Mania de meterem o Salazar em tudo

Pecado do jornalismo actual: lança-se para fora de pé, debita erros que passam despercebidos na mecânica das redacções. Ninguém vê, ninguém repara, ninguém corta, ninguém controla. Ninguém quer saber.
Às vezes o disparate surge totalmente a despropósito. Aconteceu domingo, no Público (p. 29), antevendo o duelo entre Sporting e Benfica da Taça de Portugal.
Em 1970, lê-se ali, «Simões, o capitão, recebeu o troféu das mãos de António de Oliveira Salazar, que iria morrer um mês e meio depois desta final».
Disparate. Salazar, inválido, estava fora do poder desde Setembro de 1968. Nunca foi, tanto quanto sei, a nenhuma final da Taça (mandava o Presidente da República, seu subalterno) e detestava futebol.
Enfim, tudo errado.
Sem a menor necessidade: já é mania de meterem o Salazar em tudo.
Ignorância? Desleixo? Incompetência? Talvez seja apenas azar, para rimar com Salazar. Logo num jornal que faz incessantes e sempre pertinentes prédicas contra a desinformação.

