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Jornalismo "agit-prop"

por Pedro Correia, em 02.12.18

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Ontem, como de costume, em quase todos os canais "informativos" portugueses só havia bola. Com "notícias" como esta: «Benfica supera a crise goleando o Feirense.»

Deslizei para os raros recantos onde ainda não chegara o futebol - que entre nós é considerado sinónimo de desporto, vá lá entender-se por quê.

Num desses poisos alternativos, logo na frase de abertura, evocava-se o agora falecido presidente norte-americano George Herbert Walker Bush dizendo logo na frase de abertura que tinha "liderado durante oito anos" o poder em Washington: bastaria uma rápida consulta à Wikipédia para perceber que Bush pai esteve apenas quatro anos na Casa Branca, entre 1989 e 1993.

Mas este "jornalismo" que nos entra em casa não peca apenas pela falta de memória: peca também por excesso de activismo político. Noutro canal, a propósito dos distúrbios em Paris, provocados por extremistas de vários matizes, Fulano aludia à Revolução Francesa, Beltrano invocava o espírito da "revolução de 1848" e Sicrano dava por praticamente consumada a demissão de Emmanuel Macron, por pressão "do povo que se revolta nas ruas". Todos contactados por telefone, todos arengando contra a democracia representativa, todos fazendo tábua rasa da genuína vontade popular expressa no voto. Agit-prop em directo e ao vivo.

Voltei a zapar, de comando na mão. Despedindo-me dos cúmplices morais da anarquia parisiense, regressei ao reino da bola. Mal por mal, antes a crise do Benfica, "superada" pela vitória caseira contra o Feirense.

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7 comentários

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De Rão Arques a 02.12.2018 às 18:04

Bem apontado mas não aprendem.
Analfabetos funcionais rotinados na exposição pacóvia e na ignorância mórbida.
Ou fazem de conta que são burros?
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De júlio farinha a 02.12.2018 às 20:58

Caro Pedro Correia, talvez não seja sensato, deculpar-me-á, referir-se aos outros que arengam, palavra sua, contra a democracia representativa. Também não faz por menos chamar cúmplices morais aos responsáveis pela anarquia parisiense. Refere-se ainda aos jornalistas? A Le Pen? À estrema esquerda ? A agit-prop de que fala também morou no Comércio do Funchal e no Público que estavam perto da defesa militante da democracia directa. Ora o Pedro orgulha-se muito justamente de ser co-fundador do Público. O Pedro, na sua juventude não foi contemporâneo activo da Revolução de Abril? Se estiver enganado, diga-me que lhe pedirei desculpa. Se não estiver, diga-me onde e quando fez a sua autocrítica. O Pedro, quer queira quer não, ainda é hoje um agitador - de consciências. E isso não é mau. Um abraço.
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De lucklucky a 03.12.2018 às 00:16

Democracia Representativa?

Estava no programa eleitoral de Macron?
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De Luís Lavoura a 03.12.2018 às 09:22

Estava sim. Estava no programa eleitoral que o imposto sobre o gasóleo deveria ser colocado igual ao sobre a gasolina. E foi a colocação em prática dessa intenção que desencadeou o protesto.
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De sampy a 03.12.2018 às 08:26

É impressionante o silêncio sepulcral sobre a ida a leilão da Fallen Madonna with the big boobies.
Incompreensível.
Inaceitável.
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De Makiavel a 03.12.2018 às 12:44

Anda distraído.
O DN noticiou (com foto e tudo) o facto e falou numa pequena fortuna que foi desembolsada pelo novo proprietário.

Importante notícia, todo o imaginário de uma geração que nunca conseguiu ver o quadro que chegou às mãos de René.
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De Luís Lavoura a 03.12.2018 às 09:21

a genuína vontade popular expressa no voto

Macron foi eleito com 26% dos votos na primeira volta (salvo erro).

A En Marche também teve bem menos de metade dos votos, embora tenha abocanhado 2/3 dos deputados.

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