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 Mário Moniz Pereira com Carlos Lopes em Janeiro de 1976: seis meses depois, o segundo conquistaria a primeira medalha olímpica de atletismo para Portugal

 

Mário Moniz Pereira foi um dos raros portugueses de excepção que tiveram o privilégio de ser homenageados várias vezes em vida: Medalha de Mérito Desportivo, Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Comenda da Ordem da Instrução Pública, Medalha de Mérito em Ouro, Ordem Olímpica, Leão de Ouro com Palma, Grande Oficial da Ordem do Infante

Ao contrário do que é costume nas sociedades latinas em geral e na portuguesa em particular, mais dadas à veneração dos mortos.

 

Foi também o melhor representante da cultura leonina, pelo ecletismo de que sempre deu provas no seu  percurso pessoal enquanto praticante de ginástica, futebol, andebol, basquetebol, ténis, ténis de mesa, hóquei em patins, natação, tiro, equitação e esgrima.

Onde mais se distinguiu foi no voleibol, tendo sido duas vezes campeão nacional (1953/54 e 1955/56), a última também como treinador. E acima de tudo no atletismo, começando pelo título de campeão universitário de Portugal no triplo salto: aqui, como treinador e dirigente com o pelouro das modalidades, conquistou tudo quanto havia para conquistar: provas e campeonatos no plano nacional, europeu, mundial e olímpico. Com destaque para a primeira medalha de ouro portuguesa em Olimpíadas, obtida por Carlos Lopes em Los Angeles, na inesquecível madrugada de 13 de Agosto de 1984, quando nenhum português conseguiu dormir.

 

Mas na hora da despedida do Senhor Atletismo, ilustre sócio n.º 2 do Sporting Clube de Portugal, conclui-se com tristeza que faltou a homenagem que ele mais desejaria: o regresso da pista de atletismo ao estádio do clube.

Pista que o pioneiro Estádio José Alvalade orgulhosamente possuía e foi utilizada por milhares de atletas - em benefício da instituição leonina e do desporto português. Pista que a partir de 1979 passou a ser de tartan, por insistente reivindicação de Moniz Pereira, no rescaldo da medalha de prata obtida na prova dos 10.000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal por Carlos Lopes, o mais brilhante dos seus pupilos. Pista que se perdeu em 2003: o projecto encomendado a Tomás Taveira - só virado para o futebol, esquecendo o ecletismo que é marca distintiva do Sporting - não a contemplava. Nem foi possível reparar o erro, apesar de o custo final do novo estádio ter excedido em 75% o montante inicialmente estipulado.

De todas as homenagens, esta teria sido a que ele preferiria. Foi a única que ficou por concretizar.

Publicado originalmente aqui


2 comentários

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De Francisca Prieto a 01.08.2016 às 20:10

Pedro,
Por questões relacionadas com o seu percurso profissional, a minha mãe era amiga do coração da Carlota Moniz Pereira, mulher do Mário Moniz Pereira, Atleta, Treinador, Desportista.
Depois de ambas se terem reformado, a Carlota durante muitos anos organizava, um par de vezes por anos, um chá em sua casa com as antigas colegas da Escola do Magistério Primário. Eram uns chás divertidos porque eram senhoras dadas a artes diversas, cheias de sentido de humor, e levavam sempre um poema, uma historieta ou um texto para ser lido. Mas o auge era quando o marido da Carlota estava em casa e as apanhava a jeito para plateia dos seus dotes de fadista.
Consta que, ainda que à capela, cantava com alma, trinados e reviravoltas. E que a sala vinha abaixo em aplausos, depois de repassado o vasto repertório e os pedidos da assistência.
Achei graça deixar aqui esta nota, talvez desconhecida pela maior parte das pessoas.
Um abraço
Francisca
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De Pedro Correia a 01.08.2016 às 22:15

Excelente apontamento que aqui deixas, Francisca. E não podia vir mais a propósito.
Mário e Maria Carlota formaram um casal muito unido, muito cúmplice, muito solidário durante um longo, harmonioso e feliz casamento que só terminou com a partida da mulher da vida do Senhor Atletismo, em 2013, tinha ela 90 anos.
Acontece muitas vezes com estes casais que permanecem unidos durante décaadas (e sei bem do que falo). Quando um parte, em cumprimento da lei da vida, o outro acaba por partir não muito tempo depois.
Amar, no fundo, também é isto.

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