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Delito de Opinião

Lápis L-Azuli

Maria Dulce Fernandes, 17.04.24

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Hoje lemos: Pearl S. Buck: "Terra Abençoada".

Passagem a L-Azular: "Ora, desde tempos imemoriais que se diz que todas as mulheres que choram podem ser divididas em três tipos. Há aquelas que levantam a voz enquanto as lágrimas escorrem e a isso pode chamar-se choro; há aquelas que se exprimem por altas lamentações, mas cujas lágrimas não fluem e a isso pode chamar-se uivo; há aqueles cujas lágrimas fluem, mas não emitem qualquer som e isso pode ser chamado lamento. De todas aquelas mulheres que seguiram em cortejo o ferétero de Wang Lung, as suas esposas e as esposas dos seus filhos e as suas criadas e os seus escravos e os seus enlutados contratados, só houve uma que chorou e foi Pear Blossom."

É certo que o sentimento pode ou não exteriorizar a emoção do momento. Há quem faça barulho por tudo, outros fazem um escarcéu por nada. Há quem se sinta dilacerado por dentro mas a voz não sai, fica presa na garganta. Pontualmente solta um aulido baixo e prolongado como se fera fosse e farpas lhe rasgassem o ser. E há quem não chore, não soluce, não solte sequer um vagido ou uma lágrima. Essa passa pelo tormento como se lá não estivesse. A adrenalina libertada pela dor confere-lhe uma força sobre-humana. Mesmo mecanicamente, faz tudo aquilo que tem de ser feito. 

O turbilhão que arrasta a dor chegará sim, mas depois. Só chora no fim. E o fim pode demorar tanto tempo a chegar.

 

PS. Um beijinho de saudade de a ler aqui, D. Helena Sacadura Cabral.

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