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Já não há cavalheiros

por Pedro Correia, em 18.11.16

2016-01-12-Caixa-multibanco[1].jpg

 

Chego ao multibanco para levantar dinheiro, já com o cartão na mão. Da direcção oposta surge uma senhora quase ao mesmo tempo. Cedo-lhe a vez, estendendo o braço na direcção dela.

Sem o menor gesto de agradecimento, abre a mala, tira de lá a carteira, abre-a e recolhe o cartão acompanhado de um papel. Depois põe os óculos de ver ao perto e contempla o papel com meticulosa atenção.

Enfia o cartão na ranhura e tecla uns números que me parecem intermináveis. Algo falha na operação, que volta ao princípio. Sai cartão, entra cartão, novo exame minucioso ao papel.

E tudo falha outra vez. A senhora pega então no telemóvel, numa aparente tentativa de falar para alguém. Arrisco então perguntar-lhe:

- Não se importa que eu avance? Preciso apenas de levantar dinheiro, são só alguns segundos.

Mostra enfim ter-se apercebido da minha presença. Sem me olhar limita-se a dizer, em tom ríspido:

- Vai ter de aguardar pela sua vez.

Depois de falar, mirou-me enfim, de sobrolho franzido, como se pensasse: "Já não há cavalheiros."

E se calhar pensou mesmo.

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66 comentários

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De António Maria a 18.11.2016 às 10:42

Desculpe-me o insulto, mas o senhor fez figura de parvo (como eu às vezes faço).
As culpadas são as "blocas". A sua cruzada para a igualdade dá nisto.
Haja também igualdade na má-educação.
Para a próxima já sabe. Mete o cartão à pressa à frente da "gaja" e ela que espere.
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 10:54

Leu-me os pensamentos, António Maria.
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De Anónimo a 18.11.2016 às 11:48

"As culpadas são as "blocas"." A observação é muito inteligente mas eu discordo.As culpadas são as do partido que eu não gramo.
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 14:31

Vocês metem (ou "introduzem") a política em tudo, caramba.
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De Maria Lopes a 18.11.2016 às 11:30

Que idiota! pensou a pessoa do sexo feminino. Não a posso chamar de senhora, pois isso seria elevá-la a uma categoria à qual dificilmente ascenderá.
Quanto a si, meu caro senhor, um bem haja por ser tão cavalheiro. Tomara eu ter a sorte de me cruzar com gente tão educada, para ter o prazer de responder: "agradeço a atenção, mas vou demorar."
Maria Lopes
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De Luís Lavoura a 18.11.2016 às 11:52

pessoa do sexo feminino

Em português diz-se "mulher".
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De Maria Lopes a 18.11.2016 às 15:32

Mesmo assim, é respeito a mais para coisinha a menos.
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 16:02

Integramos uma espécie em vias de extinção, Maria Lopes.
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De Marco a 18.11.2016 às 11:38

No good deed goes unpunished.
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De am a 18.11.2016 às 12:02

Caro Marco


Prefiro o acordo ortográfico.... " Já não há portugueses"
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De Luis Eme a 18.11.2016 às 11:51

Não há mesmo, Pedro.

E só temos o que merecemos quando nos armamos nessa coisa extinta. :)
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 14:26

Eu aprendi a lição, Luís. Desta vez aprendi.
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De amendes a 18.11.2016 às 11:55

Ela tem razão:

Já não há cavalheiros: --- " Introduzir o Cartão" ?! ?!


A que isto chegou!
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De Anónimo a 19.11.2016 às 00:02

Eu quando vejo gajas à minha frente, introduzo logo.
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De Anónimo a 18.11.2016 às 11:56

A mim acontecem coisas parecidas tanto com velhas como com novas. Uma que me irrita é nas portas. Paro e a mulher, nova ou velha, passa sem dizer obrigada ou fazer uma ligeira vénia ou, pelo menos, olhar para mim. Chego a abrir a porta (por exemplo em restaurantes) e elas entram como se eu não existisse.
Ultimamente tenho usado outra táctica: paro, obstruindo o caminho, e a gaja ou me contorna ou choca comigo (qualquer contacto físico com mulheres, mesmo mal educadas e desconhecidas, agrada-me muito). Se houver contacto a responsabilidade é dela pois eu estou parado. Geralmente contornam-me, por vezes com um olhar (este caso já olham) furibundo. Eu sorrio.
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 15:09

Nas portas já não reparo. Cedo sempre passagem, abro a porta, se for preciso recuo - e na maioria das vezes nem um grunhido de agradecimento.
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De Luís Lavoura a 18.11.2016 às 11:56

Infelizmente, tenho com muita frequência de esperar mais tempo do que gostaria, em caixas de supermercado, devido à mania que muitas pessoas, sobretudo as mulheres, têm de pagar tudo com multibanco. Perco muito mais tempo da minha vida aí do que nas caixas multibanco propriamente ditas. O problema é que, para além do tempo que as próprias transações multibanco demoram, há ainda os enganos com os cartões e os códigos. Um pagamento que em notas e moedas se faz num minuto, com multibanco pode demorar dois ou três.
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De Anónimo a 18.11.2016 às 18:25

É boa, eu com Multibanco pago com muito maior rapidez do que com moedas. Não há que procurar, que contar nem há trocos. Já nem falo no pay wave.
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De am a 18.11.2016 às 11:59

Caro Marco

Prefiro o acordo ortográfico....
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De Luís Lavoura a 18.11.2016 às 11:59

A mim já me aconteceu coisa similar uma vez, mas foi com uma mulher que tinha uma data de cartões multibanco com ela e estava a fazer operações sucessivas com eles. Tirava um cartão da máquina, arrumava-o na carteira, da qual tirava outro cartão, e assim sucessivamente.
O multibanco é uma coisa muito boa, mas usada em excesso torna-se um horror.
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 22:59

Já me aconteceu várias vezes. Interrogo-me sempre por que motivo as pessoas só no preciso instante em que vão pagar se lembram de abrir a carteira e tirar de lá o cartão.
Quando acontece comigo tenho sempre o cartão na mão no momento de pagar. Poupo tempo. E não faço mais ninguém perder tempo também.
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De Luís Lavoura a 19.11.2016 às 15:14

O problema nem é tanto, a meu ver, o só abrirem a carteira no momento em que vão pagar. O problema é que, além disso, têm que escolher qual o cartão com que vão pagar e têm que se esforçar por se lembrar se esse cartão está ativo ou não e qual o seu código PIN. Frequentemente vejo pessoas a tentar pagar com um qualquer cartão e depois a terem que o substituir por outro, ocasionalmente por um terceiro ou quarto.
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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 14:03

Um teste ao nervos de aço de quem se segue na fila. É sempre mais gente do que devia.
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De Desconhecido ALfacinha a 18.11.2016 às 11:59


Tempos modernos Meu Caro, tempos modernos.

Forte abraço
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De Pedro Correia a 18.11.2016 às 15:09

Muita sorte, ela não me ter chamado "porco machista" ou algo do género.

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