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Mnemosyne

por Diogo Noivo, em 10.07.18

Na semana passada assinalou-se o terceiro aniversário do referendo onde uma parte importante do eleitorado grego deu um cartão vermelho à austeridade e recusou a “escravatura” da dívida. Tendo esta efeméride como pano de fundo, Zoe Konstantopoulou, ex-Presidente do Parlamento grego e antiga militante do Syriza, publicou um artigo de opinião no jornal britânico The Guardian onde faz a revisão da matéria dada. Eis as passagens dignas de antologia:

alexis-tsipras-em-Santarém.-25-de-abril-de-2009.j

“Pense como o povo britânico olharia para um primeiro-ministro eleito com o intuito de acabar com as privatizações e que, em vez disso, privatizou quase todos os bens públicos; que foi eleito para servir a paz e que, em vez disso, facilitou a acção militar contra alvos na Síria e concordou com a venda de armas a países acusados de crimes internacionais; que foi eleito para proteger as casas das pessoas, e que ficou parado enquanto os bancos se apoderavam delas, deixando as pessoas sem abrigo; que foi eleito para servir a democracia e a independência do seu país e que, em vez disso, o entregou à UE, ao FMI e ao BCE. Isto foi o que Tsipras fez ao povo grego.”

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“A vida tornou-se insuportável. O desemprego dos jovens é a norma e estima-se que 8% da população abandonou o país em busca de trabalho. O salário mínimo não paga as contas e centenas de milhares de famílias ficaram sem eletricidade”.

catarina_marisa_atenas_150122_nunoveiga_0.jpg

“Tsipras prometeu destruir os oligarcas da comunicação social. Hoje, os velhos oligarcas ainda controlam a imprensa grega, enquanto uma nova geração, os “oligarcas da era Tsipras”, se estabeleceram”.

comicio.jpg

“Em outubro do ano passado, representando um estado falido, ele [Tsipras] gastou 2,4 mil milhões de dólares na compra de caças F-16 aos EUA. Elogiou Donald Trump por continuar a “tradição de democracia e liberdade” que nasceu na Grécia.”

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17 comentários

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De O Gajo a 10.07.2018 às 10:23

Tsipras, no referente às privatizações, lembra Passos Coelho. Tudo, para alguns, a tuta e meia:

Tribunal de Contas condena decisões da Parpública na venda da EDP e REN

O relatório do TC indica que “a Parpública não assegurou que os consultores financeiros (seja para a avaliação prévia ou a assessoria no decurso do processo de venda) ficassem impedidos de assessorar posteriormente os potenciais investidores, no mesmo processo, o que veio a acontecer com a contratação do BESI no processo de (re)privatização da EDP e da REN”.

Estado pode ter perdido milhões com privatizações da EDP e REN

Tribunal de Contas diz que elevados dividendos anuais destas empresas podiam render, a longo prazo, muito mais dinheiro ao Estado. Juízes concluem ainda que BESI trabalhou para os dois lados: vendedor e comprador
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 10:42

elevados dividendos anuais destas empresas podiam render, a longo prazo, muito mais dinheiro ao Estado

Isso é verdade, mas então, porque é que há tantos privados que vendem as ações que detêm nessas (ou noutras) empresas?

Suponha uma pessoa que tem umas ações da EDP e decide vendê-las. Você pode criticar essa pessoa dizendo que não deveria vender as ações porque elas no futuro poderão render-lhe muitos dividendos. Mas a pessoa pode ter 1001 razões legítimas para querer vender as ações. E, de facto, todos os dias há muitas pessoas que vendem as ações da EDP que detêm!

Se os privados vendem ações que detêm em empresas, porque é que o Estado não o poderá ou deverá também fazer?
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De O Gajo a 10.07.2018 às 12:23

"Isso é verdade, mas então, porque é que há tantos privados que vendem as ações que detêm nessas (ou noutras) empresas?"

Especulação? Necessidade de Liquidez imediata?

Claro que os privados podem ter 1001 razões , incluindo más razões.

Quanto ao Estado ele não tem legitimidade para vender Empresas Privadas, em regime de monopólio, de facto, sem que tal não conste no programa eleitoral e ainda menos se for um mau negócio para a Tesouraria Pública, e para o bolso do contribuinte
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De O Gajo a 10.07.2018 às 13:07

Correção :
"Quanto ao Estado ele não tem legitimidade para vender Empresas Públicas "
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 14:16

Necessidade de Liquidez imediata?

