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Manifesto do movimento

por João André, em 17.03.20

Boa tarde e bem vindos a esta conferência de imprensa. Permitam-me que me apresente: sou conhecido pela comunidade científica como o SARS-CoV-2, pela cientificamente semiiterada (e francamente presunçosa) como Covid-19 e pelo público em geral como coronavírus. Mas podem chamar-me Quim. Adiante.

Antes de mais permitam-me transmitir como eu e os meus irmãos clones estamos aborrecidos por nos chamarem Coronavírus. Isso é um nome de família distante, que nem sequer toda a gente tem. É como vocês serem chamados pelo mesmo nome que aquele primo em terceiro grau por casamento do tio da vossa mãe . Mais uma vez é irrelevante, mas queria trazer isto à vossa atenção.

É importante para mim (e como somos quase todos clones, também para os outros) explicar que aquilo que estamos a fazer não é causar uma doença. Não é essa de forma nenhuma a nossa intenção. Nós solidarizamo-nos com as pessoas presentemente a sofrer e os nossos pensamentos e as nossas preces estão com todos os que estão com problemas de saúde. Também compreendemos que haja muitas pessoas afectadas, sem poderem sair de casa, a terem de trabalhar no que puderem, sem saberem de onde asirá o próximo cheque. Compreendemos também estes problemas e asseguramos que estamos em plena solidariedade para também com estas pessoas.

A razão de ser disto tudo é que estamos a fazer avançar - e com tremendo sucesso até agora, posso já dizer - um novo movimento. É um movimento que pretende devolver o poder às pessoas, fazê-las quebrar as correntes que lhes prendem os pulsos e os tronozelos e lhes restringem a liberdade. Porque é de liberdade que falamos hoje. Os vossos estados tornaram-se estados-amas, onde tudo o que vocês fazem depende em maior ou menor grau daquilo que o estado determina. A forma como vocês nos tentam evitar demonstra-o, seguindo as indicações que os governos vos dão, recolhendo-se em casa, sem saberem o que fazer. Estas limitações têm tolhido o espírito humano, que descobriu os mundos novos e abraçou novas culturas e ideias.

Mas não desesperem! Há já sinais de mudança. Ao comprarem máscaras para a cara, toneladas de papel higiénico e atulharem a casa de bananas perecíveis ao fim de 3 dias estão a demonstrar esse espírito rebelde que é a fonte de todas as iluminações de onde surge o progresso e a mudança. É claro que são coisas inúteis e estúpidas de fazer, ams temos que começar em algum lado e vão demonstrando assim o desprezo para o conselho do estado amo.

O nosso é um movimento universal - para já global, mas esperem que alguém vá ao espaço - e que não ignora ninguém. Não somos sexistas, não somos racistas, não escolhemos credos ou crenças ou ideologias (embora os comunistas...) Abraçamos toda a gente e esperamos que toda a gente se abrace (e de preferência se beije e assoe aos outros, dá jeito). Queremos transmitir as ideias do nosso movimento, de um pensamento individualista e anti-estabelecimento e que se rege pelas mais nobres ideias de alguns dos maiores pensadores humanos. De Hayeck retiramos as suas noções de individualismo (embora ele nos parecesse algo comuna às vezes), de Lénine o desejo de destruir a aristocracia e a burguesia dominantes (embora aquela ideia de uma ditadura do proleteriado nos pareça demasiado fofinha). Queremos que o mundo largue estas amarras e avance para um novo futuro, onde cada pessoa faz por si e não precisa do estado (que esperamos tenha colapsado).

Claro que isto é incomportável num mundo de 7 milhões e prometemos fazer o nosso melhor para o conseguir com números mais fáceis de gerir. Não desejamos mal a ninguém, claro está, mas quem não nos aguentar é fraco e na verdade não merece viver. Não somos tão fortes quanto desejamos, mas esperamos que venha uma ou outra mutaçãozinha que nos ajude a reduzir o rebanho mais eficazmente. Outros primos, se quiserem.

