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Mais um que mordeu o isco

por Rui Rocha, em 15.01.15

Pois é. Quando se admite que o terrorismo é desencadeado como resposta a uma provocação, em lugar de nos concentrarmos na condenação radical do acto, denunciando o seu desvalor absoluto e intrínseco, acabamos enredados numa discussão sobre a liberdade de expressão e os seus limites. Que desemboca sempre na racionalização do que não tem racionalidade possível e, nos piores casos, em atenuar a gravidade da agressão. Desta vez, quem se estatelou foi o Papa Francisco:

“Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri [Alberto Gasbarri, responsável pelas viagens internacionais do papa], grande amigo, diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”

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23 comentários

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De Vento a 15.01.2015 às 22:32

Mermão, lamento seu desapontamento. Verifico que estava à espera que o Papa Francisco ratificasse o seu direito à blasfémia e, afinal, foi o contrário. Não perca a fé.
Eu também nem sempre concordo com os Papas, mas lá vou aceitando a minha cruzita.
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De . a 16.01.2015 às 00:31

O pior papa de sempre. Numa altura em que a igreja católica devia abraçar a liberdade e o cristianismo, virou-se para a servidão marxista e justifica o inferno muçulmano. Grandes tiros nos pés.
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De JS a 16.01.2015 às 00:50

O CEO de uma multinacional a apoiar os seus pares no ramo de negócio?.
Infeliz, muito, meter sátira (discutível mas apenas sátira) e "ofensa à mãe" na mesma frase. Não será infalibilidade papal já no seu limite?.
Temos mesmo que rezar pelo homem.
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De Pedro Barbosa Pinto a 16.01.2015 às 09:03

Pena que não passaram o micro ao Gasbarri para ele responder: - "E se o meu grande amigo Bergoglio ficasse à espera que eu lhe estendesse a outra face, desengane-se! Levava dois directos nas trombas que amanhã ainda andava de gatas aqui pelo avião à procura dos dentes... É Normal!!!
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De sampy a 16.01.2015 às 15:25

Adivinha qual é o que foi porteiro de discoteca...
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De campus a 16.01.2015 às 09:34

Tem sempre de haver uma vez ! Esta é até agora, a grande discordância com as palavras e atitudes do Papa Francisco. Terá sido sem intenção, mas acaba por desculpar o acto bárbaro perpetuado por radicais islâmicos. Até o próprio exemplo foi infeliz, diz o Papa que se o seu amigo ofender a sua mãe com uma palavra ele próprio o socaria, ao arrepio de toda a filosofia cristã que diz no seu Padre Nosso " ...como nós perdoamos a quem nos tem ofendido" ou até nas palavras do Novo Testamento " Mas, que dizer caso alguém o insulte ou o prejudique de algum outro modo? A Bíblia aconselha: “Não digas: ‘Assim como ele me fez, assim vou fazer a ele.’” (Provérbios 24:29; Romanos 12:17, 18) Jesus Cristo aconselhou: “A quem te esbofetear a face direita, oferece-lhe também a outra.” (Mateus 5:39) Uma bofetada não visa ferir fisicamente, mas apenas insultar ou provocar. Dessa maneira, Jesus ensinava seus seguidores a evitar serem levados a brigar ou a discutir. Em vez de ‘pagar dano com dano ou injúria com injúria’, você deve ‘buscar a paz e empenhar-se por ela’. — 1 Pedro 3:9, 11; Romanos 12:14."
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De Vento a 16.01.2015 às 14:48

Pois é, meu caro Campus.

Então permita-me também fazer umas citações:

"(...) Depois ajuntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: nada. Mas agora, disse-lhes Ele: aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma". Lucas 22, 35-36

Agora, meu caro, deixo-lhe o exercício de descobrir que espada é esta.

P.S. Muito bem, Papa Francisco.
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De campus a 16.01.2015 às 17:02

Espero que não o canse, mas convém não tirar a frase do seu contexto.
A lição de Jesus foi a seguinte, vocês não necessitam de materialismo mas sim de espiritualismo, no entanto pediu a eles para se armarem com espadas para mostrar que estas não serviriam para nada, grande lição de paz e de superioridade moral.
"E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. 36 Disse-lhes pois: Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a. 37 Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento. 38 Disseram eles: Senhor, eis aqui duas espadas. Respondeu-lhes: Basta."

39 Então saiu e, segundo o seu costume, foi para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o seguiam. 40 Quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação. 41 E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava, 42 dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. 43 Então lhe apareceu um anjo do céu, que o confortava. 44 E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão. 45 Depois, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza; 46 e disse-lhes: Por que estais dormindo? Lenvantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação.

47 E estando ele ainda a falar, eis que surgiu uma multidão; e aquele que se chamava Judas, um dos doze, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar. 48 Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem? 49 Quando os que estavam com ele viram o que ia suceder, disseram: Senhor, feri-los-emos a espada? 50 Então um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. 51 Mas Jesus disse: Deixei-os; basta. E tocando-lhe a orelha, o curou. 52 Então disse Jesus aos principais sacerdotes, oficiais do templo e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus? 53 Todos os dias estava eu convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas "
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De Vento a 16.01.2015 às 22:01

Nunca me cansa, meu caro Campus. Nem eu fiz a apologia desta espada, no sentido real do termo. Só que esta batalha espiritual é uma proposta para todos que culmina na seguinte afirmação: "Não vim trazer a paz ao mundo, mas a espada". Esta espada que cada um deve erguer contra si mesmo no sentido de contrariar que essa mesma matéria, que se traduz na "lógica do mundo", que em todos habita.

