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Mariana "Mouch" Mortágua

por João Campos, em 18.09.16

"(...) do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro."

 

Lendo esta frase fora de contexto, diria que talvez se tratasse de um trecho de uma hipotética tradução portuguesa de Atlas Shrugged - as palavras e a ideia que elas sugerem seriam facilmente proferidas por um dos vilões-caricatura que Ayn Rand usava para zurzir naquilo que percebia como "socialismo". Como se sabe, porém, a realidade tende a superar a ficção, e eis que afinal não foi um fictício Wesley Mouch mas sim a muito real Mariana Mortágua quem proferiu estas palavras, num comício (ou algo que lhe valha) do Partido Socialista. O que não deixa de ser um tanto ou quanto perturbador: qualquer pessoa que tenha lido Rand com um mínimo de atenção repara na inverosimilhança dos seus heróis, mas pelos vistos os vilões do Objectivismo não só não são implausíveis como ocupam posições de poder entre nós. Estamos bem arranjados.

(via O Insurgente)


30 comentários

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De lucklucky a 18.09.2016 às 16:47

Isto é Socialismo.
Ela só lhe fugiu a boca para verdade.

Tal como outra senhora do PS disse: É dinheiro do Estado, é do PS.

E como outra senhora do PSD disse: Não interessa se mentimos, o dinheiro já cá canta.

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De João Campos a 18.09.2016 às 19:46

Acho que neste caso não lhe fugiu a boca para a verdade: ela disse exactamente aquilo que queria dizer, quando o quis dizer.
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De lucklucky a 18.09.2016 às 21:41

Sim, é também possível que tenha razão.
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De João Campos a 19.09.2016 às 00:22

Neste caso, gostava muito de não ter.
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De cristof a 18.09.2016 às 18:44

Ler um pouco da historia do PREC (isto para os que não o viveram) ,as declarações dos protagonistas politicos e os resultados obtidos (banca rotas foram tres), causa calafrios ver esganiçadas, que infelizmente são aplaudidas, pensarem e dizerem o que se ouve.
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De João Campos a 18.09.2016 às 19:49

Não me incomodaria muito se elas não tivessem influência. Toda a gente é, ou deve ser, livre de dizer as imbecilidades que quiser. A coisa torna-se chata é quando ganham influência para concretizar a imbecilidade.
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De ariam a 18.09.2016 às 19:00

Levou uma vida, como um adulto responsável?
Não fez dívidas?
Ganhou o dinheiro honestamente, com o suor do seu trabalho?
Consumiu moderadamente, resistindo aos impulsos consumistas e das modas? Pensou no Futuro, sem querer gastar tudo, já e agora, como se não houvesse amanhã?
Conseguiu juntar uns patacos, para ter a certeza que na velhice pode, pelo menos, não ter de mendigar, aos outros ou ao próprio Estado?

Pois, para este tipo de gente, fica a saber que, se acumula dinheiro, não passa de um criminoso e, o Estado, não sendo aquilo do "nós todos" mas, simplesmente, o grupo que, numa determinada altura, se senta no "poleiro", talvez, sentindo-se como se fossem uma entidade divina, passam a ter o direito de, além de o vexar, impor novas morais e costumes, dispondo de todo o poder para, deliberar e legislar, os respectivos castigos, em conformidade, com o montante do mealheiro porque, para eles, a origem desse dinheiro, nem sequer é relevante.

Mas qual será a razão escondida, para este ataque à poupança?
Essa, é simples, quem não estiver dependente do Estado é Livre, algo que não serve a Estados gordos, pesados, controladores e autoritários, precisam de dependentes ou não sobrevivem.

