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Leituras

por Pedro Correia, em 24.02.18

equador[1].jpg

 

«Nada é mais libidinoso que o olhar que um homem casado com uma mulher feia lança, disfarçadamente, sobre uma mulher bonita; e nenhum olhar é mais homicida do que aquele que a mulher feia casada lança sobre o alvo dos olhares do marido.»

Miguel Sousa Tavares, Equador, p. 443

Ed. Oficina do Livro, Lisboa, 2003

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34 comentários

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De Alexandre Policarpo a 24.02.2018 às 20:04

Profundo, muito profundo...
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De Vlad, o Emborcador a 24.02.2018 às 20:39

O Miguel sabe da poda!!

Humilhante são também os casados de prata e ouro que por não quererem lançar no caixote do lixo da vida os anos perdidos continuam fingindo e enganando-se.

A partir de uma determinada idade, quer queiramos, quer não, os recomeços são impossíveis por falta de tempo, ou por serem,apenas, risíveis. Um remédio? Que um deles ande um pouco à frente, e o detrás conserve-se cabisbaixo
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De Sarin a 24.02.2018 às 21:07

Que tormento então o casamento!

Haverá na dura esteira onde os dias rolam maciez para memórias, certamente... e recomeçar é missão todos os dias, quanto mais não seja recomeçar onde ontem anoiteceu.

Mas que sei eu...
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De Vlad, o Emborcador a 24.02.2018 às 21:46

Alguns.....tenho ao meu lado uma mulher fabulosa!
É como que um certificado que me convence não ser mau de todo.
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De Sarin a 25.02.2018 às 00:14

Foi o teu lado negro que vociferou contra o casamento, do mal o menos, então.

Vejo casamentos sólidos e casamentos que nunca passaram de fotografias num álbum; sem ter passado por qualquer deles, acredito que possam ter, entre o céu e o inferno, quaisquer coordenadas. Mas nunca percebi aqueles que edificam e solidificam sobre as frágeis estacas do engano, da anulação do indivíduo até dele apenas restar um suspiro de saudade de si mesmo. E por isso me rebelar perante as frases murchas envergonhadas ensimesmadas no seu cinismo.

Até eu sei que o casamento é construção permanente :)
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De V. a 24.02.2018 às 22:27

Que tormento então o casamento!

Rima poderosa!
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De Sarin a 25.02.2018 às 00:29

Perante o amargo destino esboçado a cínicos traços, a luz que se vislumbrava no túnel que o Vlad descreveu só podia pertencer a um comboio em pleno descarrilamento...

Creia, V., que acredito no casamento: há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio.
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De V. a 25.02.2018 às 12:13

olaré: uma observação muito refinada para o 3° caso
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 13:08

" há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio."

Sabedoria poderosa!
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De Maria Dulce Fernandes a 24.02.2018 às 22:31

Já subi ao segundo degrau do pódium e cheguei à prata. Não vou desistir de alcançar o ouro. Não lamento nada do que fiz, não tenho uma lixeira conjugal a céu aberto e tenho ao meu lado o melhor amigo que alguma vez poderia ambicionar.
Lamento quem tristemente não sabe dar valor às amizades imperecíveis, que continuam e fortalecem no rescaldo das grandes paixões que se vão desvanecendo, porque não passaram disso mesmo: Um grande fogo do qual restaram apenas as brasas tépidas.
Nada no mundo supera a compreensão , a amizade e a ternura e é isso que alicerça um casamento ´daqueles " até que a morte nos separe".

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De Sarin a 24.02.2018 às 23:52

Nunca me animei a subir tal escadaria. Não que sofra de vertigens, ou que ache os degraus difíceis; mas partilhar conversas é fácil, já partilhar silêncios... uma espécie de agorafobia invertida que me leva a precisar de espaço em mim e silêncio à minha volta. Não há muito quem, nestas alturas, consiga confundir-se com a nossa pele - já ficava satisfeita se se confundisse com o ambiente, mas ai!...


Amor e uma cabana não me encheram de palpitações - a cabana ainda ia, mas percebi que o amor pode ser imenso e ainda assim não bastar, bastarda alma que prefere a comunhão ao amor.
É bastarda mas é minha, e não me arrependo: construo pontes de amizade com pessoas de valores distintos, mas não saberia construir degraus com um companheiro que não me equivalesse naquilo que me é mais profundo. Sem os construir, como os subir?

Que as horas lhe cheirem a chuva e a erva fresca em cada degrau, Maria Dulce, como que a lembrar que todos os dias são dias de vida e, por isso, de deslumbramento :)
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 10:18

Existe a solidão e existem as experiências solitárias. A primeira azeda cada filamento do nosso ser. Torna-nos, ao ouvido um sorriso, num insulto. Do ódio, fazemos par doentio. E da cor da tristeza tatuamos no peito vazio : Auto-comiseração.

A segunda , a experiência solitária, é um memorando que nos recorda :

"Happiness [is] only real when shared"
Jon Krakauer
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De Sarin a 25.02.2018 às 11:36

Solidão é uma palavra imensa que aniquila sorrisos abraços sentidos.
Insidiosa, inscreve-se sob as unhas, em letras tímidas que ao tornarem-se garrafais endurecem artérias e articulações e estrangulam o ar que começou por ser apenas vazio. Está só quem se torna papel perante tal tinta.

Mas Estar Só não é Ser Só.

Ser Só é ter os vazios ciosamente guardados para os ataques de claustrofobia, pequenos jardins que se visitam quando o mundo parece sair dos eixos.
Ser Só é ter noção que o centro do mundo não somos nós nem é o outro mas o barro comum, é pintar com as nossas cores os dias de outros e acolher a luz e a sombra dos traços de quem connosco se liga. Difere apenas de Ser com Outro nas entrelinhas profundas que definem cada dia.

