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Livro é para ler e não para ter

por Pedro Correia, em 22.07.20

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Parece que é, de momento, a professora mais conhecida do País. Chegou a ter 400 mil pessoas a segui-la em directo nas «lições de Português» da nova telescola e «passou a rivalizar nas audiências com a CMTV e o Programa da Cristina», como nos informa o Expresso, que lhe fez uma longa entrevista na edição do último sábado. Isa Gomes, docente do 1.º ciclo na Moita, não gosta da expressão «dar aulas e ensinar» e gostaria de «ir mais ao encontro daquilo que dizem os miúdos, os relatos orais, o que são suas próprias concepções», sem que a leitura e a escrita não estivessem «tão dependentes de um manual».

Eu nem sabia quem era, só agora a senhora me foi apresentada nesta entrevista. Admito que as lições de Português desta professora a quem criticam o «uso excessivo do "OK" no final das frases» sejam admiráveis. Nada admirável é, no entanto, a sua assumida falta de militância na leitura. Questiono-me até como pode uma docente do ensino básico ser apresentada como figura de referência quando, confrontada com a banal pergunta «O que anda a ler?», responde assim: «Não sou uma leitora. Nunca fui muito de ler livros, mas sempre adorei tê-los. (...) Estou a tentar ler os Contos de Cães e Maus Lobos, de Valter Hugo Mãe. Tenho de o terminar este Verão.»

 

Com exemplos destes, não admira que Portugal permaneça na cauda da Europa em matéria de hábitos de leitura: menos de um terço dos portugueses (32%) lê livros com regularidade, o que nos coloca muito atrás de Grécia (45%) e Espanha (47%), países que nos acompanham neste nada honroso pódio. Num continente onde o padrão médio de leitura se eleva a 60% - quase o dobro da cifra portuguesa.

Espero sinceramente que a professora agora célebre consiga terminar nos próximos dois meses o tal livrinho que anda a ler sem entusiasmo algum - e que consiga abrir outro até ao fim do ano.

Espero também que os alunos não sigam o exemplo dela. Um livro é para ler e não para ter.


120 comentários

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De Robinson Kanes a 22.07.2020 às 12:05

Porque é que ultimamente todas as "vedetas" se revelam autênticas santolas sem conteúdo? Já nem o ensino e a cultura escapam... Alegres e contentes os que vivem na cauda... É que muitos se saltam dela, e dos "colinhos" vão lavar escadas no 4e arrondissement.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:07

Esta senhora não chega bem a vedeta. É um epifenómeno a que o 'Expresso' dá palco talvez por estarmos no Verão e haver falta de melhor assunto. Com bastante falta de critério e uma inaceitável falta de exigência.
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De Pedro Correia a 23.07.2020 às 17:25

E sem a menor capacidade crítica.
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De jpt a 22.07.2020 às 12:08

é professora de português? Inacreditável ... Vi uns cabeçalhos sobre o assunto, até imaginei escrever algo sobre o assunto, contextualizando a coisa, pois julguei-a professora de ciências (e associando a leitura à leitura de textos de literatura ficcional/poética, o que é comum nestas perguntas de algibeira). Agora sendo assim isto é totalmente devastador, inenarrável.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 12:25

Sendo professora do ensino básico, é pluridisciplinar por definição. Mas o 'Expresso' especifica que «as lições de Português» desta senhora «bateram recordes de audiências e tiveram êxito junto dos mais novos».
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De jpt a 22.07.2020 às 12:55

pois, ensino básico ... Enfim, devastador, e repito-me
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De Anónimo a 22.07.2020 às 15:10

Concordo: é devastador e triste!
E parece que ela só está a dizer o que sente, o que ainda me entristece mais...
Curiosamente, li há pouco num blog (prosimetron) que hoje é o dia mundial do cérebro; saíu um marcador comemorativo que diz:
O livro é o melhor amigo do cérebro.
E eu continuo a concordar.
🌻
Maria

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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:08

Também eu, Maria. Parece-me algo inquestionável. Alguns milénios de civilização comprovam isso.
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De Paulo a 22.07.2020 às 13:53

Não, Pedro. É "pluridisciplinar" no que diz respeito ao 1.ºCEB. Não aos 2.º e 3.º ciclos.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:30

