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Mais um que mordeu o isco

por Rui Rocha, em 15.01.15

Pois é. Quando se admite que o terrorismo é desencadeado como resposta a uma provocação, em lugar de nos concentrarmos na condenação radical do acto, denunciando o seu desvalor absoluto e intrínseco, acabamos enredados numa discussão sobre a liberdade de expressão e os seus limites. Que desemboca sempre na racionalização do que não tem racionalidade possível e, nos piores casos, em atenuar a gravidade da agressão. Desta vez, quem se estatelou foi o Papa Francisco:

“Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri [Alberto Gasbarri, responsável pelas viagens internacionais do papa], grande amigo, diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”


23 comentários

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De Vento a 16.01.2015 às 22:01

Nunca me cansa, meu caro Campus. Nem eu fiz a apologia desta espada, no sentido real do termo. Só que esta batalha espiritual é uma proposta para todos que culmina na seguinte afirmação: "Não vim trazer a paz ao mundo, mas a espada". Esta espada que cada um deve erguer contra si mesmo no sentido de contrariar que essa mesma matéria, que se traduz na "lógica do mundo", que em todos habita.

Para não fugirmos ao contexto que nos levou a estes comentários, a declaração ou opinião do Papa Francisco, é necessário compreender que há quem não use e não queira usar esta espada, porque ela possui dois gumes para contrariar a lógica anteriormente citada: o mundo, o materialismo e o poder que se exerce sobre outros, e a própria pessoa. Esta batalha visa essencialmente tornar o Homem consciente que é criatura e não um deusinho. E como criatura não se pode sobrepor em nenhum sentido ao outro.
Porém como assim não acontece é normal que à falta de compreensão e respeito para com a diferença possa surgir um murro e, noutros casos, tiros de metralha.
Apelar à razão para esta realidade visa tão somente evitar consequências que levem outros a fazer uso de sua liberdade até ao ponto de julgar poder tirar a vida de seu semelhante.
Não obstante, o uso da liberdade, ainda que caucionada por lei, que não é capaz de compreender que outros têm direito à sua sensibilidade e a não serem motivo de chacota naquilo que consideram sagrado torna-se também responsável por tais actos.
Se eu pensar que o simples facto da lei permitir que eu possa ofender meus vizinhos ou concidadãos naquilo que lhes é mais caro e submeter o meu livre-arbítrio, isto é, a capacidade de evitar uma tragédia por minha própria arbitrariedade, eu torno-me não só escravo da lei como co-autor de todas e quaisquer respostas. A lei não liberta.

Por último, fico-lhe grato pela partilha que faz, mas mais ainda pelas intenções que lhe subjazem. Estamos no mesmo caminho, com uma ou outra atitude diferente.
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De Vento a 16.01.2015 às 22:16

Por favor, leia Esta espada que cada um deve erguer contra si mesmo no sentido de contrariar essa mesma matéria, que se traduz na "lógica do mundo", que em todos habita.
Subtraí o que.

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