Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




shadow-old-lady-walking-at-night.jpg

 

«É provavelmente a maior operação de branqueamento na política a que já assistimos. Quiseram "salvar o Natal" e agora morrem 150 pessoas a cada 24 horas... É como se um avião caísse todos os dias. Salvou-se o Natal e perdeu-se Janeiro, perdeu-se Fevereiro e não sabemos o que esperar de Março... Perderam-se vidas humanas, mortes que podiam ter sido evitadas. (...) A 14 de Janeiro somos o quinto país em todo o mundo com mais mortes por milhão de habitantes. Atingimos o tenebroso recorde de 156 vítimas diárias e há seis dias consecutivos que estamos acima das cem mortes.»

João Vieira Pereira

 

«Quando 10 mil portugueses morreram a mais no ano passado de outras doenças porque o SNS não conseguiu tratá-los, quando as enfermarias e as UCI estão à beira do colapso e quando é facil antecipar que os centros de saúde não terão capacidade para administrar vacinas a todos quando elas estiverem disponíveis em quantidade, insistir em recusar a utilização "a preço justo" da capacidade instalada do sector social e do sector privado é mais do que obsessão ideológica, é um atentado contra a vida dos portugueses.»

Miguel Sousa Tavares

 

«Os dois melhores retratos dos nossos erros são a app StayAway Covid e a absurda batalha "ideológica" sobre público e privado numa pandemia. A primeira, porque explica que é inútil criar tecnologia quando ninguém a alimenta (a percentagem de casos inseridos é ridícula); a segunda, porque mostra o vazio das nossas discussões políticas, que se arrastaram para os debates das presidenciais. Em vez de se montarem sistemas de resposta robustos, fazem-se guerras ideológicas. Depois, a realidade bate-nos à porta.»

Ricardo Costa

 

«Na frente sanitária, o que começou por ser apresentado como um milagre ("o milagre português") transformou-se nos dias de hoje num dos piores resultados do mundo, no que se refere ao ritmo de progressão das infecções, a que se seguirá o aumento do número de ambulâncias com doentes à espera de vaga nos hospitais superlotados e o aumento do número de mortos. Por muito que relevem, e relevam, razões exteriores, e objectivas, que talvez nada nem ninguém conseguiria superar, estão à vista de toda a gente os resultados da imprevidência, da falta de planeamento, da infantilização de um povo inteiro, que se quis deixar ser tratado como uma criança, para celebrar o Natal.»

Daniel Bessa


9 comentários

Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 17.01.2021 às 10:31

Em Abril, do ano passado, falava-se no Milagre luso. Portugal, a Canaã da península. Portugal não mais o cu da Europa, mas a sua Terra Prometida. Sonhar com Califórnia era treta de humildade saloia. Houve quem arriscasse a riscar a antiga Teogonia e a traçar uma Nova origem nacional. Herculano,um patife. Ourique aconteceu. E a Atlântida foi nossa. A Academia reuniu-se em Concílio na Fundação Champalimaud. Os portugueses um povo eleito, com uma genómica única, a nível internacional, e até mundial (o povo gritou, durante semanas, "o gene A25-BIS-DR2 é nosso, porra e há de ficar tudo como dantes". E neste dantes apenas os velhos deram fé). Aventou-se, mais tarde, numa tarde qualquer, em Alcântara, que os portugueses lusos eram de origem extraterrestre. Organizaram-se Conferências, convidaram-se congressistas ilustres. Mulder, Scully, Dr. House. Mas depois veio o inverno,e com ele a falta de sol. A melanina baixou, o humor também, a Melânia emigrou. Ai "Portugal, Portugal, Portugal que tiveste a glória na mão" e o trunfo na manga. Porque acordaste? Deixa-te estar nas palhinhas,que a mãe já vem.

