De Miguel a 16.01.2015 às 12:10
Muito bom! desconhecia esta revista em absoluto.
Desenhos do grande José Vilhena, o patriarca da caricatura satírica em Portugal. Com os seus 87 anos, merece sem dúvida uma homenagem.
Não tenho dúvida que algumas destas caricaturas não seriam hoje publicadas na grande maioria das revistas e jornais portugueses. Incluindo naquelas publicações dirigidas por jornalistas que andam a bater no peito dizendo "Je suis Charlie!"
De JMAlvim a 16.01.2015 às 12:39
#Confere
«Não tenho dúvida que algumas destas caricaturas não seriam hoje publicadas na grande maioria das revistas e jornais portugueses. Incluindo naquelas publicações dirigidas por jornalistas que andam a bater no peito dizendo "Je suis Charlie!"»
Ora nem mais!
Carlos: são "mais que muitos", como agora se diz.
José Vilhena nunca publicou nem tentou publicar, que eu saiba, caricaturas em revistas ou jornais, a não ser nas suas próprias revistas.
Nunca pediu a outrem que lhe publicasse os seus textos e desenhos. Publicava-os ele mesmo.
Se há coisa que o tuga faz bem é rir de si próprio. Nessa matéria ninguém nos dá lições. É um orgulho.
Os tempos do Vilhena eram outros. Agora o humor anda mais envernizado...
É verdade, Teresa. Infelizmente nós, por cá, nem precisamos de terroristas islâmicos para silenciar a sátira política e de costumes. A autocensura e o ancestral respeitinho encarregam-se disso.
De Manuel Sampaio a 16.01.2015 às 15:18
Tenho sérias dúvidas que saibamos rir de nós próprios. Rir dos outros é nos mais peculiar. O que sabemos, isso sim, é incorporar expressões no uso corrente da nossa língua, que nunca foram nossas, e que inicialmente eram usadas, com escárnio, em nosso desprimor. É caso de "tuga", inicialmente, "portuga", e depois abreviado para "tuga". Expressão usada pelo negros em África para escarnecer dos portugueses brancos, acabados de chegar da "Metrópole", com pronúncia e hábitos ainda provincianos, possivelmente, em contraponto à expressão "turra" usada pelos portugueses em África para se referirem aos negros que lutavam contra o colonialismo ou àqueles que denotavam qualquer simpatia em relação à sua luta armada: "este deve ser turra".
Confesso que não gosto de ambos. O primeiro, porque fui (quase) nado e criado em África (Angola) e conheço bem do profundo desprezo pelos portugueses que este termo escondia (e ainda esconde) por quem o usava (ou usa). E o segundo, porque o termo escondia aos olhos dos portugueses que aqueles "turras" estavam, afinal, a lutar pelo seu direito a serem livres e independentes.
Eu uso ambos. Tuga e turra. Conforme as circunstâncias.
De Manuel Sampaio a 17.01.2015 às 22:52
Não há nenhum delito no uso de qualquer uma das expressões. Esteja à vontade. Eu também estou à vontade em embirrar solenemente com o seu uso e com quem as usa. A liberdade tem destas coisas!
É verdade. Eu já tive uma série neste blogue (com mais de 30 textos) intitulada "Os Tugas", veja lá. Por acaso já tive outra (que chegou aos cem) intitulada "Palavras que detesto". E ainda outra chamada "Expressões que odeio".
Mas tudo isto decorre da liberdade natural de gostarmos ou não gostarmos, de aplaudirmos ou apuparmos. Não por acaso este blogue se chama Delito de Opinião. Contra as unanimidades. E sobretudo contra os falsos unanimismos ditados pela correcção política.
De Manuel Sampaio a 18.01.2015 às 15:29
Estamos, pois, neste campo -- o da liberdade, e que é indeclinável -- de acordo. Sou, também, avesso ao politicamente correcto. É por isso que aprecio o Delito de Opinião (com e sem maiúsculas).
Agradeço as suas palavras sobre o Delito, Manuel. E identifico-me em absoluto com o seu conceito de liberdade. Substantivo que dispensa adjectivos.
De Alexandre Carvalho da Silveira a 16.01.2015 às 15:44
Lembro-me de alguns livros dele que li na adolescência como p. ex. "Branca de Neve e os 700 Anões", "A Menina do Chapèuzinho Vermelho", " O Furúnculo", "0 Beijo" e tantos outros, que são histórias engraçadìssimas ilustradas com o seu traço inconfundível.
Penso que a "Gaiola Aberta" vem a seguir ao 25/4, e foi uma revista de sátira, de critica social e politica que na minha minha opinião era muito melhor que o Charlie Hebdo.
No tempo de "O Mundo Ri" eu era míudo, mas lembro-me que tinha saída irregular porque o Vilhena de vez em quando ia passar umas férias às "termas de Caxias" porque não respeitava a censura.
José Vilhena é genial.
Sem dúvida, Alexandre. Uma semana depois, que eu tivesse visto, ninguém aludiu ao grande Vilhena a propósito do 'Charlie Hebdo'. Quando ele foi - de longe - o mais próximo que tivemos dos desenhadores assassinados. Totalmente iconoclasta, perseguido antes e até depois do 25 de Abril por causa disso, e marginalizado por todas as bem-pensâncias do sistema.
Como é costume entre nós, deixamos apagar as pessoas que se distinguem de alguma forma, seja no que for, pela maneira mais vil, muito à portuguesa: pelo esquecimento. A desmemória galopante nas redacções de jornais também contribui para isso.