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Medo + Ignorância = Ódio

por Patrícia Reis, em 09.09.15

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O estado do mundo. É este: medo + ignorância é igual a ódio. Não vou reproduzir o video da operadora de televisão húngara que tenta passar não uma, mas duas rasteiras, até conseguir o momento penoso de ver um refugiado cair. Não reproduzo por não me apetecer ficar mais triste do que estou. Entre o medo e a ignorância temos a manipulação, o desejo extremo de sangue, suor e lágrimas, o mau jornalismo que deixa o bom nome do jornalismo com qualidade por águas turvas, a total falta de humanismo, de solidariedade, a recusa da cidadania responsável e com princípios válidos. Bons princípios. Eduquei dois filhos para serem boas pessoas. Para saberem a diferença entre o bem e o mal. Tive muitas ajudas, felizmente. Até o Tolkien me ajudou! Sempre lhes disse que uma vida cheia de medo não é vida. Que a maior riqueza que temos é a educação e cultura geral. Que os ódios e equívocos, dogmas e fundamentalismos não colhem, não podem colher. Fazem o seu caminho, farão as suas escolhas, são do mundo, não são meus. Mas posso dizer que tentei, fiz um esforço, não me demiti da educação, da passagem de valores em que acredito e, caso hoje possamos discordar, pois concordamos que discordamos civilizadamente. Não discordamos dos princípios básicos. Ficaram lá. A mãe da operadora de televisão deve ter morrido de desgosto com as imagens divulgadas, com as atitudes da filha. Eu morreria. 

Ainda hoje digo que sou jornalista, é quem eu sou na essência e orgulho-me do bom jornalismo que se pratica em Portugal e no mundo. O que acontece com os refugiados e este video em particular - não me consola que a senhora tenha sido despedida, devo dizer! - é que me leva a perguntas como esta: quando é que a procura da verdade, o princípio básico e fundamental do bom jornalismo, faz com que as pessoas envolvidas tenham de perder a dignidade? Até onde podemos expor quem é protagonista do horror? E, por fim, a pergunta de sempre: onde estão as boas notícias? Existem? Existem, tenho a certeza, por acreditar piamente que não fui a única a tentar educar os filhos para serem boas pessoas; existem histórias de solidariedade, de companheirismo, de descoberta, de inovação que são extraordinárias, pena seja que o mundo queira ver o pior, pena seja que os profissionais de comunicação social vivam sobre a pressão das vendas e outras coisas e façam coisas como rasteiras desumanas. E não, não refiro a necessidade do outro lado da moeda para não ver o que pior há no mundo. Nada disso. Acredito que é essencial mostrar um pouco de bondade. Para que possamos restaurar a nossa fé nos outros.


21 comentários

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De singularis alentejanus a 09.09.2015 às 18:37

O que me preocupa nesta questão dos refugiados, tendo em conta que há muita gente a bater palmas pela sua vinda pelo facto de vir muita gente nova até de tenra idade, é que se a Europa não criou condições para que os seus tenham mais filhos e aumentar os paupérrimos índices de natalidade europeus, como vai criar condições para os filhos dos outros?
Só para exemplo, em Portugal as mulheres nem podem engravidar, pois correm o risco de serem despedidas.
O povo diz e com razão, quem não é bom para si nunca pode ser para os outros.
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De Ali Kath a 09.09.2015 às 19:47

'és jornalista de esquerda ?,
nunca serás um ser humano'
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De Português a 11.09.2015 às 11:35

Ali Kath
Não sei qual a sua ideologia nem se seguiu e onde as noticias sobre a dita "jornalista", que não acredito que o seja, se virem as várias imagens ela não tem nenhuma identificação de imprensa, que todos os outros repórteres no local têm, cartão ou colete a dizer "PRESS", mas para seu esclarecimento, a "senhora" é lider de uma facção radical do partido da extrema direita da Hungria, um partido que até já foi condenado pelo Tribunal Constitucional Hungaro por crimes contra estrangeiros.
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De maria madeira a 09.09.2015 às 19:50

Que belo texto. É só o que consigo dizer. Obriga-nos a reflectir. Muito obrigada.
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De Maria a 09.09.2015 às 20:31

Texto esplêndido, texto que nos poderá fazer reflectir sobre os direitos humanos. Também me chocou e só não chocou os insensíveis porque o materialismo, sobrepõe-se ao humanismo. Mundo cão, onde os valores estão tão baixos que nos mostram esta realidade feia, crua, insensível, desumana e maquiavélica.
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De Anónimo a 09.09.2015 às 21:08

Belíssimo texto, Patrícia.
Vi, incrédula e indignada, essas imagens na tv e também fiquei triste, muito triste.
É realmente essencial mostrar um pouco de bondade para podermos restaurar a nossa fé nos outros: palavras sábias.
Obrigada!
:-) Antonieta
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De lucklucky a 09.09.2015 às 23:06

100% de acordo com a crítica à jornalista que violentou a outra pessoa excepto quando no fim a parece desculpar com a pressão das vendas!
Em desacordo com tudo o resto sobre jornalismo.

