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Lamento, mas parece-me que só estamos a ressacar

por Teresa Ribeiro, em 16.08.15

drogas-2[1].jpg

 

Tenho-me perguntado  porque estará a procura interna a aumentar. Todos os economistas concordam que o crescimento da economia ainda não dá para gerar emprego, porque isso só acontece quando a taxa se aproxima dos 3%. Trata-se de uma verdade matemática, não ideológica, que explica porque tem razão a oposição quando diz que a descida da taxa de desemprego se deve sobretudo aos estágios do governo, ao sub-emprego, à emigração e ao enorme contingente que deixou de procurar trabalho.

A subida do crédito à habitação deixa-me estupefacta. Também aumentaram as vendas de carros.Vejo nos supermercados os carrinhos de compras mais cheios. Que pasa?!

Se éramos pobres, ainda mais pobres ficámos. A saída da crise pode constar da prosápia do governo e das suas folhas de excel, mas não se fez sentir nos bolsos dos portugueses. Olho à minha volta e o que vejo no comportamento dos que me estão próximos não é maior poder de compra, mas uma vontade irreprimível de regressar à "normalidade", isto é, ao consumo. Voltar aos pequenos e até grandes prazeres que dão gosto à vida tal como nos induziram a vivê-la, por uma questão de sanidade mental.

"Preciso mesmo de trocar de carro. Deste ano não passa. Não sei como o vou pagar, mas logo se vê"; "Olha, perdi a cabeça nos saldos. Agora estou cheia de remorsos, mas soube-me tão bem!"; "Andei, nos últimos anos, a adiar esta despesa, mas agora vai ter de ser" - é o que eu mais oiço à volta.

Se este aumento de consumo alguma coisa indica não é a putativa saída da crise mas apenas que a bolha voltou a encher. Devagar, devagarinho. Porque os mercados precisam, os bancos precisam e as pessoas precisam de meter consumo pr'á veia.

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43 comentários

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De Carlos a 16.08.2015 às 14:06

O que me parece que aconteceu, é que a redução de consumo verificada no início da troika se deveu em grande parte ao receio e incerteza no futuro, mais do que a uma verdadeira situação de dificuldade.
Mesmo famílias que não sofreram redução significativa de rendimento contrairam muito o seu consumo pelo receio do que poderia acontecer.

Após esse período de incerteza essa componente de redução do consumo é recuperada, e é isso que estamos a sentir neste momento.

Isto também explica o facto dos efeitos iniciais da crise terem sido maiores do que o previsto.
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 15:02

Faz sentido. Não me venham é dizer que o consumo aumentou porque estamos a sair da crise.
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De lucklucky a 16.08.2015 às 21:58

Se o crescimento aumentou - acima a media Europeia - e isto mantendo superavite primário(sem contar com o pagamento dos juros) como é que não há mais riqueza?
Se a balança comercial é positiva ou quase e as exportações aumentaram como é que isso não afecta os portugueses?
Se o turismo por exemplo tem dado bons resultados como é que isso não afecta os portugueses?

Mas mais uma vez vejo um texto cheio de política quando se fala de economia. Neste caso medo que este governo de que não gosta tenha "sucesso".
É incapaz de dizer que este Governo se apropria do sucesso dos Portugueses, pois como pessoa de Esquerda tudo de bom tem de ser obra do Estado.
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 22:46

Caro Lucky, não por acaso citei o FMI que de esquerdista, ou socialista, ou o que quiser, não tem nada. O pior cego é aquele que não quer ver.
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De lucklucky a 17.08.2015 às 15:36

O FMI é socialista, não tem problema nenhum com 50% de impostos por exemplo.
O FMI é composto por ex.políticos e pessoas que sempre viveram da política.
A política no séc XXI com nível actual de desenvolvimento do Estado moderno só pode ser Socialista.
Ser não socialista implica tirar a política de muitas coisas em que hoje está. Teria de se ser um político anti-politica.
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De Teresa Ribeiro a 18.08.2015 às 11:46

Sim, sim. Quando começa a invectivar contra os socialistas e leva tudo à frente, nunca gosto de o contrariar.
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De amendes a 16.08.2015 às 14:07

Que solução preconiza?
"Syrizicar "o país?