Aceitar abrançando as próprias escolhas é afinal o que distingue cada Ser.
Será mais feliz quem partilha os dias sem se partilhar?
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 00:02

Sim. Se existir amizade existirá sempre o respeito. Não há amor sem amizade
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 00:46

Parabéns! Não se esqueça de me convidar para as Bodas d'Oiro !! Adoro Leitão e Camarão
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De Maria Dulce Fernandes a 25.02.2018 às 11:04

Eu nem por isso.
Gin tónico. Uma pedra ge gelo, gin e tónica. Mais nada. Gosto de tomar como aperitivo apesar de poder ser considerado um digestivo.
Tábua de queijos.
Sopa de peixe.
Linguadinhos fritos com açorda de coentros ( também pode ser petinga) . Ensopado de cabrito com ervas do campo.
Cheesecake com frutos vermelhos.
Café
Deixo a escolha dos vinho a quem deles entende melhor muito mais do que eu. Mas como a festa é nossa e eu não somos de belcantices nem chapa cinco, quem não gosta come menos.
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De Sarin a 25.02.2018 às 14:58

Opa! Também posso???
Troco o café por Cartuxa, o cheesecake por queijo com figos secos ou uvas frescas - levo de casa, se assim tiver que ser...
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De Maria Dulce Fernandes a 25.02.2018 às 18:58

Cartuxa Pêra-Manca Tinto 1980 ( que é para combinar) e figos secos. Fica combinado
Mas um cafezinho bom sem açúcar, Delta ou Sical acabado de moer, não dispenso.
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 19:32

Pêra Manca só branco!
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De Maria Dulce Fernandes a 25.02.2018 às 20:58

Em não havendo de 1980., não faz pendant com a efeméride, por isso marcha tinto.
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De Vlad, o Emborcador a 24.02.2018 às 21:47

Pedro, hoje bebi Campelo! Doi -me a cabeça. Já me tinham avisado , mas sou teimoso.
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De V. a 24.02.2018 às 22:26

Está em linha com as banalidades que debita às 2as feiras no tele-pasquim das ex-colónias.
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De Vlad, o Emborcador a 25.02.2018 às 13:16

V. a RTP Memória tem uma excelente programação. No outro dia ,por distração, não me sabia sintonizado no dito canal e extasiado pensei : Porra, Angola é Nossa! . ....mas depois dei por mim.

Penso que aos sábados, pelas 15h, têm um programa de escrita automática com um fulano que se diz ser o Luís de Camões...maravilhas

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De Sarin a 25.02.2018 às 15:02

Nem só de dor de cabeça vive o Campelo! :D
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De V. a 25.02.2018 às 16:24

Aquilo é uma agremiação manhosa de vaca cornélio-tropicalistas — é só docs sobre o ultramar e não sei quê, vemos o Beira-Mar Setúbal de 1986 e o episódio 33 da Vila Faia seguido da Herman Enciclopédia e depois o Júlio Isidro filmado com meia-dúzia de pré-reformados da RTP de ténis e de t-shirt e cenas ao pescoço. Mas está bem conservado o Júlio Isidro. E além disso é bom rapaz. Por acaso gosto do Ti Júlio.
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De Sarin a 25.02.2018 às 17:06

E também vemos o Twillight Zone e o Hitchcock, muito menos cínicos que alguns dos episódios da ARTV :)

Sempre lhe digo que prefiro o Beira Mar - Setúbal de 1986, só havia 3 substituições por equipa e os intervalos tinham na pior das hipóteses meia-hora.
Aguardo ansiosamente a reposição dos jogos da Equipa das Quinas no Mundial do México, as únicas agressões que a Federação patrocinou publicamente. Tomara o Bush filho...
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De V. a 25.02.2018 às 23:23

Ahah. 1986 foi o ano em que os jogadores começaram a atirar-se todos para o chão de 30 em 30 segundos e ainda não pararam desde então.
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De Beatriz Santos a 25.02.2018 às 09:24

A mim me parece estar em causa o desamor e a insegurança, ou os olhares não fariam mossa a nenhum dos envolvidos. A beleza, quando existe, colhe naturalmente admiradores descomprometidos de desejo.
Gostei de ler esse livro de Miguel Sousa Tavares.
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De Maria Dulce Fernandes a 25.02.2018 às 11:13

Creio que limpeimeiro o Rio das Flores . Gostei de ler, mas achei muito previsível. Gostei muito mais deste Equador, principalmente porque o fulcro da trama obdece a uma unidade te tempo, acção e lugar, ao melhor estilo de uma tragédia grega.

Só as pessoas muito inseguras podem ter pensamentos homicidas porque o/a companheiro/a descansa o olhar em algo belo. O corpo humano é belíssimo, mas a mente humana tem um encanto mil vezes superior e mistérios e desafios tão empolgantes que uma vida não é suficiente para desvendar...
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De Sarin a 25.02.2018 às 15:08

Em "O amor nos tempos de cólera" ocorrem mortes por menos - ou talvez por mais. E a beleza existe 70 anos depois, o que permite à virgindade ser um estado de alma, não do corpo.
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De Maria Dulce Fernandes a 25.02.2018 às 20:55

Bom exemplo de relacionamentos efémeros e sublime paciência :)
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De Anónimo a 25.02.2018 às 13:24

Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias...
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De Anónimo a 25.02.2018 às 13:26

Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias...
DNO
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De xico a 26.02.2018 às 00:11

Ora bem. A frase de MST é uma frase rebuscada para tentar fazer literatura. Não tem qualquer profundidade. Agustina percebe mais dos olhares libidinosos dos homens e dos olhares assassinos das mulheres do que MST percebe de homens casados ou de mulheres, bonitas ou feias.

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