Não sei a que ciclo(s) a senhora lecciona. O 'Expresso' não especifica, pensando talvez (erradamente) que toda a gente a conhece.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:34

Na entrevista, ela fala em crianças de seis anos. Não sei se serão alunas dela.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 16:54

Uma professora básica no ensino básico, só pode resultar em alunos básicos. Esta prática de não dar aos alunos que começam a despertar para a vida a mais pequena noção da necessidade de trabalhar para aprender e depois para viver, reflecte-se no nível cultural dos nossos universitários que nas suas muitas festas exprimem o primarismo cultural. Por isso é dantes se dizia « quem não lê, chapeu« Depois as universidades formam grandes crânios robotizados. Isto anda tudo ligado.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 19:46

Pois. Os meninos começam desde muito pequeninos a ser deseducados com tais exemplos.
Aqueles mais desfavorecidos, que não têm a sorte de receber educação (e instrução) em casa, ficam moldados nestes "valores": ler é uma chatice, interessa é a "oralidade", mandem o esforço às malvas, os livros servem só para decorar a sala.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 23:20

Um livro é o melhor amigo, um livro ensina-nos, um livro distrai-nos, um livro faz-nos pensar e pensar dá muito trabalho, pensar obriga-nos a colocar questões a nós próprios, mas é muito mais fácil sermos formatados pelos vendedores de opinião e vivermos numa realidade virtual.
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De Paulo a 23.07.2020 às 16:59

Que comentário idiota
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De Pedro Correia a 23.07.2020 às 17:25

Qual comentário, idiota?
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De Anónimo a 22.07.2020 às 12:32

Não vejo nada de mal. Se a senhora não gosta de ler, tem o direito de ter esse gosto. Eu também há muitas coisas de que não gosto.

Em particular, não gosto de Valter Hugo Mãe. Se a senhora não o quiser ler, acho que não lhe fará falta nenhuma, tal como não me faz a mim.

Ler tomances é basicamente uma forma de entreteimento, de passar o tempo. Umas pessoas gostam de se entreter dessa forma, outras preferem outros entretenimentos. Cada qual é como cada quem.

Gostos não se discutem. Sejamos liberais e deixemos as pessoas fazer aquilo de que gostam. Ninguém tem nada que andar a sentenciar o que são bons entretenimentos e o que não são.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 15:59

Ai isso é que temos a ver com a qualidade dos entretenimentos... ,ai isso é que temos!
Não pudemos ficar cada vez mais burros com o que nos impingem as TVS.
E nem à nossa terceira idade que precisa de entretenimento, pudemos entretê-los com meia dúzia de balelas! Ai isso é que temos que escolher quem temos á frente e se é fiável ...
-Ai isso é que temos!
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De Francisco Almeida a 22.07.2020 às 17:49

Concerteza que a senhora tem todo o direito de não gostar de ler. Acho que nem o autor do post nem nenhum comentador pôs isso em causa. A questão é saber se quem pura e simplesmente não gosta de ler, tem condições para ensinar jovens.
Há muitos - mesmo muitos anos - que me ensinaram que, saído do ambiente familiar pelos 6/7/8 anos os jovens necessitam de uma figura paternal e que, por mero equilíbrio psicológico sem qualquer preconceiro de sexista, o professor primário devia ser homem; tal como, por considerações semelhantes, as professoras de línguas estrangeiras deveriam ser mulheres.
Admito que a vida mudou e há hoje mulheres com percursos e perfis profissionais que podem substituir o mestre-escola, agora uma mulher que não gosta de ler, o que irá necessariamente ser transmitido aos seus alunos, mais do que um "handicap" parece-me uma verdadeira ameaça ao futuro dos alunos.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:11

À senhora ninguém nega direito algum. Inclusive o direito a ficar calada. Ninguém a obriga a dar entrevistas a jornais, muito menos sem a presença do advogado.
Qualquer declaração que faça pode ser sempre usada contra ela.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:10

Esta professora e o escritor Mãe estão bem um para o outro. Ela demora um Verão inteiro (pelo menos) a ler um livrinho dele. E ele não merece mais que isto.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 21:41

"Sejamos liberais e deixemos as pessoas fazer aquilo de que gostam. Ninguém tem nada que andar a sentenciar o que são bons entretenimentos e o que não são."

Que confusão de conceitos vai nessa cabeça. Dar uma opinião é coisa precisamente liberal.

