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Joker - Are you talking to me?

por João André, em 10.03.20

Em 2001 saiu o filme Uma Mente Brilhante, de Ron Howard e com Russel Crowe. Venceu na altura o óscar de melhor filme do ano, mas sendo um veículo para Russel Crowe, este acabou por não receber a estatueta (que tinha recebido no ano anterior por Gladiador). Isto veio-me à memória com Joker, um filme que parece ter sido feito, à semelhança com Uma Mente Brilhante, para o seu actor principal receber o prémio de melhor actor. Ao contrário de Crowe, Joaquin Phoenix recebeu o seu óscar. Ao contrário do filme de 2001, Joker não ofereceu mais nada.

A principal coisa que me fica na memória depois de ver Joker é a performance de Phoenix. Não é simplesmente um desempenho, uma interpretação, é antes uma performance artística, só tangencialmente associada ao cinema. Joker não tem uma história, uma mensagem para transmitir. Tem um actor numa performance. Não tem personagens (nem mesmo a de Joker/Arthur Fleck). Tem um actor numa performance. Não tem uma linha sequencial. Tem um actor numa performance. Não tem princípio e não pretende ser um fim. Tem um actor numa performance.

Phoenix neste filme transmitiu-me duas imagens: a de freestylers, aqueles artistas que são capazes de imensos malabarismos com uma bola de futebol, de dar voltas e cambalhotas com a bola, de a fazer parar no pescoço e no peito, de dar toques quando sentados ou deitados ou de fazerem parecer que têm a bola colada ao corpo. Mas isso não é futebol. Outra imagem que me ficou foi a de João Grosso no palco de um teatro a declamar textos da Geração d'Orpheu, por volta de 1995. Ele estava sozinho em palco e declamava um ou mais textos de um dos autores, numa performance também muito física. Era um prazer ver, mas não havia qualquer interacção com o palco, outros actores ou espectadores (tenho a certeza que ele discordaria deste ponto). João Grosso bastava-se a si mesmo.

E foi isso que se passou com Joker. Joaquin Phoenix disse em entrevistas que tentou criar uma personagem com a qual ninguém se conseguisse identificar. Tentou que, sendo humano, o seu Arthur Fleck não pudesse ser definido de forma nenhuma, que fosse desfasado de um perfil completo. Isso nota-se claramente. Fleck tem problemas mentais e psicológicos, mas não parece ser essa a sua força motriz. A injustiça social afecta-o mas ele não a abraça como causa. Confessa querer fazer o mundo rir, mas cria piadas que só ele aprecia. A sua principal característica parece ser o egoísmo, mas só se manifesta nos seus momentos de sanidade.

Mais ninguém recebe traços mais que grosseiros. A sua vizinha é apenas um objecto. A sua mãe serve de Mcguffin. Thomas Wayne é um alvo para os seus desejos e serve apenas de arquétipo do bilionário que se julga benfeitor. Mesmo Murray Franklin parece ser não mais que uma chave para finalmente destrancar as psicoses mais violentas de Fleck. Escolher de Niro para o papel é apenas um piscar de olho nada subtil ao seu trabalho em O Rei da Comédia e Taxi Driver. Nenhuma destas personagens tem motivações, medos, desejos, inseguranças, felicidades. São apenas cones de trânsito para Phoenix navegar. Nada acrescentam à história. Se os autores tivessem escolhido uma criança, um vagabundo, um vendedor de rua ou um advogado, nada mudaria.

Este é um filme que tenta ser dos anos 70 sem ter a envolvência social desses tempos. Taxi Driver, Raging Bull, O Rei da Comédia, Mean Streets, etc, eram todos filmes que funcionavam nesses tempos porque eram imbuídos do espírito do tempo. Não são datados porque são filmes poderosamente humanos. Em Taxi Driver, Jodie Foster e Cybill Shepherd tinham personagens de carne e osso. O mesmo para Jerry Lewis em O Rei da Comédia ou Keitel em Mean Streets, Joe Pesci em Raging Bull ou outras personagens noutros filmes desses anos. Havia uma teia humana que sustentava os personagens principais. Em Joker, é como se Joaquin Phoenix passasse o filme em variações do “Are you talking to me?”, cena que também merece a sua referência directa.

No fim, sobra a performance de Joaquin Phoenix. Não é uma actuação em si mesma, antes um momento de arte abstracta. É brilhante e merece todos os elogios, mas não faz um filme. Lembrando a polémica dos filmes da Marvel, não sei se Scorsese chamaria a isto cinema.


