Lápis L-Azuli

Hoje lemos: Molière, " O Misantropo"
Passagem a L-Azular: "Pode perceber-se claramente o traidor através da sua máscara; é bem conhecido em todos os lugares pelas suas verdadeiras cores; os seus olhos revirados e o seu tom melífluo enganam apenas a quem não o conhece. As pessoas estão cientes de que esse sujeito de raça inferior, que merece ser ridicularizado, fez o seu caminho no mundo com os trabalhos mais reles e que a posição esplêndida que adquiriu faz o mérito lamentar e a virtude corar. No entanto, quaisquer que sejam os epítetos desonrosos lançados contra ele em qualquer lugar, ninguém defende a sua miserável honra. Chame-se-lhe malandro, um miserável infame, ou um canalha confuso se quiser, todos dirão "sim" e ninguém sequer contradiz. Mas, apesar de tudo, as suas reverências e sibilos são bem-vindos em qualquer lugar. É recebido, sorrido e infiltra-se em todos os tipos de sociedade e, se qualquer nomeação for garantida por meio de intrigas, é garantido que vencerá um homem de grande valor. Apre! Essas são punhaladas mortais para mim, ver o vício negociado, e às vezes sinto-me repentinamente inclinado a voar para um deserto longe da proximidade dos homens."
Eu conheço pessoas assim. Muitas mais do que gostaria. Batalhei muitos destes sanguessugas de acções e sentimentos. Ganhei algumas batalhas, mas souberam sempre a pouco, porque gente desta laia é como as carraças, infiltram-se nos locais mais insuspeitos e de pequenos e ridículos que são ninguém espera um veneno tão poderoso, capaz de aniquilar uma vida na verdadeira acepção da palavra.
Olhando o país no geral, garanto que os conhecemos, aos "traidores", melhores do que gostaríamos.
(Imagem Google)