Na realidade, falou como uma verdadeira trotskista o que nada tem a ver com comunismo, pelo menos, estes são honestos e não escondem a sua verdadeira ideologia.
Os que seguem Leon Trótski, diferem muito na maneira, de como chegar ao Poder e, na minha opinião, não têm nada de comunismo rosa, porque as instruções de Trótski são bem claras e precisas, talvez por isso, a mudança, tentarem esconder e fazer desaparecer essa raiz.
As regras de Trótski: Infiltrarem-se numa comunidade e apoiarem Sempre Tudo, desde o tradicional até qualquer outro tipo de causas e, perguntava um discípulo que, com isso, iriam contra os seus próprios princípios, ao que Trótski respondeu que, primeiro, era preciso que gostassem deles, para os elevar à categoria de líderes porque, só assim alcançariam o Poder, seriam ouvidos, seguidos e eleitos. Depois, sim, poderiam expor as suas verdadeiras ideias e impor "directrizes" e, quem não concordasse, com o poder assegurado, poderiam tentar convence-los e, se não conseguissem, estariam no lugar certo, para os mandar executar.

Aqui, "perder a vergonha" é uma versão soft ou ter percebido mal, a verdadeira ideologia do Bloco, deve ser o entusiasmo de pertencer à gerigonça e do inebriante cheirinho a Poder ;)
Como ser trotskista é ser internacionalista, ingenuamente ou deliberadamente, acabam por andar a ajudar o 1% na sua concentração de Poder e, quanto a querer acabar ou castigar as poupanças, com o 1% que, também quer o mesmo, Controlo Total e que estão a impôr juros negativos nessas poupanças, será o chamado "match made in heaven" e, assim, juntinhos, criarão o nosso Inferno, de Dependência, Total e Eterna.
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De João Campos a 18.09.2016 às 19:59

Caminhamos mesmo para esse inferno. E vai muita gente cantando e rindo.
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De ariam a 18.09.2016 às 23:10

Cantam e riem, por pura ignorância que, há muito tempo, tem sido, deliberadamente incentivada. Na minha opinião, a Europa está no ponto de não retorno. Só resta saber se também conseguem passar por cima da Constituição americana e aí, o Mundo pertencerá a um grupo reduzido de umas 62 pessoas e, respectiva, criadagem, onde, alguns, são tão idiotas que até os servem de borla.
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De Costa a 18.09.2016 às 23:30

Cantando e rindo. Muito politicamente incorrecta que seja a ideia (mas quem não tenha por objectivo cargos de nomeação eleitoral ou confiança política, tem a extraordinária felicidade de o poder ser), o facto é que o povo - um povo embrutecido como o nosso - é presa fácil e dócil dessa gente.

Isto sem prejuízos de noções primárias e imediatas de honradez e justiça. Primárias porque tendencialmente presentes em todos nós, independentemente do grau de instrução ou cultura; imediatas porque limitadas ao tempo presente ou ao futuro imediato, mesmo que desastrosas no tempo de uma geração.

Gente assim aprende com os erros. Depois de atirada à lama e lá mantida. Depois da ruína. Se tiver a felicidade - a história das esquerdas passa por o não permitir - de poder, experimentado esse novo tempo, alterar o rumo das coisas.

Costa
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De Diogo Noivo a 18.09.2016 às 19:08

E tu, meu caro João, fizeste um texto "na mouche". Está aqui tudo o que importa sobre o assunto em apreço.
Talvez, e só para dizer que acrescentei qualquer coisa, também valha a pena evocar Rand pela defesa que faz da racionalidade, coisa que, ao ler declarações como a de M.Mortágua, julgo andar em falta.
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De João Campos a 18.09.2016 às 19:57

Essa racionalidade anda mesmo muito em falta, Diogo. Ainda vamos todos pagar bem caro por isso.