32 comentários

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De Vorph Valknut a 10.03.2020 às 13:47

Curiosamente a minha interpretação é completamente diversa da do João. O filme tem uma mensagem. De critica social, de como a pobreza pode surgir independentemente da vontade do individuo - traumas (Fleck foi abusado em criança), doença, nascer pobre, etc - retratando o egoísmo da sociedade moderna, perante um homem desadequado ao mundo "darwiniano", materialista, elitista. Desadequado porque sensível e humano, demasiado humano (a cena de violência, no comboio, quando Fleck é brutalmente espancado por 3 yuppies, que trabalham em "Wall Street", condensa bem o conto moral do filme). Fleck recorda-me Bick, do filme, O Assassínio De Richard Nixon, interpretado, soberbamente, por Sean Penn. Um Homem Bom que perante a podridão moral opta por usar a violência, física, contra uma sociedade construída sobre camadas de violências soberbas subtis. Onde a felicidade de uns poucos se constrói à custa da miséria, da infelicidade, de muitos.

Arthur Fleck, personifica a evolução de um homem bom, que perante a maldade humana se torna, ele mesmo, um anjo destruidor.

https://www.youtube.com/watch?v=mUPJckUSdzo
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De João André a 10.03.2020 às 19:05

Lá está, discordamos, mas isso é normal. É das melhores coisas na Arte, a possibilidade de se obterem múltiplas leituras, mesmo para lá das intenções dos autores.

Fico-me só por Fleck. Não me parece que seja uma pessoa boa. Parece-me uma casca de ser humano. Alguém que cumpre as funções mínimas sociais e permanece ancorado à realidade por via da mãe de quem tem que cuidar e do aconselhamento e medicamentos que recebe. Sem eles ele não é bom nem mau, parece-me antes mais alguém que cede aos seus instintos.

O filme cria de facto várias oportunidades para desculpar Fleck. Para mim a mais clara de todas é até o assassínio de Wayne e da sua mulher por um homem com uma máscara de palhaço, como que a dizer que Joker não e´o único. Só que tenho a sensação que Fleck não tem hostilidade perante a sociedade, antes hostilidade pessoal contra certas pessoas.

O assassinato dos "fatos" não me surpreende (nem sequer me chocou nem foi inesperado, pareceu-me quase telegrafado, como quase toda a violência do filme). Fleck está a ser acossado, espancado e tem um revólver à mão. É uma reacção individual a um momento específico. Talvez liberte algo nele, mas não vi o acto como enquadrando nada. É para mim como dizer que partir uma suspensão num buraco da estrada enquadra uma reflexão sobre os sistemas de produção industriais no mundo.

Não vi O Assassínio de Richard Nixon, por isso nada posso dizer para comparar...
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De João André a 10.03.2020 às 19:08

Só uma nota: penso que de facto Todd Philips queria fazer tal reflexão, mas se era essa a intenção, pareceu-me demasiado preguiçosa e manca de história.
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De Vorph Valknut a 10.03.2020 às 22:21

João, salvo erro Fleck descobre que foi institucionalizado, em virtude dos maus tratos sofridos às mãos do companheiro da mãe dele, que nunca o denunciou, e lhe provocaram, mais tarde, uma doença neurológica (não me recordo se Fleck foi adoptado) - Fleck, em criança, bateu com a cabeça num radiador. Quanto aos conselhos, ao aconselhamento, prestados pela assistente social, são ridículos. Deixo aqui uma cena elucidativa (perante uma vida sem nada a terapeuta diz - lhe que pense de forma positiva; faz-me lembrar uma mulher, que conheci, doente e ignorada pela família e que perante os meus desejos de melhorias, respondeu-me , perguntando : melhoras, para quê, se a minha vida tem sido uma merda?)

https://youtu.be/iFrdpsILBv4

You don't listen do you? All I have are negative thoughts.
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De Vorph Valknut a 11.03.2020 às 08:57

Lá está, discordamos, mas isso é normal. É das melhores coisas na Arte...



E na política... e na ciência (médica e física) ... e no desporto
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De halpega a 11.03.2020 às 13:41

E parece que tambem não viu o Joker...
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De João André a 11.03.2020 às 17:50

Isso era para mim?
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De Vorph Valknut a 10.03.2020 às 14:51

João, realmente não posso estar mais em desacordo. Bem sei que o filme pode servir como suporte ideológico a um tipo de violência, alguma dela de natureza política, sendo passível de constituir o Joker um modelo, a seguir, por algum "desequilíbrado", na linha de Ted Kaczynski, mais o seu manifesto. É, por causa disso, um filme polémico, porque perigoso (sobretudo no EUA). Muitos dos que assistiram ficam, no final do filme, sem saber quem são os "maus".

