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Mais uma vez, o racismo

por Cristina Torrão, em 04.06.20

Jerôme Boateng (2).jpg

Imagem daqui

 

Na sequência dos tristes acontecimentos nos EUA, tomou a palavra o jogador da selecção alemã, campeão do mundo, Jérôme Boateng (que até já surgiu aqui na série Always handsome). Boateng nasceu em Berlim, mas tem raízes ganesas e inclusive um irmão jogador na selecção desse país africano. Ele acha que tem havido um retrocesso civilizacional na questão do racismo e gostaria de ver mais empenho dos seus colegas famosos contra este flagelo. «A nossa voz tem peso», diz ele, «seria bom que usássemos o nosso estatuto para defender esta causa». Boateng ressalva, porém, que o facto de um jogador não se empenhar publicamente contra o racismo não significa naturalmente que ele seja racista. «E há quem o faça», acrescenta, «mas um maior número seria desejável».

O jogador acrescenta que há boas iniciativas nas redes sociais, mas igualmente se devia tomar parte activa na vida real, trabalhando, por exemplo, em programas de integração para crianças e jovens. «O mais importante é a educação das crianças», salienta Boateng, pai de duas raparigas e um rapaz. «Tudo tem a ver com aquilo que os pais legam aos filhos. Também devia haver programas escolares sobre este tema».

Nós brancos não podemos sacudir a água do capote, invocando que também há negros racistas. Nunca é boa ideia seguir maus exemplos. Há racistas entre todos os povos. Mas o racismo, seja de que lado for, é uma praga a combater por todos aqueles que não o são. Todos estes se devem empenhar, sejam eles pretos, brancos, amarelos ou vermelhos. Eu não tenho dúvidas de que lado estou.

 

Nota: o artigo é em alemão; a tradução das palavras de J. Boateng é de minha autoria.

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15 comentários

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De Anónimo a 04.06.2020 às 16:54

Belas , provavelmente sentidas palavras - e formuladas com suave coragem, dada a localização geográfica do "fonador" e o risco que (não) corre.
Convém espalhá-las pela Santa Rússia e pelo Celeste Império , caso se queira ser levado minimamente a sério...

JSP
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De Cristina Torrão a 04.06.2020 às 18:55

Hoje em dia, nunca se sabe onde chega uma publicação online...
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De Luís Lavoura a 04.06.2020 às 18:12

Como a Cristina gosta de histórias que metam futebolistas vistosos (e suas vistosas namoradas) e racismo, conto-lhe esta:

https://www.rt.com/sport/490738-luiz-adriano-instagram-dorozhko/
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De V. a 04.06.2020 às 19:25

Isto está tudo mal. Todos estes movimentos são oportunistas, mentirosos e pervertem o sentido da justiça no mundo.

Vou-me embora, já não tenho pachorra para isto.
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De Ebrahim a 05.06.2020 às 16:46

Eu adorava ver este comentário a ser desenvolvido. Eu também tenho pouca pachorra para isto mas em que sentido é que eles pervertem o sentido de justiça? E atenção que a pergunta não tem nada da traiçoeira. É mesmo para tentar perceber o ponto de vista.
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De Anónimo a 04.06.2020 às 20:18

Onde está prova que o assassinato/morte de George Floyd se deveu a racismo e não a incúria, incompetência?

Só a opinião que teve de ser racismo já é racista.

lucklucky
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De Chuck Norris a 05.06.2020 às 08:30