Agradecia imenso que me desse pista... quero deixar de comprar marcas brancas.

Antecipadamente grato...
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 15:04

Há gente bem mais habilitada do que eu para apontar soluções. Só não quero é que me ponham a ver a realidade de óculos embaciados.
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De amendes a 16.08.2015 às 15:17

O pior é que a tal "gente mais habilitada", não acerta uma...

Quantas vezes não falharam nos prognósticos e abaixo-assinados!

A acreditar neles estaríamos hoje no 4º regaste!

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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 22:48

Facto: a economia só cria emprego quando o crescimento ronda os 3%. Isto não é política, é Economia.
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De Zé a 16.08.2015 às 17:47

Sugiro que pergunte ao casalinho do PaF.

Estão com certeza habilitados.
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De Luis Moreira a 16.08.2015 às 19:06

Há uma profunda alteração estrutural na economia que explica a criação de emprego. Veja aqui :http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/vamos-ajudar-o-joao-galamba-ex-1360336
Se há mais exportações e mais importações há mais gente a trabalhar e mais gente a consumir. Deve ser a capacidade instalada que esteve 4 anos sem estar a produzir em pleno e que voltou aos 100%. E o aumento do investimento já está a produzir efeito.
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 23:06

Se houve reforma estrutural que este governo concluiu com êxito foi a da redução drástica do custo do trabalho. Daí que, quando aparecem, os empregos são muito mal remunerados, situação que me remete para a perplexidade de que falei no post. Com crescimento anémico da economia - o próprio Pires de Lima o admitiu, portanto não seja mais papista que o Papa - diminuição da taxa de desemprego bem aquém dos números do INE, pelas razões que enumerei,e salários muito baixos, mantenho: o aumento do consumo só pode justificar-se pelas piores razões.
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De lucklucky a 17.08.2015 às 16:07

Uma "reforma estrutural" <--expressão política para sobrevalorizar a política- pode existir sem intervenção do Estado e do Governo, basta as pessoas decidirem e mudarem.

A Teresa Ribeiro no fundo é uma religiosa :)
Adoptou a religião que desde o Romantismo veio substituir as outras religiões como forma de atingir o "paraíso": a Política.

"Com crescimento anémico da economia"

Quando é que em Democracia tivemos este crescimento? Note que tem de contar com o défice estrutural.
Não é só lançar o valor do crescimento do PIB para o ar sem mais como fazem os políticos.
Um pais com 1% de crescimento anémico e sem défice está melhor que um com 3% de crescimento e 5% de défice.

É fácil ser popular e aquecer o crescimento com défice alto, é só pedir emprestado, a conta chega depois a pagar a dívida(ou a pagar a inflação).
É esta a história repetida sucessivamente pelos países latino americanos que dá em golpes de estado ou instabilidade periódica.

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De Solução: germanizar o país além da Troik a 16.08.2015 às 17:26

Solução: germanizar o país além da Troika (e alegremente, como fez o Passos).
Quanto tem ganho a Alemanha em financiamento a juros negativos da sua enorme dívida pública (73%) e em juros positivos dos empréstimos aos «mamões: Portugal; Espanha; Irlanda; Grécia?
Os números são públicos, só não os vê quem não quiser.
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De lucklucky a 18.08.2015 às 13:59

Não pensas mesmo... se boa parte faz asneiras é óbvio que os poucos que não fazem- ou fazem menos comparativamente - são beneficiados.

Os bancos/empresas desatam a vender aos poucos que podem pagar.