Para não fugirmos ao contexto que nos levou a estes comentários, a declaração ou opinião do Papa Francisco, é necessário compreender que há quem não use e não queira usar esta espada, porque ela possui dois gumes para contrariar a lógica anteriormente citada: o mundo, o materialismo e o poder que se exerce sobre outros, e a própria pessoa. Esta batalha visa essencialmente tornar o Homem consciente que é criatura e não um deusinho. E como criatura não se pode sobrepor em nenhum sentido ao outro.
Porém como assim não acontece é normal que à falta de compreensão e respeito para com a diferença possa surgir um murro e, noutros casos, tiros de metralha.
Apelar à razão para esta realidade visa tão somente evitar consequências que levem outros a fazer uso de sua liberdade até ao ponto de julgar poder tirar a vida de seu semelhante.
Não obstante, o uso da liberdade, ainda que caucionada por lei, que não é capaz de compreender que outros têm direito à sua sensibilidade e a não serem motivo de chacota naquilo que consideram sagrado torna-se também responsável por tais actos.
Se eu pensar que o simples facto da lei permitir que eu possa ofender meus vizinhos ou concidadãos naquilo que lhes é mais caro e submeter o meu livre-arbítrio, isto é, a capacidade de evitar uma tragédia por minha própria arbitrariedade, eu torno-me não só escravo da lei como co-autor de todas e quaisquer respostas. A lei não liberta.

Por último, fico-lhe grato pela partilha que faz, mas mais ainda pelas intenções que lhe subjazem. Estamos no mesmo caminho, com uma ou outra atitude diferente.
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De Vento a 16.01.2015 às 22:16

Por favor, leia Esta espada que cada um deve erguer contra si mesmo no sentido de contrariar essa mesma matéria, que se traduz na "lógica do mundo", que em todos habita.
Subtraí o que.
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De Luís Lavoura a 16.01.2015 às 10:05

Estou em completo desacordo. Acho que o papa falou muito bem e com muita honestidade. É um homem sábio.
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De sampy a 16.01.2015 às 11:20

Ena pá, tantos Charlies a querer ensinar a Igreja Católica como se combate o Islão... Cambada de burros.
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De campus a 16.01.2015 às 11:56

Sampy o inteligente, a Igreja católica é o Papa e os católicos do mundo inteiro no qual eu me incluo.
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De sampy a 16.01.2015 às 12:59

Trata então de estudar o catecismo e abre-me esses olhinhos.
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De Teresa Ribeiro a 16.01.2015 às 11:57

Percebe-se bem a intenção. Quis ser diplomata, mostrando-se solidário para com os muçulmanos. Quis pregar a tolerância mas saiu-lhe tudo ao contrário. Prova de que a infalibilidade do Papa é uma grande treta (perdoem-me os católicos).
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De sampy a 16.01.2015 às 13:18

"(perdoem-me os católicos)"
Perdoar o quê? A afirmação? Ou a ignorância em que ela se baseia?
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De Vento a 16.01.2015 às 14:35

Está perdoada, Teresa. Mas agora esforce-se por se perdoar também. O problema de algumas confissões cristãs reside no facto de pretenderem ganhar a representatividade que ambicionam, colando-se a correntes contraditórias, e nunca posicionando-se naquilo que dizem defender e crer.

Eu percebo-a, porque a Teresa já aqui confessou, num post de João André, sobre a sua dúvida.
A dúvida é legitima, tão legitima quanto duvidar da dúvida. Foi só uma mãozinha, não leve a mal.
O grande problema de muitas confissões, até mesmo alguns grupos não confessionais, é que a dúvida leva-o(a)s a não acreditar em nada.
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De Costa a 16.01.2015 às 13:52

Um murro, todavia, não uma rajada de balas no corpo.

Fazendo a analogia, seria como se em vez do assalto em estilo de operação de comandos, com armas de guerra e tudo, a reacção ao publicado no CH tivesse consistido em mais uma daquelas manifestações numa praça poeirenta e semi-arruinada de um lugar algures no Médio-Oriente , com uma multidão histérica a queimar a proverbial bandeira dos EUA (ou francesa, ou de quem fosse) e a desejar a morte de tudo e todos os que não seguissem os seus ditames.

Isso seria talvez "normal" (não deixando de ser uma normalidade lastimável). O homem espalhou-se. Vá lá, parece, que animado de boas intenções e não necessariamente - quero crer - curvando-se perante a "sociologia correcta" que nos tem sido servida pressurosamente nos últimos dias.

Acontece: é um ser humano. Fatalmente falível, como é da sua condição.

Quanto a uma acção papal doutrinariamente densa e intelectualmente sólida (e lembre-se que, por cá, neste "malvado" mundo ocidental, só segue os ditames da religião quem o entende livremente fazer e na medida em que livremente a sua consciência o dita), e por muito apelativa que seja a mensagem deste Papa e louváveis os seus sinais de humildade, não sei - não sei, sinceramente - se não se virá a sentir saudade de Ratzinger.

Mas não era, claro, um condutor de massas.

Costa
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De sampy a 16.01.2015 às 15:16

Pois, pois. Já todos nos esquecemos do que se passou quando Ratzinger citou Manuel II.
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De Costa a 16.01.2015 às 17:39

Desastradamente, decerto, não sei a que se refere. Quererá fazer o favor de me elucidar?

Costa
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De sampy a 16.01.2015 às 18:54

O discurso na universidade de Regensburg.
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De Costa a 16.01.2015 às 20:18

Lido, o discurso. Grato.

Costa
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De Anónimo a 17.01.2015 às 16:23

Não mordeu o isco, não. Se nos dermos ao trabalho de pensarmos um pouquinho, só um pouquinho, não há ninguém, mas ninguém, no seu perfeito juízo que goste de ser ofendido ou que se ofenda a honra dos seus. A liberdade tem limites e quando essa liberdade sai dos limites entra-se na libertinagem e aí não há quem a defenda.

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