Infelizmente para muitas pessoas discordar de alguma coisa implica logo uma lei para proibir essa coisa. Muitas ideologias funcionam assim, mas não o Liberalismo.

lucklucky
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De Anónimo a 22.07.2020 às 12:35

«Nada admirável é, no entanto, a sua assumida falta de militância na leitura.».

Espere quando começar a ouvir falar das "Teorias Críticas" da Gramática...

The English Department at Rutgers University recently announced a list of “anti-racist” directives and initiatives for the upcoming fall and spring semesters, including an effort to deemphasize traditional grammar rules.

One of the initiatives is described as “incorporating ‘critical grammar’ into our pedagogy.”

https://www.thecollegefix.com/rutgers-english-department-to-deemphasize-traditional-grammar-in-solidarity-with-black-lives-matter/

lucklucky
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:12

E o marxismo? Não detecta aí um vírus marxista qualquer?
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De Anónimo a 22.07.2020 às 21:46

De onde julga que aparecem as Teorias Criticas?

Tem que começar a actualizar essas leituras :)


https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_crítica
https://en.wikipedia.org/wiki/Critical_theory


lucklucky
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De Bea a 22.07.2020 às 12:45

Só ouvi falar da senhora aqui, hoje, agora mesmo. Mas, se teve muita gente a vê-la, é boa comunicadora. E pode saber da matéria que ensina sem querer ensinar:). Pena que dê um triste exemplo como leitora. Todos - ou muitos - vão pensar como ela, pode-se ser bom em alguma coisa sem ser grande leitor. E é que pode. É verdade. O que não se pode é ter grande cultura e ginástica mental. Talvez lhes falte flexibilidade mental para compreender e aceitar os outros e o mundo. A intolerância tem forte raiz em quem não lê.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 14:20

pode saber da matéria que ensina sem querer ensinar

Exatamente.

Pena que dê um triste exemplo como leitora

Ela não dá exemplo nenhum. Ela nas aulas que dá não é suposta exemplificar aos alunos como se lê. Nem é suposta dizer aos alunos se lê muito ou pouco, nem se lê com prazer ou sem ele. Ela disse que não lê numa entrevista, não numa aula.

pode-se ser bom em alguma coisa sem ser grande leitor. E é que pode.

Pois pode.
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De Bea a 22.07.2020 às 23:39

Tinha lido que foi numa entrevista que o disse. Mas não acha que os entrevistados ao darem a sua opinião estão também a ser exemplo?
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De Cecília a 22.07.2020 às 15:54

A intolerância tem forte raiz em quem não lê.


frase soberba, cara Bea
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De Anónimo a 22.07.2020 às 19:54

A frase até pode ser soberba, mas não corresponde à realidade. Ler muito não faz ninguém mais tolerante, basta olhar à nossa volta.
🌻
Maria
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De Cecília a 22.07.2020 às 20:19

Efetivamente o analfabetismo funcional é um problema sério nos dias que correm
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:14

Cada vez mais. Direi mesmo que é um dos grandes problemas do nosso tempo.
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De Isabel Paulos a 22.07.2020 às 18:39

Bea, percebo a sua ideia e gostava muito que a intolerância pudesse ser combatida com a leitura. Mas não concordo nada que a leitura dê garantias de criar gente mais tolerante.

Ao longo da vida conheci vários leitores compulsivos que são intolerantes e radicais.

E vá, uma maldade, há gente muito lida, que melhor fora não lesse tanto, por tresler mais do que lê.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:15

A questão, Isabel, é que de forma alguma podemos admitir que alguém que lecciona português comece por declarar que não costuma ler. E muito menos que tal pessoa seja apresentada, sem ironia, como um caso exemplar.
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De Isabel Paulos a 22.07.2020 às 22:54

Pedro, sim. Uma professora de português a desvalorizar a leitura é no mínimo caricato. Mas num tempo em que está na moda dizer que se lê - em que se vai às livrarias em busca de livros como quem compra vernizes ou arremessos de chavões -, acho alguma graça ver uma professora admitir que não está virada para ler.