Sei que parece cruel, mas as revoluções nunca foram fáceis e não se fazem omeletes sem partir uns ovos, especialmente quando ainda estamos a aprender fazer as omeletes. Por isso abandonem as indicações dos governos, convivam uns com os outros, espirrem e tossam nas caras uns dos outros e não lavem as mãos. Facilitarão este futuro risonho que será melhor para vocês, ou melhor, aqueles de vocês que sobreviverem. É para vosso bem.

Não irei responder a perguntas neste momento mas estou disposto a apertar mãos. Obrigado.


5 comentários

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De Vorph "ги́ря" Valknut a 17.03.2020 às 18:16



https://youtu.be/PCZuYK3Rjig

Mentira lo que dice
Mentira lo que da
Mentira lo que haré
Mentira la mentira
Mentira la verdad
Mentira lo que cuece
Bajo la oscuridad
Mentira el amor
Mentira el sabor
Mentira la que manda
Mentira comanda
Mentira la tristeza
Cuando empieza
Mentira no se va
Mentira, Mentira
La Mentira
Mentira no se borra
Mentira no se olvida
Mentira, la mentira
Mentira cuando llega
Mentira nunca se va
Mentira la mentira
Mentira la verdad
Todo es mentira en este mundo
Todo es mentira la verdad
todo es mentira yo me digo
Todo es mentira, por qué será?
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De ChakraIndigo a 17.03.2020 às 18:34

Vai um aperto de mãos, mas sincero?
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De Vento a 17.03.2020 às 21:51

Essa não só aperto como abraço.

Padrinho, é caso para dizer porra. Ainda há uns dias discutíamos a matança assistida, designada por suicídio assistido. Mas de um momento para o outro todos se preocupam com ao mais frágeis, abandonados e etc. e tal, e pretendem que todos vivam.

Nada como um aperto do bicho para fazer despertar que a Vida é inviolável.

Resta saber se o estado vai tomar conta destes frágeis e dos que surgirão, conforme as intenções expressas.
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De Anónimo a 18.03.2020 às 09:59

A verdade dos homens não é a verdade de Deus !
Abençoados aqueles a quem a Luz ilumina o caminho.

WW
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De Bea a 17.03.2020 às 23:08

senhor Covid

peço desculpa mas não posso apertar-lhe a mão até porque a teclar não dá jeito nenhum. Adiante. Tem esta o fim de saber se não estará, por exemplo, cansado. Correr o mundo todo e assim não deve ser pêra doce. E depois, não é, anda tudo muito enfarpelado, coisa que não lhe convém concerteza, dava mais jeito, talvez, uma constipação valente.
Comunico-lhe que em Portugal poucos devem conhecê-lo. Sou testemunha aceite e idónea para confirmar onde for preciso que o pessoal o julga um desarranjo intestinal. Ou então, quiçá, toda a gente aprendeu a cozinha papel higiénico com algun chef daqueles de três ervilhas no meio do prato regadas com uma babugem que não garanto não seja espuma de sabão clarim, tudo rematado por um toque em Z de molho verde ou castanho de que suspeito muitíssimo e pode ser remédio dos ratos. Portanto, e vistas as coisas, acho que antes de mais, devia promover um wokshop para se dar ao conhecimento do grande público.
Entretanto, não arrisque vir ao Alentejo que esta malta é toda muita estúpida, a terra não presta para nada e só dá couves, parentes suas por certo e boas em emissão de gases e caldo verde; têm tb os talos que, hélas, bem afeiçoados e untadinhos com azeite, serviam, enfim, para ajudar a obrar os meninos empedernidos que a pobreza estava de costas para a glicerina. E perante esta miséria estou em crer e também querer que escolha zona mais arejada e airosa.
Boa noite, nós, se não se importa, ficamos pelas couves.
E ganhe juizo que já tem idade. Vá cantar na sua rua. Ora esta. Desampare-nos a loja. Bolas!

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