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Mais um não argumento

por Sérgio de Almeida Correia, em 12.05.16

"Havendo duas escolas que estão a prestar o mesmo serviço, e tendo necessariamente que fechar uma para racionalizar os custos, qual delas deveria fechar? Aí, a resposta parece-me óbvia: deveria fechar a pior escola e ficar aberta a melhor. Se a pior fosse a pública, fechava a pública. Se a pior fosse a que tem um contrato de associação, deixava-se de pagar o contrato de associação." - João Miguel Tavares, Público, 12/05/2016

 

Não, João Miguel, não pode ser assim. O argumento estaria correcto desde que não tivesse sido falseado logo à partida. Para se poder comparar é preciso que estejam ambas a funcionar, que tenham um número idêntico de alunos e fossem as mesmas as condições de partida, tendo à chegada o mesmo nível de financiamento, ou mantendo-se este estável ao longo do percurso para as duas. Isto é, é preciso comparar as condições de partida e as existentes em cada escola mais o custo por aluno. Só depois se podem comparar os resultados.

Se numa corrida de 100 metros há um concorrente que sai 10 metros à frente do outro e apanha a meio boleia de um Ferrari é natural que chegue primeiro. Só se podem comparar à chegada realidades que tivessem saído do mesmo bloco de partida e que ao longo do percurso não tivessem sido torpedeadas por quem manda em benefício dos outros concorrentes. Antes disso a resposta não pode ser óbvia, a não ser que seja orientada por fins ideológicos.

Lamento dizê-lo, João Miguel, mas Donald Trump não encontraria melhor argumento para defender uma escola privada que fosse subsidiada pelos contribuintes estado-unidenses.   

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1 comentário

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De José a 12.05.2016 às 12:10

Olá, bom dia Sérgio de Almeida Correia
Permita-me que o felicite pelo seu brilhante e preciso comentário.
Concordo, em absoluto, nos argumentos por si focados, e na forma como brilhantemente expõe, de uma forma, clara e simples o seu raciocínio, dando exemplos simples para que todos compreendam, o que efectivamente esta em causa.
É muito simples de explicar, e ainda é ,mais simples de compreender,que numa competição, vamos assim lhe chamar, só existe igualdade de oportunidades, quando os dois lado, disputam a competição nas mesmas condições...Ou estarei enganado.
Estamos a poucos dias, de disputar o campeonato, seria justo, uma equipa jogar com menos, por exemplo, dois jogadores....O resultado não estaria condicionado a partida!!!
Pois bem, é exactamente isso que acontece nesta polémica, entre o ensino público e o privado.
Existem enumeras variáveis que não são tidas em conta, e que como é óbvio, condicionam qualquer tipo de avaliação ou até mesmo comparação.
Seria hipócrita da minha parte, negar que existem escolas públicas, de fraca qualidade, mas também existem no sistema público, outras instituições de má qualidade, tais como , hospitais ,repartições públicas,entre outras... E nem por isso deixam de ser financiadas, nem recai sobre estas qualquer tipo de avaliação séria. Que no meu entender deveria de existir.
Mas para isso teríamos de valorizar o mérito e não o compadrio, entre outras coisas…
Só não podemos, atribuir todas as culpas do mau desempenho das escolas aos professores…
No meu entender, muitos destes comentários carecem de um verdadeiro conhecimento da realidade...
Eu pergunto, como querem que em muitas escolas existam bons resultados, quando estão inseridas, em zonas muito problemáticas, que muitos destes senhores, nunca visitaram e só conhecem pela televisão, sentados confortavelmente no sofá da sua sala. Como se pode obter excelentes resultados, quando o corpo docente não é estável, muda todos os anos, quando temos professores a fazerem diariamente, dezenas ou mesmo centenas de quilómetros para dar aulas; professores de Viana que vão parar a Faro...Entre outras coisas...Pergunto, qual é a motivação que impulsiona esta gente...
Bons resultados, quando existem alunos provenientes de famílias desestruturadas, de bairros problemáticos, com muitas carências económicas, alunos que se levantam ás 6h da manha para ir a escola. Alunos que não têm acesso a um computador em casa, quanto mais Internet...
Sei do que falo, não resido numa grande cidade,tenho quatro irmãos e todos tiramos um curso superior com grandes dificuldades. Hoje em dia, tenho duas sobrinhas maravilhosas, que por força das circunstancias ( incompatibilidade de horários), estão em colégios privados não financiados pelo estado, repito não financiados pelo estado, cujo os pais fazem muito esforço para pagarem a mensalidade. Como é óbvio ambas, são excelentes alunas, o que não seria de admirar, pois têm a sua disposição diariamente, 5 licenciados (família mais próxima), entre outros, nas mais variadas áreas, também possuem computador, tablet, internet e muitos livros para fazerem consultas...Por esse motivo não podemos fazer comparações, entre público e privado.
Concordo que os alunos, deveriam poder escolher boas escolas.
Mas então, temos de mudar o tema desta polémica, temos que nos manifestar para que o Estado, financie todas as escolas privadas de qualidade e não só algumas.
Como foi divulgado ontem na entrevista dada pelo, Srº Primeiro Ministro António Costa a SIC, do universo de todas as escolas privadas ,só apenas 3% possuem contrato de associação com o estado.
Pelos visto o financiamento é só para alguns…
No meu entender o financiamento só se justifica, quando o estado não tem capacidade de resposta…
E se existe oferta pública, não se justifica esbanjamento de dinheiros públicos.
E não é isto que se está a defender com esta polémica… Ou estarei enganado…
Abraço.

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