Como raio julgas que empresas com sucesso podem vender mais caro.
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De Mr. Brown a 16.08.2015 às 15:17

Mas houve recuperação do poder de compra, sentida no bolso de alguns portugueses. Nomeadamente nos bolsos dos funcionários públicos que já começaram a recuperar o que lhes foi cortado. Uma recuperação que, na minha opinião, irá causar mais problemas do que outra coisa (até porque a recuperação económica, que existe, é fraca para explicar uma recuperação salarial dos funcionários públicos tão forte), mas daqui a uns anos logo voltaremos a falar...
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 23:10

Verdade, a folga dos funcionários públicos ajudou. Mas explica, por exemplo, o aumento brutal do recurso ao crédito à habitação?
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De Mr. Brown a 17.08.2015 às 02:53

Acho que nisso o primeiro comentário a este post vai na pista certa: expectativas. A maior parte das pessoas vivem hoje pior do que há quatro/cinco anos, mas a economia estabilizou, apresenta até ligeiro crescimento, e existirá a expectativa de que o futuro não será, pelo menos, pior do que é o dia de hoje. Os próprios indicadores de confiança, quer dos consumidores, quer das empresas, dão também sinais nesse sentido. E, portanto, até ajudado por um ambiente de baixa da taxa de juro - incentivado pela política do BCE -, as pessoas voltam ao crédito e ao consumo (e as importações, upa, upa...).
De resto, quanto à verdade matemática do FMI, é a mesma que não conseguiu estimar o aumento brutal do desemprego ocorrido em Portugal. Há muita matemática nos modelos, mas os modelos em si não são uma ciência exacta, nem devem ser confundidos com esta. E a parte que não suporto na conversa da oposição sobre o desemprego, onde não têm qualquer razão e são demagogos, é que olhe-se para onde se olhar, para o desemprego oficial ou real, como gostam de lhe chamar, de início de 2013 para cá a evolução é positiva. O que não implica - e ai todos os políticos vendem ilusões - que um desemprego estrutural muito elevado, acima dos dois digitos, não tenha vindo para ficar (como o FMI também não se tem cansado de alertar).
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De Teresa Ribeiro a 17.08.2015 às 22:20

Faz sentido essa mudança de comportamento referida também no primeiro comentário. Quanto à evolução do desemprego, divergimos.
Portugal está entre os países com taxas mais elevadas de desemprego de longa duração da UE (com 59,5% da população desempregada nestas circunstâncias, contra uma média de 40,5% da UE). Quem encontra trabalho em regra é em situação muito precária (em Julho o tribunal de contas veio alertar para os elevados níveis de precariedade, no caso associados aos tais estágios financiados pelo Estado, mas sabe-se que a tendência é esta).Também Portugal foi um dos países da UE em que mais baixaram os salários, portanto o emprego que aparece é precário e mal pago.
Na verdade não se sabe qual é o rácio do nosso desemprego, mas calcula-se que possa ultrapassar os 20%.
É motivo para embandeirar em arco?
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De Helena Sacadura Cabral a 16.08.2015 às 15:31

Teresa
As baixas taxas nos Depósitos a Prazo também explicam, um pouco, a situação. As pessoas, ao não pouparem - taxas liquidas de 0,7/8% não entusiasmam pequenas poupanças - acabam por consumir.
O problema é que o aumento do consumo interno também traz consigo o aumento das importações...e se continuasse a explicar acabava numa "pescadinha de rabo na boca".
O problema maior não está nas soluções dos economistas. Está na aplicação que os políticos fazem delas...
Mas tens razão. Os números são uma coisa. O nosso bolso é algo bem diferente. E é este que verdadeiramente interessa!
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 23:32

Ainda assim, Helena, a situação confunde-me. Falas da questão da poupança, mas os portugueses não estavam endividados? Segundo a DECO o número de penhoras às famílias durante o primeiro trimestre deste ano duplicou em relação ao mesmo período do ano passado. As três primeiras causas de endividamento são, por esta ordem, desemprego, deterioração das condições de trabalho e ruptura financeira devido ao regresso a casa dos filhos desempregados.
Mesmo quem não enfrenta situações tão dramáticas vive agora melhor do que o ano passado ou há dois anos?
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De IsabelPS a 16.08.2015 às 22:07

Curioso. Sempre ouvi dizer que a taxa de crescimento necessária para a criação de emprego anda pelos 2%. Nunca ouvi falar de 3%.

