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Antes de 2017, Mação era um concelho modelo no que diz respeito à prevenção e preparação para o combate aos fogos. O município havia investido muito em planos e na sua implementação que, na verdade, foram um sucesso. No devastador incêndio que lavrou no concelho, creio que uma semana depois do malfadado incêndio de Pedrogão, não morreu ninguém. Os caminhos de combate ao fogo estavam mapeados, trilhados e bem indicados para as corporações de bombeiros que vinham de todo o país e não conheciam o território. Com o dinheiro investido, poupou-se casas e, sobretudo, vidas.
Como consequência de políticas centralistas que têm dificuldade em ver o território além de uma colónia de férias e governos regionais controlados por aspirantes a governantes nacionais, as poucas casas afectadas não beneficiaram dos apoios do Estado. O incêndio não havia ganho as proporções dramáticas que motivasse estar inscrito na agenda mediática.
Passados dois anos o concelho de Mação está novamente em chamas. Ainda que as medidas preventivas tenham poupado território e vidas este caso também demonstra quão questionáveis e inaptas são as estruturas regionais que temos na determinação e organização do território. É também por isto que é necessário voltar a inscrever na agenda política a regionalização para suplantar definitivamente as estruturas de poder regional existentes que são pouco mais do que delegações governamentais dominadas por caciques sem qualquer fiscalização ou controlo democrático.

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9 comentários

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De Ricardo Abreu a 22.07.2019 às 09:57

"Antes de 2017, Mação era um concelho modelo no que diz respeito à prevenção e preparação para o combate aos fogos." A realidade veio a demonstrar que em pouco ou nada será diferente dos restantes. Enquanto existir grandes massas de "carga térmica" para o fogo consumir haverá sempre grandes incêndios.
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De Luís Lavoura a 22.07.2019 às 12:00

É curioso verificar que, enquanto no concelho de Mação há imensos e dramáticos incêndios, no concelho de Idanha-a-Nova quase não há incêndios.
Por quê esta diferença? Talvez porque no concelho de Mação toda a terra é utilizada, basicamente, para crescer árvores, enquanto que no concelho de Idanha-a-Nova toda a terra é utilizada, basicamente, para pastorear cabras e ovelhas, com cujo leite se produz queijo. O resultado é que em Idanha-a-Nova praticamente não há mato, o qual é todo consumido pelos ruminantes, enquanto que Mação está toda coberta de mato.
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De Ricardo Abreu a 22.07.2019 às 22:04

Problema resolvido: "Desde 2017, Idanha-à-Nova é um concelho modelo no que diz respeito à prevenção e preparação para o combate aos fogos."
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De Vorph Valknut a 22.07.2019 às 11:22

Ontem vi, com os meus olhos, o que a minha vergonha julgava não ser possível voltar a ouvir. As mesmas desculpas, a mesma gente. Já não tenho força, nem vontade para a indignação. Fiquei absurdado, abasurdido, sem força para disparar qualquer invectiva. Não, Tiago, isto nada tem a ver com a regionalização, ou a falta dela. Tem a ver com o feitio do país, com a forma como o levamos e nos tomamos uns aos outros.

Quanto à regionalização, apenas potenciaria ao quadrado o caciquismo do Poder Local.
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De Vorph Valknut a 22.07.2019 às 11:25

Falando com um responsável da Autoridade Civil Galega foi-me dito que o Exército espanhol anda permanentemente nos bosques galegos (inclusive de noite). Aliás, basta viajar pela Galiza e ver a reduzidíssima área ardida quando comparada com a do Norte do País.

O resto são palavrinhas, como bolas de sabão.
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De Diogo Noivo a 22.07.2019 às 11:40

Bem-vindo ao DO, Tiago.
Quanto ao 'postal', nada tenho a dizer sobre o diagnóstico, mas a terapêutica que propões suscita-me muitas dúvidas. A regionalização suplantará as estruturas de poder regional existentes, sim, substituindo-as por outras. Nada nos garante que as novas estarão isentas de caciquismo e de ineficiência. Em teoria, ao serem mais autónomas e mais robustas no plano financeiro, as novas estruturas podem até ser mais férteis em desmandos.
Aliás, olhando para o país vizinho, cuja política territorial é altamente descentralizada (são vários os constitucionalistas que consideram que Espanha se pode transformar em federação sem para isso necessitar de revisão constitucional) em muitas comunidades autónomas encontramos réplicas perfeitas dos vícios, bloqueios e ineficiências que, com razão, criticas em Portugal.
Discutamos a regionalização, mas não me parece que o combate ao caciquismo seja um argumento válido.
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De Tiago Mota Saraiva a 22.07.2019 às 16:41

Obrigado pelas tuas palavras de boas vinda Diogo.
Quanto ao tema da regionalização é vasto e talvez merecesse mais aprofundamento, fora de um post sobre os incêndios. De qualquer forma, o meu raciocínio faz-se ao contrário.
As entidades e poderes regionais existem. Têm pouca autonomia financeira mas é por onde circula grande parte do investimento público. São fáceis de diagnosticar um conjunto de interesses em que se movimentam e, porque não, um fiel depositário do que é o bloco central de interesses.
Se o poder regional fosse eleito não terminariam os caciques mas, pelos menos, seria democrático e teriam de responder de uma forma menos altiva às populações. Daí estar certo que teríamos muito a ganhar.
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De Carlos Gonçalves a 22.07.2019 às 16:01

Mais Jardins e Césares, NÃO, obrigado!
A pretexto nenhum.
Os tartufos que nos parasitam excedem em muito tudo aquilo que podemos pagar. Chega, tenham juízo, por favor.
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De Francisco Sousa a 24.07.2019 às 20:19

A diferença é que apesar de não gostar desses, foram eleitos! E não nomeados como os do Continente! E há uma grande diferença, foram presidentes de Regiões Autónomas! Aqui fala-se em regiões administrativas, bem diferente!

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