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Lugares vazios (2)

por Maria Dulce Fernandes, em 21.11.20

A única cor vem do céu e do mar. O colorido continua triste e esbatido. Cor é movimento. Cor é som. Cor é o calor humano de que se despiram todos os lugares vazios.
Poucos turistas pontuam pelas ruas, salpicos escuros no tecido em tons embaciados dos recortes vibrantes da cidade na linha do horizonte.
Só o barulho das máquinas e dos motores desperta os transeuntes, os caminheiros de ocasião que debaixo de um sufocante sol de Inverno, se passeiam pela cidade despida e atravessam em passo arrastado todos aqueles lugares vazios.

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36 comentários

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De Miguel a 21.11.2020 às 12:32

Esperemos que as Recordações do Futuro nos façam Esquecer
os Lugares vazios que o Vírus nos Obriga assim a Ver!
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 12:37

Acredito que sim Miguel. Todas as memórias são boas e nos preparam, com tristeza ou alegria, pars os dias que estão para vir.
BFS.
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De Miguel a 21.11.2020 às 14:23

Obrigado, que seja um Melhor Bom Fim de Semana Possível para Todos Nós!
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De Anónimo a 21.11.2020 às 14:30

Eu sei que não é politicamente correto por motivos óbvios, mas tenho descoberto a minha cidade nestes últimos meses! E que maravilha.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 15:23

Eu pensava exactamente assim: Estava farta de gente. Muita gente gera confusão e até mal-estar; como eu gostava que debandassem. Em 2020 a minha cidade e os lugares que visitei estão praticamente desertos. E tristes. E à beira de uma total falência, tanto a nivel social, como económico ou mesmo espiritual. Tem locais em que a atmoferia exuda infortúnio, calamidade , como num daqueles fimes pós apocalípticos em que sobrevive apenas uma manchria de gente que se arrasta pelos lugares vazios.
O vírus ensinou-nos que precisamos um dos outros e que a almejada solidão quando alcançada, torna-se rapidamente esmagadora demais.
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De Anónimo a 21.11.2020 às 16:58

Pena ser pela razão que é, Maria Dulce, mas de certeza que Lisboa agradece que a deixem respirar e despoluir um pouco...
Belas fotografias, e sem montes de cabeças (e corpos) à frente da lente :-)
Esperemos que passe rápido e que tudo volte ao 'inferno habitual', aliás, é a única coisa que podemos fazer...
Beijinho e bom fds.
🌾🍁
Maria
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 17:15

É verdade Maria. Sempre fui muito fundamentalista quanto ao desgaste a que o turismo desregrado sujeitava os monumentos nacionais, sabendo que em muitas outras cidades euripeias o número de visitantes era controlado diariamente.
O que vejo em Lisboa é o oito do meu oitenta. Culpo quem insiste em não cumprir. Posso não gostar, mas isto não é uma anarquia. Temos que respeitar as regras, para termos país para viver, mas principalmente pela nossa saúde.
BFS Maria🥀🍂🍂
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De Anónimo a 21.11.2020 às 19:08

Totalmente de acordo consigo !
E os monumentos nacionais tem sofrido estragos por total irresponsabilidade e incúria das autoridades competentes, temos o exemplo do convento de Tomar e os estragos que fizeram ao património com filmagens de explosões, de estatuas derrubadas em museus e até no Rossio...etc.
É uma dor de alma!
E temos que dizer "isto não é o da Joana"
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 19:30

Curiosamente um dos meus primeiros escritos aqui no Delito, creio que ainda como convidada, foi exactamrnte sobre "O Homem que Matou D. Quixote" de Terry Gilliam, e de toda a barbárie que aconteceu no Convento de Cristo relatada pelos funcionários , em nome de um chorudo cachet que convinha engrossar substancialmente. Destruição de muros, queima de árvores centenárias, um sem número de atrocidades.
Sempre achei que em certas ocasiões, ser subserviente é uma cobardia.
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De Miguel a 21.11.2020 às 22:29

O Problema, ou a Causa da Poluição e das fotografias não são os "...montes de cabeças (e corpos) à frente da lente...", as Boas Fotos, também se fazem de Olhares e Multidões!
O Problema é o que nos Movimenta dentro desta "Bola de Azul Cristal", cada vez mais Frágil, os Gases Libertados por Aviões, Barcos, Carros e toda a Indústria, só que Parar mesmo Tudo e Regredir a um Passado Sem a Industrialização é Impossível, está Tudo Demasiado Enraizado nas Nossas Vidas. É-nos mais Cómodo e Fácil Viver com Tudo, que Sem Nada, Não dá Agora para "Passar de Cavalo a Burro", Atualmente seria Mais o Voltar a Andar de Cavalo e Burro, porque mesmo os Carros Elétricos que Hoje Bem-dizemos, tem de ser Produzidos por Indústrias Poluentes, e no Fim de Vida destes Carros, os Resíduos das Baterias iram Poluir, e a Reciclagem Nunca será Total...
Estamos num Beco sem Saída, e ainda por cima Temos um Vilão que nos Persegue, um Vírus, quiça Causado também pelo Aquecimento Global!?
O Problema não Somos Nós Pessoas, mas o que Fazemos na Nossa "Grande Casa Azul".
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De Anónimo a 22.11.2020 às 12:43

O problema é claro que somos nos!!!
Até as milhares de bufas que largamos nos museus são parte activa na degradação dos quadros expostos.
O ser Humano é um composto de poluição e a sua libertação está no estragar as coisa belas.

