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Leituras

por Pedro Correia, em 06.06.20

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«Uma multidão é uma criatura lenta e estúpida, muito menos inteligente do que qualquer dos seus membros.»

Ian McEwan, Cães Pretos (1992)p. 77

Ed. Gradiva, 1993. Colecção Gradiva, n.º 29. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues


32 comentários

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De Bea a 06.06.2020 às 21:37

é que é mesmo como diz o escritor e quem estuda a psicologia das multidões.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 06.06.2020 às 21:56

O todo é menor que as suas partes
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De Anónimo a 06.06.2020 às 22:57

Depende das partes
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De o cunhado do acutilante a 06.06.2020 às 23:53

E numa discussão sem nexo, - como as da nova moda contra o racismo, - quanto mais a multidão engrossa mais burra se torna cada um dos envolvidos.
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De Anónimo a 07.06.2020 às 00:45

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De Anónimo a 07.06.2020 às 01:04

Numa altura em que Lisboa têm um número de casos de covid que revelam preocupação, as consultas e cirurgias não urgentes foram adiadas, as pessoas resolvem fazer uma manifestação contra o racismo a molhada como mostram as imagens da TV.
É uma falta de respeito e de bom senso.
A estupidez das multidões impera sempre.

António F
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De o cunhado do acutilante a 07.06.2020 às 01:33

Sobre um cão preto, tenho uma história verdadeiramente singular para a qual por mais voltas que dê aos miolinhos nunca encontrei explicação.
Passou-se há coisa de oito anos-
Vou da minha casa ao Banco, em S.Ovídio, a pé como gosto de andar, tratei dos meus assuntos, saio do Banco, e não andara cinco metros reparo num cão preto ao meu lado.
Um cão bonito, bem-tratado, bem nutrido, pêlo negro luzidio como as penas de um corvo, de porte médio, idade para aí de quatro, cinco anos. Enfim, um cão que mostrava ser recebedor de cuidadoso trato. Não tinha coleira.
Paro admirado e olho ao redor para ver a quem pertencia o cão, e o cão pára também. Não vejo ninguém, prossigo e o cachorro prossegue também, mantendo uma distância de mim aproximadamente de um metro.
Sempre com o cão fazendo-me companhia, entro num bar, e o cachorro não entra e fica à porta. Peço um café, saboreio-o nas calmas e saio pensando não ver mais o bicho.
Puro engano. Vem logo ter comigo e acompanha-me, sempre mantendo a devida distância de um metro entre ambos.
Entro noutro bar e mais uma vez ele fica à porta, bebo uma água, saio, e o cão esperando-me.
Resumindo. Caminhei aproximadamente uns três kms, com paragens e sempre a história se repetiu. Eu parava, ele parava também, eu caminhava, ele caminhava a meu lado.
E assim foi. Nesse percurso, comprei fruta, bolos, sempre da mesma maneira. Onde parasse ele parava, onde entrasse ele esperava, quando caminhasse ele caminhava a meu lado.
Volto para cima com a história repetindo-se, queria livrar-me do cão mas não sabia como, até que tive uma ideia. Esperei numa passagem de autocarros, ele esperou também, o autocarro chegou, entrei, ele ficou a olhar para mim, saí duas paragens mais acima, fui à minha vida e ele seguramente foi à dele porque nunca mais o vi.
Depois disso continuei a ir ao Banco, a pé, mas nunca mais me apareceu.
Durante toda esta aventura nunca lhe dirigi uma palavra, nem ele se aproximou nem se afastou mais de um metro de mim.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 07.06.2020 às 10:51

O Corvo. Agora sei de quem és, cunhado
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De o cunhado do acutilante a 07.06.2020 às 11:22

Ah ah! grande coisa!
Se o Velho Cabral tivesse os mesmos dotes pesquisadores ainda hoje andava a descobrir os Açores.
Perdão; Azores.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 07.06.2020 às 10:53

Deveria ter ficado com o cão, cunhado... Bolas esta história começa bem, mas o final é triste
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De Anónimo a 07.06.2020 às 11:23

E assim perdeu um amigo para a vida... mas claro que isto é a opinião de uma tonta.
E corvo seria o nome ideal.
Os corvos são aves muito inteligentes, ao contrário do que muitos pensam...
Uma vez, em Góis, vi um corvo com olhos azuis; pensei que estava a alucinar, mas mais tarde confirmei que embora sejam raros, existem mesmo.
🌻
Maria
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De o cunhado do acutilante a 07.06.2020 às 16:03

