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Macau: passado e presente (1)

por Pedro Correia, em 19.12.19

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Nessa época, ouvia os mais antigos expressar negros augúrios. Que toda a tradição portuguesa se eclipsaria. Que os direitos humanos seriam estrangulados. Que bastariam os primeiros anos para a face da cidade se descaracterizar irremediavelmente. Que o melhor era transferir bens e haveres para a longínqua Lisboa. Que a presença militar de Pequim assombraria o quotidiano da doce Macau poupada a todas as guerras e a quase todas as intempéries. Felizmente esses prognósticos não se confirmaram. Vinte anos depois da transferência do exercício da soberania para a República Popular da China, ei-la mais pujante que nunca, em franco crescimento, mantendo a sua vocação ancestral de cruzamento de etnias, crenças e culturas. Um oásis num mundo que vive sufocado pela crise financeira e assombrado pelo espectro do desemprego, praga que atormenta as vidas de milhões de pessoas nas rotas de todos os continentes.

Naturalmente, todos ambicionamos sempre mais e melhor. Mas, vista à distância por alguém que viveu uma década em Macau, a efeméride que agora se assinala só pode ter um carácter festivo. Por constituir um exemplo de harmonia com raros antecedentes nas encruzilhadas da História. Macau passou a ser, de pleno direito como já era de facto, parte integrante da China sem perder as características de cosmopolitismo que lhe deram um carácter único nem os seus traços identitários muito próprios, nos quais a influência europeia, através de Portugal, é inapagável.


18 comentários

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De Luís Lavoura a 19.12.2019 às 10:18

Talvez seja bom notar que, tal como a antiga colónia portuguesa de Macau é hoje a parte mais rica da China, a antiga colónia portuguesa de Goa é hoje a parte mais rica da Índia.
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De Vorph Valknut a 19.12.2019 às 10:39

Mais rica em que sentido?

Pensava que era Xangai.

Acrescentaria que Macau é a parte mais rica de Portugal
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De Pedro Correia a 19.12.2019 às 14:09

Vários governantes actuais fizeram estágio político em Macau. A começar no número 2 do Governo.
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De João Marcelino a 19.12.2019 às 14:19

Interessante... fico pensando porque razão Portugal não é (por exemplo) a parte mais rica da Europa.
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De Anónimo a 19.12.2019 às 15:26

Mais rendimento per capita?
Como diria o outro 'já estou a ver': os milionários donos do jogo+restante população=ricos. Ou a mesma coisa de dois comerem um frango assado havendo um a comer a perna e o outro o resto dar cada um a comer metade.

Tanto em Macau como em Goa, os portugueses não foram o motor da economia, como nas colónias de África. Foram os goeses e os macaístas que aproveitaram a ocasião para serem eles os comerciantes e outras actividades económicas.

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De Anónimo a 25.12.2019 às 07:37

Pena que não se pode dizer o mesmo do Brasil em relação aos Estados Unidos e o Canadá...
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De Pedro Correia a 31.12.2019 às 21:00

Não faz qualquer sentido tal comparação. Macau faz parte da China, Goa faz parte da Índia. O Brasil não faz parte nem do Canadá nem dos EUA.
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De Vorph Valknut a 19.12.2019 às 10:33

Bom dia! O Pedro anda bem? (estou a brincar a ser sério)
Como posso crer no que escreve, depois de ler, neste mesmo blogue, as crónicas de Sérgio de Almeida Correia, sobre Macau?

O propósito, da sua análise, Pedro, perde-se, totalmente, numa, ou duas linhas, despropositadas, a meu ver, quando leio , "mantendo a sua vocação ancestral de cruzamento de etnias, crenças e culturas"

Então, e os uigures, e os "chineses, que não da etnia Han? Os Campos de Reeducação, etc?

Agora a sério, está tudo bem? Até parece que me anda a seguir, na provocação, mas neste caso, a cópia é melhor que o original. .

PS: A continuar assim ficará apto para o Blogue de Alterne (há um mercado de Inverno, correcto?)
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De Vorph Valknut a 19.12.2019 às 10:51

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-atencao-dos-deputados-e-membros-do-11006803

"Muita coisa mudou em Macau, muita coisa afinal está na mesma. As sementes da situação actual foram germinando noutro tempo, que acompanhei também muito de perto - como bem sabes. E os indícios já estavam lá todos. Começando pelos fortes condicionamentos de direitos, liberdade e garantias com forte cumplicidades do lado português e o alheamento total de Lisboa, em permanente imitação do gesto de Pilatos.
Em momentos decisivos faltou a intervenção forte da autoridade moral portuguesa - que em certas etapas desapareceu mesmo para parte incerta alheada do processo, indiferente às consequências.
Na recta final do período de transição, ainda em tempo útil para exercer a pedagogia democrática que se impunha como potência administrativa quase cessante, Londres designou um Chris Patten, enquanto de Lisboa seguia um general com mentalidade de administrador colonial e a bênção conjunta do soarismo e do cavaquismo.
Tivesse sido outra a decisão de um pusilânime Jorge Sampaio, em Março de 1996, e talvez pudesse ter havido também um Patten lusitano. Mas as coisas são como são - e não como gostaríamos que tivessem sido.
Que não desfaleça o jornalismo isento, que não afrouxe o desassombro dos juristas que se mantêm firmes na denúncia de todos os atropelos à legalidade - eis os meus votos enquanto conhecedor profundo das luzes e das sombras dessa terra onde vivi dez anos.
Uma terra onde tanta coisa muda vertiginosamente, uma terra onde tanta coisa permanece imutável."

Pronto OK. Caí que nem um patinho.
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De Pedro Correia a 19.12.2019 às 11:02

Você viveu em Macau?
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De o cunhado do acutilante a 19.12.2019 às 13:19

Ora essa! e precisa?
Também eu nunca vivi em Alcochete e sei muito bem o que lá se passou.
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De Pedro Correia a 19.12.2019 às 14:08

Vocês são mais de Alverca do que de Alcochete. E da Carregueira.
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De Anónimo a 19.12.2019 às 18:54

Na verdade Sampaio fez muita falta! Era tiro e queda a derrubar Maiorias! Que se cuidasse a China!
Quem ama o feio lhe parece bonito.
Cumps.
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De Pedro Correia a 19.12.2019 às 20:05

Sampaio optou por manter em Macau o governador que havia sido escolhido por Soares. Para não ferir o antecessor.
Foi um erro. Enquanto os britânicos enviavam um político de primeiro plano como último governador para Hong Kong, os dois primeiros presidentes civis portugueses eleitos por sufrágio universal enviavam como último governador para Macau um general da velha guarda, com tiques cesaristas e autoritários.
E assim nos despedimos do Oriente.
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De Anónimo a 19.12.2019 às 21:34

Nostalgias e saudades, estive Serv Militar (alf miliciano) no Serviço de Material entre Novembro de 1970 e Janeiro 1973) , uma "aldeia" comparada com Hong Kong .....

A.Vieira
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De Pedro Correia a 19.12.2019 às 22:35

Conheci Macau nessa época. Era um misto de cidade e aldeia. Com uma atmosfera única no mundo. Antes de se transformar na floresta de cimento que hoje é.

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