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Antes de 2017, Mação era um concelho modelo no que diz respeito à prevenção e preparação para o combate aos fogos. O município havia investido muito em planos e na sua implementação que, na verdade, foram um sucesso. No devastador incêndio que lavrou no concelho, creio que uma semana depois do malfadado incêndio de Pedrogão, não morreu ninguém. Os caminhos de combate ao fogo estavam mapeados, trilhados e bem indicados para as corporações de bombeiros que vinham de todo o país e não conheciam o território. Com o dinheiro investido, poupou-se casas e, sobretudo, vidas.
Como consequência de políticas centralistas que têm dificuldade em ver o território além de uma colónia de férias e governos regionais controlados por aspirantes a governantes nacionais, as poucas casas afectadas não beneficiaram dos apoios do Estado. O incêndio não havia ganho as proporções dramáticas que motivasse estar inscrito na agenda mediática.
Passados dois anos o concelho de Mação está novamente em chamas. Ainda que as medidas preventivas tenham poupado território e vidas este caso também demonstra quão questionáveis e inaptas são as estruturas regionais que temos na determinação e organização do território. É também por isto que é necessário voltar a inscrever na agenda política a regionalização para suplantar definitivamente as estruturas de poder regional existentes que são pouco mais do que delegações governamentais dominadas por caciques sem qualquer fiscalização ou controlo democrático.


9 comentários

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De Tiago Mota Saraiva a 22.07.2019 às 16:41

Obrigado pelas tuas palavras de boas vinda Diogo.
Quanto ao tema da regionalização é vasto e talvez merecesse mais aprofundamento, fora de um post sobre os incêndios. De qualquer forma, o meu raciocínio faz-se ao contrário.
As entidades e poderes regionais existem. Têm pouca autonomia financeira mas é por onde circula grande parte do investimento público. São fáceis de diagnosticar um conjunto de interesses em que se movimentam e, porque não, um fiel depositário do que é o bloco central de interesses.
Se o poder regional fosse eleito não terminariam os caciques mas, pelos menos, seria democrático e teriam de responder de uma forma menos altiva às populações. Daí estar certo que teríamos muito a ganhar.

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