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Mal menor

por Diogo Noivo, em 22.04.17

Macron.jpg

Emmanuel Macron 

 

São quatro os candidatos que se destacam para a primeira volta das presidenciais francesas. Dois deles, Marine Le Pen e Jen-Luc Mélenchon, não deviam estar num boletim de voto, mas sim no boletim clínico de um hospício. Como sempre acontece com os extremos opostos em política, são mais as coisas que os unem do que as que os separam: anti-europeistas; anti-globalização, anti-establishment; anti-NATO; proteccionistas; contrários aos princípios basilares da democracia liberal; defensores de um Estado cuja principal função parece ser a de contratar tudo e todos. Extrema direita e extrema esquerda distinguem-se apenas no tom do cretinismo: Le Pen considera que todos os muçulmanos são potenciais terroristas; Mélechon defende uma união bolivariana entre França, Venezuela e Cuba. Em suma, nenhum dos componentes deste duo insano é solução para nada de coisa nenhuma. Sobram, portanto, Emmanuel Macron e François Fillon. 

 

Fillon tem a experiência e o estofo necessários para implementar as reformas políticas que França precisa e sempre recusou. Mas Fillon é hoje a cara dos abusos do poder. Sucessivos escândalos mostram que, no passado, François Fillon serviu o Estado, mas também se serviu dele, nomeadamente usando dinheiro público e empregos fictícios para pagar salários a familiares. Pedir sacrifícios aos franceses quando se tem este cadastro não é propriamente edificante e não augura grandes resultados eleitorais num país onde a população nutre um profundo desagrado, se não desprezo, pela classe política. Será porventura injusto que um caso de abuso ofusque anos de trabalho político sério, mas as coisas são como são. 

 

Resta-nos então Emmanuel Macron. Enquanto foi Ministro da Economia bateu-se pela liberalização de alguns feudos profissionais em sectores altamente protegidos, como o notariado ou os transportes públicos. Propõe as muito adiadas reformas, embora seja menos ambicioso do que Fillon. Macron é europeísta, defende uma economia aberta de mercado e tem a coragem de propor algumas reformas impopulares. Mas falta-lhe tarimba. Nunca foi eleito para qualquer cargo público e a sua experiência política resume-se em grande medida à titularidade da pasta da Economia entre 2014 e 2016. Pior, toda a sua campanha tem um aroma de voluntarismo "inspiracional" (é como se diz agora), de tipo Obama. Muita vontade, muito ânimo, muito allez!, mas tudo com um cheiro a inconsequência, típica da política-espectáculo. Tal como Obama, Macron é levado ao colo pela imprensa internacional, o que recomenda prudência na avaliação do candidato.

 

Se, como indicam as sondagens, Macron e Le Pen passarem à segunda volta, o sistema de partidos francês sofrerá uma alteração profunda pois será a primeira vez desde 1958 que os dois principais partidos ficam apeados. E se tal acontecer, mais incógnitas se perfilam no horizonte: a eleição Macron pode obrigar a coligações, algo invulgar no arranjo político-partidário de França; a eleição de Le Pen traduzir-se-á numa viagem para uma dimensão alternativa tão incerta como perigosa.

De resto, face ao atentado terrorista que marcou o final de campanha, Le Pen insistiu num discurso radical e isolacionista, contraproducente, que mais não faz do que agravar o problema e deteriorar os já maltratados pilares do Estado de Direito Democrático. As credenciais de Macron nesta matéria não são brilhantes, mas com ele há pelo menos a esperança de que possa vir a entender o que está em causa.

Assumindo que a política é a arte do possível, Emmanuel Macron é o mal menor. Ainda assim, de longe o mais desejável para França e, pela parte que me toca, para uma Europa salubre. 

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17 comentários

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De V. a 22.04.2017 às 10:42

Le Pen considera que todos os muçulmanos são potenciais terroristas

Posto nestes termos, eu também. E além disso há provas: gajos muito porreiros e que toda a gente gosta de ter na rua deles fazem-se explodir diariamente matando dez ou vinte europeus brancos à sua volta. Note-se também que o radicalismo não é alheio ao autor apenas porque defende o centro a moderação e o caldo medíocre de culturas. Ser anti-europeísta ou ser anti-globalização não me parece motivo para ser fechado num hospício e não poder participar em eleições como aspiração honesta de uma parte de uma população. Eu diria, aliás, que é o excessivo proselitismo dos globalistas e outros pinga-amores do humanismo que torna úteis os Le Pens (os Mélenchons serão sempre inúteis para corrigir uma situação defeituosa, é errado compará-los). A verdade é que não acreditamos que o Islão possa ter lugar na Europa nem que a imigração de gente escura que os sucessivos governos socialistas e de centro impõem aos habitantes da Europa traga algum benefício: sobretudo porque é à custa do nosso trabalho que se alberga essa gente sem qualidades e com princípios de vida e coabitação baseados na superstição e na violência.
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De Nebauten a 22.04.2017 às 17:03

