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Marxista, tendência Google

por Pedro Correia, em 15.01.15

Ah, como é cómodo ver a realidade a preto e branco.

Ah, como é útil definir tudo como um confronto entre imperialismo capitalista e socialismo revolucionário, à boleia do que escreveu um senhor de longas barbas no século XIX.

Ah, como é intelectualmente estimulante solucionar cada dilema vergastando verbalmente os Estados Unidos da América com as palavras de ordem que constam do manual.

Ah, como faz bem ao espírito bradar contra o actual inquilino da Casa Branca, Richard Nixon.

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Ah, como é revigorante contemplar o Muro erguido para a eternidade como sentinela de cimento do bloco soviético nestes tempos de Guerra Fria.

Ah, como é doce lançar anátemas contra a Europa democrática sentado no conforto de um sofá da Europa democrática.

Ah, como é revolucionário escrever incansavelmente as palavras burguês e burguesia, à semelhança do que faz qualquer genuíno marxista, tendência Google.


16 comentários

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De Teresa Ribeiro a 15.01.2015 às 13:14

Não percebem uma coisa elementar. Para os islamistas fanáticos, que tanto se esforçam por compreender, o mundo não se divide entre burgueses e classes trabalhadoras mas entre fiéis e infiéis. Eles haviam era de ir ter com essas pobres vítimas do imperialismo, pregar a sua sentida solidariedade e fruir do seu acolhimento. Quem sabe passariam a ver o mundo a cores.
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De Pedro Correia a 15.01.2015 às 22:12

Estes ao menos são sempre fiéis, Teresa. Fiéis à cartilha. Não se deslocam nem um milímetro do manual do pronto-a-pensar, aconteça o que acontecer.
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De Cheio de Nhurros a 15.01.2015 às 13:27

Ligações: Jornal Avante, O Militante, Edições Avante. Está lá tudo explicadinho.
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De Pedro Correia a 15.01.2015 às 22:13

Já conheço a música de cor. E a letra também.
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De Maria Dulce Fernandes a 15.01.2015 às 15:15

Um dos amigos do meu pai, do "tempo da outra senhora", comunista, activista, preso e torturado diversas vezes, não trabalhava, vivia para o partido e para a luta contra o fascismo. Ensinou-me a internacional em português e em russo :) :)
Dono de um fundo ( herdado de capitais coloniais) confortável e considerável que rendia para a SUA causa nos bancos capitalistas, não me lembro de alguma vez o ter alienado ou repartido democrática e socialmente em favor de alguma causa social, ou humanitária ou de um bem comum. Era comunista, vestia Av. da Liberdade, frequentava o Grémio e o Tavares, pregava o Marxismo - Leninismo com o mesmo fervor com que Pedro converteu pagãos e morreu rico e triste há uns anos, aguardando sempre a iminente inversão dos acontecimentos que levaram à aparente ruptura da bipolarização mundial e desarticularam o colosso vermelho dividindo-o e enfraquecendo-o.
Depois da partida do meu pai, muito poucos amigos lhe restaram. Amigos a sério, não daqueles que se "penduravam" nos almoços, nos whiskies e nos charutos, dos quais dizia orgulhosamente que eram uma enorme dádiva do comunismo ao mundo.
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De lucklucky a 15.01.2015 às 15:52

Sem Culpa não se é Comunista.

Também me lembro de amigos na família e mesmo pessoas da família, comunistas mas com acções na bolsa.

Os Comunistas que eu acho mais curiosos são os Comunistas Empresários.
Há vários por aí, defendem o Marxismo, URSS, Cuba e tutti quanti, no geral tratam os trabalhadores abaixo de cão, mas o que os mais define é estarem constantemente irritados com o mundo, como se culpassem o mundo por serem empresários.
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De lucklucky a 15.01.2015 às 15:36

Não é contra os Estados Unidos.

É contra Civilização Ocidental: Liberdade, Desigualdade, Criatividade.

Por isso atacam os seus ícones e toda a realidade é vista sobre esse prisma.
Neste momento o símbolo é os EUA. Poderia ser outro, no Médio Oriente é Israel que tem a sociedade mais livre, pior Israel é apostata da Extrema Esquerda: aquela ideia dos kibbutz foi mesmo idiota, onde já se viu deixar as pessoas entrar e sair livremente do Socialismo pensará um Marxista.
Deveria ter sido obrigatório para criar a sociedade Perfeita...

A Civilização Ocidental tem uma Cultura que é a negação do Poder Político Totalitário que a Extrema Esquerda quer implementar.
Para isso usa várias tácticas para deconstruir/destruir a Cultura Ocidental. Desde as artes até ao politicamente correcto.