Não sei se ele seria um amigo, Maria.Como não sei se o pardal que acompanhou a Isabel Paulos fosse por amizade que decidisse acompanhar a senhora.
Como referi, embora acompanhando-me sempre, nunca permitiu grandes intimidades e manteve sempre uma distância de aproximadamente um metro entre ambos.
Estranho, e mais estranho se torna depois do episódio do pardal que a senhora Isabel Paulos veio narrar.
Isto é que eu gostava que a ciência me explicasse, e não vir dizer-me que descobriu um buraco negro a não sei quantos milhões de distância anos-luz com quarenta bilhões de kms de diâmetro.
Sobre um corvo de olhos azuis, nem acho estranho nem normal porque nem sabia qual a cor dos olhos do bicho.
Mas fiquei a saber, devido à sua surpresa, que azuis não são.
Aposto que deve ser o "always handsome" lá do sítio dele.
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De Isabel Paulos a 07.06.2020 às 11:49

Caro Acutilante, tal como o Vorph, também achei o final triste, embora compreenda o destino da história. Há uns anos ia a sair do Lidl e reparei num pardal em frente à porta. Comecei a percorrer o caminho para a minha antiga casa, e dei com o dito a acompanhar-me como se fosse um cão fiel ao dono. Ao fim dos primeiros 100 metros tentei suborná-lo com uma tampinha de água e umas migalhas de chocolate. Mas era um pardal íntegro e não quis saber das minhas intenções. Simplesmente esperou que voltasse a andar para continuar a acompanhar-me a um metro ou metro e meio de distância, como se quisesse vir para casa comigo ou guardar o caminho. Ao fim de 500 metros um cruzamento mais movimentado fez-me perdê-lo de vista.

A frase do post não pode ser mais verdadeira e mais apropriada aos tempos que correm.
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De o cunhado do acutilante a 07.06.2020 às 15:24

Cara Isabel Paulos.
Se já achava a minha história estranha, a sua é espantosa. A minha, embora estranha, ainda se encontram laivos de entendimento dada a afinidade entre nós humanos e a espécie canina. Agora um pardal, talvez de entre os pássaros a ave mais esquiva, é que o mistério se torna verdadeiramente insolúvel.
Pergunto-me, agora que conheço a sua história, o que quererá isso dizer, a aproximação de animais a pessoas que lhes são desconhecidas, quando a reacção natural de todo o animal é precisamente o afastamento delas.
Um cão acompanha o dono, mas não um desconhecido. Um pardal não acompanha ninguém, e muito menos uma pessoa desconhecida porque é por natureza um animal desconfiado de tudo que o rodeia.
Mas fizeram-no, um cão a mim e um pardal à senhora, e não sendo esse um procedimento consentâneo com a natureza dos ditos, alguma explicação ou significado terá.
E no seu caso e no meu, há um procedimento comum a ambos. Sendo que ambos nos acompanhavam de livre iniciativa, nenhum permitia grandes intimidades. O meu cão mantinha a distância de um metro, e o seu pardal a distância conveniente para não grandes familiaridades. :)
Enfim; vá-se lá saber o que lhes ia pelas cabeças.
Pena é o Vento pairar por parte incerta, porque senão vinha cá um ápice resolver o enigma.
Pois o título do post, se isto não é racismo violento e sanguinário perpetrado sobre o fiel companheiro, então já não sei o que seja racismo
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De Isabel Paulos a 07.06.2020 às 18:22

Há mais casos com outras pessoas. Já me relataram. :) A ligação do homem aos bichos deve ser mais próxima do que supomos. Isto está tudo ligado, como diz o outro.
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De Anónimo a 07.06.2020 às 19:41

Isabel, acontece muito com gatos.
Há quem diga que os animais é que nos escolhem para donos.
O cão preto do cunhado bem tentou...
Boa semana!
🌻
Maria


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De Isabel Paulos a 07.06.2020 às 21:45


Conheço um caso deste género com um coelho numa zona rural, imagine.
E de pássaros sei que o meu não é caso único.

Boa semana, Maria. :)
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De o cunhado a 07.06.2020 às 22:50

Pois olhe, Maria.
Andam à procura de um crocodilo de 250 quilos no rio Douro. Vai-se a ver é mais um bicho que deve andar a escolher dono.
Seguramente não será a mim nem à Isabel Paulos porque já viu que connosco tem fraca sorte.
Calhando deve ser a Maria a escolhida que mostra ser uma fervorosa adepta da adopção animal.
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De Anónimo a 08.06.2020 às 10:05