(Curiosamente, é interessante notar que também é raro encontrar-se uma discussão racional sobre Rand e o Objectivismo. Há alguns pontos muito interessantes, e há muitas ideias francamente discutíveis - o final do Atlas Shrugged é problemático, para dizer o mínimo. Ainda assim, a cegueira com que a coisa se costuma discutir de um lado e de outro é sempre impressionante)
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De Pedro Correia a 18.09.2016 às 19:33

A Mariana já discursa no PS?
Muito me contas...
O Bloco anda mesmo com vontade de fazer "uma OPA" aos socialistas. Mas talvez tudo acabe com uma operação inversa.
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De João Campos a 18.09.2016 às 19:50

Se queres que te diga, tenho a sensação de que se o Bloco deixasse o Costa continuar a PM, ele até vendia o PS a preço de saldo.
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De lucklucky a 18.09.2016 às 21:51

Os "Idiotas úteis" tomaram conta da Esquerda a partir dos jornalismo e academia .
Pelo caminho destruíram o PS...
O PS não é mais que um apêndice do BE, já não tem ideologia própria.

Não é só cá, só a corrupção e anos de estrutura de Hillary Clinton salvam o Partido Democrata de ser pró Sandinista, pró Venezuela. Enquanto o Labour na Inglaterra ainda é mais extremista que nos anos 70 e 80.
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De João Campos a 19.09.2016 às 00:29

Bom, mais cedo ou mais tarde chegará a apendicite...
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De José António Abreu a 19.09.2016 às 10:33

"A Mariana já discursa no PS?"
E foi aplaudida, Pedro. E, pouco depois, António Costa (o refém), reforçou-lhe as palavras:
A resposta seguinte chegaria logo pouco depois, com Costa a dizer também que sim a Mariana Mortágua e ao seu desafio de “perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro”. Costa deixou a mesma ideia em jeito de pergunta: “Por que razão é que quem trabalha tem de pagar mais para os encargos do país do que quem tem outra fonte de rendimento? Não, nós queremos maior justiça fiscal”.
Daqui:
http://observador.pt/2016/09/17/a-esquerda-pediu-e-costa-anunciou-aumento-de-pensoes-mais-baixas-e-dos-apoios-sociais/

João:
Excelente texto. Até me apetece escrever João "na mouche" Campos.
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De João Campos a 19.09.2016 às 12:12

Ainda vamos ver esta malta a taxar o ar.

(e obrigado)
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De Vento a 18.09.2016 às 21:46

Há outras tiradas dos governantes do PSD/CDS:

http://www.esquerda.net/opiniao/privados-fazem-calote-e-estado-paga/22227

https://www.youtube.com/watch?v=L-UMy2i0TiI

Sim, todos sabemos quais os cofres usados, assim como leis manipuladas, para ajudar à festança.
Nunca vi uma direita tão aplicada no socialismo direccionado e selectivo como em Portugal.
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De João Campos a 19.09.2016 às 00:29

O "vento" e os respectivos comentários demonstram na perfeição por que motivo o debate político actual está completamente inquinado - foi sendo reduzido à lógica de trincheira, do "nós" contra "eles". Desapareceu a autocrítica. Os erros dos "nossos" são sempre de pouca importância, já que "eles" fizeram pior. É a futebolização absoluta - o "nosso" até fez falta para amarelo, mas o "outro" fez antes falta parecida e o árbitro não admoestou. Justifica-se erro com erro. É um bom princípio, não há dúvida disso.

PSD e CDS, em termos gerais, não são melhores, e estão cheios até ao pipo de gente imbecil (como se viu no último Governo, onde se contavam pelos dedos de uma mão as formas de vida inteligente). Isso em nada faz com que estas declarações de Mortágua não sejam graves e tenebrosas.
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De Vento a 19.09.2016 às 11:17

Quem escreve sobre os "nossos" é você. O comentário que produzi pertence-me.
Mas vamos, então, à Mariana: eu não li na notícia que alguma agressividade estivesse subjacente para atingir o aforro. Acumulação é na realidade a concentração do capital em torno de diversos veículos que permitem evitar a taxação do mesmo. O que não acontece no aforro, que é tributado.

Uma vez que falou sobre os "nossos", isto é os seus, peguei naquele exemplo publicado na esquerda.net, pois não posso evitar os "nossos" que são seus nem os "nossos" que não são seus, para demonstrar-lhe que existe um encadeamento de acções que forçosamente obrigam a outras reacções.