Para explicar este surto de consumo (que se vê nas estatísticas mas não só, nas autoestradas, nos centros comerciais, nos resturantes e bares, ou os bancos começaram outra vez a emprestar como se não houvesse amanhã (e, ao que sei, o que subiu imenso foi o crédito à habitação e não tanto o crédito ao consumo), ou então as pessoas estiveram sentadas sobre pilhas de notas (e debaixo do colchão, porque senão ter-se-ia visto nas poupanças). Parece-me um pouco estranho.

Nah. Acho que as pessoas têm mesmo um pouco mais de dinheiro. (Por acaso tenho-me interrogado sobre as remessas e parece que têm aumentado mas não sei se a esse ponto).
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 23:38

No próprio link que fiz encontrará a referência aos 3%. Em rigor diz-se "à volta de 3%", o que pressupõe um valor ligeiramente abaixo desse rácio.
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De IsabelPS a 17.08.2015 às 09:13

Procurei e não encontrei, fazendo search e tudo. Mas é a primeira vez que ouço esse número: tenho sempre lido 2% e às vezes mesmo 1,5%. Acabo aliás de encontrar um boneco bastante explícito:

http://marketrealist.com/2015/02/job-creation-gdp-growth-go-hand-hand/

Olhando pare ele não me parece nada estranho o que se está a passar. Pese embora o que diz o Galamba, o crescimento parece estar à volta de 1,5% (na primeira revisão do FMI a que o seu link refere eles previam, aparentemente, 1,2% mas penso que na segunda já subiram para 1,5%, o Governo prevê 1,6%, o Banco de Portugal 1,7%, portanto há-de andar por aí). O INE aponta para alguma criação de emprego; os estágios do IEFP (que fazem parte das tais políticas activas de emprego que agora de repente se tornaram anátema) são pagos; os emigrantes, nomeadamente os temporários que continuam a aumentar, têm compromissos, casas, dívidas, pensões de alimentos para pagar, famílias para ajudar e mandam dinheiro. E sim, as pessoas estão fartas de apertar o cinto e têm esperança de alguma melhoria (os índices de confiança assim o dizem), em vez de estarem à espera que lhes caia um piano em cima.

Nada disto faz um boom económico mas a saída duma crise profunda sim, parece-me que sim.
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De Teresa Ribeiro a 17.08.2015 às 22:30

Isabel, e agora? Fui ao link e... não é que tem razão? O pior é que procurei onde teria lido - porque li - esse valor e não encontrei.
Quando escrevo sobre questões em que não sou especialista tenho sempre a preocupação de fundamentar as minhas opiniões em fontes fidedignas. Nesta dos 3% tenho mesmo que enfiar a viola no saco, por falta de link. As minhas desculpas. Mas quanto ao resto, nada a fazer.Infelizmente vejo o copo meio vazio. E quando o preço do petróleo começar a subir, assim como o euro e as taxas de juro, vamos ver como Portugal vai crescer. É que nada foi feito para que o crescimento seja sustentável.
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De Anónimo a 18.08.2015 às 09:45

Ah, isso de o crescimento ser ou não sustentável são outros quinhentos. Eu acho que alguma coisa mudou (nas cabeças, nas actividades e até nas políticas), mas não faço ideia se será o suficiente.
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De Teresa Ribeiro a 18.08.2015 às 11:54

Também acredito que algo mudou. Pelo menos assim o espero. A liberalização talvez esteja a gerar empresários com espírito mais independente, conscientes de que não devem contar com o país para nada se quiserem alcançar sucesso. É uma mudança positiva.
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De Anónimo a 16.08.2015 às 23:16

Como gostariam os profetas da desgraça... os ressabiados ... os abaixo-assinalistas profissionais... Que em vez de estarmos a "ressacar," os "cartazes" fossem outros: -- O poder de Compra Baixou... Desemprego Subiu... Segundo Regaste ... As importações Superam as Exportações... O Turismo Interno Baixou... Nunca o Multibanco Teve Tão Baixa Taxa de Operações ... Os "Algarves" Despidos de Turistas...