Essa foi uma das razões para o Estado vender. E essa razão é tão legítima e tão ponderosa para o Estado como para um privado.

o Estado ele não tem legitimidade para vender Empresas Privadas
[...] se for um mau negócio para a Tesouraria Pública


Quando se compra ou vende (ações de) uma empresa, nunca se sabe se isso é ou será um bom ou mau negócio. Há sempre opiniões divergentes sobre essa matéria. Eu posso achar que o preço de venda foi demasiadamente alto e outrém achar que foi demasiadamente baixo. Eu posso achar que no futuro a empresa vendida distribuirá enormes lucros e outrém achar que ela em breve falirá. No caso vertente, o Tribunal de Contas é da opinião de que a EDP dará enormes lucros e que foi vendida a mau preço; mas isso não passa de uma opinião, de um palpite.

Já agora, a EDP não é uma empresa em regime de monopólio. A EDP tem as suas propriedades - diversas barragens e outras centrais geradoras. Mas não tem qualquer monopólio. Nenhum consumidor é obrigado a ser cliente da EDP (eu, por exemplo, não sou).
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De O Gajo a 10.07.2018 às 23:11

O Estado vendeu porque foi obrigado pela troika.Aliás só uma menor parte do dinheiro arrecadado foi usada para o abatimento da divida. Como noutros lados aproveitou-se a crise para uma transformação criativa da economia portuguesa. Que resumidamente passou das mãos de um Estado para um outro estrangeiro (chinês ).

A EDP é na realidade um monopólio.

Existem empresas que são investimentos seguros, por "não terem "concorrência nacional - BRISA, GALP, REN.....Agora quem pode vir a ter necessidade de liquidez, a curto prazo, não deve apostar em Bolsa.
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De Luís Lavoura a 11.07.2018 às 10:37

Você insite com esse disparate de que a EDP é um monopólio, que não é. Um monopólio é a única empresa que fornece um determinado serviço. Ora, a EDP não é a única empresa que vende eletricidade aos consumidores, há muitas (pelo menos meia dúzia) de empresas que o fazem. Qualquer pessoa que não esteja satisfeita com os serviços da EDP tem pelo menos mais meia dúzia de empresas diferentes que lhe prestam serviços análogos, com preços diversos.
Muito mais monopolistas são o Facebook ou a Microsoft ou a Google, mas dessas, sei lá por quê, ninguém fala.
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De O Gajo a 11.07.2018 às 17:13

O mais recente relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), divulgado na semana passada (2018), mostra que nos últimos anos o Estado pagou à EDP 510 milhões de euros a mais e sugere que nos próximos dez anos se poderia reduzir em 165 milhões de euros por ano o que é imputado aos consumidores.

Francisco Louçã considera que a EDP "é um monopólio com grande poder político, dirigida por um antigo ministro do governo PSD/CDS, que ficou depois muito próximo dos governos do partido socialista".

Para o economista, "a EDP é um império dentro do nosso país e, portanto, ganhou o poder de obter vantagens que são indevidas face à lei e até de impor legislação".
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De António a 11.07.2018 às 02:24

Não ser cliente de pouco adianta. Não paga taxa do audiovisual? Não paga défice tarifário? Não paga Cmecs? Não paga à REN?
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De Luís Lavoura a 11.07.2018 às 10:33

Claro que pago isso tudo, mas esse dinheiro não vai para a empresa de eletricidade, vai para outras empresas (o audiovisual vai para a RTP, a REN vai para a REN, etc). Repito: eu não sou cliente da EDP e nada lhe pago. E não sou o único. A EDP não é, portanto, um monopólio.
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De António a 11.07.2018 às 22:17

Olhe que paga, olhe que é. Todos os outros têm que passar por ela, e pagar os custos das opções políticas tomadas a favor da EDP quando era monopólio. É por isso que os preços são tão iguais - e tão excessivos. No Kw/h depois de terminarem as teaser rates é pouca diferença. O mesmo na potência contratada. É menos, mas não é metade.
Há dias apareceu-me um mocito da Iberdrola. E quando houver azar? Ah, não se preocupe, isso é com a EDP Distribuição. Então para que quero a Iberdrola? É que por mais decretos e reguladores, a EDP primeiro trata dos seus.
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De António a 10.07.2018 às 13:25