Vi a professora Isa no programa do RAP. Uma pessoa muito descontraída e (como diz a Bea) boa comunicadora. Até achei possível que fosse boa professora. Hoje perguntei a uma professora reformada, com quarenta anos de ensino de português, se a tinha visto. Disse que viu duas ou três aulas e respondeu: as aulas eram feitas de quiqueriquis, mas como actriz não estava mal.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:58

Vá lá, tem esse mérito enquanto aspirante a actriz. Não posso pronunciar-me nesse aspecto concreto porque nunca a vi na pantalha e só soube da existência dela pela entrevista ao 'Expresso'.
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De Anónimo a 23.07.2020 às 08:37

Acendeu-se uma luzinha no meu cérebro com essa dos okays.
Não me lembro da cara da senhora, mas recordo que ao vigésimo ok em 3/4 minutos não aguentei mais.
Passei a ver algumas aulas de alemão (gostei da professora) e de espanhol (eram duas e também não desgostei).
Raramente vejo tv durante o dia e acabei por desistir.
🌻
Maria
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De Pedro Correia a 23.07.2020 às 17:24

Prefiro o 'Alô Alô' (de boa memória) ao 'okay, okay'.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:13

Verdade, Bea: «A intolerância tem forte raiz em quem não lê.»
Nem sempre, mas a tendência dominante é essa.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 22:54

Tendência dominante???

Onde é que vai buscar esses estudos?

A intolerância está em todo lado da parte de quem escreve, de quem lê, de quem não lê....

Francisco Esteves
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De Pedro Correia a 23.07.2020 às 17:23

Maior, sem dúvida, a intolerância de quem não lê.
Desde logo, tem intolerância aos livros. E aos leitores. E às bibliotecas.
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De Maria a 22.07.2020 às 13:15

Fiquei estupefacta qdo li a entrevista da dita prof de português.

Enfim, por onde caminha o ensino?

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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:35

Pensei o mesmo. E senti logo vontade de escrever o que escrevi.
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De Maria a 22.07.2020 às 14:50

Ainda bem que o fez.
Está excelente!
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:16

Grato, Maria. E parabéns por esse avatar, muito refrescante.
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De Maria a 22.07.2020 às 21:41

A praia da minha infância. Sempre deserta, dizia-se ser favorita dos tubarões. Nunca vi nenhum .
Esqueceram o mito e foi o fim, passou a ser a favorita do homem, perdeu o encanto.:)

Boa noite
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:42

Os piores tubarões, por vezes, são os tubarões humanos.
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De Maria a 22.07.2020 às 21:51

Não duvide. Deram cabo dela.
Tinha dunas fabulosas,.
Em criança rebolavamos por elas até quase ao mar.
Hoje, tem escadas!
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:24

Tem acontecido, infelizmente, com várias praias portuguesas.
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De Trigueiros a 22.07.2020 às 16:22

Julgo que uma coisa não tem nada a ver com outra. Ter ou não ter o hábito de leitura não significa nada em termos de capacidade de ensinar.

Um bom professor é aquele que torna a matéria que lecciona o mais interessante possível de modo a cativar os alunos(se numa sala de aulda conseguir cativar 15 dos 30 é óptimo) Isso é o verdadeiro ensino.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 17:28

O "verdadeiro ensino" é transmitir às crianças o "valor" do ter? Vale mais "ter livros" do que ler livros?
Olhe que não, caro Trigueiros, olhe que não.
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De Trigueiros a 22.07.2020 às 22:41

Ensinar é transmitir o gosto do que se ensina a alguém (neste caso a alunos). E pelos vistos essa senhora consegue fazer, algo que nem todos os professores ou formadores o conseguem.

Não podemos é colocar as competênicas da senhora em causa, ou mesmo o ensino em causa por uma frase (concordo que tenha sido infeliz da senhora).

Era esse o meu ponto.

Nota: Não li a entrevista pelo que o meu comentário cinge-se apenas a esta frase.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:55

Não ponho em causa as competências da senhora. Nem sequer por costumar concluir todas as frases pela interjeição "OK".
Neste aspecto em concreto, relativo à leitura, considero que é uma declaração de incompetência. E pasmo pela aparente incapacidade dela para perceber isso.
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De Maria a 22.07.2020 às 19:33

Desculpe, Pedro usar o seu blog para responder ao anónimo.
Mas sei que compreende o meu "abuso":)


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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 19:39

Fez bem, Maria. Parece-me, aliás, que este "anónimo" é um nosso velho conhecido. E o adjectivo velho, aqui sim, tem pleno cabimento.
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De Maria a 22.07.2020 às 19:53

Ainda bem que me compreende, Pedro.

