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Jornalismo sem notícia

por Pedro Correia, em 18.08.19

 

Já havia os directos de horas intermináveis sobre autocarros a caminho dos estádios.

Agora regista-se uma inovação nos noticiários televisivos: directos, dia após dia, sobre estações de abastecimento de combustível onde não se vê ninguém, excepto a desgraçada da jornalista (são quase sempre mulheres) a preencher tempo de antena sem novidade alguma: «Aqui regista-se perfeita normalidade»; «Todos os postos que visitámos tinham muito poucas viaturas»; «A tarde tem estado muito tranquila»; «Não há filas em lugar nenhum»; «Encontrámos muitos postos vazios não por falta de combustível mas por falta de clientes.»

Um imenso bocejo. Em perfeito contraste com o alarmismo dos ministros que andaram uma semana inteira a entrar-nos em casa a falar como se o País estivesse em estado de sítio e fosse necessário mobilizar as tropas especiais para travar uma agressão de um país estrangeiro ou uma invasão de marcianos.

Com momentos que me fizeram lembrar a guerra do Solnado. Deixo-a ali mais em cima para quem não sabe ou já não se lembra.

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9 comentários

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De sampy a 18.08.2019 às 19:14

A guerra do Solnado é uma excelente parábola do arranjinho de greves não selvagens a que chegaram os partidos políticos de esquerda e as centrais sindicais, e que os acontecimentos da semana finda vieram pôr a nu.

Veja-se, por exemplo, a greve dos trabalhadores de conservatórias e notariados que esteve a decorrer no mesmo período, e à qual quase nenhum destaque foi dado nos media ou pelos paineleiros televisivos do costume. Como é que a coisa funciona? É simples: o pessoal tem vontade de ir de férias em Agosto, como muitos outros; mas a chatice é estarem empregados num serviço público, que é suposto funcionar de forma "hebdomadeira" (senão, como justificar a sua existência e o número de mamões a ele alocado?). Vai então, procura-se no calendário uma semana jeitosa, de preferência com um feriadito de permeio, e mete-se aviso de greve. Os que têm planos alternativos asseguram os serviços mínimos e o resto pode ir apanhar sol na bunda, confortavelmente instalados nas casas dos sindicatos que pululam pelo país fora. A bandeira da luta pela dignificação da carreira e justas retribuições é içada a preceito e lá aparecerá um adjunto de secretário de Estado a mostrar-se solidário com as preocupações dos trabalhadores, tão maltratados pela troika. Tudo muito civilizado, porque afinal somos todos filhos do mesmo socialismo.
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De João Silvas a 18.08.2019 às 19:49

Pode ter piada (terá? eu não acho) mas, infelizmente para si, nada do que diz concorda com os factos. Mas não é só o Marques Mendes que tem direito a inventar coisas, qualquer um de nós pode inventar o que quiser. Até eu.
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De sampy a 18.08.2019 às 20:43

Se calhar, passaste estes dias como eu: a olhar para as filas intermináveis de idiotas a tentarem tirar o CC ou o passaporte. Mas certamente do outro lado do balcão. Ninguém te agrediu? É tempo de começares a dar mais valor aos securitas...
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De André Miguel a 18.08.2019 às 19:17

Quem está longe, como eu, lê notícias e pensa que o país está em estado de sítio, mas depois falamos com familiares ou amigos e está tudo na mesma "pasmaceira". Que país esquizofrénico...
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De António a 18.08.2019 às 20:53

Na greve anterior o país ficou do avesso em 4 dias. Houve queixas. Agora o país não ficou do avesso. Há queixas?
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De José a 18.08.2019 às 21:11

Queixas, agora, só em Hong Kong. Nada que te interesse, de certeza.
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De António a 19.08.2019 às 11:21

Para o que vai acontecer em Hong Kong faz cá uma diferença que eu me interesse...
Já o amigo, quando "resolver" Hong Kong com o seu interesse, avise a malta.
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De Anonimus a 18.08.2019 às 21:59

Há aquela esperança de que a gasosa se acabe a meio de um abastecimento, e um maluco saque de uma arma e comece aos tiros em directo. Se explodir a bomba melhor. A bem da boa informação.
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De Pedro Correia a 19.08.2019 às 00:47

Não me espantaria nada que haja quem torça por isso.

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