Tudo isto com as caras risonhas das Catarinas, Galambas , Jerónimos, etc

Como estariam" felizes"!
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De Teresa Ribeiro a 16.08.2015 às 23:40

Pessoalmente rejubilaria. Ver o país a andar para trás e concomitantemente a minha vida dá-me um prazer indescritível.
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De João Pedro a 16.08.2015 às 23:50

Tudo isto, não passa de pura ficção e vou-lhe dar só um exemplo de que a realidade não é aquela que nos impingem, mas outra, bem mais triste. Escreveu que se venderam mais carros e eu afirmo-lhe que não se venderam mais carros porque os portugueses, não têm dinheiro, para os comprar. O que se está a passar é o seguinte: os importadores de carros e os stands das marcas que representam, têm de comprar X carros, caso comprem menos, as marcas vendem-lhes os carros mais caros. Para que isso não aconteça, os stands compram o mesmo número de carros e posteriormente as matrículas e exportam os carros que compraram para venderem cá. Chegados ao país para onde foram exportados, são tiradas as matrículas portuguesas e ser-lhe-ão atribuídas as matrículas dos países para onde foram exportados. Eu tenho-me dado ao trabalho de verificar as matrículas dos carros e olhe que são muito poucos os de 2015. Faça a experiência e verá a realidade. Estou farto de mentiras e que nos façam de parvos que engolimos tudo, como se tudo fosse verdade absoluta.
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De Makiavel a 17.08.2015 às 11:47

Tentar provar a recuperação da economia através de números avulsos de "vendas" de automóveis, carrinhos de compras cheios, autoestradas apinhadas e pessoas a ir de férias é argumentário de taxistas. Mesmo com essas "recuperações", comparem-se os números de 2011 e 2015 e a dita recuperação esfuma-se. Ou atente-se na percentagem de pessoas que ganham o ordenado mínimo nacional, hoje e em 2011, acrescente-se a redução de postos de trabalho disponíveis até à presente data e teremos uma visão mais abrangente do que aconteceu em Portugal nos últimos 4 anos. A "recuperação" económica alegre e esfusiantemente apregoada pela coligação faz-me lembrar a anedota daquele senhor que dizia euforicamente que tinha relações sexuais uma vez por ano; tendo-lhe sido perguntado qual a razão de tanta alegria, terá respondido "É hoje!, É hoje!"
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De Miguel R a 17.08.2015 às 21:30

Existem aqui alguns equívocos. Alguns comentários já abordaram alguns. O crédito à habitação e consumo teve uma subida que a deixa estupefacta porque só olhou para a taxa (50!25!) e não para os números nominais. A base de comparação de 2014 é extraordinariamente reduzida. Em 2006 tivemos c.9,8 de mil milhões de crédito para este período (5 meses), em 2010 c. 5,5 mil milhões, em 2014 c.1,8 mil milhões e espanto c.2,6 mil milhões no corrente ano. Orgia de crédito e consumo, a «bolha voltou a encher», aonde!? Uma coisa é a sua percepção da realidade, outra coisa é a realidade. Lhe garanto que no geral os portugueses não passaram a consumir tanto como antes da crise. Mas sim, estão a consumir mais que nos últimos três anos e isso é normal. A concessão de crédito às famílias continua em níveis extraordinariamente baixos. Mais, o montante total de stock de crédito tem vindo a baixar e isso não mudou em 2015. E outra coisa que importa reter é que o salto entre rendimentos e gastos da família foi bem mais positivo entre 2010 e hoje, do que na década anterior. As famílias pouparam mais.
Aconselho-a a ler os dados do Banco de Portugal ou do INE e não se fiar em títulos de jornais claramente tendenciosos. (https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_cnacionais2010&contexto=si&selTab=tab1&perfil=220675030&INST=220618891)
E no que toca ao investimento no imobiliário, que é a realidade com que lido mais. Neste momento Lisboa está a «bombar» e com motor estrangeiro. Nunca ouviu aquela piada sobre o alemão que vai ver um quarto de pensão e deixa um sinal? Para existir capitalismo, tem de existir circulação.
Sobre avaliação do governo ela é sua. Agora não se fie em algumas “vozes sonantes” da nossa praça… nem use preconceitos para criticar o que não gosta. Aliás tudo o que disse acima é independente de uma avaliação ao governo. Ela pode ser positiva ou negativa com base nos mesmos. Mas é nestes e não noutros inventados. Li muita crítica no facebook sobre a Merkel e aquela refugiada palestina que chorou porque supostamente ia ser deportada. Mas, na Europa a Alemanha é o país que mais acolhe refugiados….
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De Teresa Ribeiro a 17.08.2015 às 23:11