Conferindo os anais da história lusa, é urgente que a sociedade, mais a sociedade civil, demande das suas instituições públicas, uma campanha púdica geral e de âmbito nacional. Uma campanha alegre que dê a cada português um supositório como vacina. Parafraseando Teofrasto Bombástico, de Arganil. Portugal sendo o ânus da Europa, merece o seu supositório. E nós também.
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 17.01.2021 às 12:37

Não há dúvida que as pessoas são livres de manifestar as suas opiniões, mas quando as opiniões necessitam de dados para manter um determinado ponto de vista, convém que esses dados sejam sérios e não manipulados.
A opinião de João Vieira Pereira é o exemplo perfeito de uma falácia, em que as suas conclusões são baseadas em premissas falsas.
Não morrem 150 pessoas a cada 24 horas, morrem mais de 600 a cada 24 horas.
Não estamos há seis dias consecutivos acima das cem mortes, estamos há seis dias consecutivos acima das seiscentas mortes.
Por muito que queira culpar as pessoas pelo relaxamento na quadra festiva não pode ignorar que o número de mortes não covid é muito superior ao número de mortes covid. E que as medidas de contenção de eficácia duvidosa provocam muito mais danos na sociedade do que o próprio vírus.
Como é que querem fazer crer que estamos à beira do caos se os hospitais privados estão a trabalhar normalmente?
Não seria mais lógico fazer uma requisição civil aos hospitais privados? E só depois avançar para um estado de emergência?
Não sei quem é o João Vieira Pereira, mas se deu a sua opinião no Expresso deveria respeitar mais a inteligência dos leitores.
Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 17.01.2021 às 14:59

"Por muito que queira culpar as pessoas pelo relaxamento na quadra festiva não pode ignorar que o número de mortes não covid é muito superior ao número de mortes covid."

Só se fôr em Portugal
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 17.01.2021 às 15:41

É de portugal que estamos a falar, e os números falam por si. Por cada morte covid há quatro mortes não covid.
Convém estarmos lúcidos e não embarcar em qualquer " fake news ".
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 17.01.2021 às 15:03

Há menos de meio ano a malta da política pavoneava-se por esse Portugal, apregoando o milagre português e que o pior passara, com o inefável Marcelo na frente de combate, tronco nu e selfies de grupo.
Como nenhum destes badamecos tem o mínimo de vergonha na cara, e o português bufa muito mas perdoa rápido, siga a festa.
Sem imagem de perfil

De balio a 18.01.2021 às 09:23

Quiseram "salvar o Natal" e agora morrem 150 pessoas a cada 24 horas...

(1) Há alguma relação de causa e efeito comprovada entre as duas coisas? A meu ver, elas nada têm a ver uma com a outra.

(2) Se João Vieira Pereira não concorda que se devesse "salvar o Natal", porque não o dissse a tempo e horas, isto é, antes do Natal?
Sem imagem de perfil

De V. a 18.01.2021 às 20:15

(1) Há alguma relação de causa e efeito comprovada entre as duas coisas? A meu ver, elas nada têm a ver uma com a outra.

Há. Conheço pelo menos 2 casos de pessoas que estiveram numa festa de Natal com a família alargada (deslocaram-se para o interior para a Consoada) e um deles estava infectado e apanharam TODOS, sem excepção, com diversos graus de sintomas.

E aposto que o número de pessoas que VOCÊ conhece que já apanharam Covid aumento exponencialmente nos últimos dias. O que quer dizer que está mais próximo. O que despoletou este número de casos foi o não ter havido restrições no Natal. Apostaram nisso e falhou. Pronto. Acontece. Mais vale assumir, não serão julgados por isso. Agora por omitir evidências e sacudir a água do capote já me parece mais passível de crítica. Estão a voltar ao comportamento que tiveram durante os fogos.
Sem imagem de perfil

De balio a 19.01.2021 às 09:35

Não duvido de que tenha havido pessoas que se contaminaram em festas de Natal. Certamente que houve. O que duvido muito, muitíssimo, é que esses casos extra de infeção tenham sido muito relevantes para a grande vaga de infeções que houve neste mês.

Acredito ademais que, mesmo sem restrições implementadas pelo Governo, a maioria das pessoas teve cuidado e não participou em grandes festas de Natal, ao contrário desses dois casos que você diz conhecer.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D