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Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?

por José Gomes André, em 02.04.15

 

Não me interessa o folclore do Natal. Esta é a noite mais solene do cristianismo, talvez mesmo a mais solene da história. Quando Cristo, sabendo do seu destino fatal, exprime a sua dor humana, demasiado humana, em revolta contra o trágico evento que o espera. Há muitas coisas admiráveis sobre a Última Ceia, a lavagem dos pés, a instituição da Eucaristia e o beijo de Judas, mas nenhuma me parece tão importante quanto a dúvida que assola Jesus (“Pai, afasta de mim esse cálice!”), Deus feito homem – e portanto apaixonado pela vida dos homens e pelos homens. Sob a aparente serenidade do que se seguirá, habita em Cristo um desejo de resistência contra o absurdo da morte, que culminará, horas mais tarde, na mais desesperada e brutal das frases bíblicas: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Citando um salmo do Antigo Testamento, opera-se a ligação entre o antigo e o novo, mas é de um homem dilacerado que se trata ainda, face a uma morte que não quer aceitar, mas da qual não pode fugir, em nome da causa que defende. Em todas as Páscoas penso na luta desse homem – e do que ela tem para nos ensinar sobre as nossas próprias lutas. 

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12 comentários

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De Pedro Correia a 03.04.2015 às 00:09

Muito bem, Zé.
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 00:53

Muito obrigado, Pedro. O teu texto sobre a Páscoa estava genial, aprendo sempre muito contigo. Abraço forte!
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De FF a 03.04.2015 às 10:33

Excelente reflexão. Subscrevo.
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 00:55

Muito obrigado!
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De José Cipriano Catarino a 03.04.2015 às 11:57

Muito bom, muito bonito o texto. Nele há, porém, um pormenor que faz toda a diferença: Jesus sofre o seu destino convencido de que é Deus, ou, como todos nós, apenas um homem, filho do Criador, chamemos-lhe Deus ou outro nome qualquer? A resposta depende da fé ou da sua ausência. A crucificação pode ter ser sido o momento derradeiro em que Jesus percebeu que Deus não existe ou a humanidade Lhe é indiferente... Esta é a grande interrogação para a qual não tenho resposta.
(Peço aos crentes o favor de me não virem chatear o juízo; se têm fé, parabéns, guardem-na, que não há-de ser fácil.)

Parabéns pelo texto e grato pela reflexão que suscita.
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 00:55

Muito obrigado também pelas suas reflexões. Cumprimentos!
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De JAB a 03.04.2015 às 12:03

Excelente texto. Belo... sábio e profundo. Mais ainda se na frase principal "Pai, afasta de mim este cálice" intuirmos aquele "se é possível"... "si fieri potest", quase um "se puder ser..." onde estão as nossas hesitações... os nossos medos... as nossas resistências que Ele assumiu apaixonadamente e eficazmente redimiu.
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 00:56

Obrigado pelo comentário.!
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De Anónimo a 03.04.2015 às 12:22

Ele, Cristo, aceitou a morte, foi para isso que veio à terra. Tal como qualquer humano, também Ele, teve medo da morte brutal que o esperava. Foi um desabafo de desespero, perante o sofrimento.
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 01:04

Obrigado pelo comentário!
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De Costa a 04.04.2015 às 15:52

Dois textos, este seu e "Deus feito homem", de Pedro Correia, perante os quais ninguém, acredito, deveria ficar indiferente; onde não há uma palavra a mais e que nos interpelam sem hipótese de ser ignorados.

E todavia quantos de entre tantos que por estes dias de "mini-férias " (todo o pretexto serve para isso e acaba por ser isso o que largamente resta destes dias) rumam em manada ao inevitável Algarve, à neve inexistente da Estrela ou - já que o calor se lembrou de aparecer - apenas à praia mais próxima, a maior parte cristãos de formação, ainda que ateus ou agnósticos por opção de razão, se terão detido por uns momentos apenas no exemplo - Deus ou homem - de Cristo?

Essas nossas próprias lutas, tendem, receio, a ser demasiado embrutecidas para sobre elas se pensar ou procurar obter mais do que o imediato delas resultante: da mera e básica sobrevivência de cada vez mais, em dias que se sucedem em infame indignidade, à vácua vaidade de outros, há muito ansiada, de ostentar um carro (ou o que seja) melhor que o do vizinho.

Costa
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De José Gomes André a 06.04.2015 às 01:04

Muito obrigado pelo comentário!

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