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Mourinho

por jpt, em 08.11.18

MourinhoprovocacaoDR.jpg

 

(Postal para o És a Nossa Fé

 

Juventus-Manchester United, no palco global da “Champions” o jogo entre as equipas dos dois portugueses mais conhecidos do mundo, pelos seus extraordinários méritos. Também por isso eles alvos de tanta raiva nacional, mostra desse traço cultural constante, a inveja dos patrícios com sucesso “lá fora”, tão paradoxal e desprezível num país que foi colonial (e abominou os seus colonos) e é de emigração (e menospreza os seus emigrantes). A abjecta reacção generalizada, isenta daquilo chamado “dúvida”, às acusações de uma acompanhante de luxo a Cristiano Ronaldo, é um caso extremo disso. Mas é algo continuado, há uns anos (2012, 2013?), num treino da selecção antes de um jogo particular em Guimarães o público gritava “Messi, Messi” para espanto do CR7. Pois porquê aquilo? Tal como a constante maledicência sobre Mourinho – há quantos anos, 10?, se lêem inúmeros comentários e opiniões na imprensa sobre o estar ele “ultrapassado”? – disso é prova.

Ontem o confronto (também) entre eles. Algo que connosco fala, sportinguistas, sobre o nosso clube. O CR7 orgulho máximo da nossa formação, encabeçando o trio maravilha de três décadas gloriosas, Futre-Figo-Cristiano. Talvez o melhor jogador do mundo, e cada vez mais isso se evidencia (Messi como o génio trabalhado, Ronaldo como o trabalho genial). E Mourinho, o técnico em actividade com mais vitórias relevantes, em tempos recusado pelo Sporting (um dos três erros históricos do clube, junto aos com Eusébio e Futre). Negado, julgo recordar (ou sonho a memória?), quando o actual director do futebol do Sporting, então capitão, se armou em Sérgio Ramos e torpedeou em público essa vinda, associando-se aos sábios espectadores, esses sempre armados de vigorosos lenços brancos, que clamaram inadmissível que um treinador transitasse do Benfica para o Sporting. Pois desde há décadas que os fungões espirram …

Enfim, vem isto a propósito do final do jogo de ontem. Mourinho, que em Manchester e Turim foi azucrinado pelos adeptos italianos, jogou bem e triunfou. A Juventus é melhor, ganhara soberbamente fora e em casa tinha o jogo na mão. CR7 fez um jogo magnífico, um golo espantoso e deu outros a marcar, desperdiçados por pés Quadrados. Mas Mourinho pensou bem, substituiu melhor, e teve a sorte (essa grande jogadora) por ele. E fez a reviravolta, mesmo no fim. Jogo épico.

Mas o que é mesmo magnífico é a sua reacção. Provocatória, deselegante, desnecessária, digam o que disserem. Mas é uma delícia. Porque é futebol. Mas ainda mais do que isso, porque é completamente portuguesa. Não exactamente o gesto da mão na orelha, algo mais comum. Mas é aquele trejeito da boca, “hâânnn?”, “dígam lá agóra!!”. Algo, ricto e óbvio som, tão nosso, tão português de rua, bairro, popular, tão “tuga”, tão treinador da bola, como se fosse ali aqueles técnicos dos tempos de antes, os do Aliados do Lordelo ou do Montijo a ganharem à Sanjoanense ou ao Amora, assim a fazer o mundo pequeno e igual quanto às mesuras que se lhe (não) deve, e nisso também tão eu, tão nós, os que não temos nem vergonha de ser portugueses nem abominamos os nossos que ganham alhures. Vejo-o ali na tv e rio-me, gargalho, “ah g’anda Mourinho, meu patrício”, meu e nosso orgulho amanhã. Saídos à rua, entre nós e com os outros, “hâânnn?”, “dígam lá agóra!!”. Nós povo, rindo, que hoje no fim do dia tragaremos o “petit verre”, escorropicharemos o bagaço branco, e irei eu até à rua, à porta da “petite restauration”, a tasca daqui, a fumar o cigarro e, se necessário, no choque com o frio, assoar-me-ei aos dedos, sacudindo o ranho para o chão, e se calhar ainda terei que cuspir, na azia do álcool. E, entre nós, riremos, com desprezo mas também mágoa, desses invejosos lá na terra. E ainda mais, com gargalhada mesmo, com alguma amarga piada sobre essa paneleirage, tão amaricada, sensíveis coitadinhos, a agitarem os lencinhos brancos, arrebitados em meneios no “olhem para mim”, que é para isso que lhes servem os trapos.