Olhe que não, olhe que não...
Eu estou muito longe do Porto e não tenho especial carinho por 🐊 🐊 (são muito casca grossa).
A minha onda é mais gatinhos 🐈🐈 ou big cats 🦁 🐯 (leões, tigres, leopardos, chitas, jaguares - os carros também 😂) que têm um pelo macio e bom para fazer festinhas no dorso.
Tenho quase a certeza que sei quem esse crocodilo procura: um certo C. (que por acaso mora no Porto e lhe matou alguns antepassados em África há uns anos).
But I might be wrong...
🌻
Maria
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De o cunhado a 08.06.2020 às 12:30

Pois lamento desiludi-la, Maria; mas à procura de vingança não vinha com toda a certeza.
Nenhum C que se preze lhe pôs em perigo a continuidade. Nem a dele nem a de nenhuma outra espécie. Nem um só para, (mau) exemplo.
Ora assente que não era a vingança nem a necessidade de lar que o fazia perambular pelo Douro, só podia andar à procura do Dragão a fim de votar no Pinto da Costa.
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De Anónimo a 08.06.2020 às 13:11

Não desiludiu, não se preocupe :)
só se desilude quem tem ilusões...
Mas uma coisa é certa: os nossos sentidos de humor andam desencontrados, seja no efeito handsome, seja no efeito 🐊 parece que é mesmo irreversível.
Fiquemos por aqui, okay?

Tudo de bom para si :)
🌻
Maria
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De o cunhado a 08.06.2020 às 17:35

Okay, Maria: fiquemos,
Permita-me, na despedida.

Há duas qualidades de mulheres.
Umas
Flores de aço de inquebrantável temperança.
Outras
Frágeis peças de quebradiça porcelana.

Tudo de muito bom para si, Maria.
Que sempre a vida possa corresponder às suas melhores expectativas.
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De Anónimo a 08.06.2020 às 19:08

Bem, isto já se está a tornar ridículo, e daqui a pouco o Pedro corta-nos (me) o pio 🐥
Suspeito que pertenço à qualidade menos lisonjeira, mas não faz mal, não podemos agradar a todos...
Quanto às expectativas, dada a minha idade avançada, já não espero grande coisa a não ser um pouco de paz.
🌻
Maria
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De Anónimo a 08.06.2020 às 23:58

Afinal parece que é uma lontra!!!
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De Anónimo a 07.06.2020 às 22:54

É bem verdade Maria, tive vários cães todos com personalidades diferentes,
mas um marcou-me, pois claramente escolheu que eu fosse o dono dele,era a única pessoa da família que o podia levar a rua,com mais ninguém ele ia, simplesmente recusava-se ...as histórias são muitas deste meu Tobias que já partiu.
A verdade é que os animais conhecem e percebem a pessoa que lhes aparece a frente, mas isso .....

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De Anónimo a 08.06.2020 às 10:32

Acontecem tantas coisas 'debaixo do sol' que não têm uma explicação lógica, racional, especialmente entre homens e animais ditos irracionais: animais que praticam actos altruístas e homens que se comportam como os mais ferozes animais, mas isso...

Boa semana. :-)
🌻
Maria
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De Elvimonte a 07.06.2020 às 10:42

Tenho que reconhecer a fina ironia da escolha desta obra. Uma ironia que se desvenda na citação apresentada e cuja validade é universal, não importando a especificidade cromática, os credos e as afiliações.

Do outro lado do Atlântico, e não só, a escolha deste título provocaria ondas de protestos inflamados, a que se juntariam solidários cocktails acompanhados de tijolo burro.
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De Anónimo a 07.06.2020 às 11:33

Grande escritor, o McEwan, na realidade um dos meus favoritos.
E a citação que o Pedro escolheu é a definição perfeita da chamada "carneirada".
🌻
Maria
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De Pedro Correia a 07.06.2020 às 23:34

Um dos meus escritores favoritos, Maria. Fala-se dele este ano para o Nobel. Seria bem merecido.
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De Anónimo a 08.06.2020 às 09:47

Ainda não ouvi 'rumores' do Nobel (ando um pouco afastada das notícias - soube agora aqui do tal 🐊), mas ficaria muito feliz se o McEwan ganhasse, mesmo muito feliz.
Todavia, penso que o Comité Nobel não nos dará essa alegria...
🌻
Maria
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De o cunhado a 07.06.2020 às 18:03

"Uma multidão é uma criatura lenta e estúpida, muito menos inteligente do que qualquer dos seus membros.»"

Enquanto houver uma causa ou uma ideia completamente irrelevante para metade do mundo, tem sempre a outra metade disposta a dar a vida por ela.

(doravante e para que conste, só cunhado que tudo o mais que vá além disso torna-se fastidioso e cansativo)
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De o cunhado a 07.06.2020 às 22:59

Sendo que quanto mais estúpida for a causa, mais o apoio defensivo aumenta.

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