Pois eu também não tenho dúvidas. A única coisa que me entristece e não é de agora, é esta postura de combater um mal, com outro mal.
Não é a criar a idéia de que tudo o que é branco é mau e tudo o que é afro é bom, que chegamos a bom porto.
Neste momento estamos a ensinar as crianças a verem o branco individualmente mau, como um todo.
Tal como não devemos preconceituar o negro como criminoso, também não podemos ostracizar o branco como racista.
E é isto que está a acontecer e não é de agora. É um processo que se tem vindo a desenvolver.
Recordo-me de uma entrevista de Denzel Washington sobre o facto de haver menos negros nas nomeações aos oscares e de que esse número deveria ser equilibrado. Ora o Denzel mostrou-se contra, pois correr-se-ia o risco de atores brancos ficarem de fora injustamente e o negro, que casualmente fosse o vencedor, nunca teria a certeza da justiça da sua vitória.
E parece que isso é irrelevante.
Aquilo a que estamos a assistir faz-me lembrar as nossas experiências como pais. Quando temos alguma atitude com os filhos, da qual mais tarde nos arrependemos, a tendência e passar a ser tolerantes em demasia, a aceitar as suas birras como forma, não de compensar a nossa atitude perante eles, mas sim perante nós. Uma espécie de expiação.
Ora não é a aceitar todas estas formas de protesto que nos vai tornar pedagógicos. Não senhor. Aceitar isto só irá criar uma idéia de impunidade vitimizacional a uns e fomentar o ódio a outros.
O recurso à força por parte do polícia, não é um direito do polícia, é um dever. O polícia tem o dever de usar a força para parar uma ameaça, ou deter um criminoso. E essa é uma noção que pouca gente tem presente. O polícia tem o dever de usar da força, legalmente aplicada, proporcional à ameaça. Neste caso a força terá sido obviamente excedida, o que poderá qualificar o caso de homicídio por negligência e nunca de homicídio qualificado, como muita gente vem apregoar. As pessoas têm de ser coerentes e verificar o motivo desta atuação, se foi premeditada, ou fruto de um exagero na avaliação da ameaça. Este polícia, por exemplo, tem uma morte e um ferimento a criminosos no seu curriculum, no cumprimento do dever. Nessas duas situações, os adversários eram brancos. Tem vários processos disciplinares por desobediência a superiores e esses superiores eram todos brancos. Logo, partir do princípio de que este episódio teve um contexto racista é prematuro e até exagerado.
Vi uma entrevista a uma cidadã negra de Nova Iorque, que se assumiu completamente contra estes protestos. A senhora questiona onde estão os black lives matter, quando os próprios negros matam outros negros, nos bairros americanos. E são muitos. Lutas de gangs, marcações de território, vinganças, ou pura e simplesmente roubos. Esta senhora afirma que ninguém mata mais negros, que os próprios negros e não se vêem organizações a agir. E deviam agir, na tentativa de formar as pessoas, nomeadamente as crianças.
A solução não é criar bichos papões aos miúdos. Não é crescerem com a idéia de que o branco é mau e o polícia é pior.
No final da entrevista deixa um conselho, se a polícia nos aborda, a única via possível é a colaboração, é o cumprimento das ordens, pois essas ordens não vêm do polícia como indivíduo, mas do estado. O polícia é a voz do estado. No final, se acharmos que os nossos direitos foram violados, queixamo-nos. Fazemos isso em todos os aspectos da vida, porquê fazer diferente nas interações com a polícia?
E num país onde 80% da atividade policial é registada em filme. O polícias têm câmaras nos carros, na farda, na rua.
Tudo isto é uma questão de educação e de expiarmos os nossos pecados anteriores, com uma atitude de condescendência e tolerância exageradas, que não contribuem para um futuro melhor.
Exemplo disso é a Catalunha. Na ânsia de expiar pecados antigos, os espanhóis permitiram criar o que foi criado. Uma sociedade revoltada, onde lhe incutiram ódio e onde o espanhol foi transformado no mal de todos os males. Permitiram que a educação das gerações recentes fosse baseada nestas idéias e no fim perderam o controlo, quando bastava que a transição para uma sociedade melhor, fosse gradual, controlada e baseada em bons princípios, sem que a ânsia de compensar o passado fosse o mais importante.
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De Ebrahim a 05.06.2020 às 16:54

Os meus parabéns por tão lúcido comentário. Faço minhas as suas palavras.
Eu também não tenho dúvidas do lado em que estou. A minha experiência pessoal é a de um indivíduo que nasceu em Moçambique, o meu pai nasceu em Moçambique, o meu avó paterno nasceu em Moçambique e como não tenho pele negra conheço bem o que é o racismo. E não é no sentido que se possa imaginar. E tenho a perfeita noção de que Moçambique não é, de todo, um país racista. E é por isso que não tenho dúvida absolutamente nenhuma do lado em que estou.
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De JPT a 05.06.2020 às 11:03