O Jornalismo não existe, é a mais falsa das profissões. É Política.
Não está interessado na verdade.
Se estivesse interessado na verdade poderia dar as estatísticas de crimes dos imigrantes. Como é que se discute a imigração censurando informação relevante?
Esse é só um exemplo entre muitos.
No caso presente são censurados os ataques às populações que alguns refugiados fizeram um pouco por onde passam, não só furtos, mesmo violência.
Os resultados das censura dos jornalistas e a realidade que está cá fora sempre em mutação mede-se nas vendas a descer, na descredibilização e desprezo.
E claro nos votos nos partidos de protesto.

Nunca se viu uma foto de uma criança Cubana afogada ao fugir do Regime Comunista. Muitas o foram. Porque a foto de uma criança morta tem quase sempre um efeito político. Foram Censuradas por isso mesmo.

Tal como se censurou as fotos dos mortos do ataque do 11 de Setembro. Nenhum jornalista gritou censura. Não foi na direcção "certa".
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De majora a 11.09.2015 às 11:25

ora pois !! é isso mesmo ! o seu comentário, sim, foi na direcção certa !!
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De Anónimo a 11.09.2015 às 13:54

Tem razão. Também se diz pouco do que foi o colonialismo, a guerra do ópio, a extinção dos ameríndios (incluindo guerra biológica) e dos aborígenes australianos, a ocupação da China pelas potências, a intervenção ocidental na guerra civil na Rússia depois da revolução de 1917. É assim e cada um tem de interpretar o que acontece. Não tenha dúvidas: não se diz tudo nem se pode dizer. Há coisas que interessam mais do que outras, o que você diz não é novidade.
J. L.
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De fr a 11.09.2015 às 10:47

Discordo do bom jornalismo em Portugal, acho que todas passam exatamente a mesma coisa, incluindo os media na internet. A minha opinião é que há um "filtro", agora não sei se quem decide esse filtro é o parlamento nacional, europeu, ou até washignton...mas os roteiros já estão pré defenidos, acredito eu
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De :P a 11.09.2015 às 11:34

http://www.levif.be/actualite/international/usa-les-supremacistes-blancs-deux-fois-plus-meurtriers-que-les-djihadistes/article-normal-402429.html?utm_source=Newsletter-25/06/2015&utm_medium=Email&utm_campaign=Newsletter-RNBDAGLV&M_BT=10297323311721
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De Vento a 11.09.2015 às 11:41

Lamentável é que os ditos jornalistas não se abstenham de fazer comentários "bonitos e bem falantes" , passem a vida a "abanar a cauda" com opiniões "do bem" para a gradar os seus "donos" , i,é os chefinhos do jornaleco, e os mandantes (os democrateiros e maçons do dinheiro e dos iates, etc...) em vez de darem as noticias tal qual elas são. Assim não se distinguem muito da tal senhora: a que foi despedida (e ainda não chega? - talvez deveria ser também enviada para um campo de concentração ... , perdão: de correcção? - ou talvez perseguida o resto da vida?). O problema aqui parece que o dito ódio, já a manipulação que "democraticamente" é feita da dita "opinião pública" isso já não reflecte qualquer tipo de ódio! É o "bem" puro!
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De André a 11.09.2015 às 12:16

O texto está muito bem, só falta é o problema actual:
É preciso notícias. Como jornalista, não achas interessante que a rapariga tem uma câmara nas mãos, um outro operador está ao pé dela a filmar e as imagens que aparecem são de 3 operadores, de outras televisões, que estavam atrás dos poucos polícias que tentavam controlar a multidão que corria por aquele campo. (naquele caso seriam entre 12 a 15 jornalistas por cada polícia...)
O que ela fez foi muito mau. Só que, para obterem imagens, vale tudo. Tens um exemplo terrível que aconteceu na Grécia há pouco mais de 2 meses, onde foram jornalistas que incentivaram os manifestantes a atacar a polícia que guardava o parlamento. Tudo porque aquelas imagens caíram em cima do "prime-time" para as televisões europeias. Foi estranho que a estação a despediu mas, não mostraram as imagens que ela obteve nem as que o outro obteve. Se aquelas imagens não tivessem chegado à internet logo após aquilo ter acontecido, era provável que as imagens dela e do outro, fossem destaques pois era um pai a fugir da polícia e a cair desamparado.
Por outro lado, nestas situações, estão a surgir demasiados jornalistas. Na Hungria estão mais de 4000 jornalistas estrangeiros a cobrir estas situações... Depois temos ali Almina (Fronteira espanhola com Marrocos, onde está construído um muro muito maior e mais perigoso que o que a Hungria está a construir e ninguém se importa. Ainda ontem lá morreram 4 pessoas a tentar trepar o muro para entrar em Espanha. Só teve direito a uma daquelas linhas no fundo do écran da TVE) que passou ao esquecimento...

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