António Santos
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De Miguel a 22.11.2020 às 13:13

Não só o Ser Humano Liberta Gases, Todos os Animais o fazem, e as Plantas fazem o que Podem para Limpar esses Gases. De Qualquer Maneira, a Maior Parte dos Gases Libertados, Provêm da Nossa Atividade, da Nossa Movimentação, não a Pé, mas da Evolução que a Industrialização nos Deu! As Máquinas são o Principal Responsável, mas também Não Podemos Voltar ao Passado antes Delas! Temos que Esperar os Avanços da Ciência, para Eliminar os Erros do Passado!
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De Maria Dulce Fernandes a 22.11.2020 às 13:21

A atmosfera está cheia de agentes poluidores e oxidantes. A solução passaria por ambientes controlados, Miguel.
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De Anónimo a 22.11.2020 às 14:50

Existem detectores de flatulência, e já não me lembro qual país quis implementar tais medidas, mas por exemplo o Brasil tem um aplicativo para iPhone que cria um sensor de "pum".
Mas países como o nosso de parcos recursos a solução é mesmo a rolha no dito.
Julgo que o Pavilhão do conhecimento teve este ano uma exposição sobre a importância dos intestinos.
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De Anónimo a 22.11.2020 às 14:58

Toda a beleza esta na natureza, que é um habitat perfeito, o homem é apenas um parasita da destruição.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.11.2020 às 13:18

As coisas belas feitas pelos homens, se estiverem que estar trancafiadas para se protegerem da degradação provocada pelos próprios homens, deixam de ter beleza , pois o que não pode ser apreciado, morre na memória das gerações. Tornam-se uma data de "lixo" maravilhoso, porque perdem o valor estético, por muito muito valior pecuniário que possam ter. Só depende dos homens a sua preservação para a posteridade, António.
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De Miguel a 22.11.2020 às 13:37

E nos Museus, Arte e Memórias, Sofrem a Degradação dos Tempos, não só por Flash de Câmaras de Humanos, mas também por todo o Tipo de Insectos, Microorganismos, mesmo até o Ar que Respiramos, e inclusivé a Humidade dos Solos onde muitos Monumentos estão Situados! E depois há Todo um Tipo de Catástrofes que não Podemos Controlar, Sismos, Inundações, Incêndios, Guerras, e que temos como Exemplo do Passado e da Destruição Provocada.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.11.2020 às 14:08

A falta de uso e manutenção, como nos edifícios devolutos, também provoca apodrecimento, corrosão e derrocadas , por exemplo.
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De Anónimo a 22.11.2020 às 17:08

Caro Miguel,
Não sendo eu foto jornalista, e gostando de fotografar monumentos ou paisagens, prefiro não ter cabeças ou corpos à frente da lente. Também gosto de fotografar pessoas mas com o consentimento delas. Eu sei que há pessoas que gostam de fotografar desconhecidos, alguns até de costas, e expô-los nos blogs, mas isso não me parece correcto. Detestaria que o fizessem comigo.
Claro que eu sei minimamente o que causa poluição e como é um processo quase irreversível, quase, mas que pode ser melhorado em muitos casos.
Mas o que se trata aqui é apenas constatar que algumas tardes com poucas pessoas e carros nas ruas ajudam a melhorar um pouco a qualidade do ar de uma cidade.
E a piorar outras coisas, eu sei: é a velha história dos prós e contras.
Apenas isso
De resto, a máquina está em movimento e nós (os Sapiens) só vamos parar quando transformarmos o Pale Blue Dot num enorme buraco negro!
Pois se nem nas coisinhas mais insignificantes conseguimos chegar a um consenso...

Bom entardecer, Miguel.
🌄
Maria
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De Miguel a 22.11.2020 às 22:15

Boa Noite Maria,
Consigo Aceitar as Suas Opiniões, assim como também Aceita as Minhas, Somos Livres de as Ter e Partilhar, ainda que não tenhamos um Total Consenso, Não Pensamos Todos da Mesma Forma, Existem Vários Ângulos e Distâncias para Ver um mesmo Ponto, como seja Ver a Terra como um Pale Blue Dot a Curta Distância ou como um Grão de Areia visto num Planeta a Anos Luz de Distância. A Terra será Sempre a Mesma, só Muda o Ponto de Vista, e Ambos são Aceitáveis.
Espero que Nunca cheguemos ao Ponto de Transformar a Terra num Buraco Negro Literalmente e que seja pela nossa Ação! Porque quando penso que Manipulamos Partículas Atómicas em Aceleradores de Partículas Gigantes, como é o caso do CERN, penso: Será que sabemos mesmo o que estamos a Fazer!? E se houver ali Uma Falha?
Para Além da Nossa Extinção que é Quase Certa, Espero que a Terra, se Desaparecer, que não o seja por Qualquer Ação Nossa!

