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Enfiando a carapuça

por jpt, em 14.09.18

(inquisição)O tribunal da Inquisição, num óle

Ontem botei este texto aludindo à Hungria. O que conheço da actualidade húngara, de uma forma muito flanante, vem-me da imprensa internacional (aproveito, lateralmente, para recomendar uma preciosa aplicação, a paper.li, que permite que cada faça o seu "jornal", escolhendo as fontes - até 10 na versão gratuita, até 25 se pagando - e as temáticas: há anos que assim recebo o meu jornal "Courelas", que podem ver, até para aquilatarem do interesse de constituirem o vosso próprio).

De seguida o Luís Naves botou este texto, criticando o que havia eu colocado, juntando-lhe esclarecimentos sobre o país e a sua opinião sobre a interacção húngara com a UE, assentes num conhecimento vasto. Não vou assumir como letra de lei estas considerações, continuarei a olhar de soslaio para Orban, mas (ainda mais) estúpido seria se não as usasse, de agora em diante, para pensar sobre a Hungria actual.

Mas disto retiro duas ideias: a primeira é a de recordar o molde padronizador da padronizada imprensa global. É possível que haja textos mais compreensivos sobre a Hungria, que bastará aos interessados procurá-los. Mas o leitor mediano, relativamente desinteressado, constrói uma imagem na mescla de fragmentos, quantas vezes lidos/ouvidos na diagonal. E eles reproduzem-se, sedimentam-se, descomplexificam, facilitam e assim nos facilitam a vida. Ou seja, um tipo lê "umas coisas" (para não falar de outra, e rústica, maneira) e sente-se informado, segue todo pimpão.

A segunda ideia que retiro é pessoal. Blogo há 15 anos, 11 dos quais vivendo em Moçambique. Durante os quais tantas vezes me irritei com patetices, assertivas e convictas, vindas na comunicação social, nos blogs e, depois, nas "redes sociais" sobre aquele país. Gente, profissionais e amadores, a botarem com evidente prosápia um feixe de lugares-comuns, descabidos, desconhecendo a realidade moçambicana. E ontem à noite, ao ler o Luís Naves, o que logo me ocorreu foi um "olha eu, a fazer e-xac-ta-men-te o que aqueles patetas todos fazem", nesta mania, volúpia até, de se (me) fazer ouvir, a vã vacuidade.

Está enfiada a carapuça.

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28 comentários

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De Pedro a 14.09.2018 às 08:39

Jpt, basta ler as variadas declarações de Orban ,na net, para se ficar com uma ideia do seu liberalismo Não são necessários interlocutores.

Speech on 8 February to a group of city councils:

'we do not want our colour to be mixed in with others'.

Fonte, Comissão dos Direitos Humanos da UN.
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De jpt a 14.09.2018 às 08:46

Como digo neste texto, continuarei a olhar para Orban de soslaio. O que quero realçar neste texto é a necessidade de conhecer melhor os contextos.
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De Anónimo a 14.09.2018 às 17:20

Cada vez mais. A informação vem (quase) sempre descontextualizada porque se opina levianamente sobre os assuntos.
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De Miguel a 15.09.2018 às 19:48

A sua auto-critica é de louvar.

No entanto, talvez esteja a saltar demasiado rápido para o outro extremo..questiona tudo o que pensava que tinha percebido, porque uma única pessoa discorda.

Considerando outras coisas que o seu colega Luis Naves escreve por aqui talvez as opiniões dele devam ser lidas com um (enorme) grão de sal.

Por ex. aqui https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-razao-dos-senhores-do-castelo-10261332 revela que não faz ideia nenhuma sobre o que é o brexit ou as posições do reino unido ou da UE. E este é assunto onde não falta informação..
Mas escreve com um tom de certeza e segurança absolutas...

