Livre perde em Portugal mas ganha na Holanda, na Dinamarca e na Polónia

Rui Tavares nunca faz a coisa por menos: quer ser sempre o primeiro a aparecer. Na televisão.
Eram 20.30 de ontem, a contagem dos votos nem a meio ia, e já ele pontificava nas pantalhas, ladeado pela actual porta-voz do seu partido. Ela com ar eufórico, batendo palmas sabe-se lá a quê.
«Francisco Paupério será o primeiro deputado europeu do Livre. As probabilidades são francamente boas.» Assim falou o mentor do partido, que chegou a ter assento no Parlamento Europeu entre 2009 e 2014, mas eleito pelo Bloco de Esquerda - com o qual não tardou a romper.
Entusiasmado com a própria oratória, e para não desperdiçar tempo de antena, lembrou-se de reivindicar como suas as vitórias eleitorais de outros partidos que concorriam noutros países: «Ganhámos esta semana nos Países Baixos, ganhámos na Dinamarca e acabou de sair a notícia de que a coligação cívica integrada pelos verdes polacos ganhou na Polónia.»
Que político europeu não adoraria ter tamanho toque de Midas e tão assombroso dom da ubiquidade?
Só um pormenor atrapalhou esta narrativa. Afinal Paupério não emigra para Bruxelas: faltaram-lhe votos para tal. Pode agradecer a Tavares, que passou mais de meia campanha ausente, sem lhe manifestar apoio. Como se aquilo nada fosse com ele.
Primeiro a aparecer nas televisões, último a comparecer na estrada. Camaradagem de baixa intensidade. Francisco Louçã e Joacine Katar Moreira sabem muito bem o que isso é.