Como o seu sentido crítico é de tal forma apurado, assumo que certamente guardaria para um outro post a apresentação da situação denunciada no link que anexei juntamente com outras de mesma natureza.
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De João Campos a 19.09.2016 às 12:11

Ó camarada, não sei se já reparou, ou se alguma vez sequer considerou essa possibilidade, mas isto aqui é um blogue mantido voluntariamente - e gratuitamente - por várias pessoas nos seus tempos livres. Não é um programa de "discos pedidos". Se quer falar do que vai saindo do esquerda.net, ou em qualquer outro panfleto partidário, está à vontade para criar um blogue e dar às teclas. O formato pode ter passado um pouco de moda, mas ainda assim não falta plataformas gratuitas para o fazer. Ou, se quiser estar mais na moda, pode sempre ir debitar 140 caracteres no Twitter ou subir ao caixote virtual do Facebook e "falar" para quem o quiser "ouvir".

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De Vento a 19.09.2016 às 12:37

O camarada quando lhe faltam argumentos debita caracteres e solicita que outros façam em outras plataformas.
Acontece que a liberdade de acção pertence-me e, ao contrário do que revela, não necessito de amas para me guiarem.
Talvez a força do hábito lhe desviem a perna para a habitual dança. É aqui que reside o tão elevado sentido crítico a que fazia apelo.
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De João Campos a 19.09.2016 às 14:28

Ó homem, eu não lhe solicito coisa alguma - escreva o que quiser onde quiser, use lá essa liberdade de acção como bem lhe apetecer. Eu vou fazendo o mesmo. Veja lá que até a uso para lhe aprovar os comentários que aqui vai deixando :)
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De Vento a 19.09.2016 às 18:39

Meu caro camarada, se está aprovado fica aprovado. Não tem de me mandar pregar para outra paróquia. Aqui é que eu estou bem, e o camarada gosta de me ver por aqui.
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De M.M. a 19.09.2016 às 12:14

São graves e tenebrosas, não só pelo modo agressivo dirigido a quem possui alguns bens que naturalmente herdou ou adquiriu (fruto do seu trabalho e/ou poupança), mas também pelo apetite e determinação por uma sociedade submissa e decadente.
Há culpados nesta política dita de esquerda, e destaco (entre outros) a entorpecida Comunicação Social e o último responsável pela governação que não teve nem engenho nem sabedoria para dosear a política de ajustamento imposta por quem nos emprestou os €s.

É muito preocupante e aborrecido o mau feitio que alguns jovens políticos evidenciam.
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De João Campos a 19.09.2016 às 14:34

Mas calma, que afinal parece que ela não disse aquilo que disse. Apesar de o ter dito.

Mas muita gente vai apoiando porque no papel estas e outras propostas só têm como alvo os "outros", os "ricos" (a definição é volátil por cá). Esquecem-se de que uma vez aceite o princípio, a única coisa que o impede de alcançar todos é a palavra de gente... que todos acusam de mentir. Isto é que eu acho absolutamente fascinante.
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De Vento a 19.09.2016 às 18:45

Está a ver como lhe faz falta a minha companhia? Já vai percebendo alguma coisa.
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De jo a 18.09.2016 às 22:57

Realmente!
Como é possível afirmar que não se pode ir buscar o dinheiro somente aos impostos sobre os salários, aos funcionários públicos, às pensões e às prestações sociais. A preocupação que houve por cá quando isso aconteceu é enternecedora.

Já reparou no que dizem os comunistas da Fundação Manuel dos Santos?
Atrevem-se a dizer que tem pago a maior parte da crise foram os mais pobres!
Como se isso não fosse a ordem natural das coisas!
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De João Campos a 19.09.2016 às 00:32

Ó "jo", mas não seja por isso. Abra a carteira. Contribua. A Mariana Mortágua e os respectivos correligionários agradecem.

Ou não.

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