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Delito de Opinião

Lápis L-Azuli

Maria Dulce Fernandes, 24.04.24

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Hoje lemos: Elie Wiesel, "Noite".

Passagem a L-Azular: "Há um longo caminho de sofrimento pela frente. Mas não percam a coragem. Vocês já escaparam do perigo mais grave: a selecção. Então agora, reúnam as vossas forças e não desanimem. Todos veremos o dia da libertação. Tenham fé na vida. Acima de tudo, tenham fé. Expulsem o desespero e manterão a morte longe de vós. O inferno não é para a eternidade. E agora uma oração – ou melhor, um conselho: que haja camaradagem entre vós. Somos todos irmãos de infortúnio e sofremos todos o mesmo destino. O mesmo fumo flutua sobre todas as nossas cabeças. Ajudai-vos uns aos outros. É a única maneira de sobreviver.”

Ler é viajar com a imaginação do autor até outras terras, ver outras gentes, conhecer novas culturas, em suma, encontrar uma experiência de vida  diferente nas páginas de um livro. Ler o que pessoas como o autor viveram não nos transporta a outras paragens que não as do horror, do sofrimento e da morte. E nós, leitores horrorizados, não fazemos a mais pálida ideia do que foi aquela realidade, porque por muito que as palavras no-lo transmitam, nunca o sentiremos na pele, na garganta, no estômago... o medo, aquele medo. Não se trata de um filme de terror, mas sim de uma circunstância impossível de absorver na íntegra, por melhor descrita que seja.

É por isso que não se deve usar levianamente a palavra Liberdade. Milhões de pessoas sofreram e sofrem abusos e atrocidades, sevícias que quem vive em democracia e lê nos jornais ou vê nas TVs jamais saberá dar o valor, pois na verdade nunca as sentiu na pele, apenas ouviu falar e viu o que foi proposto mostrar.

A Liberdade não é para desrespeitar, conspurcar, amachucar, escarrar em cima, usá-la em vão e abusivamente.  Quem a tem, tem a obrigação de a defender contra abusos e mordaças agonizantes. E estime-a bem, pois nunca sabe por quanto tempo poderá afirmar a viva voz "Eu sou livre".

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