"Confessa querer fazer o mundo rir, mas cria piadas que só ele aprecia"

Só ele aprecia, porque só ele entende, sabe, a vida que não tem. A vida que lhe foi roubada pela mãe negligente e egoísta e pelo pai abusador. Mas, nós, púbico, estamos enteirados, ao contrário do público "ficcional" do filme.

Uma das melhores cenas, das mais desesperantes (para quem não sabe, Fleck teve um traumatismo crânio encefálico que lhe provocou uma desordem neurológica caracterizada por uma "vontade" de rir incontrolável quando posto em situações de stress)

https://youtu.be/EaiMNgZPzEI

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De Vorph Valknut a 10.03.2020 às 14:54

Inteirado...
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De Primo Basílio a 10.03.2020 às 15:39

Muito sucintamente, o filme vale pela interpretação... óbvio.
Mas que não é um grande filme, não é de facto.
Falta ritmo, falta uma via para que o espetador se identifique com o argumento... provavelmente esse é o objetivo, mas acaba por tornar a obra sem sabor.
No entanto, verdade seja dita, qualquer ator acima da média consegue prestações de valor, quando interpreta uma personagem com deficiência, ou atraso, ou qualquer tipo de incapacidade física ou mental.
Isto sem tirar o mérito ao joaquin, claro.
Mas continuo a preferir aqueles que ao interpretar uma pessoa normal, o fazem de forma majestosa... e esses são poucos.
Conforme referiu, Russel Crowe fez uma excelente interpretação... e este é um bom exemplo de um ator mediano, que na sorte de lhe calhar uma personagem cheia de debilidades de personalidade, consegue um resultado muito bom.
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De João André a 10.03.2020 às 19:10

O actor mediano que refere é Phoenix ou Crowe? Pessoalmente não vejo nem um nem outro coo medianos, embora especialmente Crowe também não seja para mim muito melhor que simplesmente bom.
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De Primo Basílio a 10.03.2020 às 20:45

João, obviamente falo de Russel. Na representação os gostos são muito pessoais. Para mim Crowe é mediano. Sam rockwell é soberbo, Forest whitaker é irritante com o seu overacting... enfim... gostos....
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De João André a 11.03.2020 às 17:55

Imaginei que sim, como poderá provavelmente ver pela segunda parte do meu comentário.

Também gosot muito de Rockwell, mas parece-me por vezes muito intenso, mesmo nos momentos mais sossegados. Penso que precisa do ambiente ideal para demonstrar o enorme talento que tem. Dá a sensação de um cavalo que só quer correr a toda a velocidade e que é preciso refrear. Moon foi uma excepção clara: Rockwell foi soberbo nesse filme.

Forrest Whitaker, mais ainda que outros, necessita de um bom realizador de actores. Quando o tem, pode ser escepcional e representar qualquer coisa que seja. Mas sem isso cai de facto em overacting.

Dois de quem gosto muito hoje em dia são Lupita Nyong'o e Michael B. Jordan, que têm um alcance enorme no tipo de registos que podem atingir (embora me falte vê-los em comédia).
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De Vorph Valknut a 11.03.2020 às 18:07

João, Michael Shannon é também fenomenal
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De João André a 11.03.2020 às 23:20

Sem dúvida. Tem uma capacidade impressionante de fazer de tudo. Mas se formos falar de todos os bons, ficamos aqui muito tempo (mesmo que menos do que se falarmos dos sobrevalorizados).
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De Primo Basílio a 12.03.2020 às 12:30

Concordo em absoluto com o João. A minha intenção era apenas dar alguns exemplos de atores que apenas de destacam ao interpretar personagens inadaptadas. Pois quando interpretam uma personagem normal, demonstram como são medianos. Não percebo nada de representação, mas obviamente consigo perceber que um jack nicholson só consegue prestações soberbas ao interpretar atrasados mentais, esquizofrénicos ou psicopatas, tal como matt macconauhey. No dia em que aceitem um papel normal, não se vão destacar.
Infelizmente o histerismo do #metoo veio impedir o amante do cinema de se deliciar com kevin spacey, que para mim é talvez o melhor a interpretar o homem comum.
E nas mulheres muitos exemplos de sobrevalorização, como scarlett johansson ou julia roberts.
Entretanto, opinião minha, os ingleses são muito superiores em interpretar pessoas normais, fazem-no com uma simplicidade soberba e evitam exageros a la hollywood, tipicos dos atores americanos.
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De João André a 12.03.2020 às 18:03

Penso que essa capacidade dos britânicos provém de uma educação mais teatral e com enfâse nos clássicos. Oferece assim um alcance diferente. Como se sabe, a educação (mesmo em representação), é importante.

