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Legislativas (10)

por Pedro Correia, em 16.09.15

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DEBATE ANTÓNIO COSTA-JERÓNIMO DE SOUSA

 

Portugal governado pelo Partido Comunista registaria o aumento imediato do salário mínimo nacional, que pularia para 600 euros. Haveria "um vínculo efectivo por cada posto de trabalho criado". O Estado asseguraria a "distribuição gratuita de manuais escolares ao longo de todo o processo de escolaridade obrigatória". As taxas moderadoras na saúde seriam eliminadas, o IVA e o IRS baixariam. Os trabalhadores da administração pública veriam repostos salários, subsídios e promoções automáticas. E - coisa espantosa - esse executivo vermelho trataria de "reindustrializar o País" .

Decorria o ameno frente-a-frente desta noite entre o secretário-geral do PCP e o líder do PS, na SIC Notícias - agendado só após se esgotar o habitual paleio sobre futebol. No estilo tranquilo que a tranquiliza, a jornalista Ana Lourenço perguntou a Jerónimo de Sousa: "Com que dinheiro? Íamos tirar de onde?"

Resposta pronta: "Não é tirar, é acrescentar. Não se preocupe com isso."

 

O PCP apresenta aos eleitores a quadratura do círculo: pretende reduzir drasticamente a receita pública enquanto prevê um aumento brutal da despesa do Estado. Sem apresentar contas. Haverá petróleo no Beato? Jerónimo não se preocupa com minudências: "Vamos aumentar a tributação àqueles que mais têm e mais podem."

Tão fácil como beber um copo de água. Espanta como nem sequer esse mago das finanças públicas chamado Varoufakis se lembrou disso...

 

Foi um debate tranquilo, correspondendo ao estilo da moderadora, incapaz de confundir acutilância com deselegância. Ninguém levantou a voz, ninguém discordou abertamente de ninguém, Costa e Jerónimo - ambos de gravata vermelha - convergiram sem fissuras na defesa da escola pública e nas críticas à forma como tem sido conduzida a questão do Novo Banco.

De resto, cada um falou para seu lado. E para os seus eleitores. Que em boa parte são os mesmos, divergindo apenas na quantidade e na geografia (o PS tem uma distribuição de votos bastante uniforme a nível nacional enquanto o PCP concentra a maioria dos votos na Margem Sul e largas zonas do Alentejo). Funcionários públicos no activo e pensionistas, pequenos e médios assalariados, professores (que votam em larga medida nos socialistas).

Costa, muito mais comedido nas promessas do que o seu antagonista, anunciou o "combate à precariedade laboral", o reforço das fontes de financiamento da segurança social, a redução das taxas moderadoras e o fim escalonado da sobretaxa extraordinária do IRS (metade em 2016, metade em 2017).

"Porque não revogar agora?", questionou Jerónimo, visivelmente mãos-largas.

"Eu também gostaria de dizer que eliminava tudo de uma vez. Mas para que as contas batam certo entre aquilo que aumentamos na despesa e aquilo que diminuímos na receita, o que podemos assumir é isto", retorquiu Costa, mais paciente do que noutros debates.

 

Faltava algum picante. E aconteceu enfim, a propósito da integração europeia. O líder socialista trazia sublinhado o programa eleitoral do PCP, que defende a "libertação do País da submissão ao euro" e recomenda até a "dissolução da União Europeia".

Sem euro, acentuou Costa, "os nossos salários passariam logo a valer menos 30% e as nossas dívidas - pagas em euros - passariam logo a valer mais 30%" Remoque escusado: Jerónimo teima em rejeitar a tutela alemã e apela ao ressurgimento do sentimento patriótico lusitano, virando costas a Bruxelas tal como os nossos patrícios de antanho viravam costas a Castela.

O secretário-geral do PCP pode não querer fazer contas, mas tem o mérito de falar claro. Uma aliança pós-eleitoral com o PS está rejeitada desde já: "Não íamos aceitar um ou dois lugares no Governo só para dar cobertura a uma política que não serve o País." Um discurso que se repete, imutável, há 40 anos.

Costa sorria vagamente: sabia que ganhara o debate, mas esta vitória poucos votos lhe granjeará. O eleitorado comunista é tão fixo como as teses do partido. E mais facilmente abraça o professor Marcelo na Festa do Avante! do que estende a mão ao partido que em 1975 encheu a Fonte Luminosa para combater Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal.

 

...................................................................

 

FRASES

Jerónimo - «Criar mais riqueza resolve muitos problemas do desemprego em Portugal.»

Costa - «É essencial reforçar as fontes de financiamento da segurança social.»

Jerónimo - «Portugal tem direito a um desenvolvimento económico soberano.»

Costa - «Nós não queremos sair do euro.»

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2 comentários

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De queima beatas a 17.09.2015 às 08:50

Resultado: Empatas
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De Anónimo a 17.09.2015 às 12:14

só o cheiro é que é diferente.

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