Cabe na perfeição, o dito adjectivo.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 21:17

Tiro destinado a fazer ricochete. Só não causa dano por ser de pólvora seca.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 15:57

É caraterística dos velhos, como a Maria, deplorarem e interrogarem-se sobre as coisas novas que vão vendo. Em particular, é sua caraterística criticarem os novos, como se eles, velhos, soubessem tudo e fossem donos da verdade.
Também o meu pai, velho, me criticava por eu não saber de cor todos os afluentes da margem esquerda e todos os afluentes da margem direita do Douro, do Tejo e do Guadiana.
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De Maria a 22.07.2020 às 17:42

Caro anónimo, qual a relação entre nao ler e saber os afluentes dos rios?
-
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:25

Ele está envergonhado, portanto respondo eu por ele: nenhuma.
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De Maria a 22.07.2020 às 22:59

:).

Respondeu ao outro comentário que fiz, mais completo, com um sapinho com corações nos olhos.
Deve ter achado que foi um pouco agreste na abordagem e brindou-me com o sapinho.




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De Anónimo a 22.07.2020 às 23:51

Olá homónima,

Posso estar enganada, mas acho que aquele comentário agreste era para esta velha Maria (moi!) e não para si.
Coitado, ficou baralhado com tantas Marias, deve ter-se esquecido que está na terra delas. Agora resta-lhe ir alinhar os chakras, chorar a perda do campeonato e ser mais cuidadoso nos próximos comentários, se for capaz...
🌻
Maria
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De Maria a 23.07.2020 às 00:27

Olá Maria, estranhei uma entrada tão agreste, para um comentário tão singelo, como foi o meu, havia-os muito mais completos e "na mouche" .

Coitado, esta baralhado com o desgosto .

Há dias confundiram-me consigo. E ja sei porquê, a Maria usa um girassol na assinatura e eu uma rosa.
Maria⚘:).



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De Isabel Paulos a 23.07.2020 às 12:17

Ah, essa coisa de assinar com flores induz em erro os incautos.
Há dias quem as confundiu fui eu, mas sem agruras.
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De Anónimo a 23.07.2020 às 14:51

Isabel, até eu já estou a ficar baralhada
Durante uns tempos assinei com uma rosa 'samsunguiana', depois mudei de télélé e entrei na fase van Goghiana.
No Blogger tenho uma esteva e há quem me chame Maria das Estevas.
Isto de me chamar Maria não está a ser nada fácil
🌻
Maria
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De Isabel Paulos a 23.07.2020 às 16:33

Gosto de Maria só e Maria das Estevas é bem bonito.

Sinta-se acompanhada. Desde que regressei a estas lides reparei na especial queda das Isabéis pela blogosfera. Cá nos entendemos todas, como as Marias (que também sou).

🍷🍷Tchin Tchin (vantagem da Huawei sobre a sapo).
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De Anónimo a 23.07.2020 às 16:52

🍷🍷Tchin Tchin, Isabel.

🌻
Maria


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De Maria a 22.07.2020 às 19:30

Caro anónimo,
Há pouco respondi ao seu comentário de modo apressado, pois os meus dedos de velha não sao mto ágeis no teclado do tlm.
Ao meu comentário:
" Fiquei estupefacta qdo li a entrevista da dita prof de português.
Enfim, por onde caminha o ensino?"

Debita acerca do desconhecimento dos rios e seus afluentes, mero ato de memorizar. Certamente seu pai ter-lhe-á falado da importância de ler e nao se lembra porque neste momento so está interessado em criticar os velhos.
Ler é fundamental. Enriquece o vocabulário, evita erros de ortografia e ficamos certa/ mais ricos de saberes.
Por isso questiono o rumo do ensino, qdo uma professora diz que não lê. Que raio de exemplo está a dar aos seus alunos?
Podia escrever , com conhecimrnto, do rumo que leva o ensino, mas vou ler, que tenho um excelente livro à minha espera..
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De Anónimo a 22.07.2020 às 21:52

"Também o meu pai, velho, me criticava por eu não saber de cor todos os afluentes da margem esquerda e todos os afluentes da margem direita do Douro, do Tejo e do Guadiana."