Boa Noite Maria, Obrigado pelas Suas Palavras!
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De Miguel a 21.11.2020 às 22:31

https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/epidemias-sao-um-outro-risco-do-aquecimento-global-o-nosso-maior-inimigo-e-nossa-propria-ignorancia-porque-a-natureza-esta-cheia-de-microorganismos
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De Maria Dulce Fernandes a 22.11.2020 às 10:36

Acredito que haja muitas "Caixas de Pandora" espalhadas pelo mundo, cheias de microorganismos selados no vácuo dos tempos, Miguel.
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De Miguel a 21.11.2020 às 15:13

Ele Há também Outros Lugares Vazios, Parados no Tempo, Abandonados, em Ruínas, Lugares que o Progresso apagou a Vida que Outrora Fervilhava... Ainda assim, Alguns Renascem para a Modernidade, Outro Exemplo não por causa de um Vírus, mas talvez pelo Esquecimento. https://videos.sapo.pt/6HjzR2yZw1NGOV25LCUs
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 17:25

Imagine ums estação de comboios cheia de bulício, de gentes nas idas e vindas dos seus afazeres e acabar devoluta. Pode ser que, um dia, nasça ali algo que faça a diferença, Miguel.
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De Miguel a 21.11.2020 às 17:43

Talvez um Dia seja Verdade, assim Haja Vontade e Poder de Iniciativa para o Fazer Acontecer.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 20:34

O Liceu da Rainha D. Amélia em Lisboa, que eu frquentei até acabar o curso complementar), encerrou há bem 20 anos ou mais e estava uma ruina. Está a ser recuperado para hotel-museu ( coisa moderna). Mais um hotel, pesamos nós, mas podemos pelo menos alegrar-nos dz recuperação.
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De Miguel a 21.11.2020 às 21:39

Sim, porque a Inércia, Nunca será uma Solução para Nada, muito Menos para Dar uma Nova Vida ao Passado! Uma Nova Esperança! Um Futuro!
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De Anónimo a 22.11.2020 às 17:18

Estive lá quando era o D. Leonor, mas já falamos nisso há tempos, lembra-se?
Será que é desta?
🌾🍁
Maria
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De Maria Dulce Fernandes a 22.11.2020 às 23:02

Lembro, claro!
Há um grupo no FB, Antigas Alunas do Liceu da Rainha D. Amélia, que tem fotos do antes e do durante as renovações, porque ainda não acabram. Se quiser dar uma espreitadela.
Beijinho💐
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De Miguel a 21.11.2020 às 15:34

https://videos.sapo.pt/JrEfc6JzZopZbR7DGl8P
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De Carlos Sousa a 21.11.2020 às 15:39

" O egoísmo é a única filiação a todas as cores e credos ".
Depois de criticar os ajuntamentos e ajuizar moralmente todos os que se opõem a estas medidas draconianas do governo, gostava de lhe fazer uma pergunta.
Estas fotos foram tiradas por quem, quando todos estavam obrigados a estar em casa? Ou o dever de confinamento é só para os outros?
Bem prega frei Tomás...
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 16:04

Exactamente. Todos estão a cumprir emergências e distâncias de segurança. Não foi decretada a reclusão obrigatória à 6a feira à tarde, Carlos Sousa. Só obtusos e desinformados não se apercebem que as imagens não são de hoje.
Só a gente mesquinha demais não confrange ver a cidade deserta. Para haver gente, as pessoas não precisam andar em molhadas. E sem máscaras. Só têm que CUMPRIR A LEI!
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De Carlos Sousa a 21.11.2020 às 16:53

Lá está a contradição. Quer que cumpram a lei, mas depois é confrangedor ver a cidade deserta.
Não questiona a lei, apesar de absurda, mas questiona aqueles que questionam a lei.
Porque é que há de haver sempre esta tentativa de superioridade moral, será que não somos todos iguais?
A emoção que você sente ao fotografar uma rua deserta não será igual à emoção de quebrar uma lei absurda?
Acho que não devemos ser tão lestos a criticar os outros apenas e só porque não agem da mesma maneira que nós.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.11.2020 às 17:04

A cidade está deserta devido à pademia. Os de cá , os que vinham de visita, os que enchiam a cidade de cor não vêm. Estão eles próprios encerrados no seu cumprimento tardio da lei, que foi a consequência de tanta restrição. Se tivessem levado a pandemia a sério e não se arvorassem em egoístas detentores da verdade, talvez não houvesse tantos lugares vazios, Carlos Sousa.
BFS. Estamos conversados

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