Curioso como Portugal foi feito também de gente escura. Aliás basta compararmo-nos com os arianos setentrionais. Pelo seu raciocínio os portugueses são uns merdas cor de barro, agarrados a tradicionalismo atavicos, com estruturas democráticas frágeis e um poder infra estrutural débil resultante de décadas, séculos de ignorância e desmando e abuso de poder. Há gente de qualidade em todos os países, credos e cores. Nestas também
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De V. a 23.04.2017 às 18:11

Isso é um mito da esquerda barbuda.
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De Justiniano a 22.04.2017 às 11:06

Um boneco de plástico com um saco cheio de platitudes! Será, sem dúvida, a maneira mais rápida de chegar da V à VI República!
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De Anónimo a 22.04.2017 às 13:58

" Dois deles, Marine Le Pen e Jen-Luc Mélenchon, não deviam estar num boletim de voto, mas sim no boletim clínico de um hospício. "

E assim escrevem os democratas e liberais...

Quanto a Macron esqueceu-se de referir que é/foi banqueiro...
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De tric.Lebanon a 22.04.2017 às 14:40

O candidato de Meca...é o candidato que apoia a islamização da Europa!! é puro lixo...
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De Nebauten a 22.04.2017 às 17:05

Sendo ateu, chamo a Maria mãe de Deus , uma rabeira que se casou grávida de outro homem, tendo José rejeitado-a quando soube. Enganou-o bem.
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De tric.Lebanon a 22.04.2017 às 14:46

O ideal seria passarem a segunda volta Fillon e Le Pen !!! Vive La Russie...Cristandade Russa!!! e o Libano Cristão...
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De Nebauten a 22.04.2017 às 16:57

Viva a Roma Católica !
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De isa a 22.04.2017 às 15:48

Como sempre, ninguém repara que o jogo está viciado e é, sempre, feito para ser ganho pelos que, desde que acabou o padrão ouro, têm o melhor negócio do Mundo, basta-lhes imprimir "papel pintado" ou teclar uns números no teclado e, vão trocando "Nada" por bens Reais que os escravos suam para pagar.

Se ganhar extrema direita ou esquerda, são governos autoritários, no fundo, são todos, em maior ou menor grau, apesar de não parecer mas, o pior, é quando não há saída porque as "cartas" estão todas viciadas e, Este Macron, basta irem à wikipedia e tomar nota de uma frase para saber, realmente, quem são os seus "patrões":

"Born in Amiens, he studied Philosophy at Paris Nanterre University, completed a Master's of Public Affairs at Sciences Po, and later graduated from the École nationale d'administration (ENA) in 2004. He went on to become an Inspector of Finances in the Inspectorate General of Finances (IGF) before becoming... an investment banker at Rothschild & Cie Banque."

Rothschild ?

Por acaso, às vezes tenho que sorrir para não dar em doida com tanta ingenuidade, quando ainda há quem pense que escolhe alguma coisa, principalmente, depois de já se ter a confirmação que "estas famílias" globais, há muito que controlam tudo e, até terem subsidiado, desde o Hitler ao comunismo na Rússia (simultaneamente), ou Soros andar, sempre, a subsidiar os "movimentos" mais impensáveis, através de empresas de empresas que, por portas e travessas, acabam por lhe pertencer ou ser, visivelmente o dono apesar, de também ser um subalterno porque, ele próprio, disse para quem "trabalha".
Banqueiros globais (FED e BCE - Privados) precisam de caos, divisões para reinar e guerras.

Ainda há alguém que acredite que políticos portugueses, donos de mídia, uma jornalista... quase ninguém escapa, só vão tomar um "chazinho", ao grupo bilderberg?