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De Pedro Correia a 15.01.2015 às 22:19

As sociedades "perfeitas" são as cidades totalitárias. A Alemanha hitleriana. A Albânia de Enver Hoxha. O Camboja de Pol Pot. A China maoísta da "revolução cultural". A Coreia vermelha da dinastia Kim.
Os piores regimes do mundo. Prometiam regenerar o homem e a sociedade e apropriaram-se destas bandeiras para oprimirem ainda mais o homem e a sociedade.
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De Miguel a 15.01.2015 às 18:29

E não nos esqueçamos de um dos tiques estilísticos preferidos da esquerda: uso de aspas a trouxe-mouxe:

«Comove a burguesia o facto do crime ser em Paris. Paris é a Cidade-Luz, fica no centro da Europa, é cidade e capital de Ensino e Ciência, de Arte e Cultura, de acordo com os padrões "ocidentais."»

Geralmente usam-nas para relativizar verdades, ou melhor, "verdades," para nos relembrarem de que tudo à nossa volta são constructos sociais doutrinados por canais capitalistas, e portanto relativos. Realmente há situações onde aspas fazem sentido, mas esta não é uma delas. Porque Paris verdadeiramente é a capital de todas aquelas coisas de acordo com padrões ocidentais, não "ocidentais," mas ocidentais mesmo. Não são padrões subsarianos ou oceânicos ou japoneses que a julgam a capital destas coisas. Estas pessoas nem sabem pensar, não me admira que também não saibam usar pontuação.
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De Pedro Correia a 15.01.2015 às 22:17

No fundo, muitos dos que rasgam as vestes em protesto contra o sistema capitalista congratulam-se com os atentados terroristas, na certeza de que são os fanáticos islâmicos a fazerem o trabalho sujo. "Eles estavam mesmo a pedi-las": é esta a lógica subjacente.
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De João Nuno a 15.01.2015 às 19:10

Todos os exemplos aqui descritos, não são de comunistas, mas de pessoas que usavam o comunismo, para viverem à custa do que o mesmo lhes poderia proporcionar. Não sou comunista, nem lá perto, mas se pensarmos só um bocadinho e reflectirmos a fundo, sobre a ideologia do mesmo, provavelmente o mundo seria mais igual e melhor. O problema, é que o homem destrói todas as ideologias e aproveita-se das mesmas, para proveito próprio. Nós, não estamos interessados em sermos iguais e queremos sempre mais e se possível for, sermos mais que o outro. Se olharmos à nossa volta, vemos os todos poderosos que cada vez querem mais e mais, mas sempre à custa da escravidão humana e isto, é tudo menos humano. Seria óptimo se apelássemos a uma sociedade mais justa, mais igual, onde a diferença, fizesse menos mossa e aí, talvez tivéssemos um mundo mais justo e mais humano.



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De Pedro Correia a 15.01.2015 às 22:15

O que eu sei, João Nuno, é que a escravidão humana não diminuiu em nenhum dos países que foram ou são governados por ditaduras comunistas. Antes pelo contrário. Em vários desses países nem poderíamos sequer estar a trocar estas ideias, sob pena de sermos detidos pela Polícia do Pensamento.
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De João Nuno a 15.01.2015 às 22:57

Claro que não podíamos porque eles usam a ideologia em proveito próprio e não no bem comum e foi isso mesmo que escrevi. As ideologias são boas, mas quem as devia de pôr em prática não as põe, nem as pôs, ao serviço do cidadão porque se as pusessem ficariam eles privados de tudo e isso, é tudo, o que menos lhes interessa. Basta-nos olhar para o triste exemplo do palácio de Bucareste, em que em nome do comunismo se esbanjou em proveito próprio e o povo mendigava.
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De Miguel a 16.01.2015 às 01:22

Acho a criação de uma sociedade mais justo um objectivo muito louvável; mas cada vez me agrada mais o exemplo da filosofia grega antiga: antes de andarmos a dizer aos outros que se reformem, que nos reformemos a nós próprios primeiro. Eu admiro Sócrates, que bebeu a cicuta em vez de fugir; Diógenes, que abandonou todos os bens para ir viver num barril; estas pessoas aplicavam a acção ao pensamento. Infelizmente poucos líderes comunistas nos têm dado tais exemplos. Infelizmente usam em demasia a força, a imposição, quando penso que a persuasão e o exemplo são as únicas formas.
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De João Nuno a 16.01.2015 às 13:17

Esses líderes são tudo menos comunistas porque se o fossem, os seus cidadãos, seriam um povo mais igual e os líderes seriam tal como eles. É aqui que está o busílis de tudo isto. Alguém idealizou o comunismo, mas ninguém o aplicou tal como deveria ser porque a ganância, suplanta, a ideologia. O mesmo aconteceu com a CEE que de CEE, passou a UE e a UE nada tem a ver com a então CEE e é assim que vamos sendo enganados por aqueles que nos comandam. Enquanto o homem for egoísta e só pensar em como ter mais e mais, escravizando o outro, jamais haverá uma sociedade justa.

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