Só uma pergunta: vi que deixou essencialmente o mesmo comentário (não os avaliei para verificar se há diferenças) duas vezes. Foi por engano ou quis corrigir alguma coisa?
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De Primo Basílio a 12.03.2020 às 14:48

Concordo em absoluto com o João. A minha intenção era apenas dar alguns exemplos de atores que apenas de destacam ao interpretar personagens inadaptadas. Pois quando interpretam uma personagem normal, demonstram como são medianos. Não percebo nada de representação, mas obviamente consigo perceber que um jack nicholson só consegue prestações soberbas ao interpretar atrasados mentais, esquizofrénicos ou psicopatas, tal como matt macconauhey. No dia em que aceitem um papel normal, não se vão destacar.
Infelizmente o histerismo do #metoo veio impedir o amante do cinema de se deliciar com kevin spacey, que para mim é talvez o melhor a interpretar o homem comum.
E nas mulheres muitos exemplos de sobrevalorização, como scarlett johansson ou julia roberts.
Entretanto, opinião minha, os ingleses são muito superiores em interpretar pessoas normais, fazem-no com uma simplicidade soberba e evitam exageros a la hollywood, tipicos dos atores americanos.
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De Vento a 10.03.2020 às 17:14

João, vi uma mente brilhante. Não vi Joker. Recordo-me vagamente de ter lido alguma crítica em torno deste último. E, pela crítica, pareceu-me estar-se perante a tentativa de se criar um heterónimo no personagem. Estou em crer que ao nível dos heterónimos, que são o homónimo em uma vida tridimensional, e a sinceridade do fingimento, ninguém poderá bater Fernando Pessoa. Ele foi brilhante em tudo e até mesmo no representar. Deixou isto em sua obra.
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De João André a 10.03.2020 às 19:43

A mim não me pareceu ser um caso de um heterónimo, antes mesmo uma personalidade reprimida. Mas sinceramente nã sei exactamente como interpretar Fleck no filme.
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De Bea a 10.03.2020 às 18:28

Não vi - ainda - o filme (com excepção dos dois bocadinhos que aqui estão), mas há muita gente a afirmar que a interpretação é soberba. Parece que essa é a mais valia do filme.
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De João André a 10.03.2020 às 19:46

Sem qualquer dúvida. A intepretação é soberba. A sensação que me dá é que é a única razão de existir do filme.
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De Bea a 10.03.2020 às 21:16

E o que ganhou o filme? Não foi o prémio da melhor interpretação ou coisa que o valha? Se sim, serviu os intentos.
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De João André a 11.03.2020 às 17:55

Tenho uma interpretação diferente de para que serve um filme. Se der prémios tudo bem. Ser feito para eles?... Não em agrada tanto. Mas isso sou eu.
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De Bea a 11.03.2020 às 20:34

Percebo.
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De Bea a 11.03.2020 às 20:32

Pode que chegue:).
Boa noite
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De Anónimo a 11.03.2020 às 11:28

João André, não queres escrever qualquer coisa sobre o caso de Covid 19 que surgiu em Santa Maria da Feira?
É que o caso mais parece um joker.
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De EspectadorApolítico a 11.03.2020 às 20:03

Mais que não receber a estatueta do melhor filme, quando perguntarem às pessoas de 2020, toda a gente se lembrará do Joker - vai ficar muitos anos como referência. Dos outros - talvez - se lembrem.
Que pelas razões que quiserem ou muito bem entenderam não lhe queiram dar esse tributo, não retira a posteridade.
De resto, houve até quem tentasse suprimir a sua exibição, e tentaram denegrir o filme desde o início, e levar as pessoas a não ver (i.e. USA).
Sem sucesso diga-se.
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De João André a 11.03.2020 às 23:23

Eu penso que aquilo que mais vai ficar na memória será a primeira vitória de um filme estrangeiro (descontando os ingleses) com Parasita. Mas pronto, cada um lembra o que quer. Apesar da qualidade de The Thin Red Line, Truman Show ou Saving Private Ryan, lembrar-me-ei sempre o ano em que Shakespeare in Love foi considerado o melhor filme...

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