Lápis L-Azuli

Hoje lemos: Washington Irving, "Contos da Alhambra".
Passagem a L-Azular: “Não há ninguém no mundo que se preocupe melhor com a arte de não fazer nada e de viver do nada do que os pobres de Espanha; o clima do país contribui com metade, o temperamento das pessoas contribui com a outra metade. Na verdade, se der a um espanhol sombra no verão, sol no inverno, um pedaço de pão, alho, azeite, grão-de-bico, uma capa velha e uma guitarra - mesmo que não seja a sua - e os sons da guitarra, deixe-o estar! Falar sobre o aperto! Para ele não existe infortúnio; os seus ombros sustentam-no sem encolher nem curvar, da mesma forma que quando o manto puído pende deles. O espanhol é sempre um cavalheiro, mesmo na fome e na miséria.”
E mudou muito pouco desde o século XIX, a mentalidade espanhola. Será talvez porque a vida da vizinha é mais tranquila do que a minha, que o nosso povo se tornou invejoso e mesquinho? O Deus dará ao que parece até funciona pelas terras de nuestros hermanos. Por cá é mais o "Deus me dá, mesmo se não há", na verdade. Faz tudo parte do iberismo peninsular.

