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medicina no trabalho

por Patrícia Reis, em 15.04.15

Entrei e esperei pouco tempo, sempre em sobressalto dado a televisão estar aos altos berros e ter a Cristina Ferreira e o Goucha a pontificar para o país. Fiz o electrocardiograma e ainda tive direito a uma pérola:

 

- Anda acelerada?

 

A senhora perguntou, eu esbocei um fraco sorriso. Pensei: ando? Bom, ando sempre, tenho uma micro empresa, vivo em Portugal, dois filhos, um marido, um cão, uma avó com pouca saúde, uma mãe à beira de um ataque de nervos... Novidades?, nenhuma. Voltei para a sala de espera onde a manhã na TVI continuava animada e florida. Cinco minutos mais tarde, o médico estava pronto para me receber e, sendo simpático, muito simpático, limitou-se a reconhecer que a medicina do trabalho serve para pouco, ou mesmo nada (digo eu). Disse que não fumo, raramente bebo, que durmo o que posso e ele sorriu satisfeito, escrevinhou umas coisas e agradeceu.

Para o ano há mais? Para o ano há mais, é obrigatório. O Estado vive melhor sabendo que a malta fez um electrocardiograma. E, todos os meses, a minha micro empresa paga um contrato com uma empresa prestadora de serviços médicos para garantir que estamos dentro da lei, que vamos alegramente, qual Goucha ou Cristina Ferreira, à Medicina do Trabalho. Por favor...

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17 comentários

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De Luís Lavoura a 15.04.2015 às 16:38

a medicina do trabalho serve para pouco

A mim tem-me servido para obter à borla umas receitas para uns exames médicos. É pouco mas é alguma coisa - escuso de me deslocar ao Centro de Saúde e/ou de pagar uma consulta médica só para isso.

Sabendo que há muitos portugueses que não têm médico de família e/ou que nunca vão ao Centro de Saúde, é ainda mais útil.

A um primo meu a medicina no trabalho serviu para lhe receitar uma estadia num centro de desintoxicação alcoólica, que lhe foi muito útil.
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De Cristina Torrão a 15.04.2015 às 19:00

Televisão na sala de espera??? E é costume em Portugal?
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De Luís Lavoura a 16.04.2015 às 09:28

Completamente costume, Cristina.
Você está desatualizada em relação aos costumes dos compatriotas, Cristina. Em Portugal hoje em dia há televisões, permanentemente ligadas, embora com o som em nível muito baixo, em todas as salas de estar e quartos. Por exemplo em minha casa, a minha mulher tem uma televisão no nosso quarto de dormir, há outra na sala de estar, e ela costuma tê-las ambas continuamente ligadas apesar dos meus veementes protestos. Noutras casas já vi a mesma coisa: as pessoas estão por exemplo a jantar conversando umas com as outras e há ao lado uma televisão ligada, embora com o som inaudível. Nunca ninguém se dá ao trabalho de desligar a televisão.
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De Cristina Torrão a 16.04.2015 às 18:39

Em salas de espera de consultórios médicos e em hospitais confesso que nunca tinha visto, nem ouvido falar.
O stand da Opel, perto de nossa casa, onde já comprámos três carros (não ao mesmo tempo) e onde fazemos as revisões, pois tem oficina (é muito prático), criou, há meses, uma sala de espera (caso haja alguma demora imprevista) com televisão, o som baixo. Confesso que apreciei. Agora no médico...
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De Luís Lavoura a 17.04.2015 às 10:04

Eu costumo ir ao posto médico do Instituto Superior Técnico, tem televisão na sala de espera.
No outro dia fui às urgências em São José, havia uma televisão.
No posto de saúde em Sete Rios também estão todos com televisões à frente.
O povo português hoje em dia não sabe viver sem televisão. Mesmo que não a veja, ela tem que estar lá, permanentemente ligada.
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De lucklucky a 15.04.2015 às 21:23

Mais um boa demonstração dos empregos falsos que existem em Portugal.

Só existem por causa de leis absurdas. Embora não pareçam, o médico(mais os funcionários de apoio) não é um assessor mas não deixa de ser emprego políticos.
Enquanto a micro empresa não pode investir tanto, não pode evoluir mas é aí que está o benefício, porque a sociedade escolhe em LIBERDADE os serviços dessa micro empresa, não na ponta de uma G3.
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De Liberato a 16.04.2015 às 07:09

Tal como os Técnicos Especializados na Recarga e Manutenção de Extintores.
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De Zé Pagode a 16.04.2015 às 14:47

Claro, porque isto de viver num país desenvolvido, onde a prevenção de incêndios é obrigatória, é uma grande maçada. Porreiro mesmo é no Bangladesh, onde quase não há regulações e as poucas que há não são cumpridas. Por isso é que as fabricas desabam em cima dos trabalhadores. Fixe, não é?

Enfim, mais um comentário à Velho do Restelo.

Façam um favor a vocês próprios:

Comprem dois bilhetes de avião, vão a um país mais desenvolvido que Portugal e a um país do Terceiro Mundo.

Depois façam uma reflexão e pensem com qual deles gostariam que Portugal se parecesse.
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De Zé Pagode a 16.04.2015 às 14:43

Ridículo é estar sempre a ouvir e a ler comentários depreciativos sobre o nosso próprio país. Nos outros países também há medicina no trabalho. Se não concordas com a medicina no trabalho, é uma opinião, mas dizer que é um problema de Portugal é um disparate.

Muita gente só vai ao médico graças à medicina no trabalho. Pode não ser grande coisa, mas tem a sua utilidade.