Os afluentes não têm que ver com a gramática que é uma fundação da escrita e da leitura.
Você fala da cor da janela enquanto a professora coloca em causa as fundações da casa.

lucklucky



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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:22

Saber os afluentes do Tejo e do Douro é uma questão de cultura geral. Milhares de pessoas sabem os nomes desses afluentes. Qual é o problema?

Fazer gala de ignorância é típico destes tempos: dantes os ignorantes procuravam ser muito discretos por terem a noção do ridículo; agora pavoneiam-se na internet. E alguns até têm "muitos seguidores".
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De Francisco Almeida a 23.07.2020 às 00:32

"Saber os afluentes do Tejo e do Douro é uma questão de cultura geral."
É bem mais do que isso.
Memorizar os afluentes - obviamente depois dos rios - as serras e melhor as estações de caminhos de ferro, eram uma maneira de implantar uma geografia que ficava para o resto da vida.
Da mesma maneira que saber declamar os Reis de Portugal é uma maneira de implantar uma cronologia.
E cantar a taboada outra maneira de nos preparar para tomar decisões rápidas em tudo o que inclua valores ou preços.
Bem sei que hoje todos têm umas maquinetas com GPS, acesso aos Google Maps e calculadoras incorporadas mas quando os meus filhos, todos com cursos superiores, por lhes parecer mais fácil, me perguntam quantos quilómetros serão de X a Y ou se Z fica no Alentejo ou na Beira Alta ou se a batalha de Atoleiros foi na guerra da Restauração, fico triste.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.07.2020 às 11:27

Concordo, Francisco Almeida! Quem hoje diz que "empinar" não é aprender, provavelmente não sabe a tabuada, por exemplo. A verdade é que até à 4a classe as crianças tinham uma formação cultural-geral bastante sólida. Só para o que interessava? Talvez, mas aprender a situar-se no tempo e o espaço foi fundamental. Ainda hoje é.
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De Pedro Correia a 30.07.2020 às 11:46

Educar é também ensinar a memorizar - ou seja, treinar e ginasticar a memória. É o que acontece nos sistemas de ensino mais bem-sucedidos do mundo. Em Singapura ou na Coreia do Sul, por exemplo. Ali não existem quaisquer complexos relativamente a isto. Com os resultados que estão à vista.
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De Anónimo a 23.07.2020 às 00:56

A importância da leitura:

É saber ler numa casa sem janelas, imaginando todos os afluentes....

Maria
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De Pedro Correia a 23.07.2020 às 17:22

Tal e qual. Pena certas professoras de Português desconhecerem isso.
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De Maria Dulce Fernandes a 31.07.2020 às 15:24

Ainda sou do tempo da Biblioteca de Turma, Ensino Preparatório, 11 anos de idade.
Uma série de livros , uns dez ou doze, não mais, circulavam pela turma todos os inícios de quinzena. O objectivo era ler um livro que nos calhasse em sorteio e fazer uma redacção interpretativa sobre essa mesma leitura.
Li no primeiro ano, assim de repente, O Principezinho e os 4 livros da adaptação de Mulherzinhas e sequelas por Maria Paula de Azevedo. Li outros, mas destes gostei mais, acho.
Havia também tempo para debater as leituras , que era muito interessante, porque nos dava oportunidade, abertura para dialogar e voz.
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De Pedro Correia a 31.07.2020 às 15:25

Nessa época, Maria Dulce, as professoras "vedetas" não declaravam, alto e bom som, o seu (delas) desapego pela leitura.
Outros tempos, outros hábitos.
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De V. a 22.07.2020 às 13:31

Além de não ler, quando lê é livros para crianças — um género que é uma caca infantilizada de esquerda que os adultos enfiam pelas goelas das criancinhas antes de as deportarem para as escolas públicas.
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De V. a 22.07.2020 às 22:19

Refiria-me aos conteúdos dos L.P.C. — já de se si um conceito estranho
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 22:25

É tema para outro texto, um dia destes.
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De PNFerreira a 22.07.2020 às 13:54

