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Medina Carreira

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.07.17

Unknown-4

(14/1/1931- 3/7/2017)

Advogado, militante socialista, depois independente, fiscalista, homem de Estado, professor, comentador televisivo, cronista, acima de tudo um cidadão interveniente. Com o correr dos anos tornou-se visceral, mais amargo, mas as suas preocupações eram as de sempre: Portugal e os portugueses. Lutou como pôde, sempre com lealdade e frontalidade, de forma corajosa e desassombrada por aquilo em que acreditava. Em Portugal, no mundo, fazem sempre falta homens como ele. Que o seu exemplo cívico, numa terra de gente acomodada, bem comportada e onde não abundam os exemplos possa perdurar. E que descanse em paz.  


4 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 04.07.2017 às 11:00

Nunca simpatizei com tal caricatura. Nos sermões havia sempre uma postura de cátedra, de cima para baixo, carregada de azedume e punitiva. No tom monolítico e monocórdico da desgraça considerava políticos, cidadãos e o país uma piolheira, uma turba de idiotas que mereciam castigo e sofrimento. Figura que nunca demonstrava grande empatia com as dores dos muitos apanhados nos piores anos da crise. O seu discurso em certo sentido seguia o já bastas vezes ouvido dos tempos da antiga senhora -penso que só os velhinhos de ouvido, saudosistas do cheiro a naftalina, tinham pachorra para aquela retórica bombastica apocaliptica. Do gerir o país como uma casa, e do exemplo das contas bem feitas da dona de casa, a la Salazar.
Ao saber ontem da sua morte fiz bolo de chocolate e bati palmas. Não o suportava!
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De V. a 04.07.2017 às 11:41

Acho que deveria considerar a hipótese de você poder ser bem mais típico de um regime do que Medina Carreira alguma vez foi.
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De Vlad, o Emborcador a 04.07.2017 às 14:14

Engana-se. Apenas sou intolerante com a intolerância dos que minorizam, sujeitam, os outros ao peso da sua clarividência.

Para Medina não havia vítimas, nem dor, apenas vitimizações piegas e queixosos insubstanciais.

Sentia mais simpatia pelo numérico, pelo abstracto da receita, do que pelo gemido concreto provocado.

Esses engenheiros de regimes, com fórmulas infalíveis, esses sumos-sacerdotes da verdade, são os mesmos que ao longo dos tempos têm sido responsáveis pela violência cobarde, porque ignora, do totalitarismo ideológico.

As certezas da verdade são apenas os sonhos da Razão. E nestes, vivem monstros.

E há até uma certa ironia na sua indignação. V, um pregador de acções e intenções nada democráticas. O seu comentário está ferido pela incoerência
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De Vento a 04.07.2017 às 23:00

Talvez tenha razão. Nunca me foquei demasiado tempo na personalidade de Medina, pois a dele, tal como a de todos, é circunstancial. Saber sair da circunstância é um acto por demais doloroso; e só é capaz disto quem esteja disposto(a) a pagar tal preço.

A morte do Homem é coisa de pouca importância. Importante é se enquanto Homem a sua alma morreu. Só nos pertence o que damos.

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