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Delito de Opinião

Jornalistas justamente premiados

Andrzej Poczobut e Mzia Amaglobeli, Prémios Sakharov 2025

Pedro Correia, 23.10.25

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Faz todo o sentido, ainda mais no dia de hoje, enaltecer o Prémio Sakharov, do Parlamento Europeu, que mantém incólume o seu prestígio ao distinguir dois jornalistas encarcerados nas masmorras de governos pró-russos: Andrzej Poczobut e Mzia Amaglobeli.

Poczobut, de 52 anos, pertence à minoria polaca da Bielorrússia e está preso desde 2021, tendo sido condenado dois anos depois a «incitamento à hostilidade religiosa e étnica» numa colónia penal onde não lhe permitem visitas. Correspondente de vários jornais polacos, incluindo o prestigiado Gazeta Wyborcza, havia sido alvo de diversas detenções, desde 2010, pelos esbirros da ditadura de Aleksandr Lukachenko. Ter aludido à invasão soviética da Polónia em 1939 como «acto de agressão» foi uma das acusações invocadas em tribunal contra ele. A Amnistia Internacional tem feito reiterados apelos à libertação imediata deste prisioneiro de consciência.

Amaglobeli, de 50 anos, fundou dois importantes meios de informação independentes na Geórgia, seu país natal. Em Agosto foi condenada a dois anos de prisão durante a cobertura dos protestos contra o Governo na cidade de Batumi, por alegada resistência à detenção, prontamente denunciada pela Transparência Internacional, que considera «ilegal e inconstitucional» este encarceramento da primeira mulher prisioneira política na Geórgia pós-soviética. O Sonho Georgiano, partido no poder, enfrenta forte contestação dos cidadãos que rejeitam a sua aproximação a Moscovo e desejam ver o país como futuro membro da União Europeia.

Ambos merecem o apoio solidário não apenas de todos os jornalistas mas de todos os democratas europeus, conscientes de que a liberdade nunca está conquistada em definitivo: precisamos de lutar sempre por ela. Como Poczobut e Amaglobeli tão bem documentaram no seu trabalho e continuam a demonstrar mesmo na prisão. 

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