Os títulos de jornais que me impressionam são os que divulgam informação difundida por entidades tão diversas e independentes como o Tribunal de Contas (já o citei nesta caixa de comentários), o INE,claro, a UE, o FMI, a OCDE, a OIT. Infelizmente não preciso de me esforçar para encontrar fundamento para a minha desconfiança sobre o que afirma a propaganda do governo.
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De Miguel R a 18.08.2015 às 19:43

Acertar antes do tempo é errar.
Eu não sei de que propaganda fala. Isso todos têm. Nem foi sequer o foco do meu comentário. Aliás, não sou militante de nenhum partido e se quer saber votei PS nas autárquicas, Livre nas Europeias, Cavaco não foi eleito pelo meu voto e ainda não me decidi para as legislativas, embora esteja inclinado para a coligação.Nada do que referi é propaganda. E se por propaganda entende que é ideia de que tivemos uma "reforma estrutural na economia" (estou a intuir). Eu não sei o que é isso. É verdade que a economia está mais liberalizada, pouco para o meu gosto. E é verdade que o peso das exportações é maior no PIB. E é verdade que há uma maior flexibilidade nas leis laborais, pouco para o meu gosto. E é verdade que as exportações representam em 2014 mais 16 mil milhões de euros do que em 2010 e as importações mais 1,3 mil milhões.E é verdade que desde o ECU que nunca tivemos este ritmo de crescimento das exportações. E é verdade que as exportações valem hoje 40% do PIB. E é verdade que há dois anos que o saldo da balança comercial é positivo.
Infelizmente a taxa de emprego é bastante desmotivante. Os salários médios são baixos e a distribuição de riqueza não é a desejável. Continua a existir alguma promiscuidade entre público e privado. O modelo educativo não me parece o mais correcto. O sistema judicial ainda é muito "processual". Ainda existem algumas empresas de regime, nomeadamente as da Energia. Ainda não estamos perto do PIB de 2010 (o início desta última crise). E é verdade que estamos a perder população activa a um ritmo preocupante.
Haverá outros problemas que não estão aqui identificados. A questão é: quem dos que se apresenta a 5 de Outubro me parece melhor colocado para os resolver? Se uma certeza tenho é que o PS não é. Tenho outra, o PSD não os vai resolver.
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De Teresa Ribeiro a 19.08.2015 às 01:04

Pois intuiu muito bem. Não por acaso foram várias as instituições internacionais que manifestaram reservas relativamente ao futuro desempenho da economia portuguesa. Todos nós nos recordamos que nas suas avaliações a troika invariavelmente frisava que várias reformas estruturais previstas no memorando continuavam por fazer e que sem elas o desempenho económico de Portugal continuaria comprometido.
O saldo da balança comercial ficou positivo à custa do empobrecimento da população; as exportações - e isto ninguém diz porque é politicamente incorrecto - são em boa parte o resultado de políticas de incentivo à inovação que começaram bem antes deste governo entrar em funções e que só agora começaram a dar frutos (exemplos? Calçado e têxteis). Infelizmente quando o euro começar a subir deixaremos de ter preços tão competitivos, logo as exportações vão-se ressentir.
As empresas continuam numa aflição. Além de endividadas enfrentam os problemas de sempre: excesso de burocracia e elevados custos da energia.
A reforma administrativa ficou na gaveta, a justiça continua lenta, o sistema fiscal continua instável, logo o país continua a não ter condições para atrair investimento.
Enquanto se continuarem a oferecer salários de miséria e precariedade a quem quer trabalhar e aspira legitimamente a uma vida confortável continuaremos a ver os mais qualificados a sair do País.
É esta a realidade. Propaganda é dizer-se que se fez o que não se teve coragem de fazer e embandeirar em arco.Propaganda é suspender a austeridade para disputar eleições e afirmar que se saiu da crise.
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De William Wallace a 19.08.2015 às 01:14

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De Anónimo a 18.08.2015 às 11:34

Nota-se que acolhe! Acolhe-os e depois expulsa-os. A Alemanha não merece credibilidade a nível de humanismo e é ver o que o seu ministro das finanças propôs à Grécia e os milhões que tem ganho com a crise.
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De William Wallace a 18.08.2015 às 00:30

Como referiu num outro post que escreveu existe uma profissão que trata bem as questões que refere, que são os Psicologos.