G’anda Zé Mourinho, g’anda patrício. E viva também o CR7, o melhor do mundo.

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33 comentários

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De Pedro a 08.11.2018 às 13:55

Não admiro o estilo trauliteiro de Mourinho. Nele não sei onde começa a caricatura, muito menos o homem.
E seguindo os de baixo os exemplos dos de cima , Mourinho abaixa os de cima.

Quanto à reacção de Mourinho ser tipicamente portuguesa, recordo Jürgen Klopp, um alemão tipicamente português.

Ronaldo é um Senhor ao pé do Mr Mourinho
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De jpt a 09.11.2018 às 09:30

Sim, o Klopp é mulato
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De Anónimo a 08.11.2018 às 14:22

Ganda posta! :))
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De jpt a 09.11.2018 às 09:30

Obrigado pela simpatia
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De Justiniano a 08.11.2018 às 15:38

Este seu texto é um turbilhão, caro jpt!! Tanta coisa, do Eça ao Joaquim Rita!!
As minhas favoritas, como sofro da doença da lagartice leonina.
- "Também por isso eles alvos de tanta raiva nacional, mostra desse traço cultural constante, a inveja dos patrícios com sucesso “lá fora”, tão paradoxal e desprezível num país que foi colonial (e abominou os seus colonos) e é de emigração (e menospreza os seus emigrantes)."
-"..orgulho máximo da nossa formação, encabeçando o trio maravilha de três décadas gloriosas, Futre-Figo-Cristiano."
- "...mais do que isso, porque é completamente portuguesa. Não exactamente o gesto da mão na orelha, algo mais comum. Mas é aquele trejeito da boca, “hâânnn?”, “dígam lá agóra!!”"

Um ganda bem haja,
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De jpt a 09.11.2018 às 09:31

Grato Eu também gostava muito do Neves de Sousa
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De Justiniano a 09.11.2018 às 13:04

O lendário Neves de Sousa. Ou o Rui Tóvar, pai (apesar do benfiquismo)!!
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De jpt a 09.11.2018 às 13:11

O Rui Tovar? Sempre o julguei sportinguista. Grande personagem ("checo sem cobertura" é das melhores tiradas )
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De Justiniano a 09.11.2018 às 13:15

Não sei!! Agora também estou na dúvida! À época pareciam-me todos do benfica! Mais tarde, na RTP Porto, eram todos do fc porto. Isto na TV. Na rádio era outra coisa!
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De jpt a 09.11.2018 às 14:47

Na radio mediam-se pela amplitude da gritaria aquando dos golos Confesso que tenho saudades desse tempo dos "transístores" e daquelas tardes de domingo, 7 jogos às 15 (ou 16, consoante a época do ano), que um era antecipado para sábado.
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De Justiniano a 09.11.2018 às 15:31

E a sobreposição dos zumbidos, nos golos em simultâneo!!
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De jpt a 09.11.2018 às 15:42

a banda sonora da (minha) juventude ... Mais os "jingles" a anunciarem golo noutro campo ...
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De Zeca a 08.11.2018 às 15:56

À primeira vista pensei que era da série "Estátuas dos nossos reis" Pareceu-me o D. Afonso VI pelo esgar.
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De Pedro a 08.11.2018 às 16:48

D. Afonso VI que como toda a gente sabe tinha mais garganta que fundilhos
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De Anónimo a 08.11.2018 às 22:07

Este blog não se resume ao spam do Pedro Correia.
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De Pedro Correia a 08.11.2018 às 23:17

Este asnónimo ouviu a expressão "mais garganta que fundilhos" e pensou que estavam a chamá-lo. Apareceu logo.
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De jpt a 09.11.2018 às 09:32

é dos que metem a garganta nos fundilhos alheios? também me pareceu
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De jpt a 09.11.2018 às 09:33

Pedro, só à segunda reparei, essa do "asnónimo" é muito boa. Vou passar a usar (referindo a fonte, claro)
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De Anónimo a 09.11.2018 às 15:00

O trauma do Pedro Correia e do jpt com anónimos não deixam de surpreender. Porque, como todos sabemos, só existem um Pedro Correia e um jpt no mundo pelo que eles estão perfeitamente identificados!
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De jpt a 09.11.2018 às 15:38