Tenho uma filha que estava no segundo ano e acompanhei a telescola diariamente durante 6 ou 7 semanas com ela.
Não vou tecer grandes considerações sobre a coisa, para além de expressar o meu respeito pelos professores que lhe deram rosto e voz, dando um contributo importante para que a crianças e os jovens deste país não estivessem meio ano sem qualquer actividade remotamente lectiva sequer.
Da professora Isa, lembro uma conversa com a minha mulher sobre o modo indigente como a senhora se expressava (indigente é um exagero meu, bem sei, mas a minha relação com a classe, por razões profissionais que não vêm ao caso, é muito difícil e por isso a paciência muito pouca). Lembro-me bem de dizer que a senhora não devia ler um livro desde a última vez que a isso foi obrigada, provavelmente na escola. A minha mulher disse que eu era um exagerado (o que costuma ser verdade, reconheço...).
Desculpe tanto palavreado introdutório, mas não resisti a partilhar a minha pequena glória antes de chegar ao que realmente importa: até consigo aceitar que a senhora não leia, não tenho ilusões sobre os hábitos de leitura dos professores portugueses, mas a ligeireza com que a senhora o diz publicamente é arrepiante. Já não falta muito para que as pessoas que lêem livros sejam olhadas pelos demais como os bêbados de antigamente - gente a evitar cujos hábitos não são próprios de gente de bem.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:45

Já é grave alguém que ensina português no ensino básico não ter hábitos de leitura.

Mais grave é fazer gala disso numa entrevista ao maior semanário português.

Mais grave ainda é presumir que os livros são "para ter" em vez de ler. Difícil encontrar um conceito mais antipedagógico que este, invertendo a escala de valores.

Grave também é que o jornalista que fez esta entrevista tenha passado por tudo isto sem mostrar qualquer espanto. Naquele estilo fofinho que agora se usa nas entrevistas. Como se tudo fosse 'lifestyle'.
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De Paulo Coutinho a 15.08.2020 às 10:42

Olá, camarada! É de facto chocante, mas não surpreendente, a resposta da professora primária (chamemos os bois pelos nomes).
Ambos, tu mais do que eu, já fizemos esse tipo de questionários de algibeira e muitas vezes essa pergunta era respondida com uma frase feita, "Ando a reler os livros que já li, os clássicos." Aqui pressentia-se o pejo de confessar publicamente, como a professora primária, "eu não leio." Era uma resposta hipócrita, que suscitava, invariavelmente, o bocejo cínico na redação: olha, mais um que não lê livros. A professora Isa, pelo menos, singela virtude, deu uma resposta honesta. Sinceramente, não sei o que diz melhor de uma sociedade, se o pejo da hipocrisia ou a candura da honestidade. Como dizia o Hemingway, o livro é o mais fiel amigo. Portanto, "ter" livros também é importante.
E, sim, o jornalismo prevalecente, é tudo "lifestyle". A "silly season", tal como no fenómeno do aquecimento global, é o ano inteiro.
Um abraço, vou reler o "Velho e o Mar".
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De Folhasdeluar a 22.07.2020 às 13:59

É tão bom ter um livro para ler...e não o fazer....
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:32

Melhor ler 'memes'da Net. Cansa muito menos.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 15:26

Possivelmente não sabe de quem é a frase..também não lhe digo...vá ler...:))))
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 19:48

Por acaso até sei. Não recebi aulas desta professora "estrela" no Expresso.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 15:31

Só mais uma coisa...parece-me que não percebeu a ironia...
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De Anónimo a 22.07.2020 às 19:20

Eu sei que o Pedro não precisa de advogada de defesa, ainda assim gostaria de dizer que me constou que ele tem uma bela biblioteca (aliás, até andou a arrumá-la aqui no DO, numa das melhores séries de sempre), pelo que tenho a certeza que se ele percebeu a ironia do Pessoa, certamente também percebeu a de um CANI.
🌻
Maria
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 19:48

Percebo, percebo. Se não percebesse, pedia explicação. À professora Isa. Ou até ao próprio valter hugo mãe.
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De Anónimo a 22.07.2020 às 14:10

O Cavaco Silva também nunca lia jornais e certos livros e nunca se enganava.
Chegou a ministro e a presidente da republica e esta é a maior prova que ele tinha razão, ler faz mal aos olhos.
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De Pedro Correia a 22.07.2020 às 14:32

Há também aqueles que, mesmo supostamente alfabetizados, são incapazes de escrever o próprio nome.
Parece ser o seu caso.

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