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Manifestamente...

por José António Abreu, em 12.03.14

E, de repente, umas quantas almas agonizando entre a confusão (o Estado deve ser reformado mas ao mesmo tempo deve ficar como está), o despeito (por que não lhes seguem as ideias sempre luminosas e coerentes?) e a amnésia (Portugal terá chegado ao limiar da bancarrota por uma infeliz conjugação astral e não por políticas defendidas – e, em alguns casos implementadas – por elas) juntam-se a outras, reconhecidamente insensatas (a ponto de continuarem a defender o modelo económico venezuelano), e a dois meses do final do programa de ajustamento propõem uma reestruturação das condições de pagamento da dívida pública (que, em parte e de forma discreta, já foi alvo de reestruturações e voltará a sê-lo no futuro). Felizmente, com excepção da comunicação social, que vê qualquer ruído entrópico como boas notícias, e uns quantos bloggers, que fazem questão de opinar sobre tudo o que pareça «estar a dar» (pois, mea culpa), ninguém leva esta colorida agremiação de putativos notáveis a sério, por majestáticas qualificações e extrema boa vontade de que padeçam. Nem aqueles (teoricamente assustadiços) a quem o Estado português continua a pedir dinheiro para manter os gastos que já se provou não poderem ser cortados. O que – pensando bem – é capaz de ser um erro colossal. Um destes dias a loucura (admitamos caritativamente que bem intencionada) ainda recupera o poder, deixando-os (e a nós, uma vez que entre eles se contam os bancos nacionais) a olhar para buracos nas contas que farão o do BPN parecer questão de trocos. Mas pelo menos a beleza de uma reestruturação ficará evidente para todas as partes envolvidas, já que pelos vistos não ficou quando a reestruturação da dívida grega não apenas não resolveu os problemas da Grécia como causou uns problemitas nos bancos cipriotas.


8 comentários

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De Apoiado a 12.03.2014 às 21:35

E ver-se o grande imbentor das SCUTS na génese daquela idiotice (não descortino melhor termo) é completamente inacreditável.
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De José António Abreu a 12.03.2014 às 22:32

Inacreditável? A mim parece-me a coisa mais natural do mundo. Quem não via custos não vê dívidas.
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De Luís Lavoura a 13.03.2014 às 09:41

a reestruturação da dívida grega não apenas não resolveu os problemas da Grécia como causou uns problemitas nos bancos cipriotas

E depois?

Se os bancos cipriotas foram parvos a pontos de terem investido na dívida grega - podiam ter investido na dívida de outro país qualquer, não? - faliram. É natural.

E quem faliu com eles? Os seus depositantes mais riquinhos. Ficaram depenados de parte da sua riqueza, o que não terá feito grande mal ao mundo.

Deverá o povo português, em geral, ser sacrificado para que os mais ricos, aqueles que têm mais de 100 000 euros num só banco, não percam nem um tostão?
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De José António Abreu a 13.03.2014 às 15:45

Precisamente. A dívida portuguesa é - ao contrário do que estes 70 "notáveis" diziam em 2011, quando chamavam nomes aos "mercados" - um investimento de elevado risco. Ao pedirem a reestruturação, só o confirmam. Se fossem levados a sério, fariam disparar as taxas de juro, levando Portugal para o segundo resgate.

Quanto ao povo português andar a ser sacrificado para salvar os depositantes ricos dos bancos, é só ver como os cipriotas foram poupados a consequências desagradáveis.
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De Luís Lavoura a 13.03.2014 às 16:03

o que estes 70 "notáveis" diziam em 2011, quando chamavam nomes aos "mercados"

Os 70 "notáveis" são um grupo notoriamente heterogéneo de pessoas, que em 2011 diziam certamente coisas muito diferentes umas das outras (e muitos estavam calados). Não me parece correto sumarizar dessa forma as suas posições.

Se fossem levados a sério, fariam disparar as taxas de juro

Isso não me parece nada certo. Por um lado, sabemos que em 2012, quando a dívida da Grécia foi reestruturada, as taxas de juro dela desceram consideravelmente - porque os investidores que não foram reestruturados perceberam que a probabilidade de reverem o seu dinheiro tinha aumentado. Por outro, sabemos que a atual descida das taxas de juro nada tem a ver com a política interna portuguesa - ela verifica-se para todos os países do Club Med independentemente das suas políticas internas.

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De cristof a 13.03.2014 às 10:23

Apoiado entre agonizante e despeito, bem como o tentar salvar aqueles habilitados eleitores que começam a dar um primeiro passo para fora do sistema - ainda não sabem se para a abstençâo se para um voto menos logico.
O segundo lugar do Partido dos Cidadaos Comuns na India deve começar a fazer os neuronios de alguns politicos, apesar da pouca divulgação que os "jornalistas" amigos lhe fizeram.
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De José António Abreu a 13.03.2014 às 15:55

A questão é saber que respostas são apresentadas "fora do sistema". O populismo (que tem dominado na campanha indiana) raramente dá bons resultados. Em grande medida foi ele, enquanto sistema de satisfação de interesses de curto prazo, que nos trouxe aqui.
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De Maldades a 14.03.2014 às 08:29

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/manuela-ferreira-leite-no-quem-quer-ser-milionario

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