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Macau: passado e presente (3)

por Pedro Correia, em 21.12.19

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O sucesso desta década pode ser creditado a muitas personalidades, mas antes de mais, e com toda a justiça, a Edmund Ho. O primeiro chefe do Executivo macaense pós-transição esteve à altura dos desafios que o cargo lhe impunha, governando com o discreto talento de negociador e de árbitro de conflitos que já demonstrara noutro plano, como dirigente empresarial e vice-presidente da Assembleia Legislativa, durante a administração portuguesa. Teve, para o efeito, o melhor dos mestres: o seu pai, Ho Yin, ainda hoje justamente recordado como um dos homens a quem Macau mais deve, estabelecendo pontes entre as diversas comunidades locais mesmo nos momentos de maior tensão política.

Preferia, claro, que não se cultivasse tanto um certo novo-riquismo kitsch em certas edificações turísticas apostadas em tornar o território numa réplica parola de Las Vegas. E gostaria sobretudo que se tivessem dado passos mais audaciosos no plano político. Durante demasiado tempo, vigorou na administração portuguesa uma mentalidade ainda contaminada por resquícios coloniais: encontrei-me, nos anos 90, entre os que consideraram imperdoável que Portugal não estimulasse com maior vigor em Macau o exercício de direitos comuns em todo o mundo livre - do direito à greve à liberdade de constituição formal de correntes políticas, além do alargamento, que continuo a achar indispensável, do voto directo dos cidadãos para a escolha dos deputados da Assembleia Legislativa. Faltou alguma ousadia neste domínio - e continua a faltar.

Mas o que mais lamento, nestes dez anos, foi ter visto partir alguns amigos de longa data que tive o privilégio de conhecer em Macau - saudosos amigos como o advogado Francisco Gonçalves Pereira, o professor José Silveira Machado, o pintor Nuno Barreto e o padre Francisco Fernandes, entre outros. Mas esta é uma consequência da natural erosão do tempo, que a distância física acaba por tornar mais dolorosa. Entre os motivos de congratulação, que felizmente são muitos, permito-me destacar a manutenção de órgãos de comunicação social que se exprimem (e bem) em português. Nenhuma sociedade é verdadeiramente adulta sem imprensa livre e responsável. Tanto mais responsável por ser livre, tanto mais livre por ser responsável.



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