Liderar a direita?
O Pedro abaixo chama a atenção para que, enquanto André Ventura se proclama líder de direita, nunca Sá Carneiro, Cavaco Silva e Passos Coelho o fizeram.
A razão é óbvia. Nunca nenhum desses três alguma vez se considerou como de direita.
Sá Carneiro proclamava-se social-democrata e até socialista, tendo na altura procurado aderir à Internacional Socialista, o que foi vetado pelo PS. Aliás o primeiro jornal da JSD intitulava-se "pelo socialismo".
Também Cavaco Silva nunca se considerou como de direita, referindo ser social-democrata na linha de Eduard Bernstein. Paulo Portas na altura comentou que Bernstein não passava de um "socialista danado" e que a direita estava a votar em quem não era de direita.
Quanto a Passos Coelho, não deu para perceber qual era de facto a sua política. Com um governo manietado por um programa de ajustamento, limitou-se a executar esse programa. Tudo, desde os cortes de salários, a reforma do arrendamento, e as privatizações, foi imposto pela troika. No início apareceu de facto com propostas de uma política liberal, sugerindo a privatização da Caixa Geral de Depósitos, mas rapidamente a abandonou, e a pública Caixa Geral de Depósitos continua alegremente a ser o maior banco português.
Já André Ventura aparece de facto a proclamar-se o líder da direita em Portugal, tanto assim que o Chega surge em consequência da deriva esquerdista do PSD de Rui Rio, que libertou o flanco direito dos eleitores do PSD para outros partidos. É muito duvidoso, no entanto, que o programa político do Chega se possa considerar como de direita, já que esse partido votou ao lado do PS em muitos assuntos, designadamente na abolição das portagens, e prepara-se para o voltar a fazer na reforma laboral.

