Luís Fernando Veríssimo já foi

Foi com tristeza que recebi ontem a notícia da morte de Luís Fernando Veríssimo, cultor do aforismo, da crónica, da narrativa em formato curto. Com um sentido de humor amável e quase terno, sem confundir sentido crítico com grosseria ou vulgaridade.
Há 20 anos lia com imenso gosto os seus textos e comprei até vários livros que publicou, como Sexo na Cabeça e Comédias para se ler na escola. Tal como 20 anos antes tinha sido leitor compulsivo dos romances do seu pai, o grande Érico Veríssimo. Mestres da língua portuguesa, cada qual no seu registo.
Posso estar enganado, mas creio que ambos andam hoje esquecidos. A literatura vive muito de vagas, está sujeita a flutuações de gosto ao sabor das modas de ocasião. Talvez este tempo seja pouco propício ao tal humor afável e polido de Luís Fernando, em contraste absoluto com o extremismo sem a menor graça que nos invade o quotidiano.
A triste notícia deu-me vontade de revisitar os livros dele. Hei-de evocá-los aqui: devo-lhe isso, como leitor antigo. E devo-o a mim mesmo, em memória melancólica de um tempo que já passou.
Nada melhor, como despedida, do que recordar aqui algumas das suas frases mais argutas e marcantes:
«Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.»
«Resignemo-nos à ignorância, que é a forma mais cómoda de sabedoria.»
«Conhece-te a ti mesmo, mas não fiques íntimo.»
«O mundo não é ruim, só está mal frequentado.»
«Não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado.»
«O futuro era muito melhor antigamente.»
«Você só sabe até onde pode ir quando já foi.»

