivas continuaram vivas, e muitas vezes até recuperando lugar. Portanto o seu raciocínio não está correcto.

Agora onde tem razão é quando alude ao bullying do Estado Social. Eu julgo que ele existe, enquanto "assédio" num sentido algo diverso da palavra, sobre os cidadãos - em termos fiscais é opressivo, penso que vivemos uma proto-ditadura fiscal. E em termos culturais também. Eu vivi quase 20 anos fora, o que me chocou no regresso foi encontrar uma cultura estatista entranhada entre o meu meio profissional. É tão profunda que nem dão conta disso. E que emascula (ou efemina, que é coisa que agora é preciso dizer também, nesta era de cuidados linguísticos) os indivíduos e a sua liberdade intelectual e pessoal: eu dou um exemplo - no meu regresso inseri um centro de investigação que tem ligações a várias universidades públicas de várias cidades. Congregando investigadores funcionários públicos, outros contratados pelo estado, porventura outros avençados pelo estado e cidadãos sem vínculo nem com o Estado nem com qualquer daquelas instituições. Pois recebia "convocatórias" de uma daquelas universidades para me apresentar em actividades - ou seja, não só órgão colegial constituído por indivíduos eleitos por colegas para cargos de gestão numa universidade pública (cargos transitórios, como é óbvio) se permitia convocar indivíduos sem ligação à sua instituição e ao Estado, como os outros indivíduos (intelectuais profissionais) consideravam "natural" que isso acontecesse. A dimensão de "submissão" ao Estado e às hierarquias da função pública é excruciante. E "alienante", como antes se dizia, no sentido de incapacidade de compreender as condições de exercício da existência. Eu baldei-me, claro. (Ninguém terá reparado, apenas um maluquinho que por ali passou brevemente). Ou seja, nisso tem razão, há um "assédio" económico, cultural, sei lá que mais, do Estado sobre os cidadãos Até escolar (soube agora que não se pode dar a morada dos avós para inscrever os filhos numa escola, uma sobrepressão do Estado sobre a família - e entendendo-a só como a ligação filho-pais. Isto seria assunto para um belo postal, mas nem vale a pena gastar tempo com isso; nem professores, nem pais, e muito menos antropólogos (os tipos que estudam família), ligarão ao assunto, o que interessa são os "direitos" dos professores do secundário e a valorização da "democraticidade" do ensino público.)

E há outra dimensão que se pode retirar do seu comentário (que é muito mais uma provocação): lembrar que o bullying existe, e de que maneira, nas relações laborais no interior da função pública. Existe, e de que maneira. Onde é exercido não pelo malvado "patrão" (o "Bruno de Carvalho") nem pela sádico "capataz" mas pelos apparatchiki, na maioria do Bloco Central (agora não só, agora não só) se no Estado, mas também do PCP se nas autarquias.

Mas estas dimensões do "assédio", decerto que concordará, não seriam matéria para este postal.
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De Sarin a 17.06.2018 às 09:52

Uma breve nota para esclarecer que, de tudo o que foi dito sobre pressão e assédio, nada há que seja próprio do ou atribuível ao Estado Social, antes à mentalidade institucional que herdámos e vamos perpetuando num sistema de feudos. Não a abandonámos, não lhe fizemos o luto - muito menos autópsia.
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De jpt a 17.06.2018 às 10:07

Não concordo. O estatismo, a mentalidade própria a um estado alargado (o "Estado social"), existe e alarga-se - até por isso o exemplo pessoal que deixei. Sim,há uma herança de mentalidades advindas de tempos e regimes recuados. Mas tem expressões e modalidades próprias, dinâmicas e configurações próprias. E que não são combatidas, bem pelo contrário.
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De Sarin a 17.06.2018 às 10:31

Define "Estado Social" como "Estado alargado", e será talvez aí que não percebo a atribuição das características antes mencionadas...

Porque o que foi mencionado - a escola e a morada dos avós, o seu exemplo pessoal, ... - não é consequência da operacionalização do Estado Social mas sim do exercício dos seus operadores.
Que se diga que usam o Estado Social para praticar, em escalas várias, exercícios de oligarquia, subscrevo; mas não concordo que seja condição sine qua non.
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De jpt a 17.06.2018 às 12:06

Não conheço o "Estado Social" abstracto. Só conheço aplicações da ideia de "Estado Social" - e são, tendencialmente, estados alargados. O nosso é-o. E contém esta dimensão cultural (ideológica, se se quiser) presente em termos sociais e no exercício individual. Há coisas que a combatem (o Simplex, por exemplo, retira capacidades de apropriação pessoal por "posse" dos meios estatais, dado que "desburocratiza" - no sentido laico - burocratizando - no sentido correcto). Mas há muitas coisas que a constituem e reproduzem. Não é uma questão de oligarquia (ou plutocracia) apenas. É ao nível quotidiano. Mas, enfim, isso não é o Sporting ou o "Bruno". Nem a "bola".
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De Sarin a 17.06.2018 às 12:17

Não é o Sporting nem o Bruno - e acha que eu ando metida, literalmente, na caverna do Leão por causa da adrenalina?
Gosto de bola no estádio ou na praia e até na rua, gosto de estar informada... mas o que me leva ao debate é exactamente o facto de "a bola" (não "A Bola") ser parte daquilo e ter parte naquilo que somos como sociedade e, portanto, como indivíduos. Microcosmos e Universo.
E ok, psicologia de grupo e blablabla - mas eu é mais cromos dissonantes.
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De Sarin a 17.06.2018 às 11:23

Sou mais nova que Bruno de Carvalho. Dias. Das atitudes e entendimentos que dele são públicas e publicadas, a única que comungo é terem-me doído as costas uma vez e também devido a um acidente, o meu de circulação o dele de percepção.

