Mais respeito, menos ódio
Cristina Torrão, 24.12.25
Este texto, postado no Facebook, com o título MIND THE GAP, é ficcional. O seu autor imaginou-se na pele de uma portuguesa a viver em Londres. Está bem escrito. Quem vive, ou já viveu, no estrangeiro, sente-se, de alguma forma, reconhecido nestas palavras. Eu própria me reconheci em algumas destas reflexões.
O seu realismo tocou muitas pessoas. O post vai entretanto com mais de quatrocentas reacções e de setenta comentários. Os comentadores solidarizam-se com a senhora, sentem as saudades dela e fazem as pazes com Portugal, concordando em que, só estando longe, se reconhece o verdadeiro valor do nosso país.
O texto cria empatia em relação aos emigrantes, muitas vezes, em falta, no Verão, quando eles passam férias em Portugal.
Mas não esqueçamos: qualquer emigrante é igualmente imigrante! Era bom que um texto destes criasse também empatia em relação aos estrangeiros a viver em Portugal. Porém, excluindo o meu, não encontrei nenhum comentário que referisse esse ponto de vista.
Os imigrantes em Portugal são usados como bode expiatório por um político da nossa praça, por sinal, candidato a Presidente da República. Alguém que difunde o ódio por todos aqueles que escolhem o nosso país, na esperança de uma vida melhor.
Somos todos seres humanos. Somos todos iguais. E todos sentimos falta do nosso lar, das nossas raízes, quando vivemos no estrangeiro. Todos nós temos dificuldade em aprender a língua do país de acolhimento. Conheço portugueses que vivem há mais de quarenta anos na Alemanha, que mal falam alemão! As dificuldades e as saudades são as mesmas, sejamos nós oriundos de Portugal, do Bangladesh, ou de qualquer outro país.
Mais respeito e menos ódio pelos imigrantes!
É esta a minha mensagem de Natal!

Nota: como nem toda a gente tem Facebook, deixo o referido texto (MIND THE GAP) nos dois primeiros comentários.