Caro Arlindo, o programa implementado por Passos Coelho foi o delineado e acordado entre a Troika e o Governo do PS, com cada uma das preciosas tranches de ajuda a vir para Portugal depois da implementação de cada medida ser avaliada. O programa previa sobretudo cortes na despesa, mas graças às boas graças do Tribunal Constitucional, que inviabilizou tudo, só restou a solução de aumentar impostos e vender ao desbarato. Quando se é obrigado a vender, a posição negocial é fraca.
Dito isto, a EDP era um monopólio e continua a ser, e esse é o problema. Os chineses fizeram um verdadeiro negócio da china, muito graças ao défice tarifário criado pelo Governo de Sócrates para “oferecer” uma electricidade barata que nos está a saír cara, e mais o apoio perdulário às energias renováveis, e mais umas quantas coisas que foram vendidas junto com a EDP. Tenho a certeza de que com tempo, o negócio seria outro. Mas não havia nem tempo nem dinheiro.
Hoje também não há dinheiro, nas sábias palavras de António Costa. Não há dinheiro para cumprir o acordado com os professores, nem para hospitais, nem para reparar estradas. Portanto prepare-se - na próxima Troika o que se vender será ainda mais ao desbarato, seja qual for o desgraçado de serviço. É assim que recordo Passos Coelho, o desgraçado de serviço.
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De O Gajo a 10.07.2018 às 14:03

"programa implementado por Passos Coelho foi o delineado e acordado entre a Troika e o Governo do PS"

Não foi acordado com o eleitorado português. Decidiu-se nas suas costas partindo do pressuposto, muito "União Europeia ", que o "povo" não sabe o que é melhor para ele. Que nós não temos legitimidade para decidir sobre como podemos,poderemos, pagar a dívida - Onde cortar? Que serviços manter?

"Programa previa sobretudo cortes na despesa, mas graças às boas graças do Tribunal Constitucional, que inviabilizou tudo, só restou a solução de aumentar impostos e vender ao desbarato"

Inviabilizou tudo?? Então e o congelamento de carreiras? Os cortes nos apoios sociais? Nas reformas e pensões? As mudanças nas leis laborais? O brutal aumento de impostos?

Só restou vender ao desbarato? ?!! Essa é boa.

E obrigado a vender? ? Em nome de que boas práticas económicas se é obrigado a vender Empresas Públicas que dão lucro ao Estado? Que não estavam falidas - REN, EDP.
Com o argumento de serem públicas? E depois vendem-nas ao Estado chinês? Ou a capitais especulativos angolanos ou Norte americanos?

Havia tempo de sobra para as vender. Aliás o dinheiro arrecadado pela privatizações foi mísero :

Só metade do dinheiro da venda serviu para amortizar dívida.

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De António a 11.07.2018 às 02:21

Vai perceber quando venderem o resto. A CGD é a primeira. Depois a TAP. E depois o resto. Por que acha que Costa as manteve? Para a próxima bancarrota. E também aí se dirá que davam lucro.
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De Alexandre Policarpo a 11.07.2018 às 01:31

Mas afinal quem é que privatizou a EDP? quem é que foi o campeão das privatizações em Portugal? foi o Cavaco, dirão alguns, desinformados, digo eu. Não, não foi o Cavaco, o campeão das privatizações em Portugal foi o Guterres, que privatizou a maioria da banca, dos seguros,dos cimentos, a EDP, a Galp, a PT, a Brisa e tutti quantti. Há quem jure que Guterres fez 48 mil milhões em privatizações! o que é que ele fez com esse dinheiro, continua a ser um mistério. Sabe-se que uma pequena parte, por imposição de Sousa Franco, foi para a divida publica e o resto não se sabe. Sabe-se apenas que não serviu para investir.
Quanto ao Passos Coelho privatizou o capital que restava nas mãos do estado, pouco mais de 20%, cuja mais valia estava associada à golden share, que teria de acabar mais cedo ou mais tarde porque era ilegal.
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 10:37

Não sendo eu especialista na Grécia nem na(s) sua(s) política(s), confesso que não vejo o que, nestes trechos citados, seja obviamente falso. Não digo que seja tudo (ou sequer a maior parte) verdadeiro, mas não vejo nada que seja obviamente falso.
Penso que o autor do post deveria ser explícito, explicando-nos o que têm estes trechos de errado.
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De jo a 10.07.2018 às 21:02

A Grécia para os nossos europeístas é um maná:
Serviu para provar que a esquerda do Siriza era doida.
Serviu para provar que não é doido quem quer e que o Siriza foi, e muito bem, obrigado a seguir as políticas da união.
Agora que as políticas que o Siriza foi obrigado a seguir não resolveram nada e pioraram a situação, serve para mostrar que o responsável dessas políticas é o Siriza e só ele, e por isso é que elas resultaram mal.

Reconhecer que a solução que a Grécia foi obrigada a seguir não serve é que não pode ser opção.

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