Conheço putos com metade da minha idade geneticamente saudosistas do antigo regime, outros de um regime por cá ainda mais antigo.

Não sei qual a analogia que pretendia estabelecer no parágrafo central (quem são aqueles "dois que educam"?), e talvez haja aí matéria para debate; na idade do BdC não há, certamente.

E, Lucklucky, esqueceu-se de assinar :D
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De jpt a 17.06.2018 às 12:08

onde andará o jolly jumper?
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De Sarin a 17.06.2018 às 12:26

jumperjolly, há que respeitar a inversão escolhida pelo lucklucky para o próprio nome.

Mas no caso, acho que é mais Rocinante...
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De Luís Lavoura a 17.06.2018 às 17:50

"bardamerda para os que não são do Sporting", clamou aquando reeleito

Pois, e na altura todos os sportinguistas, que se tenha visto, acharam este brado muito bem, pelo menos não me lembro de ter visto nenhum sportinguista protestar contra BdC nem nenhum sportinguista pedir desculpa aos adeptos de outros clubes (entro os quais eu me conto) por esta invetiva ordinária do presidente do Sporting.

Por isso penso, os sportinguistas têm agora aquilo que merecem, pois se aceitaram pacificamente que o seu presidente mandasse os adeptos dos outros clubes à merda, podem muito bem ver agora o seu clube transformar-se em merda.
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De Alberto Teixeira a 17.06.2018 às 18:43

Afinal parece que Bruno de Carvalho tinha razão a respeito de alguns...
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De Alberto Teixeira a 17.06.2018 às 18:21

Curiosamente os jogadores rescindiram para se fazerem à vida (para se libertarem de um contrato, ganharem um prémio de assinatura milionário e dobrarem o salário, podendo até vir um dia a receber os salários vincendos do Sporting). Para tal usaram a argumentação de que o clube não tinha, de forma grave e culposa, protegido de uma situação quanto a eles previsível.
Daqui resultará, na minha opinião, uma guerra judicial que forçosamente acabará num acordo, se Bruno não continuar renitente (o que, conhecendo a personagem, é de prever).
Os sms de Bruno, brandidos pelo advogado (curiosamente o mesmo para os 9 jogadores) são apenas para inglês ver, ou seja para perante o país passarem por serem eles os verdadeiros defensores do clube (na linha do twitter em que, faltando ao combinado, criticaram o presidente publicamente). Digo isto, pois, curiosamente, depois desses sms os jogadores ganharam 6 jogos seguidos, tendo até direito a seis voltas "olímpicas" ao estádio de alvalade, enquanto que o Bruno de Carvalho, até teve direito a um coro de assobios.
Ao invés, as altercações com alguns adeptos (aqueles que depois vieram a cometer as agressões em alcochete) primeiro no fim do jogo no funchal e depois no aeroporto, essas altercações, em que Bruno nada teve a ver, são propositadamente desvalorizadas.
Há que explicar que os 30 dias seguidos, "timing" para que os jogadores considerassem ter justa causa para rescindir face ao que o escriba considera "inadmissível, anti-democrático, repugnante e continuado assédio (bullying) praticado pelo presidente" tinha sido há muito ultrapassado e esses argumentos não são considerados pelo tribunal de trabalho. Alguns dos jogadores que rescindiram terão até respondido imagine-se a graxa, a agradecer os ditos.
De qualquer modo, para quem acha que as associações desportiva são algo assim tão pouco digno de registo, o opinador até se mostra bem intoxicado pela belíssima e virtuosa comunicação social portuguesa
Para acabar, gostaria de perceber o seu conceito de "anti-democrático".
Bruno de Carvalho, ganhou as eleições no Sporting com 86% dos votos. Pouco depois foi colocado em causa pelos croquettes e tornou a ser apoiado por 90% dos votos. Foi objecto de um assassinato público de carácter diariamente. Infelizmente em vez de mandar alguém insultar os outros (como fazem os restantes presidentes de clubes nacionais) achou por bem ser ele a defender-se (certamente que o fez de forma arrogante, pouco polida e sobranceira, o que não faz dele um bandido mas sim uma pessoa pouco simpática ou até parva) o que o desgastou e o fez parecer pouco inteligente.
Portanto, depreendo das suas palavras que, considera anti-democrático quem é eleito por uma margem tão esmagadora, mas atribui legitimidade democrática a quem agora, depois de variadíssimas tentativas falhadas de providências cautelares, finalmente lá conseguiu um juiz que aceitou suspender toda a Direcção do clube por 10 dias, proibindo-os "estatutariamente" de participar numa reunião magna dos sócios do clube onde, não tenho dúvidas que mantêm uma maioria de apoiantes?
Resta-me apenas dizer que não irei votar em Bruno de Carvalho num futuro acto eleitoral no clube em que sou sócio mas nunca apoiarei golpes palacianos e anti-democráticos de Croquettes, Martas, Ricciardis e Sobrinhos, etc
Saudações leoninas
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De jpt a 18.06.2018 às 01:32

Alberto Teixeira quem consegue ler este texto e vem botar aqui, para além do insultuoso "escriba" (é um blog colectivo, não lhe posso responder à letra, os outros bloguistas ficariam desagradados) que eu tenho em pouco conta (pouco dignas de registo) as associações desportivas é porque lhe apetece botar qualquer coisa e vem botar onde encontra espaço. É um raciocínio nulo. Boçal,

O resto fica consigo. Há muitos Teixeiras neste mundo. Infelizmente alguns como você. Decerto que não todos.
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De Anónimo a 18.06.2018 às 18:44

Ou seja, disse nada, não responde, eu sou boçal. Ainda bem que o blog é colectivo porque alguns não faziam cá falta...

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