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Já li o livro e vi o filme (68)

por Pedro Correia, em 22.02.16

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À BEIRA DO ABISMO (1939)

Autor: Raymond Chandler

Realizador: Howard Hawks (1946)

Realizador: Michael Winner (1978)

Nascia aqui Marlowe, um dos mais célebres detectives da ficção. Bogart deu-lhe corpo na tela, ao lado de Lauren Bacall. Inferior ao livro e ao filme dos anos 40 é a produção britânica da década de 70, em Portugal intitulada O Sono Derradeiro.


28 comentários

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De Anónimo a 22.02.2016 às 18:51

Não li o livro.
Vi o 'The Big Sleep', do Howard Hawks, aliás vi quase todos os filmes com este casal maravilha.
Não me recordo de ter visto a versão de 1978.
:-) Antonieta
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De Pedro Correia a 22.02.2016 às 22:38

Julgo ter visto todos os filmes deles. Há dois menos conhecidos mas que também são obras-primas: 'Prisioneiro do Passado' e 'Paixões em Fúria'.
Só não passarão por cá porque não li os livros.
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De Anónimo a 23.02.2016 às 07:24

Nesse caso parece que vi todos pois também vi o 'Dark Passage' e o 'Key Largo'. Pensava que eles tinham feito mais filmes juntos.
:-) Antonieta
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 10:27

Fizeram mais, Antonieta. Desde logo o 'Ter ou Não Ter', de que também já falei aqui (foi o nº 2 desta série).
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De Anónimo a 23.02.2016 às 11:01

Sim, também vi esse (o do assobio), não falei dele agora precisamente por fazer parte desta série.
Pensava que eram mais do que quatro.
:-) Antonieta
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 13:51

Foram esses quatro. O primeiro em 1944, o último em 1948.
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De sampy a 22.02.2016 às 23:07

É-me difícil dissociar Marlowe de Powers Boothe.
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De Pedro Correia a 22.02.2016 às 23:43

Lembro-me bem dele na série televisiva dos anos 80, tal como do Stacy Keach a fazer de Mike Hammer - o detective criado por Mickey Spillane.
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De sampy a 22.02.2016 às 23:18

Percebo o porquê de Baptista de Carvalho ter escolhido adoptar o título português dado ao filme, mas preferiria que tivesse optado por algo mais semelhante ao original. As edições posteriores não mais o largaram.
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De Pedro Correia a 22.02.2016 às 23:39

O pior título, sem dúvida, foi aquele do filme dos anos 70: 'O Sono Derradeiro'.
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De Anónimo a 23.02.2016 às 07:39

A propósito de títulos, quando comecei a fazer as minhas fichas de filmes vistos (por realizador), comprava e/ou assinava a Studio, a Première (às vezes os Cahiers), a Film Review, a Cinema (alemã) e a Ciak (italiana).
Só muito mais tarde apareceu (e desapareceu) a Première Portuguesa.
A confusão de títulos era tal que optei por pôr sempre o nome original do filme.
Eu costumava encomendar muitos filmes ao Adrian's Video em Londres, via fax.
E às vezes nem sequer sei o título dos filmes em português... tenho que ir pesquisar na Net.
:-) Antonieta
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 10:34

Eu também já tive essa fase, Antonieta. Mas acabei por conservar a grafia portuguesa - que aliás consta do registo oficial dos filmes em Portugal quando são traduzidos. Aplico nesta matéria a regra vigente nos livros. Se digo 'Crime e Castigo' ignorando o título original em russo, também escrevo 'O Couraçado Potemkine'. De resto daria imenso trabalho redigir o título original em cirílico - e eu seria incapaz de o fazer. O mesmo se aplica aos filmes do Bergman, por exemplo. Já para não falar nos filmes do Ozu ou do Kurosawa.
E se traduzo japoneses, suecos e russos, mantenho a regra para ingleses, espanhóis, italianos, franceses e norte-americanos. Por uma questão de coerência. Mas não critico quem procede de maneira diferente, como é óbvio.
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De Anónimo a 23.02.2016 às 11:26

Sim, claro que eu só faço isso nos filmes de língua inglesa e francesa e apenas porque às vezes as traduções são tão diferentes (mesmo ridículas ou idiotas) que prefiro saber o nome que o realizador quis dar ao filme.
Em relação ao Bergman, por exemplo, tenho o filme 'Porto de Abrigo', que nos Cadernos da Cinemateca vem como 'Cidade Portuária'; idem para 'Em Busca da Verdade' que também se chama 'Através do Espelho'. Só pelo nome original vi que eram os mesmos filmes com nomes diferentes.
:-) Antonieta
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 14:04

Duas películas que não conheço. Se a tradução dos títulos é tão oscilante imagino como será com a tradução dos próprios filmes...
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De Anónimo a 24.02.2016 às 18:20

A sua referência ao Couraçado de Potemkine no contexto da tradução sugere-me, de novo, uma questão que sempre me deixou muito confundido. A que regras deve obedecer a transliteração para português? Percebo muito pouco do assunto e não me atrevo a pretender apresentar nenhuma tese solidamente fundamentada, mas, segundo o que me parece lógico, a transliteração deve recorrer apenas ao alfabeto da língua em que a ela se procede. Parece-me, de facto, muito pouco razoável que na transliteração do cirílico para português se vá utilizar letras, como o K,Y ou W, que não existem no nosso alfabeto (falo do português.Do acordês não sei nem quero saber). A que título? O recurso a estas letras na transliteração não constituirá um, mais do que dispensável, estrangeirismo? Se quisermos reproduzir, tanto quanto possível, a fonética original, há alguma razão para nos deixarmos colonizar por um padrão, por exemplo, inglês ou francês, que, ainda que partilhando connosco o alfabeto latino, apresenta diferenças que, para o efeito, deviam, aparentemente, ser tidas em conta? Por que não seguir sempre o critério seguido na transliteração do nome Quirguistão (ou Quirziguistão), em que foi, e muito bem, esquecido K utilizado na língua inglesa (Kyrgyzstan)? E por que é que, como se vê por este exemplo, não se obedece a um critério preciso, adoptando-se, antes, hoje isto, amanhã aquilo?
Um abraço,
João Paulo Palha
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De Pedro Correia a 25.02.2016 às 15:03

Por tradição, João Paulo, a nossa regra-base na transliteração seguiu de perto a norma francesa - pelo parentesco próximo, por se tratar de uma língua latina.