Os quatro polícias americanos presos em virtude do homicídio do Sr. Floyd são de três "raças" diferentes. Morrem muitíssimo mais "afro-americanos" assinados por outros "afro-americanos" do que por polícias brancos. É um escândalo e um horror um cidadão desarmado e imobilizado ser morto por um membro da autoridade, num estado de direito - mesmo num estado de direito, onde um dos direitos é toda a gente andar armada, o que, obviamente, dificulta a tarefas das autoridades, mas ver o "racismo" (que existe, como é evidente, e é sistémico) transformado em folclore moralista, em cínica arma de arremesso político, e até como fundamento para a prática do vandalismo (sugiro aos tipos que atiraram pedras contra o autocarro do SLB, ontem, que invoquem que estavam a protestar contra o homicídio do Sr. Floyd) também me causa repugnância.
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De Chuck Norris a 05.06.2020 às 16:03

Mesmo na mouche. E sugiro que os festivaleiros do verão organizem concertos para se juntarem aos protestos. Assim já conseguem fazer concorrência (legal) à Festa do Avante.
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De Cristina Torrão a 06.06.2020 às 09:23

Eu não defendo naturalmente os actos de vandalismo nem todo o folclore que se gerou à volta do caso (já agora, as manifestações não são apenas contra o racismo, mas também contra a violência policial).
Tudo isso, porém, não nega o problema: o racismo existe. E, venha de que lado vier, quem não é racista, deve tomar posição. Foi o que eu fiz.
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De Elvimonte a 05.06.2020 às 17:02

Racismo? Mas isso é coisa que não existe!...

Basta um branco ir ao Bronx para verificar que não existe. Basta um branco pretender entrar nalgumas discotecas de Lisboa para verificar que não existe. Basta ver a quantidade de brancos que são deputados, juízes, altos dignatários do estado em países africanos, para verificar que não existe.

Daí que a organização Black Lifes Matter não possa ser considerada racista. Daí que, quem "convida" naquele vídeo aquela senhora branca a ajoelhar e a pedir desculpa pelos seus "privilégios brancos", nunca possa ser considerado racista. Lógico.

A lógica de que "todos os animais são iguais, mas há uns que são mais iguais do que os outros". A lógica que nos pretendem inculcar, segundo a qual as minorias, todas as minorias, pelo simples facto de o serem, têm mais direitos do que os outros.

A lógica de todas as "noites de cristal", desde a Alemanha nacional socialista até aos nossos dias, sempre arquitectada pelos Goebbels de ocasião, transmutados agora em marcusianos que encontram fundamento na teoria da tolerância repressiva, para a qual a intolerância e a violência são as únicas respostas, e eco na generalidade da comunicação social, porventura mais nacional socialista do que propriamente social. É o triunfo dos porcos.

Gente que adoptou o 1984 como manual e para quem "escravatura é liberdade, guerra é força e ignorância é poder". Gente a quem eu enfiaria barretes de tamanho 50 a mais de um quilómetro de distância, por questões de princípio e de "distanciamento social".

Não obstante, encontro racismo nas notícias, antes e após o caso do Mr. Timpas, branco, morto às mãos da polícia americana em circunstâncias semelhantes às do Mr. Floyd, e de que ninguém, ou quase ninguém, ousou falar. Era obviamente branco e dos dois agentes que o mataram, um deles era negro. Um verdadeiro escândalo que convém silenciar, em nome da tal lógica.

Encontro também racismo nas estatísticas dos EUA, que nos dizem que os homicídios entre negros são em maior número do que os homicídios entre brancos e que os negros matam mais brancos, sendo o número de homicídios de negros às mãos de brancos muito menor. Racismo evidente.

Um racismo também reflectido no QI médio da população americana: os asiáticos são os mais inteligentes, depois os brancos e finalmente os negros. Racismo puro e daqueles cuja herança não se pode recusar.
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De Anónimo a 05.06.2020 às 23:33

@Elvimonte

Anthony Timpas

https://heavy.com/news/2019/08/tony-timpa/


lucklucky
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De Elvimonte a 06.06.2020 às 23:05

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De Anónimo a 05.06.2020 às 23:05

O texto da autora ajuda a explicar como os nazis tomaram o poder em 10-20 anos. Repete-se o que se diz acriticamente porque foi dito muitas vezes.

Estamos em pleno período de Revolução Cultural.

Veja-se como não houve, há histerismo mediático nenhum pela violação das regras do COVID 19 devido aos protestos.
De repente desaparecerem os "profissionais de saúde" com tempo de antena, a avisar para o perigo. Desaparecerem porque já não interessam politicamente porque os jornalistas lhes cortaram a palavra.

Os jornalistas quais guardas revolucionários da Revolução Cultural manipulam a narrativa conforme as suas necessidade políticas.


lucklucky

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