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Delito de Opinião

Mania de meterem o Salazar em tudo

Pedro Correia, 28.05.25

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Pecado do jornalismo actual: lança-se para fora de pé, debita erros que passam despercebidos na mecânica das redacções. Ninguém vê, ninguém repara, ninguém corta, ninguém controla. Ninguém quer saber.

Às vezes o disparate surge totalmente a despropósito. Aconteceu domingo, no Público (p. 29), antevendo o duelo entre Sporting e Benfica da Taça de Portugal.

Em 1970, lê-se ali, «Simões, o capitão, recebeu o troféu das mãos de António de Oliveira Salazar, que iria morrer um mês e meio depois desta final».

Disparate. Salazar, inválido, estava fora do poder desde Setembro de 1968. Nunca foi, tanto quanto sei, a nenhuma final da Taça (mandava o Presidente da República, seu subalterno) e detestava futebol.

Enfim, tudo errado.

Sem a menor necessidade: já é mania de meterem o Salazar em tudo.

Ignorância? Desleixo? Incompetência? Talvez seja apenas azar, para rimar com Salazar. Logo num jornal que faz incessantes e sempre pertinentes prédicas contra a desinformação. 

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