Lamentavelmente, nos anos mais recentes temos decalcado a norma inglesa, que provém de uma família linguística muito diferente da nossa. Isto faz-nos olhar com estranheza crescente as soluções adoptadas. Menciono apenas um exemplo: os ingleses não têm o som que identificamos com a nossa letra J. Procuram portanto solucionar o dilema da transliteração recorrendo ao fonema ZH - que por sua vez nos é totalmente alheio.
Acontece que hoje esta transliteração (do russo, do chinês, do árabe) se tornou corrente entre nós. Copia-se a todo o momento a língua inglesa até para este efeito. Mas é um erro.

Tendo a concordar consigo quanto à defesa do aportuguesamento total nas transliterações (o que nos levaria neste caso a escrever "Potemquine"). Mas prefiro sublinhar a vantagem em reaproximar-nos da norma francesa, que nos é tão familiar, sem prejuízo de nos autonomizarmos dela sempre que necessário (prescindindo do ditongo 'ou' a que eles recorrem para grafarem a nossa vogal U, por exemplo).
De resto, nos antropónimos e topónimos as letras K, Y e W nunca deixaram de constar do nosso alfabeto. Basta mencionar Washington, Koweit (e não Kuwait, à inglesa) ou Yorba Linda. Ou Wagner, Kant ou Yul Brynner.

Abraço
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De sampy a 23.02.2016 às 13:40

O título original vem da frase usada no livro, como metáfora da morte: "sleeping the big sleep". Se se traduzir em português para "dormindo o sono derradeiro", penso que se conserva razoavelmente o sentido e também a aliteração.
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 13:55

Perante um filme intitulado 'O Sono Derradeiro', sem mais, apetece dizer que faz sono. E de facto Robert Mitchum parece ter ar sonolento durante todo o filme. Li mais tarde que sofria de insónias crónicas.
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De sampy a 23.02.2016 às 15:03

Mas ao que parece, na dita rodagem o problema não foi tanto de sono mas mais de sede... :)
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 15:14

Eheheh. Com ele nunca havia o copo derradeiro.
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De sampy a 23.02.2016 às 13:23

Quanto ao livro: consta que as primeiras edições de Chandler em Portugal sofreram grandes truncagens. Não por conta da censura, nem de uma hipotética incompetência dos tradutores, nem mesmo por causa do texto de partida (noutros casos, só foi possível termos traduções de traduções); mas por opção/moda editorial à época.
Assim, para quem esteja interessado na obra em destaque, pode valer a pena recorrer ao original ou escolher uma edição mais recente. Atrevo-me a sugerir a da Porto Editora, prefaciada por Mega Ferreira.
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De Pedro Correia a 23.02.2016 às 14:03

Agradeço-lhe a sugestão. De facto ando há muito à procura de uma tradução aceitável de Chandler para português. Essa não conheço: serei cliente excepto se estiver em acordês, que não frequento.
Antigamente, de facto, havia editoras que impunham um número máximo de páginas para os livros: o que não cabia lá levava uma tesourada. Muitas edições não provinham da fonte original inglesa ou norte-americana, por exemplo no caso destes policiais, mas de versões francesas. E o tempo para traduzir era pouco ou nenhum. Um amigo meu que chegou a traduzir vários livros para a célebre Colecção Argonauta tinha uma semana para cumprir a tarefa.
Difícil haver controlo de qualidade com prazos destes.
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De sampy a 23.02.2016 às 15:33

Lamento...
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De sampy a 23.02.2016 às 15:56

Mas reparei agora que a tradutora é a mesma da da Livros do Brasil. Pergunto-me se será o mesmo texto (apenas passado para acordês)...
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De Pedro Correia a 25.02.2016 às 14:19

Provavelmente é. E se estiver em acordês por mim leva chumbo grosso.
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De Maria Dulce Fernandes a 24.02.2016 às 22:58

Um vampiro igual ao meu :)
Marlow, o filósofo, o amante de mulheres e garrafas de bebidas espirituosas de alta graduação... Um dos homens da minha vida, o Philip.
Se o livro é um dos meus velhos amigos o filme é outro. Se Bogart não correspondia ao ideal do detetive que se depreende dos livros, passou depois do filme a ser indissociável.
É um dos meus filmes. Guardo-o para rever em momentos especiais .
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De Pedro Correia a 25.02.2016 às 14:18

Um filme quase sem enredo, ou com um enredo tão mirabolante que parece inverosímil, tornou-se objecto de culto. Graças precisamente à 'persona' cinematográfica de Bogart e à química produzida no ecrã entre ele e Bacall. Claro que o facto de o livro se ter tornado desde logo, também ele, um objecto de culto facilitou. Chandler era um grande criador de atmosferas e sobretudo um mestre nos diálogos literários - característica que transpôs para o cinema, enquanto guionista.

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