Quem tem triliões, pode conseguir "chutar" um Seguro (por ganhar por "poucochinho") para entrar um Costa (ganhando com o mesmo "poucochinho", a que juntou "fermento"), tirar um Passos para entrar um Rui e, agora, parece que não é o Rui mas, talvez, um maçónico... francamente, parecemos hamsters na roda e, no entretanto, como o "outro" disse para quem quiz ouvir, como euro-deputado, num curto espaço de tempo já ganhou Meio Milhão de euros (ele disse quinhentos mil euros para soar Melhor ), pagos por quem?
Pagamos a pessoas que nem sequer podem Propor ou Vetar leis... pois... tenho sempre que me lembrar que, todos, estão lá "para o nosso Bem"... presentemente, só se for em sonhos... infantis.

https://web.archive.org/web/20160329224248/http://www.tvi24.iol.pt/politica/rui-rio-antonio-costa-porto-lisboa-bilderberg/966700-4072.html

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/luis_montenegro_quotos_senhores_jornalistas_conhecem_muito_melhor_a_maccedilonaria_que_eu_proacuteprioquot

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Bilderberg_participants#Portugal

"Give me control of a nations money and I do not care who makes it's laws" mas, essa já era porque, desde a 2ª Guerra Mundial, o caminho foi traçado, não querem só controlar o dinheiro mas, Tudo e, o "serviço" está quase concluído.
Não pesquisem, não questionem, não procurem informação... continuem a "dormir" e a sonhar que, neste sistema, ainda escolhem alguma coisa... Verdadeiramente, só uma minoria é que escolhe quem, realmente, anda a Servir (para além deles próprios) e, podem crer que, estes, só têm de representar, mal, para "massas dorminhocas".
Só por curiosidade porque eu nem tenho Partido e, muito provavelmente, vou votar Branco (para não ficar em casa e ser chamada de preguiçosa), quanto a Passos estar a ser atacado, para ser substituído, talvez tenha a ver, não ser encontrado na Lista de convidados do grupo bildeberg, nem numa loja maçónica... quem sabe... sejam tudo meras coincidências, como Marcelo até se dar melhor com Costa do que com Passos

Quanto aos "cheerleaders" que vão defendendo este ou aquele, alguns poderão ser ingénuos mas, uma grande maioria, tem os seus próprios interesses...
Procurar informação de independentes é quase como tentar encontrar "agulhas num palheiro"
Bastou ver como o nosso País nem precisou de fazer Referendo para entrarmos para a U.E.... outra... mera coincidência...
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De Luís Lavoura a 22.04.2017 às 16:08

o atentado terrorista que marcou o final de campanha

Está certo de que foi um atentado terrorista?

Eu o que ouvi nas televisões é que foi um ataque cometido por um indivíduo francês (e que não seguia as regras do Islão), que atuou sozinho e sem apoios e que desde há muitos anos manifestava a vontade de matar polícias e de adquirir armas para esse fim. Eu diria que matar polícias é uma tara como outra qualquer, mas não define um atentado terrorista.
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De Nebauten a 22.04.2017 às 17:07

Muitas vezes as bombas valem votos. Conspiração cirilica?
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De V. a 22.04.2017 às 17:11

Não. Era árabe (nascido na Bélgica) e já tinha combatido pelo Estado Islâmico. Era muçulmano. E Maomé era o seu profeta. E tinha barba também.
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De V. a 22.04.2017 às 17:16

Ao menos informe-se antes de tentar defender o indefensável e os maiores bandalhos do planeta:

https://fr.wikipedia.org/wiki/Attentat_du_20_avril_2017_sur_l%27avenue_des_Champs-%C3%89lys%C3%A9es
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De Luís Lavoura a 23.04.2017 às 16:53

O linque que V. fornece apenas confirma aquilo que eu disse. O atacante era francês e gostava de matar polícias (já em 2005 o tinha tentado fazer). Não era belga nem nada confirma a autenticidade de reivindicação feita pelo Estado Islâmico.
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De V. a 24.04.2017 às 01:50

Karim não me soa muito a Francês e basta ver a foto online para ver que de europeu, nele, só mesmo as calças de fato de treino com nódoas com que andava de um lado para o outro. Além disso, os amigos dele chamavam-lhe Abu Yousif al-Belgiki. Pode até ter nascido num dos tubos do centro Pompidou e andar com uma baguete e um gruyère debaixo do braço, mas não era Francês.
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De Luís Lavoura a 24.04.2017 às 16:59

O indivíduo nascera em França e tinha nacionalidade francesa. Portanto, era francês. Ponto final parágrafo.
Karim é um nome que soa totalmente francês, há até um magnífico jogador da seleção francesa de futebol (Benjema) com esse nome próprio.
Não se lhe conhecem quaisquer amigos que o tratassem por tal nome.

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