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Delito de Opinião

Máquina do tempo

João André, 14.04.14
 
Imagine-se que um dia se inventava uma máquina do tempo. De um momento para o outro seria possível avançar ou recuar no tempo (e recuar é precisamente a ideia, claro está). Seria possível revisitar aquele dia fantástico de há 7 anos, ir ao concerto que se perdeu, passar mais um bocadinho de tempo com o avô, etc. Tudo óptimo? Nem por isso.

 

Imagine-se: seria também possível voltar três dias atrás e fazer aquele trabalho que nos foi pedido com urgência mas que, por falta de tempo, acabámos por entregar atrasado. Como sabemos, toda a gente quer tudo com urgência e, de preferência, para ontem. Com uma máquina do tempo isso seria possível. Seria possível entregar ontem o trabalho que nos foi pedido hoje para ontem. Seria até possível entregá-lo antes de ser pedido. Com máquinas no tempo o trabalho seria avançado a limites inimagináveis. Claro que o problema seria que as exigências mudariam. O trabalho deixaria de ser pedido para ontem e seria pedido para anteontem. Ou para o ano passado, é irrelevante. Os dias passariam a ter muito mais de 24 horas e seria necessário fazer tudo nesse espaço de tempo. A certa altura o dia seria preenchido na máquina do tempo para poder terminar o trabalho antes de ser pedido, passar tempo com a família, etc.

 

Como o manifestante na imagem acima indica, é irrelevante quando chegaria uma máquina do tempo. A ciência indica que seria ou pouco prática ou impossível. Não o sei. O que sei é que, pelo simples facto de ainda não termos visto qualquer visitante do futuro, parece-me certo que mesmo que a máquina do tempo venha a existir (ou já exista/tenha existido), o seu inventor provavelmente usa-a para fins puramente individuais. Para evitar ter mais trabalho e para, quem sabe, simplesmente ler.