Julgo que o melhor não questionar o seu entendimento inicial com tanta rapidez...

ab,
miguel
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De jpt a 16.09.2018 às 16:55

Eu não deitei tudo fora. Refiro que continuo a olhar para o outro Orban de soslaio. Mas de facto o LN apanhou-me a perorar sobre algo que não tenho grande conhecimento
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De JPT a 14.09.2018 às 11:13

É aquela comissão que recomendou suspender a lei penal brasileira para que o Lula se candidate? Hmmm, tá bem então.
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De Pedro a 14.09.2018 às 12:06

Acabe-se já com Comissão....e com a ONU....e de arrasto com a UNICEF....e a OXFAM...

Já agora,qual a parte do seu comentário que desmente a veracidade das declarações de Orban?

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De JPT a 14.09.2018 às 12:44

Essa comissão não era para acabar já, era para ter acabado ontem, poupava-se para se gastar na UNICEF e na OXFAM. Quanto à frase, aparece, sempre igual, em 363 resultados no Google, sempre com a mesma fonte. Como a isenção do autor do texto original é nula e a frase aparece truncada e descontextualizada (Orban estava a falar do quê?) não tenho que "desmentir a veracidade" de nada. Lamento, mas isto já não é a URSS.
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De Pedro a 14.09.2018 às 14:39

Artigo 10.o - Liberdade de pensamento, de consciência e de religião

1. Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, bem como a liberdade de manifestar a sua religião ou a sua convicção, individual ou colectivamente, em público ou em privado, através do culto, do ensino, de práticas e da celebração de ritos.

https://www.youtube.com/watch?v=HFWS99btGi8

Orban se quiser sair que o faça...mais de 80% do investimento público húngaro provêm de fundos da UE….força....
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De Anónimo a 14.09.2018 às 11:01

A interrogação de espanto que se segue não pretende opinar sobre o post, apenas por ele é detonada:
- Ainda há entre nós quem acredite e forme opinião com base nos media que nos afogam?!...
João de Brito
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De jpt a 14.09.2018 às 12:46

E com que base é que se constitui opinião?
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De Anónimo a 14.09.2018 às 15:24

Eu um provinciano com uma cultura média, faço o que os outros me dizem para fazer (até o observador) fact chek.

WW
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De JPT a 14.09.2018 às 11:21

Antes de mais venho saudar a contrição do autor do post, realmente muito mau, no seu seguidismo acrítico dos Guardians desta vida. Mas não se preocupe! O Luís Naves faz o mesmo com o Sr. Erdogan (que não divergia muito do Sr. Orban, pelo menos até ao golpe de estado em que o tentaram matar e se apercebeu da tristeza que o fracasso do mesmo causou nos líderes ocidentais). E os argumentos são quase idênticos, o apoio democrático esmagador, o derrube de um clique corrupta que dominava há cem anos o aparelhos do estado, incluindo tribunais, quartéis e universidades, os excelentes resultados económicos... Mas o Sr. Erdogan é muçulmano, por isso, ui, ui... Bom FDS!
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De jpt a 14.09.2018 às 12:44

Caro homónimo maiúsculo eu aceito a crítica - ainda que esteja crente, mesmo ciente, de que, por "realmente muito mau" que tenha sido o meu postal não foi o pior que já botei. Quanto ao "seguidismo acrítico dos Guardians" (percebo-lhe a pirraça com o jornal mas está aí acima uma ligação para se ver mais ou menos a abrangência da imprensa que vou lendo, muitas vezes em voo de pássaro) por um lado refiro isso neste postal mas, por outro, onde quer V. que um tipo se informe sobre o mundo. Na bola de cristal? Exclusivamente nos blogs?
Quanto ao Erdogan, agora que sou vizinho de imensos turcos, que isto um quarteirão ou dois é uma verdadeira Istambul, a ver se começo a perceber um bocado mais daquele albergue otomano
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De Irra a 14.09.2018 às 12:20

:-)

jptzinho, segue daqui uma beijaça virtual nessa ilustre testa, no mais profundo e respeitoso espírito de reconhecimento (assim à laia dos árabes, 'tá a ver?).

gosto de si a monte.
odeio gostar de si.
gosto de si, fazer o quê.

em podendo, bote faladura de tudo e mais um par de botas. adoro lê-lo. odeio gostar de lê-lo. gosto de lê-lo, fazer o quê.