Já me diagnosticaram um problema de saúde do qual eu nem suspeitava.
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De Fátima a 16.04.2015 às 02:33

O estado obriga as empresas privadas a fazer o faz de conta porque isto ou nada é o mesmo, mas o próprio estado não faz nada de nada. Há uns anos atrás ainda fazia o rastreio da tuberculose, mas como tinha de economizar e isso acarretava despesa, também isso foi cortado. É o que temos e queremos porque se quiséssemos já tínhamos mudado, mas gostamos e como tal insistimos no mesmo.
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De Luís Lavoura a 16.04.2015 às 11:41

isto ou nada é o mesmo

Não é não.

Muitas pessoas raras vezes ou nunca vão a um médico, porque não têm tempo para isso (têm que ir trabalhar). Só vão ao médico se estão mesmo doentes. A medicina no trabalho permite-lhes, dentro do horário de trabalho, sem necessidade de deslocações nem de perdas de tempo, irem a um médico que lhes recomende e receite exames vulgares e regulares que toda a gente deve fazer. Medidas da tensão arterial, do açúcar e do colesterol no sangue, etc. Permite-lhes também obter recomendações em relação a males simples que elas sintam (por exemplo, artroses).
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De MSTO a 16.04.2015 às 10:48

Bom dia.
O estado obriga e muito bem. Desta forma se podem identificar e prevenir doenças profissionais. O que está errado não é a obrigatoriedade imposta pelo estado, mas sim a forma como é cumprida, tanto pelas empresas que prestam este serviço como pelas empresas que o contratam. Quando apenas se quer validar o requisito sem haver interesse pela razão da sua existência, é no que dá. Informe-se melhor relativamente à periodicidade das consultas e à obrigatoriedade de contratar este serviço; quando quiser contratar o serviço analise várias ofertas - vai ver que não se resume tudo a um electrocardiograma :-)
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De Zé Pagode a 16.04.2015 às 14:48

Aleluia, um comentário sensato!

Os meus parabéns.
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De Anónimo a 16.04.2015 às 17:15

"O estado obriga e muito bem." Então que faça o mesmo que obriga a fazer porque não faz.
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De Maria a 16.04.2015 às 12:44

A mim então a medicina do trabalho não me serve para nada. A médica que me calha na rifa todos os anos é uma pérola como tenho visto poucas. Sendo eu diabética e hipertensa ando mais do que controlada quer pela médica de família, pelo cardiologista e pelo endocrinologista para além das consultas de ginecologia que na minha idade, 52 anitos, são um pouco mais frequentes; cada vez que ponho os pés na medicina no trabalho não consigo de lá sair sem um diagnóstico de cancro, na última foi a de que sendo diabética a probabilidade de ter cancro nos ovários é de cerca de 80%, não pela minha idade ou pelos dois miomas que tenho é mesmo e só porque sou diabética. No ano anterior o diagnóstico era no estômago pois tinha sido operada dois meses antes e tinha retirado a vesícula biliar, nos anos anteriores já nem me lembro quais foram mas todos os anos tenho um novo. Pergunto-me para quê este tipo de consultas pois no meu entender servem apenas para nos fazer perder tempo, ás pessoas que se assustam para virem de lá como uma pilha de nervos se lhes sai pela frente uma médica do calibre da minha e para fazer gastar dinheiro ás empresas; no caso da minha até é uma instituição de solidariedade social pelo que fácilmente se depreende que não vive com as contas bancárias recheadas, bem antes pelo contrário
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De Anónimo a 16.04.2015 às 13:15

não quero defender o estado mas a sua micro empresa e a empresa prestadora de serviços tem também muita culpa, na lei não é obrigatória a realização do ECG... reveja o contrato que tem com a empresa prestadora de cuidados e reformulem-no para se adaptar às necessidades do seu tipo particular de trabalho. esse faz de conta não ajuda ninguém
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De FC a 16.04.2015 às 15:30

Bom dia,
Eu sou da opinião que Portugal é um país bonito, acolhedor e simpático mas de um incrivel défice de visão. Em Portugal ainda não se percebeu o impacto que a Medicina do Trabalho pode ter na Saúde. O impacto que pode ter no Orçamento. Não é o que tem... mas o que pode ter! Ainda não se percebeu que financiar a prevenção da patologia é infinitamente mais barato que o financiamento do tratamento. Ainda não se percebeu que a cirurgia, a fisioterapia, o tratamento farmacológico ou o absentismo têm um peso económico brutal.
Há países da Europa em que se leva muito a sério a Medicina do Trabalho. Em França, país evoluído, há equipas multidisciplinares compostas por Médicos, Ergonomistas, Psicólogos, Enfermeiros, etc. que estudam a saúde dos Trabalhadores, a adaptação destes aos seus postos de trabalho e a interacção entre ambos. Dessa forma evitam um sem número de patologias.
Agora... Só há uma forma de se fazer Medicina do Trabalho: há que estudar os riscos a que estão expostos os trabalhadores, perceber a melhor forma de diminuir e, se possível, evitar de todo a exposição a esses riscos. Porque sem exposição não há riscos e sem riscos não há doença.
Ou então pode fazer-se exclusivamente pelo enquadramento legal, passando as Fichas de Aptidão necessárias burocraticamente... Mas não chamem a isso Medicina do Trabalho. Isso é negócio...
Se há países onde resulta, em Portugal também pode resultar... Resultar na diminuição dos custos e em mais e melhor Saúde. Mas tem que ser bem feita. E para isso é preciso mudar muita coisa...

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