O que se passa actualmente é um conjunto de situações que convergem para que a leitura que muitos façam seja a de que existe uma melhoria da situação dos Portugueses.

O Governo abrandou a austeridade embora tenha aumentado os impostos, pelo facto de a despesa do Estado ter aumentado, a própria UTAO já referiu este mês ao evidenciar uma derrapagem de 660 milhões de Euros nas contas publicas que põe em dúvida o cumprimento do défice que só tem sido atingido (nos últimos anos) devido á alteração das metas da troika e através de receitas extraordinárias.
O défice de 2014 dificilmente ficará abaixo de 4% devido ao BES e perdas associadas mas que só serão contabilizadas em 2016 daí se depreende o corte de 600 milhões nas reformas já pré-anunciado que servirá para acomodar essas perdas e outras despesas.

O que se vive neste momento é uma fase de negação, a maior parte das pessoas estão em negação, umas por opção outras por desespero tudo isto polvilhado com muita propaganda (Mesmo Muita) há mistura.

Os números das vendas automóveis referem-se talvez a carros matriculados (não vendidos), o crédito aumentar refere-se ao desespero de muitos que estão a empenhar o que lhes resta para tentarem manter-se á tona, tudo o resto é a fase de negação dos problemas tipo beber para esquecer e coisas do género

P.S. Só a partir de 3% decrescimento se criam novos empregos.

http:/ www.jornaldenegocios.pt /economia/detalhe desemprego_so_baixara_com_crescimento_de_25_a_3.html
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De Teresa Ribeiro a 18.08.2015 às 12:02

Obrigada pelo link (alô, alô, IsabelPS! Está aqui)
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De William Wallace a 18.08.2015 às 14:12

Não tem de agradecer, já ouvia há desde (2003) muito essa dos 3% de crescimento para que se gerem novos empregos, embora me pareça que esses 3% dizem respeito á economia "antiga" ou real e não á economia no seu todo e o que acontece neste momento em Portugal e noutros Países é que a economia real não cresce 1% sequer, basta ver a China que com um crescimento estimado de 7% para este ano teve de utilizar medidas de estímulo á economia nomeadamente através da depreciação da moeda para aumentar as exportações e diminuição das taxas de juro exactamente porque a economia real estava (está) a afundar-se e é essa que é responsável por fazer chegar bem-estar (?) ás pessoas enquanto por exemplo há 10 anos a China tremia era pelo inverso (crescimento descontrolado da economia com taxas a rondar os 10% ao ano).
A economia real foi substituída pela economia virtual que só gera ganhos para alguns (apesar de virtuais embora poucos dos que ganham se apercebam disso) em detrimento da grande maioria.

Por exemplo tem se dito que a Alemanha tem ganho muito dinheiro com o Euro á custa de outras Nações e isso é verdade, o que ninguém diz é os prejuízos que a Alemanha enfrentará no médio prazo por estar ligada directamente a Nações fantasma (estados falhados) como a Grécia (brevemente) ou a Itália (a médio prazo) razão pela qual o cepticismo Inglês tende a aumentar pois sempre foram muito previdentes e daí resulta que o que a Alemanha pensa estar a ganhar irá diluir-se rapidamente, mas se analisarmos bem a sua história recente como Nação desde o séc. XIX tem sido sempre assim, só analisam a curto prazo, os outros que já cá andam há uns séculos mais enquanto estados soberanos têm um pouco mais de tino (Inglaterra) ou menos sorte e inteligência (Espanha / Portugal) de modo que até hoje não enterraram até ao limite nenhuma vez.

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