Ó anónimo, outra vez? Essa questão do anonimato é velha como os blogs, está debatida até à exaustão, o que é surpreendente é ainda aparecerem anónimos a repisarem os mesmos dichotes, que foram ditos e reditos ene vezes por ene anónimos. Eu não tenho qualquer trauma com anónimos, tenho desgosto, o que é muito diferente. Acho mal-criado, até mal-cheiroso. Sobre isso, e voltando ao velho tema (porque ainda aparecem, regularmente, pensadores que se julgam profundos como você aqui), deixei há um mês este postal https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-embucados-10304409 que lhe responderá à piadita sem piada que quis deixar. E lá também se lhe diz como pode ver o quão único (literalmente, nada significando de valioso) vai este jpt - sim, há outros jpt, um até é comentador regular aqui, mas é maiúsculo. Toca no perfil, na coluna de autores, e acede à identificação mais do que suficiente dos autores (no meu caso até a carantonha que me foi disponibilizada tem). Esse tipo de boca que você "amanda" só mostra que não domina bem a plataforma (blogs) que está a usar. Não é grave, não é defeito. A falta de piada nas piadolas é que é pior.
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De Luís Lavoura a 08.11.2018 às 16:31

esse traço cultural constante, a inveja dos patrícios com sucesso “lá fora”

O povo português é muito invejoso, mas não me parece que tenha mais inveja de quem tem sucesso no estrageiro do que de quem tem sucesso cá. Tem inveja de seja quem fôr que tenha sucesso.
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De Anónimo a 08.11.2018 às 18:14

Eu até tenho inveja de quem põe um acento em for.
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De jpt a 09.11.2018 às 09:38

ui, mas acentua-se aos que "andam lá fora a ganhar a vida" ... Lopes, Agostinho, Rosa Mota viviam aí e eram benquistos nas suas excursões à "estranja". Os outros, subsequentes, de Chalana em frente? Passaram a ser vistos com a mistura do desprezo dado aos "avecs" com a inveja maldosa pelo sucesso alheio - no caso do Mourinho e do Ronaldo isso extrema-se pois eles não seguem o mandamento da "humildadezinha" diante do senhor morgado e do cura, típica do antigo regime pré-liberal e que cruzou até ao Estado Novo e que vive muito por aí, ainda
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De jpt a 09.11.2018 às 09:39

... aquilo do "o respeitinho é muito bonito"
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De Justiniano a 09.11.2018 às 13:13

Sim, já nos idos de XIX a coisa era evidente! O Eça e o Camilo também sofriam da coisa! Ao Ferreira de Castro perdoaram-lhe por não ter feito fortuna!!
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De jpt a 09.11.2018 às 14:48

O Ferreira de Castro não era best-seller?
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De Justiniano a 09.11.2018 às 15:30

Dizem que regressou do Brasil com fazenda para pouca calça, que não fez fortuna notável! Tivesse ele feito fortuna, no Brasil, e já o tinham arredado da memória colectiva! Excepto, claro está, se houvesse pago o dizimo à congregação (Pentecostal CP), ou legasse, à mesma, coisa imóvel sujeita a registo!!
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De jpt a 09.11.2018 às 15:46

Milionário não voltou - mas também foi esquecido, poucos se lhe referem hoje. Ignoro os seus méritos literários, li alguns livros quando era muito jovem; o primeiro aos 14 anos, andava às (poucas) voltas com os Lusíadas, disso lembro - eu gostava, mas não sei se hoje apreciaria muito.
Agora tinha ideia - sei lá colhida onde - que vendia muito no estrangeiro e que isso lhe dava bom nível de vida.
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De asnónimo a 09.11.2018 às 13:54

Eh eh eh, olha quem fala ...
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De Anónimo a 08.11.2018 às 18:28

Para pôr os outros em su sitio, sejam eles quais forem e onde for, é preciso tê-los no sítio.
João de Brito
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De jpt a 09.11.2018 às 09:40

e o Mourinho, desabrido e exagerado, às vezes pateta (aquela cena de meter o dedo no olho no malogrado técnico do barcelona foi inenarrável), tem-nos
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De Anónimo a 09.11.2018 às 09:49

" meter o dedo no olho" Qual dos olhos? Não sabia dessa.
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De jpt a 09.11.2018 às 09:53

a do "triolho" foi o Bruno de Carvalho ...

quanto ao que pergunta https://www.youtube.com/watch?v=rJS_RceEgk8

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