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De jpt a 14.09.2018 às 12:45

Irra, que até me constrange ...
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De Irra a 14.09.2018 às 15:02

Óptimo. Ia escrever "mission accomplished", mas lembrei-me que talvez fosse condição bastante para o arreliar coisa que hoje, não me apetece, sequer, tentar fazer.

Não se leva um caracol desta vida, mas que os afectos, mesmo que à distância, virtuais, mesmo que vindos de quem não se conhece, façam uma cócegazinha. Na vida, essa agora, nada de ideias esdrúxulas.

P.S. em podendo, de quando em vez, ignore pedido de irmã e filha, e largue um coisinho de vernáculo. A sua elevadíssima prosa, pontuada por um palavrãozito, é um gelado italiano. Daqueles mesmo, mesmo, mesmo bons!
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De jpt a 14.09.2018 às 23:41

Irra, em sua homenagem meterei um "patife" ou outro ...
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De Irra a 15.09.2018 às 16:50

Isso mesmo, faça-o disfarçadamente, e imputando responsabilidades a outrém (a mim)! Diga às senhoras: tenho uma Irra no DO que me encomendou um coisinho de vernáculo e não quero fazer desfeita.

Não sou eu, é a Irra!
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De Anónimo a 14.09.2018 às 15:28

Ao jpt só lhe fica bem reconhecer o seu erro, é assim que nós evoluímos.

WW
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De jpt a 14.09.2018 às 23:42

Obrigado (mas eu já vou mais no involuo)
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De Anónimo a 14.09.2018 às 18:02

Muito bem. Honestidade intelectual.
Por segurança, apenas deveria poder escrever sobre a Hungria quem lá passa mais de 6 meses. Nos media e no mainstream não podemos confiar. Para nada.
A sua contrição revela inteligência.
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De Anónimo a 16.09.2018 às 21:33

E você está à espera do quê para emigrar para Budapeste? Assim fica a saber o que os húngaros pensam de "mouros" como você.
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De lucklucky a 14.09.2018 às 18:36

"A segunda ideia que retiro é pessoal. Blogo há 15 anos, 11 dos quais vivendo em Moçambique. Durante os quais tantas vezes me irritei com patetices, assertivas e convictas, vindas na comunicação social, nos blogs e, depois, nas "redes sociais" sobre aquele país. Gente, profissionais e amadores, a botarem com evidente prosápia um feixe de lugares-comuns, descabidos, desconhecendo a realidade moçambicana."

Tem um nome:

Briefly stated, the Gell-Mann Amnesia effect is as follows. You open the newspaper to an article on some subject you know well. In Murray's case, physics. In mine, show business. You read the article and see the journalist has absolutely no understanding of either the facts or the issues. Often, the article is so wrong it actually presents the story backward—reversing cause and effect. I call these the "wet streets cause rain" stories. Paper's full of them. In any case, you read with exasperation or amusement the multiple errors in a story, and then turn the page to national or international affairs, and read as if the rest of the newspaper was somehow more accurate about Palestine than the baloney you just read. You turn the page, and forget what you know.
— Michael Crichton
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De jpt a 14.09.2018 às 23:40

LL sim. Mas frise-se que, e por maioria de razão, isto se adequa, e por vezes desesperadamente, a comentários de blog
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De lucklucky a 15.09.2018 às 00:11

Ok. Mas esses têm menos responsabilidade.

Olhe tem aqui mais uma fake news desta vez da tempestade Florence, um jornalista do Weather Channel a fingir que quase não se aguenta em pé, atrás passam 2 transeuntes nas calmas.:.

https://twitter.com/gourdnibler/status/1040678572262916096
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De Justiniano a 15.09.2018 às 10:06

Apenas para enaltecer o texto do caro jpt, uma vez mais!!
Leio-o assídua e atentamente, tal como ao caro Luis Naves!
Aprecio-lhe, caro jpt, a escrita corrida e os clamores impacientes.
E que não lhe doam as mãos!!
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De jpt a 16.09.2018 às 16:52

obrigado pela simpatia

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